Você Sempre Vale a Pena
3 Capítulo 3: Stiles
Notas iniciais
Mal havia colocado meus pés dentro do apartamento, quando Scott me recebeu com enorme sorriso e um abraço que deveria conter mais vírus que o ventilador de escola maternal.
— Como você conseguiu? Derek Hale respondeu todas minhas perguntas!
— Como? Do que você está falando Scott? — Perguntei confuso. Havia passado boa parte da viagem de volta me torturando por não ter conseguido a resposta para todas perguntas de Scott.
— O Senhor Hale mandou um e-mail para mim com todas as respostas. Todas! — Ele parecia extremamente feliz, como se tivesse tirado a sorte grande. — Até mesmo a sobre sua sexualidade!
— Falando nela... Por que fez isso comigo? Eu quase morri de vergonha! Você é um péssimo amigo, McCall! — Rosnei para ele.
— Só estava curioso! — Ele se defendeu, voltando para seu computador. — Ninguém nunca conseguiu uma foto dele com alguma mulher, seja nos eventos sociais ou não. Agora sabemos o motivo.
— Você vai divulgar a resposta? Nem todo mundo é tão aberto quanto eu, bro. — Falei. Scott sabia que eu era gay. Ele havia sido a primeira pessoa a me apoiar quando contei para ele minha opção sexual.
— Não... Ele pediu encarecidamente para isso ficar apenas entre nós. Você foi incrível! Salvou minha vida! Agora me diga... Como ele era? É tudo aquilo que ouvimos falar?
— Ele foi educado... Politizado... Charmoso... Incrível. — Sussurrei esse último. E aquilo fez Scott rir.
Assim que me livrei das perguntas de Scott, fui para meu quarto, terminar o dia estudando para repor o tempo que perdi indo fazer aquela entrevista. Eram cerca de sete da noite, quando ouvi a campainha do apartamento tocar. Ao atender a porta, encontrei Lydia, minha amiga, segurando uma caixa de pizza e uma garrafa de champanhe.
— Adivinha quem conseguiu uma exposição na principal galeria do centro de Seattle — Galeria de Arte Henry! — Ela disse animadamente, balançando a garrafa.
— Não brinca! Sério? — Disse, dando um abraço apertado nela e a puxando para dentro. Scott ainda estava sentado no seu computador, mas agora ele ria desesperadamente de algum vídeo.
Lydia deixou a caixa de pizza em cima da mesa e juntos brindamos seu novo sucesso.
— Eu quero você lá! — Ela disse ainda agarrada ao meu pescoço. — Vocês dois.... — Completou, olhando para Scott, que agora se aproximava da mesa.
— Claro que estaremos lá Lyds. — Disse sorrindo para ela. Lydia tornou a me abraçar e comecei a ficar sem graça com todo aquele contato físico. Eu sabia que Lydia gostava de mim, mais do que como amigo, mas mesmo sabendo da minha opção sexual, ela ainda insistia em tentar ter um relacionamento amoroso comigo.
— Lyds... Stiles te contou que ele teve uma entrevista com o grande Derek Hale? — Scott disse com a boca cheia de pizza de calabresa.
— O quê? Por que você não me contou Stiles? Eu quero saber de tudo. — Lydia parecia extremamente curiosa e satisfeita que poderia conseguir saber todas essas informações sobre o misterioso, “Delícia”, do Sr. Hale.
Terminei a noite falando sobre Derek para Lydia e já eram mais de duas da manhã, quando ela finalmente foi embora e eu me rendi à minha cama confortável e macia.
Sábado amanheceu e eu estava protelando para sair da minha cama e começar as minhas atividades do dia quando eu escutei a campainha tocar.
“Quem ousa a ir na casa dos outros a essa hora, mal são 10 da manhã?!” Reclamei mentalmente. Não me dei o trabalho de trocar de roupa e fui atender a porta como eu estava, moletom cinza desgastado com uma blusa azul e o cabelo todo desgrenhado.
Ainda alisava meus óculos na intenção de limpá-los, quando abri a porta dei de cara com o Sr. Hale, todo lindo, casual, em jeans escuros, camisa polo verde musgo e um blazer escuro com dois botões. Seus cabelos estavam desgrenhados com o vento, como se alguém tivesse o despenteado com os dedos e com uns óculos Rayban pretos.
— Sr. Hale? O que está fazendo aqui? — Perguntei assustado.
— Derek, Stiles. Podemos nos manter na base do primeiro nome hoje. Como você está?
Ele me encarava com uma fome no olhar tão grande que me fazia ter vertigens. Eu o encarei de volta com intensidade, mas ainda assim, ele estava me deixando nervoso.
— Eu estou bem. Mas você ainda não me respondeu o que te traz aqui no campus da faculdade, sábado de manhã. — Ele me deu um sorriso sacana quando disse:
— Eu trouxe os papéis das vagas de estágio... Aquela que tinha mencionado ontem. Para você dar uma olhada, acho que vai ter uma do seu real interesse. — Ele falou com uma calma comedida e um fio de excitação na voz que produziu um arrepio na minha coluna. Ele me entregou um envelope pardo e erguei uma sobrancelha. — Você não vai me pedir para entrar.
Eu gaguejei um “Sim” e estendi a mão para ele entrar dentro do meu apartamento com Scott.
— É... Scott saiu hoje cedo, eu vou trocar de roupa e ...
— Isso troque de roupa que nós vamos tomar um café.
— Mas eu... — Estava difícil manter a coerência sob o olhar dele. Esse cara me deixava de um jeito que até então, eu nunca havia sentido.
— Vamos Stiles, temos muitas coisas para discutir.
— Que coisas você pensa que tem para discutir comigo? — Perguntei de uma maneira delicada, para tentar diminuir o tom inquisidor da pergunta.
Ele me deu um olhar inquisidor e apontou com a cabeça o envelope na minha mão. Senti todo o rosto ficar vermelho.
“Claro... Era apenas trabalho” Pensei.
— Eu vou tomar um banho rápido...
Estava me chutando internamente por causa da gafe e pelo modo que ele me olhava com aquele sorrisinho de lado sacana. Fiquei com medo de tropeçar enquanto ia para meu quarto tomar banho. Derek tinha alguma coisa em si que me fazia agir como um jovem de 16 anos diante sua primeira paixão.
Tomei meu banho o mais rápido possível, não queria deixar Derek plantado na minha sala. Depois de me vestir com o que julguei “adequado”, ou seja, uma boa calça jeans e uma camisa preta, sem estampa. Quando cheguei na sala, encontrei Derek encarando um mural de fotos que ficava pregado na parede.
— Sua família?
— Pode-se dizer sim. — Disse me aproximando dele. — Meu pai, Scott e a mãe dele. — Disse, apontando as pessoas na foto conforme eu falava. — Vamos?
Sugeri e fui andando em direção à porta. Derek me acompanhou e fomos até a cafeteria que ficava no campus, provavelmente porque não haveria paparazzi escondido lá.
— E sua mãe? — Ele me perguntou, depois que caminhamos até lá.
— Morreu quando eu tinha oito anos. — Disse em um fio de voz. — Demência frontotemporal.
— Sinto muito. — Ele murmurou pesaroso. — Não teria tocado no assunto se soubesse.
— Tudo bem. — Forcei um sorriso. — Falar sobre minha mãe era delicado no começo, mas com o passar do tempo, passei a perceber que evitar de falar dela sempre me deixava pior, como se eu a ignorasse.
— Compreendo. Queria ter essa capacidade. — Seu tom saudoso me deixou triste, então tratei de mudar o tópico da conversa.
— Você não me trouxe para tomar um café da manhã apenas porquê gostou da entrevista desastrosa que tivemos ontem. — Disse secamente. Eu sabia que Derek queria algo a mais de mim.
— Eu vim te entregar os papéis do estágio, como eu te disse. Eu realmente acredito que essa vaga tem total relação com você.
— Senhor Hale, sejamos honestos, tudo bem? Você tem um milhão de empregados loiros para fazer isso por você, porque veio aqui? — Fui incisivo.
“O que quer que ele queira, não deve ser coisa boa”, pensei.
Derek me encarou por alguns segundos e depois empurrou o envelope para o centro da mesa.
— Bom. Você me pegou. Sim, eu poderia mandar algum dos meus estagiários vir aqui resolver isso, ou até mesmo te convidar para ir na empresa, mas... Stiles... Eu quero ficar com você.
— Hã?! — Perguntei surpreso, me engasgando com o ar.
“Ele está de brincadeira comigo. Cadê as câmeras?” Estava encarando o rosto dele com um olhar atônito, mas lutando internamente para poder procurar os atores ou as pessoas que estavam zoando com a minha cara.
— Isso mesmo que você ouviu, não tem nenhuma brincadeira aqui. Eu quero você. — Ele tornou a repetir, dessa vez com mais segurança. — Eu não posso e nem pretendo reprimir o desejo que eu tenho de te ter na minha cama. Algo me diz que nós dois seremos muito compatíveis.
Com um sorriso sarcástico eu respondi para ele:
— Meus gostos são muito peculiares Sr. Hale. Você não compreenderia.
Sem nem pestanejar ou demostrar algum sinal de fraqueza diante da minha afronta sarcástica ele respondeu:
— Me mostre então. — Essa pequena frase dele me deixou sem falas e meu corpo dava pequenos espasmos de excitação diante dos seus olhos me escrutinando. Ele percebeu minha reação e emendou, terminando de cavar um nó de excitação sem fim em mim e me deixando vermelho. — Se eu for o primeiro, não haverá segundos, nem terceiros.
— Você realmente acha que eu sou virgem? Por favor... Eu tenho 21 anos! — Respondi com a minha melhor cara de paisagem, tentando disfarçar o meu evidente nervosismo. Mas para o meu espanto ele não se incomodou com a minha tentativa de ataque. Apenas me deu um aceno com a cabeça e um sorriso tão maquiavélico que senti meu corpo pulsar em lugares indevidos.
— Eu posso não ser o primeiro a tomar o seu corpo, mas com certeza serei o primeiro e único a tomar posse do seu coração.
— Você está sendo um tanto quanto presunçoso, não? — Retruquei.
Esse tópico da conversa não me agradava. Ele não tomaria meu coração, simplesmente porque eu não acreditava em toda aquela baboseira de amor. Ou pelo menos, não para minha vida.
— Mas é a verdade, eu me garanto. Se você deixar, eu posso te mostrar prazeres que você jamais sonhou em existir.
— Como disse eu tenho gostos muito peculiares... Além do mais eu sou um garoto que leio muito. Como pode dizer que superará a minha imaginação se não sabe o que leio? — Ofereci, tentando fazer com que ele recuasse.
“Ele me cheira a romance e boas intenções. Corações e flores. Tudo o que eu não preciso agora”.
— Eu posso te mostrar na prática tudo aquilo que você só pensou existir nos livros. Você pode ter lido até o Kama Sutra, mas nenhum deles poderia descrever qual seria a sensação que meu toque poderia causar em você.
— E qual sensação que seu toque poderia me causar? — Perguntei, antes que pudesse me parar.
— Meu toque poderia fazer você voar sem tirar os pés do chão. — Ele disse isso com um sorriso malévolo no rosto.
— Muito lindo tudo isso, qualquer jovem normal se apaixonaria por você, seja por sua beleza, seu charme ou por esses diálogos tirados de filmes, mas eu não sou um jovem normal. O que você quer, não é o tipo de relacionamento que eu pretendo. — Disse secamente. Era melhor acabar com as esperanças dele antes que aquilo saísse de controle.
— Como assim?
— Eu não sou material de namoro. — Disse simplesmente.
Derek me encarou longamente, pensando em suas próximas palavras e depois me lançou um olhar duro e um sorriso perfeitamente encantador.
— Eu adoro um desafio. — Falou e tomou um gole de seu café.
“Oh Deus... onde eu tinha me metido?”
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