Regina desperta tranquila em uma cama conhecida e quente. Sorri ao sentir o cheiro de seu marido adormecido ao seu lado e aproveita o momento para admirar aquele a quem supostamente havia dado a vida. Era a sua criação ou seria petulância demais, pensar assim?

Lindo, morno e totalmente indefeso, deitado de bruços e alheio ao que poderia acontecer. Certamente algo ruim não seria, porque Regina estava disposta a defender aquele homem de todo e qualquer ataque. Iria lutar por ele e pelo amor que estavam construindo. E como aquilo a enchia de orgulho!

O amor que aquele homem demonstrava, seus cuidados e sua devoção eram as únicas coisas certas em sua vida atribulada e desregrada. Aquele relacionamento era o segundo ato correto em sua existência, desde a adoção de Henry.

Movimentando-se na cama, Vasco vira-se para fitar Regina. Sonolento, ele sorri e pisca lentamente, acostumando os olhos com a pouca claridade que entrava pela janela.

– Bom dia, minha rainha...como está se sentindo?

– Apaixonada. – ela se senta na cama. – Com a absoluta certeza do que quero em minha vida e com quero viver enquanto for possível.

– “Não é eterno posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure.”

– Não desejo mais solidão em minha vida, Vasco. Quero muitos sons e muitas cores!

Ele sorri e passa as mãos pelo rosto. Queria passar mais tempo naquela cama com sua amada, mas sabia que seus trabalhos gritavam seus nomes e com urgência. Ia levantar-se, quando sente as mãos de Regina pedindo para que ficasse um pouco mais.

– Fique conosco esta manhã. – ela sorri maliciosa.

Vasco estreita os olhos e fica pensativo por alguns segundos. Ele havia ouvido corretamente? Seria alguma brincadeira de sua esposa?

– Conosco, você me disse?

Regina apenas concorda com um movimento de cabeça. Em seguida começa a rir e é acompanhada por um marido encantado e histérico.

Passava do meio dia quando Henry decide visitar Regina. Desde a saída dela do hospital, os dois não haviam conversado pessoalmente. Algo em seu peito dizia que ele precisava estar lá com ela. Não sabia o porquê, mas precisava.

Quando chega à casa da mãe, Henry a encontra comendo uma salada de frutas, sentada em um dos sofás e fazendo algo impensado para alguém com sua personalidade: vendo televisão. Ainda vestindo pijamas e calçando pantufas, Regina sorri largamente ao ver o filhote vindo em busca de um abraço.

– Olá, meu amor! Quantas saudades!

– Fiquei preocupado e quis saber de sua saúde. – ele se senta ao lado dela e permite ter os cabelos acariciados. – Falei com Vasco ontem, mas ele foi tão evasivo.

– Ele me contou sobre sua visita.

– Vasco não simpatiza comigo. É respeitoso, mas não curte a minha companhia. – o garoto sorri. – Principalmente depois que descobri a origem dele. Não irá perdoar-me, não é?

– Dê tempo ao tempo. A convivência irá aproximar vocês dois. – Regina toca o queixo fino do filho. – Gostaria de fazer um jantar para nossa família, mas Vasco não quer que eu me esforce. E ele não demonstrou interesse em cozinhar.

– Mandamos buscar pizza com refrigerante!

Os dois riem.

– Henry, eu tenho uma notícia para você e ficaria ainda mais feliz se não reagisse mal.

– Humm! Pelo visto a notícia é ruim!

Regina nega com a cabeça e morde o lábio inferior. Sente-se nervosa para contar a novidade.

– Vasco e eu...não sei como dizer sem que provoque...

Henry a olha com preocupação. Aproxima-se da mãe e toca os cabelos dela.

– Fale, mãe!

– Vasco e eu iremos ter um bebê!

Com o rosto tomado de surpresa, Henry levanta-se do sofá e começa a andar de um lado ao outro. Pensa, pensa e pensa como manifestar seus sentimentos. Naquele momento nenhuma palavra vinha à sua mente fértil. Tudo havia sido apagado de seu vocabulário.