Você de Novo
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Olhei para cada pessoa naquela sala de reuniões e continuei a falar.
— Voltando ao meu tempo como caloura no colegial... Eu venho de um pequena cidade aos arredores de Londres, e numa escola pequena como a minha sempre havia uma pessoa que era tão famosa que ofuscava todas as outras. Na minha turma, eu era essa pessoa. — As lembranças vieram rápido na minha cabeça. Todos aqueles anos humilhantes passaram como um filme em minha mente. — Eu li em algum lugar que a pessoa que você é no colegial determina quem você é pelo resto da minha vida. Eu rezava todos os dias que aquilo não fosse verdade. Além disso a sorte nunca esteve ao meu favor naquela época. Nem mesmo um pouquinho. Meus irmãos James e Albus eram um máximo. Em tudo. — Lembrei daquela vez no último jogo do campeonato estadual.
Todos estavam ali pra ver James. Albus também jogava no time da escola, mas aquele dia era o dia de James. Era o último jogo dele pela escola. Logo ele iria se mudar para os Estados Unidos e me deixaria aqui. Ele era a estrela do jogo. Cada movimento, cada passe que davam, preferenciavam ele. O jogo acabou. Em empate. Iríamos ao pênaltis. Mas é claro que ele iria que ira fazer o gol da vitória. Aquele era o seu jogo. Eu caminhei até onde ele poderia me ver e acenei para ele. Ele retribuiu, mas Alex estava ao meu lado e me olhou com nojo, me empurrando logo em seguida. Meus óculos caíram e eu não consegui ver mais nada. Cambaleei por um tempo, não via por onde estava indo, até que esbarrei em alguém. Era James. Ele se desconcentrou e errou, chutando a bola que bateu na trave. Todos uivaram. Mas eu sabia que não estavam uivando contra James, mas sim contra mim. James saiu insatisfeito do campo, sem olhar para trás. Quando me levantava, Alex veio e me empurrou de novo contra o gramado.
— Você não cansa de ser ridícula não? Olha o que fez sua otária! Perdemos o campeonato por sua causa. — Aí veio o primeiro tapa. — Você acha que é como seus irmãos? Eles são lindos e populares, conseguem tudo o que querem. E você só é mais uma perdedora nesse mundo. Você é patética Líllian. — O segundo tapa veio. — Nunca pense quem alguém gosta de você. Todos odeiam você agora. Principalmente James.
Depois ela saiu andando. Como se não tivesse acabado de me dizer todas aquelas coisas e me agredido. Não sei quanto tempo passei deitada no gramado ou quanto tempo passei pra chegar em casa. Quando pisei os pés na calçada da minha casa, não tive coragem de entrar pela porta da frente. Então contornei o jardim e subi na casa da árvore que papai e eu fizemos quando criança. Alguns minutos depois James apareceu. Tive vergonha de encara-lo. Ele se sentou do meu lado e passamos minutos em silêncio.
— Me desculpe. — Murmurei baixo, mas sabia que ele tinha me escutado. — Por favor não me odeie.
Ele se virou para mim e disse.
— Eu nunca odiaria você Luna.
— Mas eu fiz você perder aquele campeonato, eu sei que era importante pra você... — Respirei fundo, não deixando as lágrimas caírem. — As meninas tinham razão, eu só sirvo pra atrasar a vida das pessoas, sou uma fracassada.
James segurou meus ombros, me fazendo parar de falar.
— Quem disse isso pra você Lily?
— O quê?
— Quem te chamou de fracassada Lily? Porquê eu vou falar com elas agora...
— Não interessa James. Você não pode me proteger pra sempre. É a verdade.
James fez uma careta irritado.
— Eu queria que visse o quanto você é incrível Lily. Só precisa acreditar em si mesma, e quando acreditar, vai conseguir fazer tudo o que quiser.
Abaixei a cabeça e ele me abraçou.
— E é claro que meu irmão tinha razão quando disse que eu só precisava acreditar em mim mesma. Depois que ocorreram alguns... acidentes, eu mudei a forma que me via. Tirei o aparelho, comprei lentes de contato e passei a gastar mais de dez dólares em um corte de cabelo. Eu mudei muito desde aqueles dias terríveis, mas se não fosse a determinação daquela garotinha de Godric's Hollow, essa mulher que vocês veem hoje, não estaria trabalhando em uma das maiores empresas de relações públicas dos E.U.A, falando pros assessores de impressa e seus acionistas sobre quando eu era garota propaganda da equipe dos perdedores. — Todos na sala riram e eu abaixei a foto da minha formatura, a colocando sobre a mesa. — Meu pai me disse uma vez que você não controla as coisas que acontecem com você, mas pode controlar a forma que reage a elas. Tudo é percepção. Isso é o que chamamos de relações públicas.
As pessoas aplaudiram e murmurei algo como "Obrigada" para todos que vieram falar comigo.
Caminhei até meu chefe, o senhor Carwen, que estava na mesa de comida. O que não era uma grande novidade.
— Grande palestra Potter. Foi bastante inspiradora.
— Obrigada senhor. — Sorri, sentindo o orgulho de mim mesma percorrer o meu corpo. — De verdade.
— Agora eu preciso que pegue suas coisas.
Como é que é?
— O quê? O senhor disse pra eu pegar minhas coisas?
— Acertou na mosca Potter.
— Mas... mas eu só pedi dois dias folga, e é pro casamento do meu irmão! Senhor eu venho sendo umas das melhores pessoas que trabalham aqui nessas empresa a anos!
O senhor Carwen, se virou para mim, com um sorriso cheio de segundas intenções.
— Tem uma vaga. De vice presidente em Nova York. E ela é sua.
— O q-que? Eu... vice presidente?
— Só se você aceitar Potter.
— Mas é claro que eu aceito!
Eu olhei, e sem pensar duas vezes o abracei.
— Você merece Potter.
Eu saí da empresa mais feliz que nunca. Eu ia para Nova York. Ser vice presidente! Eu nunca fui tão feliz desde que saí da Inglaterra.
Desde que me formara em Harvard, saí de Massachusetts e vim morar em Los Angeles, com James, e vi trabalhar nessa empresa. Com muito esforço, em pouco tempo era uma das melhores colaboradoras e agora essa mega promoção pra Nova York! Nova York!
A cidade que nunca dorme. Só de me imaginar andando pelo Central Park, fazer compras na Times Square, ai que sonho!
Cheguei em casa e nenhum sinal de James ou Dominique, a namorada dele. Que se tornara uma grande amiga, se não a melhor.
Algumas horas depois, os dois chegaram de mãos dadas. Eu estava na cozinha e ouvi James chamando meu nome.
Os dois entraram na cozinha e eu não me contive. Parei me frente a James, que era muito mais alto que eu. Comecei a pular e a soltar gritinhos animados.
— Lily, para e me conta o que aconteceu. — Meu irmão me segurou pelos ombros e eu sorri radiante para ele.
— Recebi uma promoção. Fui transferida para Nova York e vou ser vice presidente! — Gritei a última parte e logo fui envolvida em um abraço e estava sendo tirada do chão.
Dominique começou a ser histérica comigo e ao final da noite eu estava sentada no sofá com James e Domi vendo um filme qualquer.
— Vou sentir sua falta maninha. — James soltou, abraçando a namorada. — Quando você vai?
— Assim que voltarmos do casamento de Albus. — Puxei a coberta para me cobrir e ouvi um fungar.
— Vou sentir sua falta Lil's'. Quem é que vai me acalmar quando eu estiver com vontade de matar o James? — Gargalhei com aquilo. Eu sentiria saudades de tudo isso. Principalmente deles dois. James foi meu porto seguro por tanto tempo e logo depois veio Dominique, conquistando o coração do meu irmão e o meu também.
— Não esquenta Domi, logo a gente faz as pazes e passamos horas fazendo sexo de reconciliação.
— Eca Sirius! Não preciso saber da vida sexual de vocês dois! — Joguei uma almofada na cara de James que só gargalhou. Eram quase onze da noite, e nosso voo sairia de dez da manhã. Odeio acordar cedo. — Amanhã vai começar o final de semana perfeito com o filho perfeito. Ah que saco!
Escondi a cara em uma almofada, gemendo em desaprovação.
— Relaxa Lily, a mãe e o pai só vão dizer o quanto estão orgulhosos de Albus a cada três minutos. — Jay sorriu irônico e Dominque lhe deu um tapa no braço.
— Não exagerem vocês dois. Vai ser no máximo a cada dez minutos. — Rimos e me deixei pensar sobre o que aconteceria neste fim de semana.
— Vocês não acham estranho a gente nunca ter visto a noiva de Albus? Tipo, eles namoram desde que eu me formei em Harvard e a gente nunca viu ela. — Olhei para Dominique, que me suplicava para não começar aquele assunto de novo.
— Não começa Lily.
— Começar o quê? A gente nunca viu nem foto dessa garota. Toda vez que vamos visitar a mamãe e o papai, ou o Albus viaja com ela, ou essa tal garota tem algum compromisso.
— É só uma coincidência Lily. — James falou e franzi o cenho.
— Só estou falando que é muito estranho. Não quero chegar em Londres e ver que meu irmão é um maluco e vai casar com uma boneca inflável. — Soltei e James gargalhou e Domi revirou os olhos.
— Admita que você não quer aparecer no casamento do seu próprio irmão Lily. — Domi disse e eu revirei os olhos.
— Não quero mesmo. Estou cansada de mamãe e papai colocarem Albus em um pedestal. O filho perfeito. Sempre dando orgulho pra eles. Ah, ele não é rebelde como James e nem tem problemas como Lily. — Disse com raiva. — Parece que eles não veem o que eu e James fazemos aqui. O que foi mesmo que eles disseram quando James ligou falando que tinha sido promovido a editor chefe no jornal? Somente "parabéns filho". Mas quando Albus chegou com aquela estúpida ideia de abrir aquela empresa ridícula, só faltavam dar o cu de presente para ele.
James suspirou. Ele sabia que ia ser difícil esse fim de semana na casa dos nossos pais. Principalmente pra mim. Que odiava a forma que eles tratavam Albus.
— Vai dar tudo certo Lily. Se a gente se irritar, é só pegarmos o primeiro voo de volta pra LA.
Sorri com carinho para meu irmão. Ele sabia exatamente o falar.
— Obrigada Jay. Ainda bem que vocês vão estar comigo lá.
James coçou a cabeça nervoso e Domi corou.
— Sobre isso Lily... Eu e Domi só vamos poder ir um dia antes do casamento.
— Como é que é? Mas como assim?
— Não me deram a folga completa. Parece que vou ter que fazer uma entrevista com algum membro importante da Casa Branca. — Suspirei me rendendo. Aquilo era uma grande oportunidade para ele.
— Tudo bem. — Suspirei e James e Domi vieram me abraçar.
— Vai dar tudo certo Lily. — James murmurou.
Eu nunca quis tanto acreditar numa mentira.
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