Notas iniciais
Agradecendo aqui ao Sr. Raposa, por ter me dado uma palestra sobre incêndios às uma da manhã e ter matado meu único neurônio que funcionava direito, com tanta informação! suahsuahsau Aproveitem :)

A minha manhã não podia ter sido pior. Várias reuniões com investidores insuportáveis que não estavam afins de investir a quantidade mínima que eu havia exigido para certos projetos da empresa e tudo o que consegui depois dessas reuniões foi uma dor de cabeça alucinante.

Depois do fiasco que foram as reuniões, fui rumo a minha sala, mas o alarme de incêndio soou e todos começaram a correr desesperados em direção a saída. Ajudei os seguranças a guiar todos os funcionários para fora do prédio, tentando manter a calma e a coerência entre meus pensamentos.

Ainda que eu estivesse completamente ansioso para sair do prédio, ajudei os seguranças a guiar todos os funcionários que estavam no meu andar para as escadas, desci para a entrada do prédio e esperei que os seguranças e Boyd retirassem todo mundo.

Toda a hipótese de treinamento foi descartada assim que saí do prédio e vi que o primeiro andar estava tomado pela fumaça. Não demorou muito para que minha equipe de segurança aparecesse com um notebook que mostrava imagens de todas as salas do prédio, a procura de alguém no meio da fumaça.

— Todos saíram? — Perguntei à Boyd que escoltava Érica para fora do prédio. O rosto dela estava coberto de fuligem e deduzi que ela estava no primeiro andar.

— Não... tem alguém preso nas salas dos servidores. — Ele disse, apontando para o monitor onde havia as imagens das câmeras de segurança. De fato, havia alguém na sala.

— Stiles! É ele! — Érica gritou aterrorizada. — Ele foi lá consertar o computador geral da empresa! Derek! Você precisa tirar ele de lá! Ele foi lá sob suas ordens!

Meu corpo travou ao ouvir o que Érica havia dito.

— Do que você está falando Érica? Eu nunca mandei Stiles até lá! Você sabe que tem meses que não nos falamos!

— Correio interno dessa manhã! Eu mesma entreguei a ele! — Ela remexeu na sua saia e puxou de lá um papel embolado. — Isso estava na minha mesa quando eu voltei do meu café. Imaginei que você havia pedido para uma das assessoras da sala de reunião me entregar.

Abri o bilhetinho e um frio percorreu por todo meu corpo.

“Eu nunca mandei isso! Que porra é essa?”

Olhava para as pontas soltas e tentava enxergar que imagem elas me mostravam. Aquilo era um quebra-cabeça de cinco mil peças e eu não tinha ideia de que estratégia seguir para montar tudo isso. Só uma coisa passava pela minha cabeça naquela hora.

— Eu preciso tirar ele de lá! Não posso deixar isso acontecer de novo! — Murmurei para mim mesmo.

Voltei para dentro do prédio, ignorando os gritos de Érica e Boyd que tentavam me impedir de entrar. Ainda tive que me livrar da segurança da minha empresa até conseguir entrar pelo saguão e sair rumo à Sala de Servidores.

Desci pelas escadas, sentindo meus olhos arderem por causa do calor. A cada passo que dava em direção ao subsolo perdia um pouco do fôlego, só não sabia se a repentina falta de ar era por causa da fumaça ou se eu estava à beira de uma crise de pânico. Entrei na sala de servidores e o encontrei encolhido, perto de um dos grandes arquivos de metal.

Uma fumaça preta e densa cobria todo o local e parte de mim queria fugir dali, daquela horrível sensação que o fogo causava, de todos os meus piores pesadelos e o pior, a lembrança que aquilo tudo me trazia, sendo trazidos a realidade, mas era Stiles. E dessa vez eu podia fazer alguma coisa.

“Eu era capaz de salvar quem eu amava.”

Tirei o blazer do meu terno e o coloquei no rosto, como uma máscara contra a fumaça e me impedir de desmaiar ali por causa da inalação. Corri até Stiles e quando o peguei, senti sua respiração fraca bater contra minha pele.

— Calma. Eu estou aqui. Você está a salvo. Vamos sair daqui. — Sussurrei, cobrindo o rosto dele com o blazer.

A sensação de tê-lo perto de mim depois de meses foi como um bálsamo para as feridas em minha alma. Ele estava inconsciente e eu imaginei que fosse por causa da fumaça inalada.

“Igual ao que aconteceu comigo...”, cortei aquele pensamento. Estar naquela sala já era ruim o suficiente e eu não queria reviver aqueles momentos infernais.

— Você não vai morrer aqui! Não, eu não admito isso! — Falei com dificuldade, enquanto subia as escadas.

Corri em direção à porta e logo que sai, encontrei minha equipe toda parada, apenas me observando. O corpo de bombeiros havia acabado de chegar e quando me viram sair se aproximaram de mim, tirando Stiles dos meus braços.

— Boyd... esse incêndio... — Disse com dificuldade, minha garganta e olhos ardiam por causa da fumaça.

— Não sabemos nada ainda, Sr. Hale. Mas não acho que foi acidental. — Ele falou, me entregando um copo de água e um cobertor.

Olhei para a ambulância que Stiles estava e me aproximei quando o paramédico fez um sinal para mim. Me aproximei e senti um certo alívio, ao ver que Stiles estava ao menos consciente.

— Vamos levá-lo para realizar alguns exames. Há alguém aqui para acompanhar?

Sem pensar em minhas ações, apenas entrei na ambulância e falei.

— Eu irei acompanhar.

O paramédico fechou a porta da ambulância e seguimos em direção ao hospital mais próximo. Durante todo o trajeto, Stiles tentou se comunicar comigo, mas eu o impedi de tirar a máscara de oxigênio.

— Não senhor! Você ficou muito tempo lá embaixo. Não ouse falar e piorar sua situação. — Stiles soltou um gemido e eu acariciei sua mão. — Vai ficar tudo bem.

Ao sentir minha mão acariciando a sua, Stiles a apertou como se estivesse com medo de alguma coisa. Assim que chegamos ao hospital, Stiles foi enviado para a emergência e eu fiquei na sala de espera. Nesse pequeno intervalo, Boyd apareceu no hospital e me entregou meu celular.

— O senhor vai querer ligar para sua família. Quando saí de lá, equipes de jornalistas estavam chegando.

— Obrigado, meu amigo. — Disse pegando o telefone. — Temos mais alguma vítima? Érica está bem?

— Sim, ela está bem. O senhor Stilinski foi nossa pior vítima. Ninguém mais ficou ferido. Graças aos treinamentos, conseguimos tirar todos do prédio antes que tudo piorasse. Agora se me permite, preciso ir. Vou voltar para o prédio e ver se consigo mais informações sobre o acontecido.

Enquanto esperava os médicos enviarem Stiles para o quarto, liguei para Chris e contei a ele o ocorrido. Pedi para que ele avisasse John e Melissa, Scott e Allison. Meia hora mais tarde, fui informado de que Stiles havia sido transferido para o quarto e que o médico desejava falar comigo.

— Você teve sorte, Sr. Stilinski. Mais alguns minutos ali e seu quadro seria gravíssimo. Vamos te deixar em observação por algumas horas e vou fazer o requerimento para alguns exames. — Ele anotou algumas coisas no prontuário de Stiles e depois saiu do quarto me deixando a sós com ele.

— Você se arriscou... você se arriscou por mim... entrou em uma sala em chamas. — Ele murmurou fracamente.

Fui em direção à cama e me sentei ao lado dele. Coloquei minha mão sobre a dele e fiz movimentos aleatórios que subiam pelo seu braço. Aos poucos ele foi se aproximando de mim e se encolhendo no meu peito. Quando Stiles estava totalmente apoiado em mim, senti uma pequena umidade no meu peito e percebi que ele chorava.

— Ei... está tudo bem. Você está bem. Não está mais em perigo. — Sussurrei, seguindo sua mandíbula com o dedo.

— Depois de tudo... de todo esse tempo, você ainda foi atrás de mim, como... como se eu valesse mesmo o risco. — Ele disse com a voz ainda mais falha.

— Você vale a pena, meu amor. Você sempre vale a pena. Sempre. — Eu disse para confortar ele, mas acabei constatando isso dentro do meu coração. Eu faria qualquer coisa para ele e por ele.

“Eu amo ele.”

Com todas as forças dentro de mim, eu tinha dito em tomar posse do coração dele, mas no final, foi ele que acabou possuindo o meu coração, meu corpo e salvando a minha alma.

E o mais irônico, me levando para o lado escuro que ele sempre diz pertencer. Na verdade, a escuridão dele, quando se juntou com a minha fez nascer uma luz que nos libertou e nos deixou manchados em tons de cinza.

Permaneci daquela forma com Stiles, até que a enfermeira apareceu no quarto e disse que precisava levá-lo para realizar alguns exames. Observava eles desaparecem pelo corredor quando Allison chegou acompanhada de Scott e John.

— O que aconteceu? — John estava preocupado. Seu peito subia e descia como se ele tivesse corrido uma maratona.

— Não sei, John. Tudo que eu sei é que o nosso prédio estava em chamas. Boyd voltou para lá para tentar colher mais informações.

— É verdade o que estão falando por aí? Você voltou mesmo para o prédio só para tirar Stiles? — Allison perguntou. Considerando a expressão da cara dela eu não conseguia decidir o que passava naquela cabeça.

— Sim, eu voltei. — Murmurei. Não queria ficar me vangloriando daquilo.

— Não sei se eu te dou um soco por ter colocado sua vida em risco ou te abraço por ter salvado o irmão do meu namorado. — Ela disse, enquanto me abraçava. — Oh Deus! Ainda bem que você está bem! Vocês dois podiam ter morrido lá!

— Eu não podia deixar ele morrer Allison. Dessa vez eu tinha total capacidade de fazer alguma coisa.

— Obrigado, filho. — John me disse e seu olhar demonstrava o tamanho de sua gratidão. Em cada traço daqueles olhos azuis, eu podia perceber que ele estava mais do que feliz por eu ter tirado o seu filho daquela sala.

— Era o mínimo Xerife. Ainda que nós tenhamos terminado eu realmente amo o seu filho. Eu só não podia deixar ele morrer daquela forma. Eu jamais me perdoaria se deixasse isso acontecer.

— Onde ele está agora? Por que não está no quarto? — Scott falou, a primeira vez desde que chegou.

— Uma enfermeira o levou. Eles vão fazer alguns exames. Ao que parece ele bateu a cabeça e inalou muita fumaça.

Ficamos ali todos os quatro juntos até que a enfermeira voltou.

— Stilinski? — Ela perguntou, parada na porta. Todos nós acenamos e ela olhou direto para John supondo ser o pai do Stiles. — Bom, o paciente Stiles vai ficar em observação, pois teremos que monitorar a evolução do seu quadro clínico e a saturação de hemoglobina pelo oxigênio. — Olhei para a enfermeira como se ela estivesse falando em outra língua. — Foi efetuada a avaliação da pupilar, por causa da pancada na cabeça, apresentou isocorias que indicam totalmente normais e a radiografia do crânio descartou um traumatismo craniano. Ele está dormindo agora. — Soltei um suspiro de alívio, que foi ecoado por todos. — Eu sei que é uma péssima hora, mas precisamos do Seguro Social e do número do plano de saúde dele, os exames que fizemos são bem caros e alguns precisam de pagamento imediato.

Antes que John pudesse falar alguma coisa, passei os dados do meu plano de saúde.

— A empresa vai cobrir todo o tratamento Xerife. — Disse e John parecia querer protestar. — Não adianta dizer que não. Somos responsáveis pelos nossos funcionários e Stiles estava lá embaixo sob ordens minhas, pelo menos é o que parece.

— Ele vai precisar de um acompanhante hoje. Mas só um! — Ela falou e olhou para todos nós, deixando claro que não haveria exceções.

— Tudo bem... eu fico. — John disse e todos concordamos.

— Amanhã voltamos. Vou avisar minha mãe que está tudo bem. — Scott disse.

— E nós vamos para casa. Não há nada que você possa fazer agora. Além do mais você precisa de um banho, porque esse seu cheiro de fumaça está horrível. — Allison disse, mas sabia que aquilo era mais que um pedido. Ela estava me dando uma ordem.

Deixei que Allison me levasse para casa e mal havia colocado os pés lá dentro, quando ouvi Chris gritar:

— Eu ainda estou tentando entender como você teve coragem de voltar para aquele prédio em chamas, sendo que mal temos velas em casa por causa de sua fobia com chamas!

— Por que todo mundo parece surpreso? Você não faria o mesmo se aqui pegasse fogo e Allison estivesse presa em algum lugar? — Retruquei. — Eu já vivo com a culpa por não ter conseguido salvar pelo menos uma das minhas irmãs ou a minha mãe! Como vocês acham que eu ficaria se Stiles tivesse mesmo morrido naquela sala?

Achei que Chris fosse aceitar minha intenção de começar uma briga, mas para minha surpresa, ele apenas se aproximou de mim e me abraçou forte.

— Quando eu vi o incêndio na TV, eu juro que achei que tinha te perdido. Não faça isso comigo. Já sou velho. — Ele pediu.

Depois que consegui acalmar Chris, tomei um banho, um Advil e tentei cochilar um pouco, mas minha mente simplesmente não parava. Alguma coisa estava muito errada naquele incêndio.

Passavam das onze da noite quando Boyd me telefonou e pediu para que eu abrisse a porta para ele.

— Me desculpe pela hora Senhor Hale. Mas eu não podia esperar.

— Que foi Boyd? — Disse, abrindo a boca de sono e cansaço, dando passagem para ele entrar.

— Consegui as imagens do circuito interno. E o senhor vai querer muito ver isso. — Ele disse e me mostrou um DVD portátil.

Fomos para meu escritório e quando Boyd começou a passar as imagens, senti todo o ar da sala sumir. Ali estava a prova que eu precisava.

— Peter... Foi ele! Aquele desgraçado! — Falei quando Boyd congelou a imagem e pude ver claramente o rosto daquele sociopata. Ele estava mais velho, seu cabelo um pouco menor, mas ainda assim eu sabia que era ele. Aqueles olhos perversos ainda me perseguiam durante meus pesadelos.

— Se você continuar a assistir pela câmera do seu andar, vai ver que foi ele quem colocou o bilhete na mesa de Érica e quando mudamos para a câmera do subsolo, vemos ele atacando Stiles e depois incendiando a sala. Ainda não sei quem deixou que ele entrasse no prédio, mas não há como negar que é ele.

— E parece que ele voltou para acabar comigo. Tentando atingir quem eu mais amo para me ver sofrer de novo. — Disse e passei a mão pelo rosto. Ao notar a cara de ponto de interrogação de Boyd eu esclareci.

— Ele provavelmente não sabe que eu terminei com Stiles, ou mesmo que soubesse queria mostrar que ele poderia atingir as pessoas que eu protejo e zelo.

“Sabia... Quando a vida está ruim, o universo parece conspirar para tudo piorar.”

— O que o senhor pretende fazer? — Boyd me perguntou e eu sabia que ele havia pensado em no mínimo dez coisas para fazer com Peter sendo que nove delas são consideradas crimes e a última agravante.

— Vamos dizer que o incêndio foi acidental. Diga... não sei, — pensei por alguns segundos — diga que foi causado por um curto na sala de arquivos.

— Por que não divulgar? Ele já fez isso uma vez! Derek! — Boyd estava furioso e eu entendia o motivo.

— Boyd, tudo o que Peter quer é ter toda atenção possível... Ele é um sociopata que acha que mesmo eu sabendo de tudo, ele pode me atingir e quer pagar para ver eu conseguir fazer alguma coisa contra ele.

— Eu ainda não entendo, porque não o entregar para polícia?

— Porque ele já conseguiu se safar uma vez, e provavelmente um homem esperto e com anos de experiência como ele, deixou para trás os vídeos de segurança de propósito, para eu poder saber que era ele que estava atacando e como uma mensagem que ele estava mais perto de mim do que eu imaginava. Ele tem contatos e ligações, assim como eu! E hoje em dia eu estou pronto para acabar com ele e fazer ele pagar por tudo o que ele já fez. Mas não será entregando-o para polícia agora.

Boyd entendeu, mas ainda queria dar o troco em Peter. Ele foi embora logo depois e deixou todas aquelas provas comigo para eu poder guardar e tomar a decisão que eu quisesse acerca de todo o acontecimento do incêndio. Fui tentar dormir depois de todas essas descobertas, queria ir para o hospital cedo no dia seguinte.

Na manhã seguinte fui até o hospital para checar se estava tudo bem com Stiles e queria muito terminar nossa conversa. Antes eu mandei um buquê de rosas rosas para ele, pois eu deseja a ele saúde e amizade com ele, mas no meio do buquê eu pedi para que colocassem uma rosa vermelha, que apesar de querer continuar ter um relacionamento com ele, mesmo que por enquanto fosse de amizade, ele tinha o meu amor, desejo e luxúria. Isso ainda estava intacto dentro de mim.

Claro que eu não podia me esquecer do cartão, e nele eu queria me expressar profundamente e de forma que o Stiles percebesse que eu ainda estava apaixonado por ele. Por isso escolhi a citação a dedo:

“Em todas as suas brisas transmitidas,

A terra não produz perfume como o seu;

Mas aquele que não se atreve a entender os espinhos

Nunca deve almejar a rosa.”

Ainda que tivéssemos tido toda aquela conexão depois do incêndio, não estava certo de como Stiles estava comigo. Eu temia que tudo aquilo tivesse acontecido apenas pela emoção do momento. E acima de tudo, havia vários vídeos e fotos nossas saindo do prédio em chamas circulando pela internet. Éramos o casal mais comentado do momento, e estavam achando um máximo toda a situação, disseram que somos “Cutes”.

“Maldita hora que inventaram de colocar câmeras em celulares.”

Entrei no quarto de Stiles e ele terminava de organizar suas coisas.

— D... Derek? — Ele parecia surpreso em me ver ali.

— Como você está? Já te deram alta? Cadê seu pai?

— Sim. Eu fiz ele ir na frente para casa, ele iria me sufocar de tantos cuidados por causa disso tudo. — Ele deu uma risada forçada e continuou. — Não vi muita necessidade de passar a noite aqui, mas eles não me deixavam sair. — Stiles estava frustrado.

— Você bateu com a cabeça muito forte e inalou fumaça por muito tempo. Eles precisavam ter certeza que você não ia ter nenhuma sequela... Acho que você já sabe que somos o assunto do momento.

— Sim. Eu percebi isso quando começou a chover de enfermeiras aqui. E algumas pessoas desconhecidas alegando ser meus primos.

— Sinto muito... Não pensei que teria pessoas filmando. Para mim elas estariam preocupadas demais em salvar as suas próprias vidas.

Stiles fechou sua mochila e soltou sua respiração.

— Derek... Eu... olha, eu sei o que você veio fazer aqui. Por favor, não. Eu não posso lidar com isso de novo. Ainda mais agora! Não agora. Esses caras vão vir para cima de mim com tudo. Eu preciso de um tempo...

Praticamente ouvi meu coração quebrando com aquela frase.

— Tudo bem... eu vim aqui apenas para ter certeza que tudo estava bem com você. Você recebeu as minhas flores?

— Sim, muito obrigada por elas. — Eu consegui ver uma faísca em seu olhar, mas não consegui identificar, pois na mesma rapidez que veio ela também se dissipou.

— Que ótimo. Enfim, odiaria ser processado por negligência. Já tenho um prédio para reconstruir e uma mansão em fase de acabamento. — Disse tentando aliviar a tensão. Dei uma última olhada nele e depois apertei a sua mão meio sem graça. — Você terá direito a 30 dias de afastamento remunerado. O RH vai entrar em contato. Te vejo na empresa então.

Enquanto saia do quarto senti um pedaço meu ficar ali. Era como se eu tivesse andando de mãos dadas a um Dementador.

“Vai morrer de fome, meu amigo”, pensei sarcasticamente enquanto me dirigia até o estacionamento.

Entrei no carro e liguei o rádio. Eu precisava me distrair ou provavelmente choraria.

“Como foi que isso aconteceu? Por que eu não consigo esquecer ele?”

Coloquei em uma estação aleatória e quando a música começou a tocar reconheci, ainda que ela estivesse no final. E foi ali que eu desisti de ser “forte” e me entreguei às lágrimas e a dor de um coração partido.

Don't, don't, don't you ever say a word

Não, não, você nunca disse uma palavra

Of what you ever thought you heard

Que você jamais pensou em ouvir

Don't you ever tell a soul

Que você nunca contaria a ninguém

But you know

Mas você sabe

I tried to hide

Eu tento esconder

But I still believe

Mas ainda acredito

That we

Que nós

That we were always meant to be

Que nós fomos feitos um para o outro

And I can't ever let you go, no

E não posso te deixar ir embora agora, não

“Péssima hora, Avril!” Parte de mim queria socar o rádio e gritar com o nada por ter tido essa estúpida ideia ligá-lo. Eu já tinha ouvido Hush Hush a um tempo atrás, quando Allison havia monopolizado todo o sistema de som do nosso apartamento, mas na época não havia me importando muito com a letra.

“E agora, aqui está você, agarrando ao volante, chorando como uma criança que perdeu sua mãe no supermercado!”

Encostei minha cabeça no volante e deixei que minhas lágrimas escorressem pelo meu rosto. “Eu não posso mais! Eu não estou pronto para deixá-lo! Não!” Não sei por quanto tempo fiquei ali, chorando. Mas sei que teria ficado o dobro de tempo se não tivesse ouvido uma batida na minha janela. Ao olhar para cima tive quase certeza de que estava enlouquecendo.

“O que ele está fazendo aqui? Será que já não me magoou o suficiente?”

— Stiles. — Disse, tentando disfarçar minha voz, mas no fundo eu sabia que ele tinha plena consciência de que eu estava chorando, além dos olhos vermelhos, eu tinha o rosto molhado e inchado. Assim como eu sabia que ele havia feito a mesma coisa pela sua feição. — O que aconteceu?

Ele me olhou profundamente e por alguns segundos me deixei levar por aqueles olhos cor de uísque puro que eu tanto amava.

“Bichinho ingrato esse tal de amor platônico!”

— Derek...

Notas finais
Esperando pelas opiniões sinceras de vocês! Fantasminhas, se manifestem!!