Você Sempre Vale a Pena
31 Capítulo 31: Derek
— Como assim Stiles sumiu? — Lydia perguntou. — Já tentou procurar na sua casa?
Revirei os olhos com aquela pergunta idiota e tentei controlar minha fúria.
“Lydia não tem culpa de Stiles ter sumido, Derek, se controla!”
— Sim, senhorita Martin. Eu já o procurei pela casa, jardins, tentei celular... Mas nada. Stiles desapareceu como poeira no vento.
Allison e Scott me olhavam assustados e eu imaginei que nossos pensamentos estavam caminhando para a mesma direção.
— Você acha que... — Allison começou a falar e eu a interrompi.
— Mestre Zane, fique de olho na festa por mim? Preciso subir para resolver isso.
Zane acenou com a cabeça e depois fiz um sinal para que Scott me seguisse. Seguimos em silêncio até a sala da mansão. Quando chegamos lá, encontramos com John, Melissa e Chris assistindo televisão.
— Cansaram da festa, meninos? — Melissa perguntou docemente. Mas ao ver nossas caras de espanto, ela se preocupou. — Está tudo bem?
— Não. Stiles sumiu... E eu acho que foi Peter. — Respondi temeroso.
— O quê? Vocês têm certeza? — John começou.
— Infelizmente. Já tentei de tudo. Ele desapareceu como poeira no vento.
— Devemos avisar a polícia? — Chris olhava preocupadamente para mim e para o xerife.
— Não vai adiantar. Só vão considerar um sequestro depois de 48 horas. — John respondeu em um lamento. — Peter levou meu filho?
— E quem mais faria isso? — Allison rosnou.
Scott saiu da sala por um tempo e quando voltou, trazia meu notebook em uma das mãos e na outra um pendrive.
— O que você pretender fazer, Scott? — Perguntei, quando ele se sentou no sofá com o computador.
— “Find My Iphone”. Com sorte Stiles está com o celular dele e vamos localizá-lo assim...
— Você sabe a senha dele? — Perguntei surpreso, nem eu sabia.
— Não é muito difícil descobrir. — Scott digitou “Derek” e segundos depois a página de localização do celular de Stiles abriu. Em circunstâncias normais eu teria achado engraçada essa senha, mas agora, o máximo que consegui foi sentir um aperto ainda maior no peito. — E ele ainda se diz ser um gênio da computação.
Esperamos para que o telefone de Stiles fosse localizado, mas depois de dois minutos, uma mensagem de erro havia aparecido.
— Peter deve ter desligado o sistema de localização. — Disse frustrado.
— E agora? — Melissa perguntou.
— Esperamos. Ele vai entrar em contato. — John garanti, mas o medo presente em suas feições me fazia questionar se ele conseguiria esperar até Peter fazer contato. — Eles sempre entram. Peter está querendo chamar a atenção e nos fazer entrar em pânico para que a gente entre no jogo dele. Mas o objetivo dele é outro, precisamos nos manter calmos e esperar ele dar o primeiro passo para conseguirmos traçar um plano diante disso.
“Sempre pensando como um xerife” pensei olhando para John.
Ficamos sentados ali, olhando um para o outro. Não adiantaria nada, todos sabiam disso, mas ninguém conseguiria dormir. Já passavam das três da manhã quando eu desisti de ficar ali na sala e fui para meu quarto. Me deitei na imensa cama e puxei os travesseiros de Stiles para perto de mim. Eu precisava sentir ao menos o cheiro dele.
“Que ele esteja vivo... por favor!” Implorei.
Acabei adormecendo agarrado aos travesseiros que Stiles usava. Mas não foi um sono tranquilo e fiquei eternamente grato ao sentir meu celular vibrar. Quando vi que havia uma mensagem de texto um fio de esperança se acendeu em mim. Stiles podia estar tentando entrar em contato.
Desbloqueei a tela o mais rápido que pude e vi que havia um vídeo sendo baixado. Assim que o download terminou, o reproduzi.
Eu não podia dizer o que senti ao ver Stiles amarrado em uma coluna de madeira. Ao mesmo tempo que senti um alívio por vê-lo vivo um terror tomou conta de mim. Quem quer que estivesse com ele não pretendia fazer coisas boas.
“Peça para Derek vir aqui te salvar!” A voz de Peter causou um arrepio em mim e todo o alívio foi substituído pelo mais puro terror. O que quer que Peter estivesse planejando não seria boa coisa. Quando vi que ele tinha em mãos um flogger com pontas metálicas, entrei em pânico.
“Nunca! Você superestima meu valor para ele.” Ao ver Peter acertar Stiles pela primeira vez, senti meu coração parar. Eu queria parar de assistir o vídeo, não queria ver como aquilo ia terminar, mas eu estava petrificado com o celular em minhas mãos. Meus maiores medos haviam se concretizado e eu não sabia por onde começar a lidar com isso.
A cada golpe que Peter dava em Stiles um pedaço também se feria e alimentava ainda mais minha vontade de promover uma vingança. Quando o vídeo terminou eu voltei para as mensagens e havia uma para ser lida.
"Mostre isso para alguém e a próxima coisa que receberá,
será o coração dele em uma caixinha dourada :)"
"O que vc quer?"
"Skype agora. Não conte a alguém sobre
nosso encontro, ou você já sabe :)"
"Seu doente! Eu vou acabar com vc!"
Ainda revoltado com Peter fiz logo o que ele queria e entrei no Skype. Não demorou mais do que cinco minutos para que nos adicionássemos e eu iniciasse uma chamada de vídeo. Peter rapidamente atendeu a chamada e assim que o vídeo foi ligado, me deparei com Stiles, sentado em uma cadeira, amordaçado e com as mãos amarradas.
— Stiles! — Chamei e nossos olhos se encontraram. Vi que ele tentou falar alguma coisa, mas a mordaça o impediu. Meus olhos percorreram por todo o seu corpo. Era possível notar alguns vergões em seu braço e eu deduzi que fossem por causa do que eu vi no vídeo. Sua bochecha esquerda estava vermelha e inchada, mas no geral ele estava bem.
“Tão bem quanto qualquer um estaria ao ser sequestrado por um maníaco.”
— Olá, querido sobrinho... Sentiu falta do seu titio? — A voz de Peter me causava uma onda de enjoo profundo e tudo o que eu queria era descobrir logo onde ele estava e salvar o meu menino daquele monstro.
Peter continuou a falar e me ameaçar por vários minutos e eu não sabia por onde recorrer. Parte de mim acreditava que ele estava blefando em todas suas ações, mas quando ele realmente queimou Stiles pela primeira vez com o atiçador de lenha, percebi que Peter iria até o final com suas ações.
— Não! Seu maldito, desgraçado, filho de uma... — Xinguei. Eu não podia acreditar que aquilo era real. Peter havia queimado Stiles. Ele não estava medindo as suas ações ou as consequências delas. Olhei para o rosto de Stiles, que era uma máscara de dor. O suor se misturava com as lágrimas e pequenos gemidos de dor escapavam de seus lábios.
— Você ainda acha que estou brincando?
— Tudo bem, Peter! Eu aceito sua proposta! Eu vou até você.
Era o fim. Peter havia conseguido me manipular para fazer exatamente o que ele queria. Ele sabia que eu faria tudo para ter Stiles salvo do meu lado.
— Desculpe docinho, mas preciso incentivar nosso amigo ali a andar rápido. — Ele disse isso e queimou pela segunda vez Stiles. Meu menino devia estar sentindo muita dor, pois depois disso ele desmaiou e ficou mole diante da câmera.
— Seu bastardo! Eu já disse que vou até você! — Tentava manter minha voz sob controle, pois sabia que se ouvissem essa minha conversa, os outros iriam aparecer no meu quarto e descobrir tudo isso.
— Você sabe o que vai acontecer se você trouxer a polícia, não sabe? — Mais uma vez Peter colocou o atiçador bem próximo de um Stiles desacordado. Tudo o que eu queria era ir até ele o mais rápido possível. Eu precisava chegar até Stiles para poder cuidar do meu menino.
— Não irei. Eu juro. Só me passe o endereço e eu aparecerei aí. Nós vamos poder resolver tudo isso. Só nós dois. — Implorei. Peter mandou a localização do lugar em que ele estava com Stiles e me deu o prazo de uma hora para chegar até lá, ou Stiles pagaria por cada minuto de atraso.
— O que eu vou fazer? — Sussurrei para mim mesmo, colocando as mãos no meu cabelo e puxando. Eu tentei controlar minhas lágrimas, mas saber que Peter havia machucado permanentemente Stiles me doía.
“Ele carregará isso para sempre. Emocionalmente e fisicamente.”
Olhei para a tela de bloqueio do meu celular e tudo desabou sobre mim. Havia tirado essa foto dele em nossa viagem à Aspen, em um momento de total descontração. Ele olhava tranquilo para as montanhas cobertas de neve e tinha um sorriso tão encantador, que se eu já não fosse apaixonado por ele, me apaixonaria ali naquele segundo. Deixei que as lágrimas escorressem pelo meu rosto enquanto acariciava a tela.
— Você não vai encontrar ele sozinho. — Ouvi a voz de Scott e me assustei. Quando levantei a cabeça, o encontrei parado na porta do meu quarto.
— Scott...
— Você não vai encontrar Peter sozinho. — Ele tornou a repetir.
— Ele... Ele não entrou em contato. Só não sei o que farei para conseguir Stiles de volta. — Desconversei.
— Eu sabia que Peter faria um contato direito com você, por isso usei o programa hacker que Stiles tem para hackear o seu computador. Eu assisti toda à chamada do Skype.
— Então era isso o que tinha naquele pendrive! Eu não acredito que você teve a coragem de me hackear!
— Se for preciso roubar vinte milhões seus para ter Stiles de volta, saiba que eu o farei. Então você já pode imaginar que invadir seu computador não será nada demais para mim. Estamos falando do meu melhor amigo, meu irmão! Não posso simplesmente deixar que fique desaparecido.
— Scott, você sabe que eu devo ir. Você viu o que ele fez com Stiles para me ameaçar. Imagina o que ele fará se souber que mais alguém viu a chamada.
— Ele não saberá que eu vi a chamada. Eu não vou deixar você se arriscar em um plano suicida. O máximo que vamos conseguir nisso é enterrar vocês dois. E eu não estou disposto a ver isso acontecer.
— Se você for comigo, ele matará nós três. Isso se não matar Stiles antes. Me deixe ir sozinho. Se eu falhar, você saberá onde nos encontrar.
— Onde encontrar o corpo de vocês dois, você quer dizer! Derek, isso é suicídio.
— Por favor, Scott! E isso não será um suicídio se Peter morrer antes.
— O que você quer dizer com isso, Derek?
— Scott, me deixe lidar com isso. Okay?
— Você terá uma hora para resolver isso. Se dentro dela você não me ligar avisando que Peter está morto, contarei ao xerife. E vamos chamar a polícia. E invadir o lugar e estourar essa porra toda. Você está me entendendo?
— O que te faz ter tanta certeza que eu vou matar Peter? — Perguntei.
— Porque se você não o fizer, eu o matarei. — Scott respondeu sombriamente. — Ele não vai sair dessa vivo.
Olhei profundamente para e Scott e vi toda a certeza naquele olhar.
— Ele não vai. Ninguém mexe com minha família duas vezes. O que ele está fazendo com Stiles é imperdoável. Ele vai ter o que merece.
— Vou manter os outros ocupados durante seu prazo — Ele pegou meu celular e ativou a contagem regressiva, fazendo o mesmo em seu celular. — Mas só por uma horas, nem um minuto a mais.
Assenti para Scott e usei o elevador do quarto para chegar até a garagem, sem chamar muita atenção. Parei na sala de segurança ao chegar na garagem e procurei por Boyd.
— Senhor Hale. — Ele me cumprimentou formalmente e fez um gesto para que os outros seguranças da sala se retirassem.
— Eu preciso da sua arma. — Disse sem rodeios.
— Peter fez contato com vocês? — Boyd me olhava de cima a baixo, como se estivesse tentando me intimidar a contar a verdade.
— Apenas comigo. Não posso explicar agora. Tenho um prazo a cumprir... — Respondi impacientemente. — Procure Scott e ele vai te explicar tudo. Mas por favor, eu preciso da sua arma. A sanidade de Stiles depende disso.
Boyd deu um suspiro pesado e depois foi em direção ao cofre que estava naquela sala. Ele digitou a senha e depois me entregou uma Glock 380. Rodei a arma entre meus dedos e depois a coloquei na cintura.
— O senhor tem certeza? É um passo sem volta. — Boyd parecia sombrio e não consegui dizer o que ele estava pensando.
— Depois do que ele fez? Sim, eu estou certo. — Disse e saí da sala.
Enquanto caminhava para o meu carro olhei para o Jeep de Stiles, tão colorido no meio dos carros pretos e prateados da garagem. E era assim que eu o enxergava, um ponto de luz no meio de toda minha escuridão.
“Estou indo te buscar, babe.”
Entrei em meu Camaro e acelerei em uma direção desconhecida para mim em Seattle, quando parei em um sinal para digitar o endereço corretamente no meu GPS, mandei uma mensagem para Scott dizendo aonde seria a nossa localização.
Depois de meia hora dirigindo para a parte industrial da cidade com muitos prédios e galpões eu achei o lugar que marcava o endereço. Estacionei o meu carro em frente a um galpão com alguns andares e sai de lá, com toda a minha coragem e arma na cintura.
No portão do galpão tinha um interfone onde eu respirei fundo e bati. Depois de 1 minuto eu pensei que estava no lugar errado, pois ninguém tinha atendido. Quando estava desistindo e voltando para o carro para conferir o endereço de novo, alguém atendeu o interfone.
Escutei a estática, mas ninguém falou nada. Era agora ou nunca. Respirei fundo e disse:
— Derek.
Ouvi o barulho do botão que abria o portão estralar e o interfone ficar mudo. Firmei os meus passos e entrei para decidir o meu futuro e o do meu namorado nesse momento.
Segui o caminho até aonde eu achei que era a parte central do galpão e eu não poderia estar mais certo. Stiles estava sentado na mesma cadeira da nossa ligação por Skype e Peter estava ao seu lado. Rosnei ao ver ele tão perto dele e com uma distância me posicionei em frente a ele.
— Agora que eu já estou aqui, Peter, solte Stiles. — Afirmei com veemência.
— Como assim, sobrinho? Não cumprimenta mais os parentes que a tanto tempo não se veem. Vem cá abraçar o titio.
— Eu não estou para brincadeiras Peter. Você me queria aqui para que nós dois resolvêssemos isso. Agora que você me tem aqui pode libertar Stiles.
Com uma risada tenebrosa Peter puxou uma arma e colocou debaixo do pescoço do Stiles e puxou o cabelo dele.
— Peter, pare!
— Você acha que dita as regras aqui, Derek? Deixa eu te contar alguma coisa, meu lugar, minhas regras. — Ele dizia balançando a arma no pescoço de Stiles que estava duro feito pedra na cadeira, sem soltar um gemido sequer. Imaginava que seria a mando de Peter, ele não falar nada desde o momento que eu entrei aqui.
— Okay, okay. Tira essa arma de perto dele. Eu estou aqui, você não me queria aqui? Aqui eu estou.
Meu corpo tremia. Tentava não pensar que Peter podia matar Stiles a qualquer segundo, mesmo que por descuido. Eu não poderia viver com mais essa perda.
“Eu preciso fazer com que isso tudo aqui acabe.”
— Você não está entendendo Derek. Eu quero os dois mortos. Não me importa mais só um ou outro. Eu só te trouxe aqui porque queria ver os seus olhos quando Stiles morresse na sua frente.
— Não, Peter! Vamos com calma. Nós podemos negociar. Eu te dou tudo o que eu tenho.
— Não! — Stiles gritou, a primeira vez que ele falou desde que eu tinha chegado.
Peter olhou com um brilho nos olhos e falou:
— O mocinho resolveu defender o amor da sua vida. Está disposto a se sacrificar, docinho? — Peter passou as mãos sobre os braços de Stiles presos para trás que fez com que ele tremesse.
— Peter! — Chamei a atenção dele para mim de novo. — Vamos conversar, deixe Stiles de lado.
— Na verdade poderia me deixar de frente. — Eu e Peter olhamos com uma cara de confusão para Stiles e ele continuou. — Meus braços já estão dormentes de tanto tempo presos para trás. Já que eu sei que você não irá me soltar tão cedo, a não ser morto, pelos menos poderia me deixar mais confortável e trocar a posição dos meus braços?
— Fazendo exigências aqui? — Peter disse com um ar superior e tentando oprimir Stiles.
— Não, você dita as regras, Peter. Eu só estou te pedindo. Você pode não me escutar e continuar a sua discussão tão importante com Derek. — Stiles disse dando de ombros.
Peter deu um tapa na cara dele e Stiles manteve a sua postura sem fraquejar. Eu me estaquei no lugar para não pular em cima dele, que ainda estava muito perto de Stiles e com a arma em punho.
— Você é forte, garoto. Qualquer um já teria fraquejado. Já que você está se comportando tão bem eu vou te dar um pouquinho mais de conforto. — Virando para mim Peter falou. — Você fique aonde está. Lembre-se que eu ainda estou armado e posso matar seu namoradinho aqui a qualquer momento. E você, tente uma gracinha e serei seu pior pesadelo. — Ele disse para Stiles.
Stiles me encarou no momento que Peter foi para trás dele desatar as cordas e piscou para mim com um pequeno sorriso. Eu não tinha entendido qual era o objetivo de Stiles com aquilo , mas me mantive no meu lugar para não deixar Peter mais nervoso ou acabar ferindo Stiles acidentalmente.
Eu ainda estava pensando como eu iria afastar Peter de perto de Stiles para atacá-lo sem ter efeitos colaterais das minhas ações. Eu precisava atraí-lo para perto de mim. Eu só tinha a intenção de matá-lo e acabar logo com isso.
Eu entendo o nosso instinto primitivo de querer que os outros paguem na mesma moeda ou até mais o que fizeram conosco. Mas nós também temos um instinto primitivo que é se sentir em paz e nesse momento nenhuma vingança, sofrimento, tortura iria superar o sentimento de paz que eu teria depois de ver Peter morto. Porque só assim eu saberia de uma vez por todas que tudo tinha terminado. Que nada e nem mais ninguém iria fazer alguma coisa para me destruir ou aqueles que eu amo.
Quando Peter terminou de amarrar Stiles, senti meu celular vibrar e imaginei que fosse o cronômetro, avisando que meu prazo tinha se esgotado. Então, naquela hora, eu soube que era hora de tomar alguma providência. Qualquer que fosse o resultado disso Stiles seria mantido em segurança, Scott chegaria aqui e cuidaria dele se fosse o caso. Eu precisava terminar com isso. Peter se afastou de Stiles de novo e se virou na minha direção. Primeiro passo: Insultá-lo até ele querer me atacar; direcionar a sua raiva para mim.
— Vamos lá, Peter. Vamos resolver logo isso aqui. Você me trouxe aqui, mas até agora não fez nada para mim. — Eu disse e comecei a andar de um lado para o outro para atrair a atenção dele para mim.
— Claro que eu fiz, meu sobrinho querido. Não há dor maior do que ver o seu companheiro sofrer e você não poder fazer nada. — Ele disse com uma certa arrogância, mas por um momento eu pude ver uma faísca de dor em seus olhos.
— Eu tenho certeza que você já mostrou o seu ponto para mim. — Disse isso e olhei em direção a Stiles que estava com uma face concentrada em mim e no que eu estava fazendo. Sorri ternamente para ele, mas continuei com o meu ataque a Peter. — Mas eu acho que você queria me ver sofrer, não é mesmo. Não é por isso que você me perseguiu a vida inteira? Ter tudo só para você?
— Eu estou vendo você sofrer agora, Derek. Não se engane.
— Você que está se enganando Peter. Para mim você não passa de um covarde. Nunca conseguiu nada a vida inteira, sempre mendigando a atenção dos outros. Nunca tendo os holofotes sobre você uma única vez. Até mesmo quando incendiou a minha casa. Achou que seria o centro das atenções dessa vez, mas aí eu sobrevivi e tirei todo o brilho de você, mais uma vez. Porque afinal quem iria se importar com um homem que sobreviveu ao incêndio em uma casa quando se tinha uma criança que lutou bravamente até o final e sobreviveu. E mais, sobreviveu para reconstruir tudo o que foi perdido e conseguir bem mais.
Peter estava ficando cada vez mais furioso, seu rosto estava vermelho e eu podia vê-lo tendo alguns tremores. Seus punhos estavam fechados ao seu lado e suas narinas dilatadas pelo ódio. Eu estava conseguindo atingi-lo, só precisava afundar a faca um pouquinho mais fundo no seu orgulho.
— Eu sou tudo o que você desejou ser e nunca foi. Eu tenho tudo e você nada. Você é um nada, Peter. E mesmo se eu morrer agora, eu ainda teria tudo e você seria um nada. Iria terminar a vida sem ninguém, sem amor e nenhuma atenção sobre o pobre coitado do Peter. O garoto que sempre foi ganancioso, mas nunca bom o suficiente para conseguir finalizar com sucesso alguma coisa.
Ele bufou de indignação e veio para cima de mim.
— Eu vou destruir você, Derek. Eu vou fazer essas serem as suas últimas palavras.
— Não se eu acabar com você primeiro. — Disse isso e saquei a arma da minha cintura e apontei para ele.
Quando disparei o primeiro tiro ele chegou em cima de mim primeiro e o tiro bateu no teto. Peter subiu em cima de mim como um homem possuído e começou a me socar com todo o seu ódio por mim. Quando caímos no chão, a arma caiu da minha mão e agora eu só tinha os meus braços para em proteger.
Todos esses anos fazendo kick boxing tinha que servir de alguma forma. Me defendi como pude e tentei mudar de posição para ficar em cima dele. Saímos rolando e desferindo golpes um contra o outro. Arranquei uma boa quantidade de sangue da cara dele, mas tinha certeza que não estava melhor do que ele também.
Eu tentava escutar alguma coisa, ver se Stiles estava bem ou se ele estava gritando com nós dois. Mas não conseguia escutar nada, meus ouvidos estavam zumbindo e eu orava para que nada de ruim acontecesse com ele. Mesmo se alguma coisa acontecesse comigo agora.
Peter mais uma vez conseguiu subir em cima de mim e eu tentava me afastar dos seus golpes até que ele sacou a arma que estava na sua cintura, a mesma que ele estava ameaçando Stiles anteriormente e apontou na direção da minha cabeça.
Era o fim, eu sabia que isso poderia ocorrer. Eu tentei de tudo, tentei lutar com uma arma, mas sabia que aquilo não era a minha área. Peter agora estava com uma arma na minha cabeça todo sujo de sangue e bufando como um animal prestes a terminar com tudo isso. Pelo menos eu poderia ir em paz sabendo que Stiles ficaria bem. Scott chegaria aqui e eu sabia que de uma forma ou de outra Peter não escaparia ileso daqui.
O motivo da minha paz não era viver livre de Peter como eu imaginava. E sim, morrer sabendo que o meu Stiles estaria à salvo. Eu poderia sentir a paz tomando o meu ser e a aceitação sobre tudo isso. Eu não trocaria e não mudaria nada do que eu vivi com Stiles. Ele foi um divisor de águas na minha vida e eu seria grato a ele para sempre. Mesmo se eu não estivesse perto dele.
Peter puxou o gatilho da arma que ele tinha e eu esperei pelo fim. Eu escutei o tiro e senti o sangue escorrer pela minha cabeça. Senti tudo ficar dormente e a escuridão me arrastar para um abismo sem fundo
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