Você devia ficar aqui
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Com a morte de Justine, a ex agente da CIA que organizou os ataques às famílias Weird, Yablonski e Clock, Jane ainda se encontrava na BPD olhando o vídeo de Nicholas Clock, Crowe sentiu-se raivoso por ter sido "derrotado" por duas mulheres. Jane ainda tinha um lugar para ir antes que os repórteres chegassem a ela, e a detetive precisava chegar a Brookline antes mesmo do furgão de TV das emissoras de Boston.
Ela sabia que ainda estava chateada por Maura colocar atrás das grades um tira. Mas Maura era assim, ela dizia a verdade e a ciência era como a matemática: se deu um resultado errado é porque está faltando alguma coisa, porque a ciência, assim como a matemática não mente, e Maura nunca mentia.
— Você quer mesmo sair de Boston, Maura? Você tem amigos aqui.
— Amiga. No singular.
— Se você soubesse o velório que fizemos quando pensamos que era o seu corpo naquele caixão, Maura... O departamento inteiro te respeita e te admira.
— De que importa se todos olham torto para mim? Sou que nem essas crianças, Jane: esquisita.
— Boston te abraçou.
— Cidade não abraça, pessoas abraçam, Jane. E vocês são todos frios e distantes e me sinto apenas como mais uma. Talvez eu devesse me mudar novamente.
Foi o que Maura havia dito para ela no início das investigações, quando Maura estava em Evensong, no Maine. Anthony Sansone não era um homem em que Jane confiava, na verdade, a única pessoa que ela confiava para ficar com Maura era ela mesma.
Jane estacionou o carro e tocou a campainha da casa da médica, el estava com uma taça de vinho e a convidou para entrar. Jane pegou sua cerveja, na geladeira, e sentou-se ao lado de Maura, no sofá.
— As crianças estão bem?
— Sim. Rato me disse que Will e Claire estão bem...
— Pena que Teddy nunca ficará. Talvez o pai dele nunca acorde.
— De todo modo, tudo está acabado... Infelizmente as pessoas inocentes não vão mais voltar.
— E como você está, Maur?
— Bem. Rato está bem em Evensong, Sansone disse que as portas estão abertas para Teddy... Mesmo que eu tenha passado minhas férias trabalhando, e não aproveitando a companhia de Rato, como eu pretendia, mas acho que no fim, valeu a pena.
— Você precisa ver o brilho que fica em seus olhos todas as vezes que você fala no Julian, é admirável...
— Devo isso a ele. Passamos maus bocados e criamos essa conexão. Ele tá crescendo tão rápido...
— Por que você não o adota?
— Não sei..
— Ele te enxerga como uma mãe, como a família dele... Pense só, ele pode te visitar nas férias, e você pode colocar uma sexta de basquete nos fundos para eu vir aqui e jogar com ele, o que você acha?
— E trazer Claire e Will também?
— Por que não? Acabamos criando vínculos com essas crianças, se analisarmos melhor.
— Talvez. Vou pensar a respeito.
Elas continuaram conversando no decorrer das horas, Jane não havia percebido que o tempo passara tão de pressa, depois de uma longa conversa, colocando tudo em dia, ela se despede de Maura.
— Amanhã é um novo dia — disse a detetive — nao vá embora, Maur... Todos precisamos de você aqui, e eu mais ainda...
Antes de cruzar a linha, e sem dar direito a Maura responder, Jane se despende da médica com um beijo no canto de seus lábios, e fecha a porta atrás de si. Maura não podia ir embora de Boston, Jane nunca precisou de alguém por perto como precisava de Maura.
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