Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

89 Capítulo 89 - Descontrole...


Notas iniciais
Música do Capítulo: George Ezra - Budapest

Quinn acordou primeiro. Ela sentia tanta falta de ter Rachel em seus braços que queria aproveitar o máximo daquele momento com ela. Seus dedos deslizavam suavemente pelo braço da morena sentindo a pele macia se arrepiar discretamente com seu toque. Aspirava o cheiro entorpecente que emanava naturalmente da pele da namorada. Deus, como ela a amava!

Rachel se remexeu e não demorou a sentir o carinho em seu corpo. Sorriu suavemente... Há alguns dias ela não acordava assim... Nem o chão duro precariamente confortável pelo edredom era capaz de tirar a delícia que era acordar ao lado de Quinn. Abriu os olhos devagar e sorriu mais ao se deparar com o verde dos olhos sonolentos da pessoa mais linda do mundo...

Q: Bom dia...

Era a mais perfeita voz rouca do universo. Rachel já tinha pensado em gravar o “bom dia” de Quinn para andar consigo e ouvir repetidas vezes durante o dia, mas achou que pareceria um pouco ridícula...

R: Bom dia!

Q: Acho que nossas costas vão doer o dia todo! [remexeu-se incomodada]

R: Por que você não veio atrás de mim?

Quinn a olhou um pouco confusa. O sorriso da morena havia ido embora.

Q: Você decidiu pela greve. [disse calma]

R: Porque pensei que você não aguentaria. Pensei que você me pegaria de jeito. [disse sincera]

Q: Então era uma greve fadada ao meu fracasso?

R: Eu tinha certeza de que você não aguentaria. [sentou-se] Sei que pode parecer pretensioso da minha parte, mas nos últimos tempos você tem estado tão fisicamente ligada a mim que achei que cortando isso de você eu teria alguma resposta. Que eu conseguiria te atingir e fazer você conversar comigo e aceitar dividir nossas responsabilidades nesse aperto financeiro.

Q: Eu não sou um animal, Rach! [sentou-se também] O sexo é só uma parte do que eu realmente preciso que você me dê. Eu tenho precisado tanto de você! Tanto! [havia uma certa agonia em sua voz]

Rachel sentiu uma pontada no peito. Ela tinha certeza de que era arrependimento por ter começado com essa greve. Ela não estava pronta para ver Quinn fragilizada outra vez...

R: Então por que você não veio atrás de mim?

Q: Porque isso não deveria ser necessário... Você prometeu que nunca mais me deixaria.

R: Ei! Eu não te deixei! Eu...

Q: Você me privou de você! [interrompeu] Estivemos sob o mesmo teto por dias, mas sem beijo, sem toques, sem conversar... Eu senti saudade de você mesmo com você diante de mim... [disse triste]

R: Não era bem isso que eu queria provocar... [disse preocupada]

Q: Mas provocou. Uma vez você me deixou dizendo que era para o meu bem, que eu deveria pensar mais em mim. Agora você me privou de você, mesmo estando diante de mim, tentando me provar um ponto que eu não quero aceitar. Mas eu tenho que te dizer que não aceitei nenhuma proposta dos empregos porque eu não consegui tomar uma decisão sem você me apoiando.

R: Eu pensei que...

Q: Eu não gosto de perder o controle! Eu detesto perder o controle! Eu não posso mais perder. Não posso perder você!

R: Hey!

A mente de Quinn começava a sair dali quando Rachel foi mais rápida e sentou no colo dela buscando seu olhar. Segurou seu rosto com as duas mãos e a encarou:

R: O que você está tentando dizer?

Quinn desviou o olhar e a morena logo percebeu a vermelhidão que começava a se apoderar de seus olhos. Não foi necessário muito tempo para que ela enfim entendesse o que a loira estava falando... Com cuidado, Rachel fez com que ela a olhasse novamente:

R: Meu amor... Você está com medo de que a falta de dinheiro nos afaste como afastou você e Beth?

Q: Eu não pude cuidar dela! [começou a chorar] Eu não pude! Se eu tivesse dinheiro eu teria ficado com ela, mas eu não tinha mais nada! Eu não tive condições de cuidar dela porque eu não tinha dinheiro! Russel me tirou tudo! Você sabe disso!

Como num passe de mágica tudo passou a fazer sentido para Rachel. Era sexta-feira e dali a dois dias era dia das mães. Elas foram se desencontrando desde que Quinn passou a se preocupar com dinheiro e tudo ia se tornando um rodamoinho de lembranças e medos. Haveria um almoço comemorativo na casa de seus pais e seria o primeiro dia das mães que Quinn passaria com Beth, mesmo que para a garotinha esse dia fosse todo da Shelby.

Rachel a puxou para um abraço forte e sentiu toda a força que a loira empregava naquele encaixe.

Q: Eu preciso controlar... Eu preciso! [murmurava]

A morena a soltou e a beijou. A intenção era que o beijo fosse delicado, mas Quinn não permitiu. Avançou sobre ela, deitando-a novamente. Rachel sentia todo o desejo acumulado de Quinn por ela naquele beijo, na força com que ela sugava sua língua e mordia seus lábios...

R: Calma... Amor... Espera...

Quinn não a ouvia mais. Ela não ouvia... Ela precisava senti-la. Precisava matar a saudade. Ela precisava...

Havia pressa e um desejo surreal acumulado. As mãos de Quinn foram ágeis e logo mergulharam sob a blusa da morena, agarrando os seios macios. Sua intrépida língua devorava a boca de Rachel como há um bom tempo não fazia igual. A morena desistiu de tentar ditar um ritmo mais tranquilo e resolveu se deixar levar. Ela também sentia falta. Estava louca de saudade e de tesão...

O toque nervoso da campainha tirou Quinn do entorpecimento no qual havia entrado. Seu olhar para Rachel era claramente um pedido de desculpas. Desculpas por ter perdido o controle. Desculpas por precisar tanto controlar...

A morena acariciou seu rosto num ato silencioso de dizer que estava tudo bem. Levantou-se para atender quem quer que fosse atrás da porta. Um Kurt apressado entrou no apartamento:

K: Eu preciso que você me leve correndo para a faculdade.

R: Bom dia pra você também, Kurt! [disse sarcástica]

K: Desculpe, mas não tenho tempo para ser educado! O metrô entrou em greve e está parado. Todos os táxis de NY estão ocupados e eu tenho uma prova daqui a pouco e se eu não chegar a tempo estarei ferrado.

R: Ok... Espera...

Rachel se virou e foi até o quarto rapidamente. Voltou com a chave do carro na mão e jogou para ele:

R: Toma! Pode ficar com o carro hoje.

K: Não! [jogou de volta] Eu não sei dirigir em NY e o trânsito está um caos. Por favor, eu preciso que você me leve! Por favor! [implorava]

Rachel não queria ir. Ela precisava resolver as coisas com Quinn. Olhou para a loira e recebeu dela um aceno de cabeça.

R: Droga, Kurt! [disse irritada] Eu devia deixar você se ferrar! [apontou o dedo para ele] Vou tomar um banho rápido e a gente vai.

Enquanto a morena ia em direção à suíte, Quinn se levantou e juntou os travesseiros e o edredom, colocando sobre o sofá.

K: Por que vocês dormiram na sala?

Q: O aquecedor do quarto quebrou. [despistou facilmente] Eu vou preparar algo para a Rachel comer. Você quer alguma coisa?

K: Não, obrigado! Não vai dar tempo de comer. Nem perca seu tempo fazendo algo para ela.

Quinn o olhou de um modo que o fez se lembrar dela no colégio. A sobrancelha arqueada com uma expressão de confusão um tanto sarcástica:

Q: Eu não sei de onde você tirou isso, mas ela vai comer sim... [disse calma]

Kurt engoliu em seco e logo entendeu que não chegou em boa hora.

Não demorou para que a morena chegasse à cozinha e visse o copo de suco e o sanduíche de ricota preparado por Quinn, que estava colocando o café na caneca de Rachel para que ela levasse consigo. Seu coração palpitou apaixonado ao ver o cuidado com que a namorada estava cuidando de seu desjejum.

Q: Sente-se, Kurt! Vocês só vão sair quando a Rachel comer...

Ele não ousou discutir e se sentou. A morena deu um sorriso de canto enquanto começava a mastigar.

Escovou os dentes correndo e pegou a bolsa para sair. Aproximou-se de Quinn e a olhou carinhosa:

R: Descanse mais um pouco e eu volto para te buscar.

Q: Eu não vou a Columbia hoje...

R: Não?

Q: Não...

A morena olhou para Kurt apreensivo na porta:

R: Kurt, vá chamar o elevador que já estou indo!

K: Mas...

R: Pelo amor de Deus, nos dê privacidade! [disse irritada]

K: Ok! [ergueu as mãos em rendição] Já vou!

Rachel segurou o queixo de Quinn e a beijou com vontade, sentindo as mãos da loira segurarem sua cintura...

R: Me espera, então... Eu vou voltar pra casa pra ficar com você...

Q: Mas e...

R: Mas nada! [beijou-a novamente] Me espera... A greve acabou!

Durante todo o percurso Kurt encheu Rachel de perguntas e a morena foi se esquivando de cada uma delas. Foi estranho para ela perceber que agora se sentia mais à vontade para falar sobre ela e Quinn com Santana do que com o amigo. Tentou se convencer de que talvez fosse pela raiva que estava sentindo pela interrupção de um momento importante com a namorada e pela forma atrevida com a qual ele chegou ao apartamento.

O trânsito estava realmente um caos e cada minuto desperdiçado ali era um minuto a menos com Quinn. Quando chegaram em frente à NYU, Rachel mal se despediu dele e arrancou com o carro de volta para casa. O trânsito estava ainda pior...

Quinn ouviu o barulho da porta e saiu da cozinha para ver Rachel chegando apressada:

R: Vem! [puxou-a pelo pulso em direção ao quarto]

Q: Você... Tem certeza?

Rachel ia se despindo pelo caminho e chutando os sapatos para longe:

R: Absoluta!

Q: Eu te quero, mas eu não sei pensar diferente! Eu não sei não querer controlar tudo! Eu não...

Quinn foi calada pelos lábios carnudos da namorada:

R: Shhhh... Quem fala demais aqui sou eu... Eu disse que a greve acabou. Depois a gente resolve todo o resto. Agora a gente vai resolver a minha necessidade de você!

O controle na cama era algo que Quinn se permitia dividir, apesar de sempre tender a querer dominar. Mas naquele momento, era Rachel quem ditava o ritmo. Era Rachel quem devorava o corpo da loira...

Quinn sentia a língua da morena deslizar com desenvoltura em sua intimidade, sugando seu clitóris com um desejo que parecia nunca mais acabar. Rachel estava bastante concentrada naquela área, distribuindo beijos pela virilha e pelas coxas da namorada, voltando sempre ao alvo principal, sugando e sugando sem ter a mínima noção de quando iria se dar por satisfeita... Suas mãos deslizavam pelos seios e barriga da loira. Quinn, por sua vez, prendia os dedos entre as mechas dos cabelos escuros, tentando toda e qualquer conexão que a deixasse cada vez mais próxima de seu amor...

Enquanto sugava os seios de Quinn, Rachel se perguntou como foi capaz de pensar que conseguiria levar uma greve de sexo adiante? O sabor da pele da loira era algo tão perfeito para ela que seria loucura abrir mão de senti-lo por livre e espontânea vontade. Ouvia os gemidos de Quinn e resolveu continuar naquela região para continuar ouvindo aquele som maravilhoso. Passou a brincar com os mamilos da loira, rodeando-os com a língua e logo depois abocanhando-os com seu desejo mais primitivo...

Havia bastante suor quando Quinn sentiu a boca de Rachel sobre dela e os dedos da morena lhe invadirem. Ela amava sentir a morena suada sobre seu corpo. Amava quando sentia seu corpo molhado sem saber o que era seu suor e o que era dela... Toda aquela troca de fluidos e pele, toda aquela troca de prazer e intimidade fortalecia a ligação quase transcendental que uma tinha com a outra. Era quando elas se sentiam completas. Era quando se sentiam elas mesmas de verdade...

Ficaram se admirando por quase uma hora após o orgasmo. Olhavam-se com uma mistura de devoção e saudade...

Q: Não me priva disso de novo... [pediu baixinho]

Rachel se aconchegou mais ao corpo dela, entrelaçando ainda mais as pernas já entrelaçadas. Deixou um beijo carinhoso no ombro da loira e sorriu suavemente:

R: Eu estava louca quando pensei que essa greve daria certo... Enlouqueci um pouco mais a cada dia, sentindo falta do seu cheiro na cama, dos nossos banhos juntas, dos seus dedos e da sua língua dentro de mim... [fechou os olhos] Puta merda, Quinn! Eu vivo no cio por você!

Q: Hã? Rachel! [repreendeu]

A morena se moveu e sentou sobre os quadris da loira, abaixando o tronco para ficar o mais próximo dela sem deitar, apoiando-se com os braços sobre o colchão:

R: Cada dia de greve foi uma tortura, porque tudo o que eu queria era que você viesse atrás de mim e me pegasse de jeito, que me comesse como minha dona, porque é o que você é: dona do meu corpo, da minha vida! [dizia intensamente] Eu fico molhadinha só de olhar pra você. Só de pensar em você. Eu estou aqui para ser tudo o que você quiser na cama. Para fazer tudo o que você quiser! Como uma cadela no cio... A sua cadela no cio...

Q: Eu... Eu não sei o que dizer...

A loira estava surpresa com o vocabulário da morena. Rachel nunca havia falado daquela maneira e por mais estranho que fosse ela estava deixando Quinn excitada novamente.

R: Não diga nada! Apenas me coma!

E Quinn obedeceu. Ela transou com Rachel em todas as posições possíveis diante do cansaço que já sentiam. A loira distribuiu mordidas e chupões por todo o corpo da morena. Ela a possuiu de frente, de costas, de lado, encaixou suas intimidades, sugou sua essência até a morena literalmente apagar...

Quando Rachel acordou, Quinn estava sentada ao pé da cama, com uma bandeja de comidas. A morena sorriu sonolenta:

R: Essa blusa é minha...

Q: É minha...

R: Era sua... [sorriu] Tira essa roupa e volta pra cá...

Q: Primeiro você vai comer...

R: Eu... Eu apaguei? [perguntou corada]

Quinn sorriu travessa. A insegurança de mais cedo parecia não existir mais. Rachel se arrepiou com a língua entre os dentes da loira naquele sorriso tão sexy!

Q: Apagou total!

R: Compreensível! [tentou justificar] Estava em abstinência...

A loira pegou um cacho de uva e se aproximou dela, deitando sobre a morena e levando a fruta à boca dela. Quando Rachel abriu a boca e tentou pegar a uva, Quinn puxou o cacho de volta e a beijou...

R: Tira essa roupa! [ordenou]

Elas tinham muita saudade para matar...

No sábado, Quinn chamou Rachel até o quarto de Beth e mostrou alguns presentes que havia comprado:

Q: Eu não pude comprar grandes coisas e não quis te pedir dinheiro para isso... [disse constrangida] Bom... Esse é o presente da minha mãe. [apontou para uma caixa que continha um vestido] Eu achei que deveria comprar algo para seus pais também e comprei esses discos antigos. Afinal, eles fizeram o papel da sua mãe por muitos anos... [disse mais corada ainda]

Rachel a olhava encantada. A delicadeza de Quinn em se lembrar de comprar um presente para os Berry, mesmo sendo o dia das mães era uma prova do quão maravilhosa ela era capaz de ser...

R: E essa caixa?

Q: Essa... Bom...

A loira abriu a caixa branca e dela retirou um álbum de fotografias:

Q: Eu pensei que... Talvez... Talvez não fosse estranho dar esse presente à Shelby...

Rachel pôde perceber que a loira estava um pouco nervosa com aquele presente.

R: Posso ver?

Q: Claro!

A morena colocou o álbum no colo e o abriu. Ela esperava encontrar fotos de Beth, mas para sua surpresa o álbum começava com fotos dela de todas as fases da vida para, só depois ir para as fotos de Beth.

Q: Eu não tinha como comprar algo caro agora e achei que ela ficaria feliz em ter um álbum com fotos suas e da Beth... Ter mais de você do que ela sempre teve...

Os olhos de Rachel se encheram de lágrimas. Algumas daquelas fotos eram de uma época em que ela sentia muita falta de ter uma mãe por perto, por mais perfeitos que seus pais fossem.

Q: Eu não queria te deixar triste... [aproximou-se para abraçá-la]

R: Isso é lindo, Quinn! [enxugou as lágrimas] Tudo isso é lindo demais! A sua sensibilidade! Deus! Eu te amo!

Q: Você... Você não está triste?

R: Estou orgulhosa de você! [disse sincera] Agora eu estou em maus lençóis! [sorriu] Porque deixei para comprar de última hora e não faço ideia do que comprar. É o primeiro dia das mães que passarei com minha mãe e eu não sei o que dar a ela...

Quinn pegou o álbum da mão da morena e o fechou, colocando-o de volta na caixa, estendendo-a para ela:

Q: Tome! Dê esse presente!

R: De jeito nenhum! Não! É seu presente! Você preparou com tanto carinho! As fotos da Beth você mesma tirou. Não! E eu nem imagino o trabalho que você teve de conseguir essas fotos minhas de quando era criança. De jeito nenhum!

Q: Seus pais me ajudaram... E não tem problema! Se você gostou mesmo desse presente, dê a ela. É sua mãe.

R: Não, Quinn! A gente sai para comprar alguma coisa.

Q: É seu primeiro presente de dia das mães para ela. Você consegue pensar em algo especial?

R: Não...

Q: Você acha esse álbum especial o suficiente?

R: Mais do que suficiente!

Quinn o colocou nas pernas da morena e a beijou na testa:

Q: Dê à sua mãe! [sorriu carinhosa]

Elas tinham acabado de chegar à casa dos pais e Rachel percebeu o quanto a loira estava nervosa. Muito quieta e com as mãos frias. Ela sabia que ela estava apreensiva com o desenrolar daquele dia. Ver Beth comemorando o dia das mães com Shelby seria definitivamente doloroso...

Frannie estava de volta de Londres e abraçou a irmã cheia de saudade. Puxá-la para conversar fez Rachel se sentir aliviada, porque assim ela se distraía um pouco.

Beth correu para Quinn assim que a viu. A loira se sentiu a mais especial das criaturas com o abraço forte que a garotinha deu a ela. Foi difícil conter as lágrimas ao ver o cartão de dia das mães que Beth fez para Shelby, mas Quinn conseguiu se manter discreta. A garotinha desenhou Shelby e ela mesma dentro de um coração:

B: Mamãe disse que eu “pode” te pedir pra me ensinar a “esquever” as “palavas”.

Quinn olhou para Shelby e a mulher acenou em concordância:

Q: Claro que te ensino! [sorriu feliz]

B: Você “compou” presente pra sua mamãe?

Q: Comprei sim!

B: O quê?

Q: Um vestido!

B: É bonito?

Q: Muito bonito!

B: Sabe, “Kim”... Eu “compou” o presente da mamãe, mas não foi com meu dinheiro. Porque eu não “tem” dinheiro. Foi o papai que pagou com o dinheiro que é dele.

Quinn sorriu encantada com a perspicácia da filha.

Q: E o que você comprou?

S: Que tal aproveitarmos o momento para entregar presentes? [interrompeu]

R: Boa ideia! [sentou-se ao lado de Quinn]

Todos se sentaram na sala. Frannie já tinha entregue o presente à Judy e Beth à Shelby, então só restava Quinn e Rachel para presentear.

Q: Eu... Bom... Mamãe, espero que goste! [estendeu-lhe a caixa] Eu te amo! Feliz dia das mães!

J: Oh filha! [abraçou-a] Eu sei que vou amar! Eu te amo tanto! [beijou-lhe o rosto]

A loira pegou o outro presente e retirou da sacola:

Q: Hiram e Leroy... Eu acho que vocês também merecem presente. Então... [corou] Feliz dia das mães!

Os dois homens caíram na gargalhada e abraçaram a nora encantados!

H: Você é maravilhosa, Quinn!

A loira olhou para a namorada, incentivando-a a dar continuidade:

R: Bom... Mãe... [olhou para Shelby] Estou muito feliz por passar esse dia das mães com você... Eu sonhei tantos anos com esse dia! [lacrimejou] Enfim... Feliz dia das mães! [estendeu-lhe a caixa branca]

Shelby a abraçou forte:

S: Eu te amo!

R: Eu também te amo!

A morena mais velha abriu a caixa ansiosa e sentiu seu coração apertar. Abriu o álbum devagar e se deparou com fotos diferentes da que Hiram e Leroy haviam enviado para ela ano após ano. Até que cansaram de enviar mais... Um nó se formou em sua garganta ao ver a perfeição da organização e da cronologia das fotografias até chegar a Beth. Era como se fosse sua vida sendo contada a ela pela primeira vez. Todas as lacunas estavam sendo preenchidas e ela tinha duas filhas perfeitas das quais se orgulhar. Sem conseguir se conter, ela chorou...

B: Mamãe ficou “tiste”?

J: Não, querida! É choro de felicidade... [explicou]

Rachel se sentiu feliz por ver que aquele presente era mesmo especial. Ela viu que Quinn estava se segurando para não desabar. Tudo o que a loira queria era viver aquele dia como deveria ser: sendo tratada e homenageada como mãe. Mas isso não podia acontecer. Beth não sabia que ela era sua mãe biológica e, para todos os efeitos, não tinha motivo para era ser especial naquele dia. Ou tinha?

S: Presente perfeito! Perfeito! [olhou para Rachel emocionada]

R: Foi a Quinn quem fez! [disse sincera]

A loira a olhou confusa. Elas tinham combinado de que seria o presente de filha para mãe.

R: Ela preparou para você e depois disso já não havia um presente tão bom que eu pudesse te dar. Então ela fez a gentileza de me entregar para ser meu presente para você. [disse orgulhosa]

Todos olharam para Quinn encantados, principalmente Shelby. A loira corou completamente e tentou desviar o olhar para qualquer lugar...

S: Beth... Está faltando um presente, né?!

B: Posso pegar agora? [perguntou ansiosa]

S: Pode!

A garotinha saiu correndo em disparada e voltou como um raio com uma caixinha preta na mão.

B: É pra você, “Kim”!

Q: Pra mim? [assustou-se]

B: Mamãe falou que hoje é um dia especial. E que eu podia dar um presente para quem eu amo muito. Além dela, só podia ser mais uma pessoa. Eu “escolheu” você. [sorriu orgulhosa] Mamãe disse que nesse dia especial nem todo mundo é especial, mas que você pode ser especial também hoje.

Todos, sem exceção, ganharam um nó na garganta e Quinn não conseguiu segurar. Seu olhar foi direto para Shelby que fez questão de tornar aquele dia especial para ela também. Ela chorou...

B: Por que adulto chora tanto? [perguntou a garotinha curiosa]

Quinn a puxou para um abraço e a manteve em seu colo por alguns segundos que mais pareceram séculos. Ainda não era o suficiente...

Quando Shelby pensou no dia das mães ela se colocou no lugar de Quinn e imaginou como seria duro para ela estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe da filha. Ela precisava inserir Quinn no contexto. E conseguiu! Rachel murmurou um “obrigada” emocionado para ela. É... Ela realmente conseguiu...

Quando Quinn abriu a caixinha preta encontrou uma medalhinha de ouro em forma de uma menininha. Atrás da medalhinha estava gravado o nome “Beth”...

B: Mamãe disse que esse aí é meu nome, “Kim”. [apontou]

Shelby mexeu no pescoço e mostrou uma medalhinha igual:

S: Quando eu perguntei o que ela queria te dar, ela me disse que queria dar um presente igual ao meu. Então eu tive que descobrir antes qual era o meu presente. [sorriu] Quando fomos à loja ela apontou direitinho para a medalhinha. Noah disse a ela ao comprar para mim que a medalhinha significava que ela estaria sempre comigo, então ela me perguntou se ela poderia também estar sempre com você... [sorriu emocionada]

Quinn se levantou rapidamente e correu em direção ao banheiro. Rachel foi atrás dela preocupada:

R: Quinn?

Q: Eu... Eu não mereço! Eu não mereço esse presente! [chorou] Eu não mereço o mesmo presente da Shelby. Ela é a mãe que acolheu. Eu sou a que abandonou. Eu não mereço esse presente! Eu não mereço esse amor!

Rachel a abraçou forte! Quinn tremia em seus braços. E a loira parecia perder o controle outra vez...

[CONTINUA...]

Notas finais
Oi gente! Fiquei sem tempo mesmo e esse capítulo demorou para sair! :-( Mas como ele era bem especial para mim eu precisei demorar para concluir. Espero que gostem! Comentem! Beijos!