Você Sempre Vale a Pena
9 Capítulo 9: Derek
Notas iniciais
Aquela confissão de Stiles não me assustou nem um pouco.
“Eu esperava algo muito pior...” Pensei com descaso. Se Stiles me dissesse que tinha um outro relacionamento seria mais chocante.
Contudo, estava deitado na cama exatamente onde a janela aberta deixa a luz do sol bater diretamente em minha perna e aquilo começando a me queimar, de forma que estava desconfortável. Sem um aviso prévio, me levantei para fechar as cortinas, justamente quando Stiles tinha terminado de me dizer qual era seu “Grande Segredo”.
Quando voltei ele estava com uma cara péssima e aparentava muito desapontado. Sua cara estava tão ruim que precisei perguntar:
— Stiles, que cara é essa? Alguma coisa está errada?
— Não Derek. Só que me parece que você não gostou muito do que lhe disse. Eu disse a você que isso iria... — Ao me dar conta do que ele estava dizendo, não consegui me parar. Comecei a rir muito de suas palavras. Ele me observou rir por alguns minutos e depois fez uma careta.
— Derek! — Ele chamou minha atenção. — Isso é sério, porque você está rindo?
— Stiles, eu não me assustei com a sua fala, meu bem. — Falei, me recuperando de minha pequena crise de riso. Eu o encarei seriamente e prossegui. — Meu anjo, eu me levantei da cama por causa que o sol estava me queimando e não porque você disse que estava envolvido com BDSM. Apesar de não conhecer tanto assim do estilo de vida e não ser um dominador, eu tenho uma personalidade bastante dominante.
— Ah é? E você sabe o que é ser dominador e ter uma personalidade dominante? — Disse Stiles com um arquear da sobrancelha.
— Eu não sou um completo leigo nesse assunto, Stiles. — Respondi, também levantando minha sobrancelha.
— Sim... Eu percebi isso. Você gosta de bondage. E adora mandar na cama. — Ele disse com um sorriso sacana no rosto.
— Não exatamente. — Murmurei. — Eu só... Só não suporto pessoas me tocando. — Disse por fim. Havia um nome correto, mas eu preferia não pensar muito nele.
“Afefobia.”
Ele me encarava com olhos de uma criança curiosa, mas não fez a pergunta que eu lia em seu olhar, então eu continuei falando:
— Mas preciso admitir... Eu nunca senti tanto tesão por uma pessoa, quanto senti por você ontem. Ter você mendigando por minha presença, ver você tão entregue, vulnerável e a minha disposição... — Apenas os flashes de nossa noite eram o suficiente para me deixar duro. Eu precisava me acalmar e conseguir ter uma conversa normal com Stiles sem querer levá-lo para cama. A última coisa que queria, era ele achar que nosso caso seria apenas uma noite de sexo.
"Mas não era?" Me perdi nesse pensamento. Talvez fosse no começo, mas agora eu estava mais do que disposto a ter alguma coisa a mais. Stiles era uma caixinha de mistérios e eu estava me divertindo em desvendá-lo.
Percebi que Stiles havia me feito uma pergunta direta, mas acabei não ouvido, por isso apenas troquei de assunto.
— Mas, então, Stiles, como você entrou nesse estilo de vida BDSM? — Falei, sentando na cama de forma que minha semi-ereção ficasse escondida. Olhando para ele fixamente, enquanto colocava um morango que estava em uma tigela do restante do nosso café no aparador na boca e mordia.
— Bom, eu não sei. Eu acho que eu sempre fui assim. Hoje em dia eu só sei que não estou sozinho e que existe um nome para isso. Submisso. — Ele riu de uma forma tão gostosa que me peguei sorrindo para sua risada. — Eu acho que foi a melhor coisa que eu fiz para mim mesmo, eu me aceitei pelo o que eu sou e assumi isso para mim.
— A sua família sabe disso?
— Bom, sabem que eu sou gay sim. Que eu sou um submisso entre quatro paredes, não. Eles não precisam saber dessa parte de mim. Eu já fiz o mais importante. Assumir isso para mim mesmo e me aceitar como uma pessoa digna e não como escória reclusa do mundo.
— Fico orgulho de você por isso. Realmente, meu bem. — Eu disse isso com a maior sinceridade do meu coração, tinha orgulho de pessoas que eram capazes de assumir as coisas sem medo dos estereótipos previstos.
Stiles olhou para mim com uma cara mais séria e me perguntou algo que eu não tinha certeza se eu queria responder.
— A sua família biológica? — Ele disse meio receoso, mas não poderia se segurar mais. Eu engoli em seco e falei o que era de costume.
— Minha família biológica inteira morreu em um incêndio.
— Eu sei disso, Senhor Wikipédia. Afinal, é de domínio público essa informação. — Ele respondeu sarcasticamente.
— Sim... Todos sabem disso, mas o que ninguém sabe é que foi um incêndio criminoso. — Depois que lhe falei isso, Stiles me olhou surpreso e abriu a boca para falar alguma coisa, mas o telefone celular dele tocou e nos salvou de um momento que tinha se tornado constrangedor.
— Desculpe, mas é Scott e eu preciso atender, antes que ele chame a guarda-costeira para me procurar. — Ele disse tentando amenizar o clima com um sorriso.
— Tudo bem meu anjo, pode atender. Eu vou levar as louças para cozinha. — Eu disse, retribuindo o sorriso e dando um leve beijo em sua boca antes de pegar o aparador de cima da cama e levar para cozinha com restante do café da manhã.
Foi para a cozinha e fiquei um bom tempo debatendo internamente porque eu tinha dito aquilo para Stiles. Eu nunca tinha falado isso para ninguém, exceto para meu terapeuta e Chris.
“Onde eu estava querendo chegar?”
Tentei compreender o que eu estava fazendo, mas estava sendo em vão. Stiles tinha uma maneira desconhecida de me deixar fora de órbita.
Voltei para o quarto e vi Stiles olhando para o celular tristemente, enquanto mordia a ponta do dedo. Ao me ver ali, ele se assustou e acabei me preocupando com ele.
— O que houve, meu bem?
— Eu preciso ir, Derek. Eu não queria, mas meu pai quer jantar hoje... — Ele disse choramingando, como se eu fosse temesse me deixar bravo.
— Oh, anjo. Tudo bem, nós vamos embora. Se você não percebeu ainda, Stiles, isso não foi um caso de uma noite só. — Terminei de falar e o agarrei pela nuca, o beijando intensamente. Ao me afastar, ele estava ofegante e me pude ver a clara surpresa e admiração em seu olhar. Porém em questão de segundos, ele foi capaz de esconder esses sentimentos.
— Vamos. Tenho que te deixar em casa para o seu jantar de família e me preparar para o meu. Que será quase como um julgamento, já que nunca durmo fora de casa. — Falei, me levantando da cama e caminhando até o closet para me vestir. Peguei uma cueca da Calvin Klein cinza e caminhei para o interior do quarto já falando:
— Na verdade, acho que devemos marcar um jantar com as famílias futuramente. — Terminei a frase jogando a cueca para ele, que ainda tinha uma expressão de espanto e a boca em um formato de ‘o’ delicioso.
— Jantar.... Em família? — Ele parecia surpreso.
— Vista. Essa cor combina com você. — Disse e sai em direção ao closet, me lembrando da noite passada e ele preso na cama com a minha gravata cinza. Intencionalmente não respondi a pergunta de Stiles. Eu iria provocá-lo até o limite.
Fizemos a viagem toda de volta sorrindo e nos comportando como dois adolescentes. Trocávamos pequenos beijos e sempre que possível, eu conseguia alguma forma de acariciá-lo. Eu estava encantando com sua pele macia. Quando estávamos no meu carro, dirigindo em direção a casa de Stiles, eu em um súbito momento de sinceridade e afeição, resolvi soltar mais um pedaço da minha vida para ele.
Não parei para refletir sobre as consequências, apenas me deixei guiar pelos instintos
“Eu sei que posso confiar nele, embora não tinha certeza de como sabia disso.”
— Depois do incêndio, eu só me lembro da enfermeira que cuidou de mim e dos meus ferimentos. Ela foi o meu anjo da guarda. — Eu disse o encarando no final e ele me deu um olhar complacente.
— Você quer me dizer quem é?
— Melissa McCall.
— Calma! — Ele parecia realmente atordoado com a notícia. — Você está dizendo que a mãe do Scott que cuidou de você? — Ele fez uma pausa e continuou histericamente. — Foi por isso que você aceitou fazer a entrevista com Scott, não é? Foi por causa da mãe dele! Eu devia ter imaginado! Você nunca tinha dado entrevistas a ninguém... — Ele começou a divagar e eu não pude resistir em sorrir pelo jeito amável que ele ficava, quando se animava com alguma coisa
— Baby, chegamos na sua casa.
— Não, primeiro você tem que me responder se foi por isso! — Ele me encarou e sustentou meu olhar, pronto para uma argumentação.
Eu dei um beijo nele e disse:
— Você deve ir, seu pai está te esperando eu te vejo na empresa na segunda.
— Mas Derek...
Eu o cortei de novo indo abrir a porta do carro para ele e o levando até a porta do apartamento, ele fez um beicinho e cruzou os braços enquanto dizia:
— Você não vai me falar mesmo?
— Te vejo em breve, meu bem. — Dei um selinho com uma piscadinha conspiratória e sai de lá, quando estava descendo as escadas eu podia escutar ele gritando:
“Eu sabia, eu sabia!”
Arranquei meu carro enquanto ria e depois soltei um suspiro. Era a primeira vez. Desde a morte da minha família, que eu me atrevia a dizer que havia me divertido completamente.
Segunda-feira eu estava tão excitado em ir trabalhar. Poder ver Stiles era o suficiente para me fazer entrar na empresa sorrindo e dando bom dia. Mas conforme a manhã foi passando meu bom humor foi se desfazendo, principalmente por não ter visto Stiles. Estava prestes a ligar para o setor de T.I, quando meu olhar caiu sobre o calendário da minha mesa. Ao ver que hoje era o dia que eu testaria as habilidades de Stiles, voltei a ficar de bom humor.
Esperei pelo horário de almoço da equipe e quando desci para o restaurante da empresa, senti todos os olhares se voltarem para mim. Ignorei os burburinhos e cochichos e continuei entrando no recinto. Comecei cumprimentando a todos que eu já tinha visto pelo menos uma vez. Quando encontrei quem eu gostaria, o encarei tão descaradamente que Stiles abaixou a cabeça corando e sorrindo timidamente.
Continuei andando até a mesa dele, mantendo meu olhar sempre focado em seu belo rosto. Stiles levantou sua cabeça e naquele minuto, senti uma corrente elétrica percorrer meu corpo.
— Está tendo um bom almoço Sr. Stilinski?
— Claro, Sr. Hale. — Ele disse, se recompondo um pouco e sorrindo de volta.
— Preciso que vá na minha sala mais tarde. Eu acho que eu queimei meu computador de mesa e preciso dos seus serviços. — Disse isso dando um sorriso malicioso e uma piscadinha enquanto saia de perto dele e ia buscar meu almoço. Sorri ao ver que ele estava corado e um pouco tímido.
Quando era mais ou menos três horas da tarde, Stiles apareceu em meu escritório sorrindo e perguntando:
— Em que posso te ajudar, Sr. Hale?
— Eu acho que queimei meu computador, você poderia dar uma olhada? — Eu disse, com a minha melhor cara de inocente.
— Claro, Sr. Tudo para o seu agrado. — Ele estava me provocando e estava conseguindo. Sai da minha mesa e abri espaço para que se sentasse na minha cadeira.
Quando ele se sentou eu me instalei atrás da cadeira, coloquei as minhas mãos nos braços da poltrona e sussurrei em seu ouvido, respirando profundamente em seu pescoço.
— Você vai ser capaz de resolver meu problema, Stiles. — Perguntei, com uma voz ofegante.
— Sempre, senhor. — Ele disse, olhando para mim e os nossos lábios quase se encostaram.
— Então faça o seu trabalho. — Me endireitei, mas ainda continuei com as minhas mãos sobre a cadeira.
Ele começou a digitar e depois de menos de um minuto, olhou para mim surpreso e perguntou:
— Você usou o meu vírus Samara em seu computador, Derek?
— Mas é claro! Eu deveria testar todas as funções descritas em seu curriculum. Além do mais, como eu saberia se você estava mentido sobre algum item nele só para me impressionar? — Terminei de falar, com um sorriso sacana e ele semicerrou os olhos em minha direção.
— Você não tem limites, não é mesmo?
— Bom, eu nunca disse que jogaria limpo para te ter ao meu lado, baby.
— Comprovamos que eu sou totalmente fiel ao que disse na minha entrevista e dados, o seu problema está resolvido, Sr. Hale. Vou pedir para que alguém traga um computador reserva enquanto ajusto esse.
— Eu sabia que você era o melhor Stiles. Sempre posso contar com você.
— Sempre, Senhor.
Dito isso, eu virei o virei em minha direção e o beijei com toda a fome que eu estava dele. Quando nos afastamos, estávamos ofegantes e com um olhar que exalava calor e tesão. Ele limpou a garganta e começou a se levantar.
— Eu tenho que ir agora, Sr. Hale. Isso não é muito apropriado.
— A empresa é minha. Eu faço as regras. — Rosnei, agarrando-o novamente.
— Menino mimado?
— Não, um homem com objetivos bem definidos... — Voltei a beijá-lo com toda saudade que havia dentro de mim.
Ele saiu da minha sala se ajeitando e eu voltei a me sentar atrás da minha mesa. Suspirei e passei os dedos sobre os meus lábios, eu ainda podia sentir o seu calor e seu gosto tão perto sobre mim.
No final do dia, eu estava pronto para ir para casa. Quando estava me levantando e pegando o meu paletó do outro lado da sala, Boyd entrou em meu escritório e me lançou um olhar sombrio, que arrepiou os cabelos da minha nuca. Ele geralmente se anunciava antes de entrar e se entrou assim tão de repente era porque o assunto era sério.
— Eu tenho algumas informações importantes para dar a você, Derek. — E com aquela frase, minhas suspeitas se confirmaram.
“Certo. O que quer que ele vai me dizer é grave.”
— Fale logo, Boyd. Você está me assustando. — Praticamente implorei.
— Você não sabe que acabou de chegar na cidade?
— Quem? — E com a resposta que ele me deu. Eu já sabia que os meus piores pesadelos estavam sendo trazidos a vida.
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