Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
72 Capítulo 72 - Boas lembranças em meio ao caos...
Notas iniciais
Diante da perfeição que era Quinn mostrando seu nome tatuado na pele, o choro de Rachel se intensificou e ela já não pôde conter os soluços que tentava segurar. A intenção da loira era mesmo surpreendê-la, mas não imaginou que a surpresa seria tão grande... Abaixou-se, ajoelhando-se à frente da morena, segurando em seus joelhos, passando a acariciá-los com carinho...
Q: Isso significa que você gostou?
Sua voz doce e rouca fez Rachel soltar um sorriso em meio às lágrimas. A morena a olhou com a máxima ternura que era capaz de expressar...
R: Você não... [respirou um pouco mais forte para segurar o choro, limpando o rosto] Você não tem mesmo a menor noção de como mexe comigo, não é?!
Q: Não tenho? [perguntou suavemente]
R: Não... [sorriu encantada] Quando eu fui aceita em NYADA tudo em que eu pensava era que o mundo estava se abrindo para mim e que eu não mediria esforços para chegar ao topo. Ninguém ficaria no meu caminho. Nada me impediria de ser a maior estrela que esse mundo já viu... [limpou a garganta] Mas você fez tudo mudar... Minha visão de tudo. Minha visão sobre mim. Eu ainda quero o topo do mundo. Eu ainda quero ser a maior estrela. Mas eu só quero se for com você! Se você estiver ao meu lado em cada passo que eu der. Aquela coragem que eu tinha de passar por cima de tudo para alcançar meus objetivos, se transformou em coragem de passar por cima de tudo para ter você comigo... Você fez tudo mudar. Você me mudou completamente! [dizia apaixonada]
Q: Eu... Eu nunca quis te mudar... [disse um pouco insegura] Eu me apaixonei por você sem pensar em te ver diferente...
R: Foi uma mudança natural, meu amor... [disse tranquila] Porque é impossível estar perto de você e não sofrer uma transformação. Você é puro magnetismo! Existe uma força que me puxa pra você. E sei que as outras pessoas também sentem isso...
Rachel levou as mãos às de Quinn e as segurou, entrelaçando seus dedos...
R: Eu não sabia que precisava do seu amor, até tê-lo... Eu não sabia que era capaz de amar tanto, até te amar... Eu não sabia que merecia ser tão amada... [sua voz falhou] Essa tatuagem, Quinn... [respirou fundo] Deus! É linda!
Q: Eu fiquei com medo de você não gostar. [disse aliviada]
R: Como eu não gostaria?! Levante-se!
A loira obedeceu. Sentiu as mãos de Rachel erguerem sua blusa novamente, em busca daquele desenho tão lindo... Admirou o contraste da pele branca com a tinta escura... Seu nome gravado na mais perfeita textura que já foi capaz de sentir... Ela estava em Quinn muito mais do que antes... Segurou-a pela cintura e a puxou para mais perto. Precisava daquilo... Colou seus lábios na pele macia e passou a beijá-la com extrema calma, aspirando o perfume da namorada. A loira fechou os olhos em apreciação àquele carinho. Seu dia difícil passou a se tornar melhor. O que era ruim ficou do lado de fora da porta. Naquele quarto, Rachel a fazia esquecer de todo o resto e concentrar-se só nela. Não precisavam de maiores declarações de amor. Conheciam-se o suficiente para saberem o que sentiam e até para terem noção de que eram incapazes de mensurar com exatidão o quanto se amavam... Não precisavam mais falar. Estavam marcadas: uma na pele da outra. Para sempre...
Quinn levou as mãos aos cabelos de Rachel, acariciando-os enquanto sentia os beijos da morena em sua barriga e na lateral de seu corpo...
R: Quer conversar? [perguntou de repente]
A loira sabia o que aquela pergunta significava. Rachel queria saber se ela queria contar como foi a conversa com Russel.
Q: Eu só quero ficar aqui com você e cumprir com o que prometi. Eu disse que quando chegasse eu faria o que você quisesse. E é o que quero fazer: o que você quiser...
Rachel a olhou com um sorriso lindo e se levantou de repente, afastando-se dela sem dar explicações. Logo a loira a viu pegando o celular na cabeceira da cama e voltando para perto:
R: Toma! Liga pra sua mãe e conversa com ela. Não a deixe continuar preocupada. Ela me ligou o dia inteiro querendo saber se você havia dado notícias. Acalme-a. Eu não quero que sejamos interrompidas depois... [sorriu]
Quinn entendeu o recado e pegou o celular, sentando-se à beira da cama. Não foi surpresa para Rachel ouvir a loira resumindo tudo sem dar maiores detalhes. Ela sabia que a namorada fugiria de se aprofundar no assunto. Ela não iria querer reviver o momento tenso que viveu mais cedo. Qualquer conversa com Russel sempre era tensa. Era óbvio que nas circunstâncias em que se encontravam, essa tensão era muito maior! Assim que desligou o telefone, a loira se levantou para colocá-lo na mesinha e se virou para olhar para Rachel. A morena havia se deitado e mantinha no rosto um lindo sorriso...
R: Eu me sinto tão sua dona sabendo que agora você carrega meu nome em sua pele! [disse provocante]
Q: Você já era minha dona antes disso... [respondeu intensamente]
R: Vem aqui...
Quinn voltou à cama e engatinhou sobre a morena, ficando completamente sobre seu corpo:
Q: Diga o que você quer e eu farei...
Os olhos claros estavam brilhantes, num exemplo indiscutível de que a loira estava disposta mesmo a fazer qualquer coisa...
R: Eu quero o que você quiser... Quero realizar suas vontades. O que você quiser que eu faça, eu farei...
Quinn lhe sorriu como há muito tempo não sorria. Ela era tão perfeita sorrindo! Rachel achou que ouviria a namorada dizendo o que queria, mas se surpreendeu ao vê-la se afastar, ajoelhando-se entre as pernas dela. A morena ergueu-se sobre os cotovelos e a olhou confusa...
R: Não vai me dizer o que você quer?
Quinn inclinou a cabeça para um lado, com um sorriso carinhoso...
Q: Eu sempre quero você...
Rachel se arrepiou inteira e estremeceu ao sentir as mãos de Quinn deslizando por suas coxas, indo em direção ao interior de sua saia. Sentiu os dedos da loira prenderem às laterais de sua calcinha, puxando-a para baixo, deslizando por suas pernas...
Q: Eu amo que você ame usar saias... [sua voz era rouca]
R: Você me deu uma tatuagem... Era eu quem deveria te dar um orgasmo agora... [disse sorrindo]
Quinn segurou a perna esquerda da morena e passou a beijá-la desde o tornozelo, subindo vagarosamente...
Q: Você é meu orgasmo constante!
Rachel deu uma risada e levou as mãos ao rosto:
R: Oh céus, Quinn! Você não existe!
Sentiu as mordidas delicadas da loira em suas coxas e abriu as pernas um pouco mais. Quanto mais espaço Quinn tivesse, mais prazer Rachel receberia...
Q: Você é a minha calma... Você é a minha paz...
Rachel ouviu aquilo, mas sabia que Quinn não havia falado para que ela escutasse. Foi muito baixo e muito pessoal. Era como se a loira só estivesse confirmando o que era tão óbvio. Antes que pudesse responder àquilo, Rachel sentiu o beijo sentido da namorada em sua intimidade. Sentiu a língua deslizar com propriedade em sua abertura. Sentiu a sucção em seu clitóris. Sentiu tudo. Tudo! Tudo o que ela queria era satisfazer as vontades de Quinn. E se suas vontades estavam relacionadas a seu corpo, ela o entregaria novamente, quantas vezes fossem necessárias. E ela se entregou... Mais de uma vez...
Quando a morena atingiu o orgasmo, Quinn se sentiu feliz. Ela adorava aquilo! Adorava ver as reações da namorada. Desde os espasmos, até os olhos fechados com força, ou revirados... Adorava os dedos dos pés se curvando, os das mãos prendendo-se ao lençol, ou aos seus cabelos... Adorava a respiração ofegante e os seios se movendo rapidamente... Rachel não estava completamente nua, nem ela. Mas isso não durou muito tempo. Quinn se despiu e depois retirou as peças de roupa da morena que ainda não tinham sido retiradas. Rachel estava ainda sob o efeito do orgasmo, com o corpo mole. Sentiu o corpo macio da loira aconchegar-se ao dela e o lençol a cobri-las.
Q: Tudo bem? [beijou-lhe a têmpora, puxando-a para deitar em seu ombro]
Rachel logo passou a perna sobre o corpo dela, assentindo com a cabeça...
R: Ainda estou à disposição para fazer o que você quiser...
Quinn sorriu. Sabia que Rachel estava exausta...
Q: Estou tendo o que quero. Agora eu quero você aqui, junto de mim, assim... Nua...
R: Ficarei assim então...
A morena se moveu e passou a distribuir beijos por todo o rosto de Quinn, pelo pescoço, nos lábios... Com seu jeito experiente de lidar com o corpo da namorada, conseguiu inverter a posição de dominância da loira e logo a tinha deitada em seu colo... Passou a acariciar os cabelos dourados enquanto sentia os dedos de Quinn deslizando por sua barriga...
Q: Eu acho que ele está mesmo louco...
Rachel não esperava que Quinn quisesse tocar no assunto. Muito menos naquele momento. Mas se a loira o fez espontaneamente, ela só poderia agradecer por vê-la se abrindo...
R: Por que você acha isso?
Q: Eu não sei explicar, mas ele parece passear por mais de uma personalidade: um pai decepcionado, um pai orgulhoso, um criminoso sem remorso, um homem de família arrependido... [contava com certa frieza] Eu poderia enumerar vários transtornos mentais nos quais ele pode se encaixar, porque ele apresenta sinais de vários...
R: É melhor para você pensar que ele é louco...
Não foi uma pergunta. Rachel não falou em tom interrogativo. Quinn percebeu que aquilo era uma afirmação. A loira ergueu a cabeça e a olhou um pouco confusa.
R: Você se sente melhor ao pensar que ele pode ter feito isso tudo por ser louco?
Agora sim era uma pergunta... Quinn se sentou rapidamente. Olhou para Rachel sem entender bem onde ela queria chegar...
Q: Não há uma forma de eu me sentir melhor...
R: Eu sei... Eu não encontrei uma palavra melhor para me expressar. [sentou-se também] Mas o que eu quis dizer... [parou um pouco para pensar] O que eu quis perguntar, na verdade, era se é menos assustador para você pensar que ele não fez isso tudo completamente consciente do que fazia...
Q: Eu não sei... [sussurrou] Eu realmente não sei... É tudo tão assustador que é difícil pensar diferente, enxergar por outro prisma...
Rachel se moveu para se sentar no colo de Quinn. A loira a recebeu como sempre, com todo o carinho que lhe era inerente...
R: Olha pra mim! [segurou o rosto dela com as duas mãos] Escuta bem o que eu vou dizer... [Quinn assentiu com a cabeça] Você pode sentir falta do seu pai...
Q: Ele não é meu pai! [disse ríspida] Eu não quero que você se refira a ele como meu pai!
A loira tentou se afastar, mas Rachel se manteve firme sobre seu colo, segurando seu rosto:
R: Pare com isso! [repreendeu] Estamos conversando. Não precisa fugir de mim!
Q: Desculpe... [murmurou constrangida]
R: Eu respeito seu silêncio. Já respeitei em muitos outros momentos. E entendo que você não queira conversar sobre tudo comigo. Mas sobre isso, eu estou exigindo que você converse! Eu não quero que você se abra com a Santana e com Frannie. Não só com elas. Eu quero que você converse comigo. Nessa história toda, nós duas fomos as mais afetadas, os alvos principais. Então ninguém pode nos entender melhor do que nós duas. Não me poupe e deixe que eu cuide de suas feridas.
Quinn assentiu lentamente com a cabeça. Estava cansada de fugir daquilo. Cansada de poupar Rachel, de guardar para si suas angústias...
R: Então... Você pode sentir falta do seu pai... Daquele que você admirou, não importa se foi na infância, apenas... Mas você pode sentir falta dele e isso não diminui seu amor por mim, nem pela Beth... [dizia de forma calma] Eu sei que você carrega dentro de si esse ódio por ter sido expulsa de casa, por ele ter tentado me matar e pela sua cegueira. Eu não tenho palavras para expressar o quanto isso é louco. Como tudo isso é pesado... Mas sentir falta dele, como ele era antes dessas coisas acontecerem, ou como ele foi em algum dia especialmente feliz que você tenha vivido no passado, não faz menor o seu amor por Beth e por mim... Não faz de você uma pessoa menos especial... Eu o odeio, mas não por ter tentado me matar. Eu o odeio pela mágoa que ele te causou. Eu o odeio por todo sofrimento que ele fez e faz você passar. Eu fui um instrumento apenas... Eu o odeio... Mas eu entendo perfeitamente que você precisa guardar com você parte da figura de pai que ele já foi... Eu sei que em algum momento ele foi bom. Em algum momento ele foi seu herói... Você pode guardar isso, meu amor... Você não precisa se sentir vazia...
Quinn ficou impressionada com a precisão de Rachel. Ela não precisou abrir a boca para que a morena entendesse o que ela sentia. A sensação de vazio que a necessidade de manter Russel fora de sua vida causava, de apagar completamente a figura paterna... Era tão doloroso sentir ódio!
R: Beth está bem... Ela te ama. Eu estou bem! E eu te amo! Estamos bem... [emocionou-se] Ele vai pagar pelo que fez e vai ficar longe de nossas vidas... Deixe que esse peso que você carrega em seu coração vá embora com ele... Deixe que eu te ajude a superar a decepção e toda a mágoa que ele causou... Deixe que eu tente preencher a ausência dele em você...
Q: Eu nunca vou perdoá-lo! [choramingou]
R: Eu não estou dizendo para você perdoar. Eu não acho que ele mereça. Ele não merece! E eu não posso te pedir para fazer algo que eu não consigo fazer também. O que estou tentando dizer é que você precisa viver longe dessa sombra dos sentimentos ruins que ele te provocou e provoca. Você diz que ele não é seu pai, mas ao dizer isso eu vejo sua dor. Porque com isso ele leva sua vida com ele, leva suas memórias, leva sua história. Não deixe que ele tire mais nada de você! Ele é seu pai, você tem um pai. Preso, criminoso, talvez louco... Mas você precisa ser mais forte do que isso. Mais forte do que simplesmente negar a existência dele e o vínculo que existe entre vocês. Eu não quero que você se esvazie...
Q: Ele me ensinou a andar de bicicleta... [disse chorando] Eu caí e ele me colocou no colo, soprou meu joelho e disse que era um sopro mágico e que iria sarar... [chorou mais] Ele carregava uma foto da família na carteira e dizia que eu era a mais parecida com ele. Em tudo. Ele dizia aquilo com orgulho e hoje parecer com ele em alguma coisa me envergonha... [passou a soluçar]
R: Hey! Não! Não foca nisso... Me conta mais coisas boas... [tentava impedir que ela mergulhasse nas coisas ruins]
Q: Ele não deixava minha mãe nos bater quando aprontávamos. Ele se vestiu de papai noel por vários natais e só parou quando descobriu que eu já sabia que era ele fantasiado. Foi uma das tantas vezes em que minha inteligência o incomodou... [disse com a voz triste]
R: Foco, meu amor... Não perca as boas lembranças em meio ao caos...
Q: Ele me perguntava sobre os treinos nas Cheerios e sempre comprava qualquer remédio que eu precisasse para aliviar as dores de contusões... Ele ficou orgulhoso quando comecei a namorar o Finn e conversava com ele sobre futebol sempre que ele ia jantar lá em casa...
A voz da loira foi diminuindo assim que percebeu que havia falado no ex-namorado que elas tinham em comum. Naquele que tantas vezes foi motivo de brigas e inseguranças. Naquele que foi, na escola, o maior obstáculo entre elas... Rachel a beijou na testa e sentiu as mãos da loira a segurarem com mais força...
R: Eu só quero que você entenda que aquele homem que vai ser julgado não é um homem qualquer. Ele também é o pai que você um dia admirou. Que realmente agiu como um pai... E, por isso, você tem direito de sentir isso que eu sei que você está sentindo: essa dualidade entre o desejo que ele seja condenado e a dor por ele ser seu pai...
Q: Eu era a princesinha dele... [chorou sem pudor]
R: Eu sei... [abraçou-a com força] Eu sei, meu amor...
Q: Eu te amo tanto! [apertou-a mais]
R: Eu te amo, meu amor! Muito mais do que você imagina...
Quinn já havia perdido as contas de quantas vezes ela havia tentado abotoar aquela blusa, errando os lugares de todos os botões. Ela sentia o tremor em suas mãos. Estava se arrumando para ver Russel ser julgado. Era o dia pelo qual tanto esperou: o dia de vê-lo condenado por tudo! Mas também era o dia em que, talvez, visse seu pai pela última vez... Sentiu as mãos de Rachel assumirem o lugar das dela e abotoarem corretamente a blusa branca já um tanto amassada. Sentiu o beijo delicado da morena sobre seus lábios...
Rachel também estava nervosa. Russel havia tentado matá-la mais de uma vez. Ela nutria por ele um ódio que achava que nunca passaria. A figura dele a amedrontava... Mas sabia que sua dor não chegava nem perto da sentida por Quinn. A namorada estava prestes a testemunhar contra o próprio pai. E o quão cruel deveria ser ter a concepção de que se tem um pai tão mau, tão cruel, homicida sem remorso? A morena desejou em silêncio pela loucura de Russel. Ela queria que tudo aquilo se justificasse de um modo menos doloroso para a namorada... Antes louco do que monstro...
Mais uma vez, Rachel arrumava um cachecol em Quinn e a loira admirava a paciência com que ela fazia aquilo. Segurou as mãos da morena, fazendo-a parar um pouco:
Q: Depois de hoje, nossas vidas voltam ao normal. E eu vou fazer você feliz como você nunca sonhou que um dia seria!
Rachel sorriu suavemente ao ver Quinn tentando ser mais forte do que tudo! Sabia que ainda iria demorar para a bagunça emocional da namorada se arrumar. Mas ela a ajudaria...
R: Eu já sou feliz! [sorriu carinhosa] Você já me faz feliz como eu nunca sonhei...
O som da campainha as interrompeu. Elas sabiam que eram seus pais. Todos iam juntos para o tribunal. Quinn respirou fundo e puxou Rachel para fora do quarto:
Q: Vamos! Vamos acabar logo com isso! Vamos virar essa página...
[CONTINUA...]
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