Você não entende...
9 Capítulo 8: O plano do demônio.
Notas iniciais
O sinal da saída bate e vejo Lorena sair rapidamente, bosta. Arrumo meu material o mais rápido que consigo e quando boto a mochila nas costas, percebo que a sala já está vazia.
Quando saio da escola vejo Camila e outra garota lá na frente, mas nada da Lorena.
– Me procurando? — me viro e vejo Lorena junto de Murilo.
– Sim...
– Cara é sério que você vai lá e apenas espancar o cara? — pergunta Murilo — Cê é doido? Nem tudo se resolve com os punhos, pensa um pouco — ele revira os olhos.
– E o que você faz aqui?
– Ela me pediu ajuda pra controlar sua "brutamontice" — diz ele apontando pra ela.
– O que você pretende fazer? — pergunta Lorena. — Bater nele não vai adiantar.
– Como não? — cruzo os braços.
– Ele pode não aparentar isso, mas é bem forte...
– E daí?
– Daí que ela já foi campeão em taekwondo — diz ela irritada
– Não ligo, ele é apenas um velho doentio e nojento.
– Ele não é tão velho!
– Tá defendendo ele ao invés de quem quer te ajudar? — levanto ela pela gola.
– E eu por acaso pedi sua ajuda?
– Crianças, acalmem os nervos — diz Murilo fazendo-me soltar ela facilmente, quê?
– Cala a boca! — eu e Lorena dizemos em uníssono.
– Olha, meu plano é o seguinte: — ele diz nos ignorando — a mãe da Lorena vai chegar em casa hoje, segundo ela. Então que tal você pedir pra se encontrar com ela antes de ela ir pra casa?
– E se eu não conseguir?
– Bolarei um "Plano B".
– Conta tudo logo de uma vez — digo revirando os olhos.
– Bom, aí você conta tudo pra ela — ele sorri.
– Genial, — digo batendo palmas — até minha prima de nove anos pensaria nisso!
Na mesma hora, meu celular toca e é Rodrigo, droga ele vai vir me buscar, bato com minha mão na testa.
– Dá pra atender? Tá me dando agonia — diz ela com cara de nojo, vontade de bater.
Rodrigo me avisa que está chegando e invento uma desculpa falando pra ele que vou fazer um trabalho na casa de um colega, ele acredita e fala que quando eu acabar é pra ligar pra ele.
– Seu tio? — pergunta Murilo.
– Sim.
– Lorena, entendeu?
– Ela não acreditaria em mim agora, ele diz pra ela que não gosto dele e ela briga comigo.
– Já previ isso, então vamos a parte dois: você fala pra ela que tem como provar e que nós vamos te ajudar. O resto eu explico na hora.
– Não acho que isso vá dar certo — digo bufando.
– Nem eu — ela cruza os braços.
– Obrigado pelo otimismo... — ele diz cabisbaixo.
– Ei, — diz ela o cutucando — vamos tentar mesmo assim...
Ela liga pra mãe e põe no viva-voz, ela fala que já está a caminho de casa, então Lorena pede pra ela vir buscá-la e ela concorda.
– Ufa.
Dez minutos depois um carro para em nossa frente e de lá sai uma moça negra de cabelos curtos e cacheados, é como se eu tivesse vendo a Lorena mais velha, puta que pariu.
– Filha! — ela fala um tanto alto e abraça a Lorena.
Eu e Murilo ficamos observando de uma pequena distância delas.
– Mãe, eu preciso te contar algo...
– Sim?
– O Augusto... Ele não é esse cara perfeito que você pensa que é ele... — vejo ela chorar. — Ele abusa de mim... — ela diz tão baixo que eu mal consigo escutar.
– Eu sabia que uma hora você iria inventar uma dessas! — a mãe dela diz furiosa. — Você sempre quer nos separar, não é? Ele fala que você o esnoba e tudo mais! Logo quando eu supero tudo e finalmente fico feliz você dá uma dessas? Você não quer que eu siga em frente, sua mentirosa?! — a mãe dela chora.
– Mãe... Eu não...
– CALA A BOCA, VOCÊ NOS ODEIA TANTO ASSIM PRA MENTIR DESSE JEITO!? — vejo ela levantar a mão, pra dar um tapa e seguro seu braço.
– Moça — olho pra ela muito puto, — como assim você não acredita na sua filha?
– Lamentável — diz Murilo abraçando Lorena para acalmá-la, aproveitador!
– Quem são vocês?! Me solta moleque — ela afasta minha mão.
– Somos amigos da Lorena — ele diz ainda abraçando ela, quero espancá-lo. — Senhora por favor, não bata em sua filha sem motivos.
– Sem motivos? Ela está mentindo pra mim, mentirosos merecem punição.
"Quem merece punição é você", eu penso.
– Eu não sou mentirosa! — Lorena diz se soltando de Murilo e eu me sinto aliviado, nossa.
– Ela nos contou sobre sua situação e nós acreditamos nela, mas o mais lamentável é a própria mãe não acreditar — ele diz balançando a cabeça.
– Cúmplices? — ela ri e sinto vontade de bater nela, tão irritante quanto a filha. — Se vocês conseguirem provar isso pra mim, eu acredito.
– Ótimo, — Murilo diz — estava esperando por isso. Vamos até sua casa?
Ela olha pra nós e concorda suspirando, provavelmente ela pensa que é uma brincadeira ou algo do tipo, estou com tanta raiva cara.
~.~
Murilo pede pra ela estacionar o carro longe de casa, pois ele poderia ouvir, ele explica seu plano e nós apenas concordamos, a mãe de Lorena apenas fica bufando estressada falando para pararmos com essa "palhaçada".
Lorena toca a campainha e eu, Murilo e a dona Rosalene ficamos escondidos na parte de dentro de casa, sorte que o filho da puta vê televisão no volume máximo.
Ele abre o portão e olha Lorena irritado.
– Você demorou, Lorena — ele diz a puxando pra dentro e fechando o portão. — Por quê?
– T-Teve reunião do grêmio hoje... — ela diz nervosa e ele a abraça de uma forma estranha e tenho vontade de ir lá agora, mas Murilo me segura com uma força estranha.
– Sabe qual é a sua punição por chegar atrasada, né? — ele beija o pescoço dela e eu sinto meu rosto ferver de ódio.
– Não pode ser... — diz Rosalene baixinho chorando ao nosso lado.
Vejo o pedófilo passar a mão por dentro da blusa de Lorena e a beijar a força.
– N-Não... — ela diz afastando-se dele.
– Desculpa Lorena, hoje estou excitado.
– Augusto! — Rosalene grita se levantando de nosso esconderijo.
– A-Amor? — ele diz empurrando Lorena, ela cai no chão chorando. — Você armou isso pra me pegar, sua vadia? — ele diz olhando pra Lorena e eu corro até ele e dou um belo soco na sua cara.
– CALADO, SEU DOENTE — digo fazendo a pior cara que posso e Murilo ajuda Lorena a se levantar.
– Você é o garoto daquele dia... — ele ri se levantando. — Sabe, ela foi punida aquele dia por sua causa e por causa daquela garotinha fofa. — Eu imagino o ele fazendo a mesma coisa com Camila e corro até ele pra dar outro soco, mas ele chuta meu estômago tão forte que vejo estrelas. — Sinto pena de você, acha que seu punho resolve tudo?
– Augusto, sai da minha casa agora — diz Rosalene chorando furiosamente.
– Sair com vocês lembrando do meu rosto? Sabe de nada, inocente — ele ri.
– Augusto, você não...
– Pare de me chamar por esse nomezinho falso e ridículo, Rosa. Você achava mesmo que eu te amava? Eu amei mais sua filha do que você, aliás, ela sempre foi mais gostosa.
– Seu desgraçado — ele me chuta outra vez.
– Calado aí, moleque.
Vejo Rosalene segurar o celular e ele correr até ela e o pega, o derrubando no chão.
– Nem tente — ele diz quebrando o celular e a empurra, a derrubando no chão.
Vejo Murilo chutar as costas dele e ele cair no chão.
– A fraqueza de pessoas de cinquenta anos é a coluna, — ele diz — nunca te ensinaram a não agredir as damas, seu bastardo?
Fale com o autor