Você me Perdoa?
5 O Encontro do Líder com o Imperador
Notas iniciais
Era quase o por do sol quando o Imperador percebeu que seu cavalo estava ficando cansado.
Melhor: o cavalo de Mordecai. Ele amava o garanhão negro imensamente. Ele era uma lembrança constante de sua maior vitória, a memória viva de seu triunfo sobre seu maior inimigo.
Sorriu maldosamente enquanto se lembrava de sua procura por Mordecai em todo o campo de batalha, finalmente achando-o em seu cavalo; relembrou como abriu caminho através de seus órgãos como um Ceifador em um campo de milho, o sangue bombeando em suas veias e gotejando em seu corpo.
Ele bateu levemente no pescoço de seu cavalo com carinho. Desde aquele dia ele se tornou seu favorito.
Ele amava fazer longos passeios fora da cidade sempre que possível. O cavalo era rápido e forte. Literalmente, voava sobre a grama e as pedras. Ele adorava a sensação do vento frio de janeiro levantando seu cabelo, e acariciando sua pele curtida; ele amava o reflexo dos raios de sol brilhando em sua armadura.
Quem o via, via a imagem do poder e da beleza. Fazia que se sentisse vivo. Livre. Imparável. Todo-poderoso. Ele estava de muito bom humor quando voltou ao castelo. Anthony estava esperando por ele.
– Passeio agradável, Rei?
Seu estado de espírito dissipou-se imediatamente e levantou uma sobrancelha irritado.
– Qual o problema, Anthony? Ou você acha que eu realmente acredito que está interessado em meu passeio?
Ele balançou a cabeça, sorrindo.
– Nenhum problema em absoluto, meu Senhor! Tenho boas notícias! O líder dos rebeldes religiosos se entregou esta tarde.
– Ótimo! — ele exclamou, seu bom humor retornando.
– Ou devo dizer a líder. — o soldado adicionou duvidosamente.
– Explique-se.
– Bem, é outra mulher e ela é tão jovem... Eu não acredito que seja realmente seu líder.
Esdras respirou profundamente.
– Vamos descobrir logo. — deixou o cavalo com seu general e entrou no enorme castelo, passou por salas, escadas e corredores subterrâneos até finalmente alcançar o calabouço.
Um jovem abriu apressadamente a grade que delimita aquele canto do calabouço.
– Onde está a chefe dos rebeldes?. — ele perguntou, quase feliz.
O jovem curvou-se.
– Ela está com sua companheira, em sua cela, meu Rei.
Os olhos de Esdras piscaram de raiva.
– Quem ordenou isso?
– Bonacar, meu senhor. A menina... ela o convenceu a deixá-la ver a outra mulher... apenas por alguns minutos. Tracus está com elas no momento... No bloco oriental. — acrescentou às pressas e para seu alívio, Esdras o deixou.
"Até Bonacar, supervisor do meu calabouço. Esdras pensou com um rosnado."
Enquanto passava pelos corredores estreitos com passos longos e irritados.
"Só idiotas a minha volta. Os prisioneiros devem ser isolados tanto tempo quanto possível, principalmente nos primeiros dias aqui, e o que ele faz? Ele permite." pensou.
Suspirando, entrou no bloco oriental. O calabouço era totalmente horrível, mas esta parte era do que os prisioneiros tinham mais medo. Era o bloco da punição. Aqui as celas eram extremamente pequenas e tinham um teto baixo, até mesmo para um único prisioneiro era desconfortável.
Não tinham janelas, e embora fossem feitas para um prisioneiro, às vezes, os guardas colocavam dois ou três em um apenas para aumentar seu sofrimento. O ar era rançoso, com cheiro de carne humana suja. A única luz que os presos viam eram os raios se filtrando pelos corredores sob as portas robustas das celas. As paredes eram tão enormes que nenhuma luz ou som penetrava. Era impossível escapar.
Esdras se aproximou da sala em silêncio, e viu as duas.
Deitada no chão da cela, na cama de feno estava Meg. Seus tornozelos estavam acorrentados a um anel próximo ao chão e, da mesma forma, seus pulsos. Também, ajoelhada ao seu lado, com também tornozelos e pulsos acorrentados, estava outra garota, com cacheados cabelos castanhos, vestida singelamente.
Ela estava de costas para a porta e estava perto da cabeça da amiga. Nenhuma delas ouviu os passos do Imperador, nem o viram. Ele decidiu ouvir.
A menina estava falando, com uma voz macia.
– Estou confiante em Deus, Meg. Você vai ver... Em breve você estará segura em casa."
– Como você pode dizer isso? Eu sinto, Rute, mas seu sacrifício será inútil. Esdras nunca me soltará. Aquele monstro nos usará uns contra os outros!" respondeu Meg, fracamente.
Inclinando sua cabeça, preocupada, a menina chamada Rute perguntou:
– Você não está chateada comigo por ter vindo, está?
A mulher ferida, num esforço visível levantou a mão para tocar o braço da amiga.
– Não, não, como poderia, minha amiga? Mas eu estaria mais feliz se você estivesse segura...
– Agora é tarde demais, Meg. Eu estou aqui e não posso fugir.
– Sim. Agora é tarde. Nós morreremos juntas, então...
– Não diga isso, o Senhor lutára por nós, tenha fé.
– Que cenário desolador! — Esdras interveio, sarcasticamente. — Realmente me desculpem por interromper.
Rute se levantou, assustada com a voz, seu coração batendo rapidamente. O Imperador estava lá a apenas alguns metros dela. Ela sabia que esse dia viria cedo ou tarde. O momento em que ela teria que enfrentar o Imperador Cruel, o assassino de seu povo, aquele que é contra Deus, o pensamento constante em sua alma.
Rute sabia que sua prisão seria apenas uma questão de tempo. A captura de Meg apenas apressou o inevitável. Ela tinha imaginado este instante mil vezes, pensado em como olhar para ele, o que dizer, como explicar sua batalha desesperada.
Rute queria que Esdras aceita — se Jesus, queria explicar a importância disso. Seus amigos estavam sempre assustados por esses argumentos. Eles pensavam que era absolutamente impossível o Imperador mudar; ninguém poderia fazê-lo. Então por que correr o risco? Se seus discursos sobre Deus não funcionavam, como poderia um apelo pessoal?
Mas Rute não tinha certeza. Talvez fosse o orgulho, talvez excesso de confiança no Deus que sabia estar ao seu lado, mas ela sabia que mais cedo ou mais tarde, ela teria que tentar. E agora Rute amaldiçoou-se por não ter tentado antes. Sim, se ela tivesse tentado, quem sabe desse certo, e certamente Meg não teria sofrido toda essa dor.
Estava tão irritada consigo mesma por não ter vindo antes! Ela tinha pensado tantas vezes neste momento, e ainda assim se sentia tão perdida.
– Ajoelhe-se diante do seu Imperador, animal!! — o guarda gritou, tirando Rute de seus pensamentos.
"Perda de tempo, certamente dira que se ajoelha somente diante de seu Deus, também sou o ditador que odeia, ela não vai se dobrar a minha vontade. pensou Esdras"
– Perdão Imperador, mas não dobro meus joelhos perante pessoas, mas só na presença de Deus o Senhor! — afirmou Rute com olhos fixos no de Esdras. — E também não sou um animal.
O guarda levantou a mão e golpeou fortemente o rosto da garota o que a fez cair.
– Rute!!! — preocupada falou Meg.
O soldado pegou o chicote da cintura, pronto para bater — lhe novamente, mas o Rei interveio.
– Não... — ele olhou sem entender o Imperador mas guardou o chicote. — Muito bem, menina. — disse Esdras com um sorriso. — Levante-se e venha comigo. — ele indicou a porta.
Ela pode ser ou não a líder da resistência, não importa. Ela vai me dizer tudo que eu quero saber, e ela vai me dizer hoje à noite.
– Não ouse tocá-la, monstro! — Meg chorou enquanto Rute se levantava.
O guarda ia para cima de Meg, mas Esdras o parou com um movimento de sua mão e sorriu ferozmente:
– Se eu não quiser, você vai fazer o que?
Rute tentou mudar o foco de Meg para si e com um olhar determinado, perguntou:
– Você vai manter sua promessa? Você a libertará? Virou sua atenção para Esdras e esperou.
Mais uma vez, o Rei perguntou, seus olhos reluzindo perversamente.
– E se eu não liberta, você fara o que? — aproximou -se de seu rosto.
– Se você não fizer isso, é um mentiro e todas as coisas ruins que as pessoas dizem sobre você são verdadeiras! — afirmou Rute.
Em seguida, ela virou-se e baixinho, disse:
– Não se preocupe comigo, Meg, eu ficarei bem, quando sair desta prisão, apenas abrace os outros por mim. — sua voz amoleceu neste momento. — E diga-lhes que tão certo como Deus vive, eu os verei de novo.
Ela engoliu suas lágrimas.
Meg estava chorando e incapaz de dizer algo mais do que um sussurro.
– Oh, Rute... por que?
Rute virou-se novamente, incapaz de olhar sua amiga por mais um momento sem explodir em lágrimas e ela não queria, ela não podia.
– Estou pronta. — disse, levantando seus ombros, o Imperador acenou com a cabeça, e ela caminhou lentamente para fora da cela.
Esdras percebeu que Rute não tinha respondido à pergunta da menina, mas falou com sua amiga como se ele tivesse concedido a liberdade a elas.
" Garota estranha, ele pensou."
E seguiu sua nova prisioneira para fora. Enquanto o guarda fechava a porta, Esdras colocou sua mão na parte de trás do pescoço de Rute e a empurrou através dos corredores estreitos. Esse toque fez a mulher tremer. A mão de Esdras era fria como gelo, mas emanava uma estranha sensação de força e poder.
Ela se sentiu como um coelho nas garras do falcão. Tentou relaxar, deixar a mão guiá-la, sabendo que com um único toque O Imperador poderia facilmente matá-la.
Esdras estava pensando a mesma coisa:
"Eu poderia matá-la com apenas um toque, é tão fácil, e se ela é realmente a líder dos meus inimigos, isso os deixaria perdidos, mas não tenho certeza, ela é tão jovem... como pode ser tão importante? como pode ser tão estúpida se rendendo em troca de uma única promessa? e ela parece ainda mais relaxada que muitos guerreiros na mesma situação... ela não parece com medo, mas é impossível, ela é tão boba que não sabe o que a espera?, talvez, mas ao mesmo tempo não disse adeus a sua amiga, ela parecia confiante, gostaria de saber como vai se comportar quando ver a câmara de tortura. pensou Esdras."
O pensamento de trazer seus inimigos à câmara sempre lhe dava uma sensação estranha, uma sensação de poder absoluto. Senhores da guerra, reis, camponeses... ele gostava de ver suas expressões alterar de arrogância a temor, ao terror puro.
Desta vez... desta vez era diferente. Esta mulher era diferente. Parecia que ela cedia. Bem, vamos ver, pensou, estamos quase lá. E se manteve guiando a prisioneira segurando seu pescoço quente.
Pararam em uma grande porta de madeira com barras de ferro. O guarda imediatamente abriu e entrou primeiro. Estava escuro e emanava um cheiro estranho, algo como sangue, suor e carne queimada.
O guarda acendeu algumas tochas aqui e ali. Gabrielle pode ver primeiro uma mesa com martelos, facas e chicotes à sua esquerda e, em seguida, uma prateleira à sua frente e cadeiras sangrentas pendentes à parede no seu lado direito.
Entretanto ainda podia sentir que apenas uma parte muito pequena da grande sala estava iluminada, a escuridão escondendo quem sabe muitos outros instrumentos de tortura. Ela engoliu involuntariamente e tentou preparar-se para o que estava por vir.
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