Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
86 Capítulo 86 - Tempestade de areia...
Notas iniciais
Rachel estava preocupada. Quinn estava extremamente irritada com a presença dos avós. Dada a personalidade de Russel, não era difícil imaginar que os pais dele deveriam ser pessoas intragáveis também.
Q: Podem ir embora! [ordenou]
L: Nós não vamos embora até você nos ouvir! Onde já se viu ser tão mal educada? Você é uma Fabray! Haja como tal!
Q: O quê?
Quinn estava vermelha. O ódio que a dominava fazia suas mãos tremerem e isso deixava Rachel em alerta.
M: Garota... [dirigiu-se friamente à Rachel] Nos deixe a sós que isso é assunto de família.
R: Eu sou a família dela. Esse é o nosso lar. Eu não vou a lugar nenhum. Se vocês querem falar, podem falar daí.
O tom de voz de Rachel foi cortante e ela não acreditava que tinha falado daquela maneira. Mas seus instintos estavam todos em alerta para proteger Quinn. Ela viu que aqueles dois não pareciam boas pessoas. Ela não precisava de maiores explicações. A loira sentiu o coração bater mais forte ao ver a forma como a namorada lidava com a situação.
L: Eu sei bem quem você é! [olhou frio para Rachel] Eu sei o tipinho de vida que vocês levam. Não é surpresa que Quinn tenha escolhido levar essa vida de luxúria e pecado. Foi ela quem trouxe essa sujeira para nossa família.
Q: Cale a boca! [tentou avançar, mas Rachel a impediu]
R: Calma! [disse tranquila] Não se exalte com quem não vale a pena...
L: Você é bem insolente, né?! [dirigiu-se à Rachel]
R: Bastante! [respondeu desafiante] Ou vocês falam logo o que querem ou podem dar meia volta e sair daqui.
Q: Eu não quero ouvir o que eles têm a dizer. Eu não quero!
Rachel sentiu Quinn tremendo e aquilo fez seu coração se partir ao meio. Antes que ela pudesse tomar uma atitude, seus ouvidos lhe surpreenderam:
J: O que está acontecendo aqui?
R: Judy?! [assustou-se]
Judy olhou surpresa para os ex-sogros. Ela jamais imaginaria que os veria ali. Passou por eles e entrou no apartamento. Foi direto para Quinn:
J: Você está bem?
A loira não respondeu verbalmente. Ela apenas negou com a cabeça. Judy levou a mão ao bolso do casaco que usava e retirou o celular de Quinn, entregando-o à filha:
J: Você esqueceu ontem lá em casa. E vejo que seu esquecimento veio muito a calhar. [virou-se e encarou os Fabray mais velhos] Rachel, querida, você pode levar a Quinnie lá pra dentro? [perguntou calma]
R: Claro! Mas você vai ficar aqui com esses dois? Eles são bem desagradáveis! [disse encarando Margareth]
Judy sorriu com o jeito impetuoso da nora:
J: Não se preocupe, querida. Já estou acostumada...
Q: Mamãe, eu não acho que você deva...
J: Fique tranquila! [interrompeu] Não se preocupe comigo...
Rachel se aproximou de Leonard e ergueu o olhar para encará-lo:
R: Eu não sei exatamente o que aconteceu com a sua família estranha, eu só sei que o senhor é um homenzinho tão desprezível quanto seu filho!
L: Como ousa? [perguntou indignado] Como ousa me dirigir a palavra de modo tão atrevido?!
R: Minha casa! Falo o que quiser...
Rachel se virou e pegou Quinn pela mão, levando-a ao quarto. A loira estava dividida entre a raiva que sentia pela presença dos avós e pela admiração que sentia pela namorada. Rachel poderia ter se sentindo constrangida e ter se retraído aos ataques verbais. Mas ela se mostrou forte e os enfrentou como só Rachel Berry era capaz de fazer... A morena fechou a porta e guiou Quinn até a cama, fazendo-a se sentar, e ficou em pé diante dela, acariciando os cabelos loiros.
Q: Eu... Eles...
R: Não precisa falar se não quiser, meu amor... [disse compreensiva]
Q: Eu quero! [olhou-a triste] Eles me negaram ajuda quando Russel me expulsou de casa. Eles disseram que não poderiam colocar dentro de casa aquilo que representava boa parte do que eles odiavam...
R: O quê?!
Q: Eu achei que eles poderiam me ajudar. Eles são ricos, afinal... Mas eles sequer me deixaram entrar. Eu estava ensopada da chuva e eles me deixaram do lado de fora... [fechou os olhos agoniada com as lembranças]
R: Por que você nunca me contou isso?
Q: Porque eu tinha vergonha dessa parte da minha história. Vergonha da minha família...
R: Oh meu amor... [abraçou-a] Você não precisa deles. Não precisa nem lembrar deles...
Q: Não preciso! [concordou]
Quinn tentou não chorar, mas foi impossível. A presença dos avós a fez se lembrar dos tempos difíceis que passou quando esperava por Beth. Parecia que suas feridas abertas jamais cicatrizariam...
Judy olhou de forma bastante fria para os Fabray e gesticulou para que entrassem um pouco mais no apartamento:
J: Não os estou convidando a sentar. Apenas entrem um pouco mais para que possamos conversar aqui dentro, sem chamar atenção dos vizinhos. [moveu-se para fechar a porta] Eu falei que não é pra sentar! [disse ríspida ao ver Leonard se dirigir ao sofá] Vocês não vão demorar aqui!
L: Quando você se tornou essa pessoa sem educação, Judy?
J: Eu não acredito que vocês vieram procurar a minha filha! [disse irritada] Depois de tudo, depois de todos esses anos, eu não acredito que vocês ainda têm coragem de vir atrás dela!
M: Eu não sei como você tem coragem de nos julgar se foi você quem a expulsou de casa!
Aquelas palavras atingiram Judy como flecha. E a culpa intermitente que ela sentia pelo passado doeu ainda mais...
J: Eu não a expulsei. Eu fui omissa, mas sei que isso não faz diferença. Eu sei dos meus erros e sei o tipo de mãe que fui. Mas a minha filha é melhor do que eu e do que Russel. Ela saiu diferente da criação incompleta que demos a ela. Por ser melhor do que nós, ela foi capaz de perdoar a minha falta, minhas falhas... E eu sei que fui pior do que vocês, porque eu sou a mãe dela e não a protegi quando deveria. Mas meu coração é bom, o de vocês não! Eu passarei a vida inteira tentando consertar meus erros com ela, enquanto vocês vêm aqui com essa arrogância típica e se dedicam a magoá-la.
L: Nós não queríamos estar aqui! Eu não queria vir a esse antro de pecado. Toda a vergonha que nossa família passou nos últimos anos tem a ver com ela. Não estivemos perto de nosso filho no hospital, nem no julgamento dele por vergonha do que a Quinn nos fez passar. Russel está na cadeia por culpa dela! [disse irritado]
J: Oh Deus! [levou as mãos à cabeça] Não me admira que ele seja o louco que é! Teve a quem puxar!
M: Vamos direto ao assunto? [segurou no braço do marido] Não vamos perder tempo discutindo sobre um assunto que não tem mais o que se fazer...
L: Verdade... Bom... [olhou firme para Judy] Você deve saber que Russel não fala mais nada. Ele se encontra catatônico. Porém, há momentos em que ele se comunica, mas tudo não passa de delírios onde ele pensa estar conversando com a Quinn. As únicas coisas que ele fala estão relacionadas a ela.
J: Nada disso me interessa. [disse fria]
L: Bom... [continuou] Os advogados do Russel nos procuraram e nos informaram que independente desse processo e do adiamento do julgamento, as investigações paralelas do FBI estão avançando e que a polícia precisa de mais informações sobre os valores que Russel desviou e sonegou, assim como os bens que ele adquiriu. Disseram que muita coisa está escondida e que ele precisa dizer onde estão, falar algumas senhas, enfim... Uma série de informações que, aparentemente, só ele pode dar.
J: E o que nós temos a ver com isso?
L: Como eu disse, quando ele fala, ele só fala na Quinn. Precisamos que ela converse com ele. Que arranque dele as informações que o FBI precisa.
J: O quê?! [surpreendeu-se] Você só pode estar brincando!
M: Nós não brincamos com dinheiro!
L: Se não descobrirmos onde está tudo o que ele adquiriu de maneira escusa, em nome de quem, os bens da família Fabray serão bloqueados.
J: Problema de vocês!
L: Problema nosso! Vão bloquear tudo! Sua casa, seu carro, sua poupança. De todas vocês... Vão bloquear tudo até atingir os valores que ele desviou. São milhões, Judy! Milhões! [disse irritado]
Judy caminhou até a porta e a abriu:
J: Podem ir embora!
L: Você está sendo burra! Fale com a Quinn! Ela precisa nos ajudar!
J: Ajudar? Ajudar? [ergueu a voz] Vocês negaram abrigo à neta de vocês na chuva. Ela estava grávida embaixo de um temporal e vocês sequer deram uma toalha a ela. Eu errei, e nunca neguei, nem negarei isso. Mas é demais vocês virem aqui e pedirem ajuda a quem vocês deram as costas.
L: Ela é nossa única esperança de não perder tudo!
J: Pois que percam! [ergueu a voz] Não estou nem aí! Quinnie nunca mais vai se aproximar do Russel! Ele nunca mais vai se aproximar dela. E o mesmo vale para vocês, que só pensam em dinheiro. Quinn ficou cega por conta do Russel. E ele mesmo ficou em coma por um tempo e vocês sequer apareceram. Aparecem agora por causa de dinheiro... Aparecem aqui um dia depois do aniversário dela para ofendê-la! Vão embora e nunca mais voltem! Eu posso não ter protegido minha filha antes, mas agora eu vou protegê-la, e ninguém se aproxima dela para magoá-la! Fora! [ordenou]
M: Não seja estúpida!
J: FORA! [gritou]
L: Você vai se arrepender. [ameaçou] Você vai ficar sem nada e vai se arrepender.
J: FORA! [gritou novamente]
Quinn e Rachel ouviam pouco do que acontecia na sala. Ouviam apenas quando as vozes aumentavam. O silêncio de repente se fez presente, até que batidas na porta o quebraram. Judy logo a abriu e entrou com seu jeito tranquilo:
J: Está tudo bem aqui?
Quinn continuava sentada, agora com Rachel ao seu lado. A morena assentiu suavemente para a sogra, certa de que havia conseguido fazer a namorada se sentir um pouco melhor.
Q: O que eles queriam?
J: Sua ajuda para fazer Russel falar...
R: O quê? Mas que canalhas! [disse irritada]
J: É... O FBI precisa de informações sobre as falcatruas de Russel e como ele não tem falado e, quando fala, é só sobre você, eles acharam que tinham o direito de vir aqui e te pedir que falasse com ele para evitar que bloqueiem os bens da família.
Q: Eu não quero, mamãe! [começou a se preocupar] Eu não quero falar com ele. Por favor!
J: Você não vai falar com ele! Nunca mais! [tranquilizou-a] Não se preocupe com isso, ok?!
Q: Ok...
Rachel deslizava a mão direita pelas costas de Quinn, deixando delicados beijos em seu ombro...
Q: Mas... [pensou um pouco] E quanto aos bens? [olhou para Judy com uma expressão preocupada] Eles podem tomar as coisas, não é mesmo?! Eles podem tomar a nossa casa em Lima.
Judy pegou a cadeira da mesinha de estudos e a levou para frente de Quinn, sentando-se em seguida:
J: Querida... [disse com a voz extremamente calma] Eu posso ter muitos defeitos, mas não sou burra. Fui burra por me casar com Russel, mas isso não vem ao caso. Eu desconfiava das falcatruas dele e as mencionei quando contratei o advogado para o divórcio. Ele me instruiu a tomar cuidado com os nossos bens, pois um dia eles poderiam ser tomados em garantia para cobrir as dívidas do Russel. Você sabe que temos fazendas, casas de praia. Tudo provavelmente comprado com esse dinheiro. Mas a nossa casa não foi comprada com dinheiro escuso. Minha família também tinha dinheiro. Aquela casa foi comprada também com o dinheiro da minha família. Eu não poderia permitir que a perdêssemos por conta da desonestidade dele. Então... Eu a vendi.
Q: Vendeu? [surpreendeu-se] Como assim vendeu? Quando vendeu? Para quem? Mas e nossas coisas?
J: Calma! [sorriu tranquila] Eu sabia que um dia isso poderia explodir e eu não queria perder a casa onde vocês cresceram. Ele não tem o direito de dilapidar nosso patrimônio. A casa não poderia estar em nome de nenhuma de nós porque eles vão atrás de todos os bens em nome dos Fabray. Eu me preparei para essa situação e há muito tempo atrás eu fiz Russel assinar algumas procurações para mim. Não se preocupe. Ele estava ciente do que assinava. Só não pensava que eu as usaria. Então eu tinha o direito de vender a casa. E a vendi. Só que não vendi, na verdade...
Q: Não estou entendendo...
R: Se você não está, imagina eu...
J: Eu vou explicar... Eu passei a casa para o nome de outra pessoa, como se tivesse vendido, mas não houve pagamento. Não precisou.
Q: Para quem você passou?
J: Beth...
Q: Como assim? [surpreendeu-se]
J: Beth não tem Fabray no sobrenome. Quando rastrearem os bens da família, aquela casa não entrará na lista. Já faz tempo que nos divorciamos e não será estranho eu ter me desfeito daquele imóvel e ter vindo para NY. Eles até poderão tentar me acusar de ter feito isso de caso pensado, mas terão que provar e não vão conseguir...
Quinn se levantou e se afastou um pouco, caminhando pelo quarto...
Q: A casa é de Beth? Desde quando?
J: Já faz um tempinho. Eu conversei com Shelby e ela se mostrou relutante. Não éramos tão íntimas... Eu a convenci de que era a melhor saída para não perdermos a casa. Os Berry ajudaram a convencê-la. Ela não queria que parecesse que ela estava se beneficiando da situação, afinal, ela é a mãe adotiva da Beth.
Q: Você usou a Beth para isso? [perguntou um pouco agoniada]
J: Eu não a usei. Eu dei uma bela casa a ela.
Q: Como assim?
J: Eu não usei a Beth para manter a casa para mim. Eu simplesmente dei aquela casa a ela. É dela. Para ela! Ela não tem o nosso sobrenome. Ela não terá direito a uma herança. Eu adiantei a ela o que ela deveria ter. Aquela casa vale alguns milhões e é toda dela agora.
Q: Você fez isso? [enchia os olhos de lágrimas]
J: Eu contribuí para que ela não nascesse entre nós. Eu contribuí para que ela não fosse uma Fabray de nome. Aquela casa foi onde você e Frannie cresceram. Mais do que valer milhões, ela vale o nosso passado. Ela vale a nossa história e eu não poderia deixar Russel dilapidar nossa vida. Eu sei que uma casa não paga a privação que permiti que você passasse. Eu sei que não paga... Mas, pelo menos, ampara Beth se um dia ela precisar...
Os olhos claros de Judy estavam marejados, assim como os de Quinn e Rachel...
J: Eu não sei como garantir que você e Frannie não percam os bens aos quais têm direito. Se eu mexer muito em nossas posses vai parecer que estamos tentando ludibriar a justiça.
Q: Eu não ligo! Eu não me importo com esse dinheiro...
J: Venda seu carro. Informe o número da conta de Rachel para que Columbia deposite sua bolsa. Porque se realmente começarem a bloquear os bens, eles bloquearão tudo o que encontrarem.
Q: Sobre o carro... Eu já queria trocar. Pedi à Santana para fazer isso pra mim.
R: Você fez o quê? [olhou-a confusa]
Q: Pedi à Santana para pesquisar alguns preços de carros para trocar.
R: Isso não deveria ser decidido por nós duas? [perguntou incomodada] Sei que o carro é seu, mas... Vivemos juntas!
Q: Eu sei... Eu só queria trocar aquele carro. Ele não traz boas lembranças. Quer dizer... Ele me lembra quando Russel... Enfim...
R: Mesmo assim...
Judy percebeu o incômodo de Rachel e achou que deveria deixá-las a sós. Mas antes que ela saísse, Quinn se aproximou e a abraçou forte:
Q: Eu nem sei como...
J: Não precisa... [acariciou as costas dela] Não precisa...
O ato de Judy em passar a casa para Beth era algo que Quinn não esperava. Era um pouco estranho, mas era, acima de tudo, generoso. Ela não sabia como expressar o que sentia sobre aquilo... Havia também o agradecimento por ter sido defendida e protegida por Judy. Era certo que ela falhou com Quinn no passado de uma maneira que jamais conseguirá consertar, mas Quinn reconhecia o quanto a mãe tentava compensar e o quanto era importante perdoá-la...
Estavam na sala. Quinn havia acabado de fechar a porta. Rachel a olhava com a expressão séria.
Q: Não vamos brigar, vamos?
R: Depende...
Q: É só um carro, Rachel. Um carro que traz lembranças do Russel e que eu acho que devemos nos livrar. Principalmente agora com a possibilidade de ser bloqueado pela justiça.
R: “Devemos”... Você disse “devemos” e, no entanto, não me incluiu nessa decisão. [disse séria]
Q: Rach... O que está te chateando?
R: É seu carro, mas o tratamos como nosso. Nós duas usamos. Vivemos juntas e essas coisas precisam ser resolvidas entre nós, não entre você e Santana!
Q: Era uma surpresa. Eu queria escolher um carro novo e te surpreender. Só queria te agradar.
R: Você errou! Com a melhor das intenções, mas errou.
Q: Como assim?
R: A banheira foi uma excelente surpresa. Adorei ser surpreendida! Mas sobre o carro? Eu adoraria ser consultada. Adoraria ter a chance de dizer que você não precisa trocar o carro. Ele não me traumatiza. Se for para trocar para que não o tomem, ok. Mas não o faça por mim. E se for por mim, fale comigo. Somos um time!
Q: Eu só queria fazer uma surpresa! [defendia-se] Por que você não enxerga assim?
R: Porque você tem aquele carro desde a escola. Porque você o escolheu. Você sempre gostou dele. Tivemos sim boas lembranças nele e eu não acho saudável você o trocar por causa do Russel. Não acho certo você se livrar dele pensando em mim.
Q: É só um objeto, Rachel! [irritou-se] Um monte de lata!
Quinn se sentou no sofá. Apoiou os cotovelos nas coxas e a cabeça nas mãos.
Q: Me desculpe... [disse cansada] Eu não pensei... Eu só queria tudo novo... Eu queria recomeçar naquilo que é possível... Me desculpe...
Rachel sentou ao lado dela e segurou suas mãos. Quinn a olhou e a expressão da morena era serena:
R: Eu não gosto que você tome decisões dentro do nosso relacionamento sem me consultar. Não se trata só do carro. Ele é só um símbolo. Trata-se de decidir. E você decidiu algo sem me consultar. Você não queria me surpreender com um carro novo. Você que queria se livrar do carro antigo por implicações relacionadas a mim. E envolveu Santana nisso.
Q: Ela só ia fazer um favor.
R: Amor... [mantinha-se calma] Se você pudesse e quisesse me dar um carro novo de surpresa, eu iria adorar. Mas também poderia achar ruim porque isso teria a ver com nossas finanças e eu poderia achar que não deveríamos ter esse gasto agora. Você entende o que quero dizer? Estou falando de decisões que devem ser tomadas em conjunto, entre nós duas, porque faz parte do nosso relacionamento. Decisões enquanto casal. Eu não quero que você seja a heroína da casa que dá jeito em tudo. Eu quero que você seja a minha companheira, que pede a minha opinião, que decide junto comigo.
Q: Eu não fiz por mal... [disse cansada]
R: Eu sei...
Rachel segurou delicadamente o rosto de Quinn e a beijou delicadamente:
R: Eu sei, meu amor... Eu acho que ainda teremos algumas surpresas desagradáveis sobre Russel e não quero que você tente resolver as coisas sozinha. Entendeu?
Quinn assentiu levemente com a cabeça.
R: Tem mais algum favor que você pediu à Santana que eu deva saber?
Quinn assentiu novamente...
R: Vamos fazer assim... Vamos tomar nosso café da manhã, depois vamos tomar um banho juntas e nos arrumar. Chamaremos Santana para conversar.
Q: Por quê?
R: Você não vai inseri-la no nosso convívio de novo através de favores. Eu quero falar com ela e definir como serão as coisas daqui pra frente.
Q: Rach...
R: Não se preocupe... [beijou-a novamente] Ficará tudo bem...
Elas decidiram não falar sobre os avós de Quinn. Eles já haviam estragado o suficiente daquele dia. Mas Rachel sabia que seria um assunto que ainda viria à tona e ela estava pronta para quando a namorada precisasse. Ela sabia que os Fabray não eram apenas uma poeira empurrada para debaixo do tapete. Ela sabia que eles poderiam ser uma verdadeira tempestade de areia...
[CONTINUA...]
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