Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
57 Capítulo 57 - Luz dos olhos...
Notas iniciais
Estava fazendo muito frio e Rachel não parava de pensar em Quinn. A loira estava resfriada e tinha passado a noite anterior com febre. Aquela era a noite de Ano Novo e após brindarem a virada do ano, mais uma festa se estendia pela casa dos “Faberry”, como eles mesmos resolveram batizar, sem pensar que Rachel e Quinn já formavam o casal com este nome. Shelby abriu mão de sua parcela na nomenclatura, pois achou que “Corcofaberry” soava muito estranho. Beth tentava lutar contra o sono, mas a voz melodiosa de Rachel tentando embalá-la tornava a missão de permanecer acordada bem difícil. Três canções da Broadway depois e a garotinha dormia profundamente.
Quinn estava sentada na varanda, tendo uma séria conversa com Judy e Frannie. Logo após o natal, a loira passou por uma detalhada avaliação médica que constatou que ela estava apta para realizar a cirurgia. Pelo menos conforme a metade dos exames. Como os que faltavam eram menos complexos, não havia qualquer razão para acreditar que ela não seria submetida à cirurgia logo. Mas o resfriado que a acometeu poderia atrasar um pouco as coisas. Ela preferia acreditar que era só coincidência, e não um sinal de que deveria desistir...
F: É normal ter medo, Quinnie...
Q: Eu sei... [disse desanimada]
F: Você não tem que fazer se estiver com medo.
J: É, filha... Você pode esperar mais, até se sentir pronta...
Q: Mas eu não quero esperar! É terrível não ver nada. É confuso e ensurdecedor ouvir tantas vozes e ter que me forçar a distingui-las. [dizia agoniada] É terrível ter medo de derrubar a comida o tempo todo. Parte disso deve parecer bobagem, mas é como me sinto. Se eu fosse cega de nascença e não conhecesse as coisas, eu não sentiria falta do que nunca tinha visto. Se eu estivesse cega há mais tempo, talvez já tivesse me acostumado. Mas eu não me acostumei. Eu me sinto presa dentro de uma realidade que não parece minha...
Quinn desabafava como não tinha feito com mais ninguém. Diante de todo o seu esforço em poupar Rachel diante da situação, nunca foi 100% sincera sobre como se sentia com relação à cegueira. Ali, com sua mãe e irmã, finalmente ela liberava um pouco mais da verdade que a sufocava.
Q: Rachel é muito performática... [prosseguia] Seus gestos dizem muito sobre o que ela quer expressar. E não vê-la... [suspirava] Não ver suas expressões me frustra. Assim como não ver Beth... [lamentava-se] Eu sei os riscos que corro com essa cirurgia... Eu sei... E é por isso que eu digo que se algo acontecer comigo naquela sala, eu não quero viver respirando por aparelhos.
J: O que você quer dizer com isso, filha? [perguntou preocupada]
Q: Que eu vou assinar um documento autorizando o desligamento dos aparelhos se as coisas derem errado.
J: Não fala isso, filha! [começava a se sentir agoniada]
Os olhos de Quinn mantinham um ar perdido e vazio, pareciam presos a algum tipo de imagem reveladora, mas que ninguém jamais saberia o que poderia ser...
F: O que a Rachel diz sobre isso? [perguntou, mesmo sabendo a resposta]
Q: Ela não sabe...
J: Como não sabe?
Q: Ela nunca concordaria com essa minha decisão!
F: E ela tem uma grande razão pra isso!
Q: Mas eu já decidi! [disse firme] Eu não a quero esperando por mim se eu virar um vegetal.
Passos foram ouvidos no assoalho e logo a morena se juntava às três loiras Fabray:
R: Atrapalho? [perguntou encabulada]
Rachel percebeu que a conversa girava em torno de algo importante e se sentiu um pouco intrusa ao interromper a interação familiar que se desenrolava entre as três. Era tão raro vê-las juntas sozinhas que ela pensou em recuar e deixá-las à vontade. Mas o sorriso de Quinn ao ouvir sua voz serviu como um imã ou uma corrente... Era impossível sair dali!
Q: Você nunca atrapalha... [corou um pouco ao se dar conta de que sua mãe e Frannie a viam se derreter diante da namorada]
Frannie deslizou um pouco no banco, abrindo espaço para Rachel sentar ao lado de Quinn. Assim que a morena sentou, levou as mãos à pele da loira, a fim de sentir sua temperatura:
R: Você não deveria estar aqui fora. Está frio e você está resfriada. [repreendeu, ainda que de forma terna]
F: Já íamos entrar...
Judy levantou-se em silêncio e deu um beijo na testa de Quinn, fazendo sinal para Frannie acompanhá-la, deixando as garotas a sós...
R: Aconteceu alguma coisa? Sua mãe estava séria demais! [perguntou um pouco preocupada]
Q: Não... Está tudo bem... [sorriu suavemente, tentando acalmá-la]
R: Vamos entrar?
Q: Muito barulho!
R: Então vamos pra casa...
Q: Não, Rach... É ano novo... Todos estão festejando...
R: Você teve febre, Quinn. Febre alta! É bom irmos dormir...
Q: Não!
A loira sentiu a mão de Rachel apoiada em seu braço e a segurou. Entrelaçou seus dedos e puxou a morena para si. Ela queria um abraço, mas não queria pedir. Se pedisse, Rachel logo saberia pela sua voz que ela estava preocupada, com medo, assustada... Quinn esperou que ela entendesse. Não precisou esperar mais... Sentiu os braços da morena a envolvendo e as pernas pousarem sobre as dela. Sem precisar pedir, sentiu os beijos dos lábios carnudos deslizando por seu pescoço...
R: Você está quente...
Q: Culpa sua... [tentou brincar]
Rachel afastou um pouco o rosto e olhou com ternura, esquecendo por alguns segundos que não receberia o olhar de Quinn de volta. Beijou-lhe delicadamente os lábios antes de repreendê-la:
R: Não banque a engraçadinha comigo! Você parece com febre.
Q: Eu estou bem, Rach...
R: Você não parece bem... Converse comigo...
É claro que ela perceberia que tinha alguma coisa errada. Diante do pedido, Quinn negou com a cabeça...
R: Não vai conversar comigo? [a loira negou novamente]
Rachel começou a se desfazer do abraço, incomodada com a negativa de Quinn em conversar com ela. Ela sabia que havia algo errado e não sossegaria até saber o que era...
R: Eu não vou sair daqui, Quinn, até você me dizer qual é o problema!
Apesar da calma em sua voz, a loira sabia que Rachel não estava tão calma assim...
Q: Só estou pensando... [tentava dissimular]
R: Pensando em quê?
Q: Em tudo! [deu de ombros] Em mim, em você... Em nós...
R: Algum problema conosco? [perguntou temerosa]
Quinn sorriu...
Q: Claro que não, meu amor... [tentou tranquilizá-la]
R: Então eu não estou entendendo...
Q: Só... Estou pensando...
R: Me diz em quê! [insistiu]
Q: Em tudo! No novo ano que se inicia... Em todas as coisas que vivemos e no que eu sempre quis viver com você...
Rachel a olhou bem e percebeu o medo presente em Quinn...
R: O que você sempre quis e que vamos viver! [disse segura]
Q: Vamos... [não havia tanta segurança em sua voz]
R: Quinn... [a loira seguiu o som da voz] Você sabe que eu te conheço melhor do que ninguém... Então eu sei o que está te preocupando. Isso vai fazer com que eu me coloque contra essa cirurgia de novo.
Q: É normal ter medo! [defendeu-se] A Frannie disse...
R: Eu não quero que você sinta medo! Se for para desacreditar no nosso futuro eu não concordarei mais com essa operação tão arriscada!
Q: Mas...
R: Foi você quem me tranquilizou. Você quem enumerou os pontos importantes de se submeter a isso. Eu me convenci. Você me convenceu. Então você não pode agora, a poucos dias da cirurgia me fazer ter medo de novo...
A voz falha de Rachel indicou que ela choraria. Quinn não permitiria isso. Tateou o corpo da morena, subindo a mão até alcançar-lhe o pescoço, acariciando a nuca dela até puxá-la para um beijo. Rachel não teve tempo de ajudá-la, então o alvo não foi exato, acertando o queixo. Na segunda tentativa, seus lábios se tocaram. Então a morena ajudou e o beijo aconteceu como sempre acontecia, com a perfeição tão natural entre elas... Ao interromper aquele momento, Quinn manteve suas testas encostadas, precisando sentir aquela proximidade... O calor de Rachel naquela noite fria...
Q: Me desculpe...
R: Se você estiver com medo, por favor não faça! [choramingou] Estou te pedindo! Não faça se seu coração estiver com uma sensação ruim...
Q: Está tudo bem... [sussurrou tentando passar segurança]
Mas Quinn não estava segura. Não... Ela não tinha nenhuma sensação ruim. Ela só sentia medo. A cirurgia experimental não precisaria de um corte grande, graças à tecnologia avançada garantida pela cobertura dada por Columbia. Mas Quinn seria operada acordada. Era assustador pensar que enquanto o neurocirurgião estivesse operando seu cérebro, ela estaria completamente consciente, respondendo a estímulos de movimento, até que ele conseguisse estimulá-la de modo a fazê-la enxergar novamente. Era assustador pensar em ser questionada sobre estar enxergando ou sobre sentir certa parte do corpo e a resposta ser “não”...
Quinn afastou-se um pouco e colocou a mão no bolso do casaco, retirando dele um papel dobrado...
Q: Eu tenho... [desdobrava o papel e o movia em direção à Rachel] Tenho uma lista de coisas que quero fazer antes da cirurgia... [disse encabulada]
R: Por quê? Não tem nada a ver com despedida, tem?! [perguntou preocupada]
Q: São só algumas coisas que quero fazer para me tranquilizar... Que façam com que eu me sinta viva de verdade... [sorriu suavemente]
Rachel segurou o papel e foi impossível não sorrir com a doçura de Quinn fazendo uma lista de coisas a realizar. Ela terminou de desdobrar e viu que tinham 5 coisas anotadas. Achou que, diante da peculiar personalidade da namorada, haveria muito mais coisas ali, mas pôde perceber que ela havia escolhido o que era possível fazer em pouco tempo.
R: Quando você fez essa lista?
Q: Hoje mais cedo...
R: Quem escreveu?
Q: Santana...
Rachel não leu os itens todos, começando calmamente pelo primeiro:
R: Número 1: patinar numa pista de gelo com Rachel... [sorriu] Você está resfriada, Quinn! [disse em tom de lamento, adorando a ideia de patinar com ela]
Q: Eu tenho certeza de que um pouco não fará mal... [sorriu de forma terna]
R: Podemos pensar nisso... [colocou-se a ler o restante] Número 2: Saltar de paraquedas... NÃO, QUINN! [disse enfática] De forma alguma!
Q: Rachel! [resmungou]
R: Escolha outra coisa... Isso não!
Q: Não tem perigo, Rach!
R: Escolha outra coisa, Quinn! Eu não vou deixar você saltar de paraquedas! Deixa ver a terceira coisa: patinar no gelo novamente, só que incluindo a Beth dessa vez...
Quinn sorria sabendo que Rachel a olhava confusa... Ela não podia ver, mas ela sabia que ela a olhava assim...
R: Por que patinar está separado em dois momentos?
Q: Porque um deles tem que ser só nosso...
Rachel ia ler a quarta coisa da lista, mas ela não podia esperar para beijar Quinn. E a beijou com vontade, com desejo... Separou para respirar e sentiu o carinho singelo do nariz da loira sobre o seu...
Q: Lê os outros dois... [sussurrou tranquila]
A morena obedeceu e voltou a ler:
R: Número 4: Jantar à luz de velas com Rachel... [a morena se derretia ainda mais] E número 5...
Silêncio... Quinn estranhou...
Q: Rach?
R: Aqui...
Q: Algum problema? [perguntou preocupada]
R: Só um pouco confusa com o item 5...
Q: Você não quer? [perguntou temerosa]
R: Se quero? Quero muito! [sorriu] Só que a forma como você se expressou foi um pouco estranha.
Q: Foi? [estranhou]
Alguns poucos segundos e Quinn logo entendeu que Santana tinha aprontado alguma coisa... Antes que pudesse se explicar, ouviu a voz de Rachel recomeçando a ler:
R: Número 5: “Comer a Rachel com muita força até minha língua dormente cair da minha boca junto com meus dedos melecados dos orgasmos escandalosos que ela terá.”
Rachel estava se segurando para não explodir numa gargalhada estridente. Ela sabia que Quinn não tinha dito aquilo. Era tão Santana... Mas ela precisava ver a reação da namorada que parecia mais branca do que o normal...
Q: Eu só... [estava chocada com a audácia da latina] Eu disse “Fazer amor com a Rachel durante uma noite inteira...” Eu juro! [dizia preocupada] Eu juro que eu disse “fazer amor”! [tentava se explicar]
A morena não aguentou e gargalhou. Quinn era tão fofa tímida, tão, tão fofa! Ao ouvir a namorada gargalhando, franziu a testa confusa:
Q: Por que você está rindo?
R: Foi hilário, Quinn! [tentava parar de rir] Santana foi um gênio fazendo isso! Você precisa admitir...
Q: Ela estragou minha lista! [protestou indignada]
A indignação passou longe quando sentiu o corpo de Rachel pousar sobre o dela. A morena passou a distribuir beijos pelo rosto e pelo pescoço da loira, amolecendo o corpo rígido irritado... Sentiu os lábios carnudos de Rachel encostando em seu ouvido...
R: Fazer amor não exclui que você fique com a língua dormente para me provocar orgasmos escandalosos... [disse com a voz provocante]
Quinn estremeceu...
Q: Então eu não preciso matar a Santana?
R: Não... [sugou o lóbulo de sua orelha] Agradeça pela ideia maravilhosa...
Estavam tão entorpecidas num amasso quente que não perceberam a presença de alguém na varanda. Demorou a ouvirem o pigarro forçado de Leroy:
L: Preciso jogar água gelada em vocês?
Rachel quase caiu para trás ao se separar bruscamente de Quinn. Mesmo não enxergando, a loira teve o instinto e o reflexo perfeito de segurar a morena antes que ela fosse ao chão...
R: Pai... Er... Desculpe... [dizia constrangida]
L: Acho importante vocês entrarem. É uma festa e os Lopez estão aí. É educado não desaparecer...
Q: Claro... [respondeu constrangida]
L: E você está resfriada, Quinn... Não deveria estar aqui fora! [repreendeu]
Q: Eu sei... Eu...
L: Venham...
Quinn se levantou completamente sem graça. Sentiu o braço de Rachel agarrar-se ao dela e uma mordida travessa no queixo...
Q: Rach... Seu pai... [murmurou]
R: Não posso mais morder? [perguntou divertida] Pai, é proibido morder?
Q: Pára, Rachel! [constrangia-se ainda mais]
O que Quinn não sabia era que a morena brincava daquela forma com o consentimento de Leroy que entendeu sua intenção tão logo ela lhe direcionou uma piscadela travessa. E ali já não havia mais medo, preocupação... Não havia mais nada além de Rachel fazendo Quinn esquecer de todo o resto...
Naquele dia, o plano inicial era todos irem à Times Square ou ao Central Park para a virada do ano, mas Quinn esteve indisposta no começo do dia e Rachel resolveu que era melhor as duas não irem. Sem Quinn, Beth não queria ir também. Antes de tudo virar uma imensa confusão e a loira se sentir mal por criar aquela situação, Hiram resolveu que todos ficariam juntos na grande festa que já haveria em casa, e que a queima de fogos seria vista do jardim. Quando o céu se iluminou, Quinn tinha Rachel em seus braços, de costas para ela, olhando toda aquela claridade e fazendo seu pedido em silêncio. Sentiu seu rosto ser virado pela mão da loira e um beijo apaixonado em sua boca...
Q: O indispensável primeiro beijo do ano... [justificou logo depois]
R: Eu te amo... [murmurou encantada]
Nos dias que seguiram, Quinn conseguiu realizar alguns dos itens de sua lista. A patinação no gelo não foi complicada. Em nenhuma das vezes. Rachel se revelou uma exímia patinadora e guiou a loira perfeitamente, assim como o fez com Beth. A garotinha gargalhava e gritava feliz. Quinn sentia a brisa fria em seu rosto e ouvia as vozes de Rachel e Beth... Ela estava feliz...
Quanto a saltar de paraquedas... Bom, este item foi completamente descartado mesmo. Rachel, inclusive, o riscou a caneta, para deixar bem claro de que estava vetado. Ela pegou a mão de Quinn e segurou o dedo indicador da loira o deslizando sobre o papel, para que ela sentisse as marcas de sua rasura e entendesse que “não é não”...
R: Hey... Aonde você vai? [perguntou sonolenta]
Rachel sentiu o movimento de Quinn em suas costas e não conseguiu permanecer dormindo. Olhou para o relógio e viu que ainda era madrugada. Pensou que a namorada estivesse se sentindo mal, mas a calma com que ela se sentava não indicava isso:
Q: Eu quero... Quero sentir o nascer do sol... [virou-se para ela] Ele ainda não nasceu, não é?! [tentou se certificar] Ainda está escuro?
R: Ainda está escuro, amor... [sorriu suavemente]
Q: Desculpe te acordar... [levantava-se]
R: Não pensou em me chamar para te acompanhar? [esfregava os olhos enquanto se levantava também]
Q: Você está se levantando?
R: Não... [aproximou-se dela para dar-lhe um selinho] Já levantei... Vamos!
Rachel carregou consigo uma manta pra aquecê-las. Sentaram no parapeito da janela. Quinn com a morena entre as pernas. Um café bem forte as acompanhava... Seus dedos brincavam entre si até que Rachel se moveu para abrir a janela um pouco. O vento frio a fez tremer e se aconchegar ainda mais ao corpo de Quinn. Mas se a namorada queria “sentir” o nascer do sol, ela teria que “sentir” com um pouco mais de realismo...
Q: Descreve para mim?
A morena passou a descrever cada mudança de cor no céu. Cada tom que se desenhava com o surgimento do sol... E Quinn parecia enxergar através daquela narração...
Q: Meu amor... [murmurou carinhosa]
Brittany e Santana ajudaram em tudo, deixando o apartamento lindo: velas acesas, jantar à mesa, suco no gelo... Nada de álcool na véspera da cirurgia... Rachel ficou encantada com a realização daquele item da lista. Já teve jantares românticos com Quinn, mas aquele era especial. A loira estava tão linda que nada mais tinha qualquer beleza ao redor dela...
Q: Que vestido você está usando? [perguntou enquanto tentava guiá-la à cadeira]
R: O seu preferido...
Q: O azul?
R: Esse... [sorriu por ter acertado na roupa]
Q: Quero te ver de azul... Quero te ver sob o céu...
R: Azul! [completou] Você vai me ver, meu amor... Em todas as cores que você quiser... [disse carinhosa]
A comida estava deliciosa, mas Rachel não se preocupou em perguntar quem havia feito. Ouvir Quinn falar era mais importante. A loira falava sobre qualquer coisa, tentando evitar um assunto mais sério, mas Rachel não aguentou...
R: Preparada para amanhã?
Quinn parou um pouco, passou o guardanapo na boca e respirou...
Q: Eu acho que sim... [foi o mais sincera que pôde]
R: Você sabe que se não se sentir completamente segura, pode voltar atrás, não sabe? [perguntou atenciosa]
Q: Eu sei... Mas não vou voltar atrás. Essa cirurgia vai acontecer... [disse firme]
R: Se o médico adiar por conta do resfriado que você teve, por favor, não se frustre. Tenha paciência.
Q: Eu estou bem, Rach... [sorriu suavemente]
R: Eu estou nervosa... Não vou mentir pra você... [desabafou] Se você estivesse me vendo saberia que estou nervosa...
Q: Qual seu medo?
R: Perder você, claro! [disse agoniada]
A loira estendeu a mão e Rachel a segurou com força:
Q: Você não vai me perder!
E pela primeira vez, depois de muito tempo, Rachel sentiu que Quinn estava mesmo segura daquilo que dizia. E ela iria se apegar àquilo...
Quinn soltou a mão dela delicadamente e se levantou devagar. Deu quatro passos para a lateral. Rachel pôde vê-la murmurando enquanto contava. Tinha calculado precisamente... Ao parar, estendeu a mão novamente em direção à morena e lhe sorriu como nunca havia feito:
Q: Dança comigo... [convidou]
Ouviu a cadeira de Rachel arrastar pelo chão e logo a presença da namorada à sua frente, ainda sem segurar sua mão. O sorriso da morena era imenso. Lindamente gigante... Mas Quinn não podia ver...
R: Que música você quer que eu coloque?
Cuidadosamente, Quinn se moveu um pouco, sentindo o corpo de Rachel e posicionando seus braços em sua cintura. Puxou-a devagar para si e deslizou a mão esquerda até alcançar a mão direita da morena. Sem responder, buscou o rosto dela com seu próprio, encostando carinhosamente, mantendo seus lábios muito perto do ouvido de Rachel. Começou a se balançar. Sem música. A morena não questionou. Ela dançaria com Quinn sempre que ela quisesse, mesmo que tudo estivesse completamente escuro, mesmo que tudo fosse apenas silêncio. Mas o silêncio... Ele foi quebrado...
A voz rouca sussurrada da loira invadiu a audição de Rachel e tudo o que ela podia sentir era o mais completo e intenso amor. Ela tremeu por inteiro...
“When the rain is blowing in your face
And the whole world is on your case
I could offer you a warm embrace
To make you feel my love
When the evening shadows and the stars appear
And there is no one there to dry your tears
I could hold you for a million years
To make you feel my love
I know you haven't made your mind up yet
But I would never do you wrong
I've known it from the moment that we met
No doubt in my mind where you belong
I'd go hungry, I'd go black and blue
I'd go crawling down the avenue
There's nothing that I wouldn't do
To make you feel my love
Cada palavra era absorvida por Rachel e quando Quinn pronunciava cada uma delas, a morena se apertava ainda mais a seu corpo. Quinn sabia que ela estava chorando emocionada, por mais que tentasse disfarçar... A loira a guiava com leveza, segurando-a com todo seu corpo, sem apertá-la...
The storms are raging on the rollin' sea
And on the highway of regret
The winds of change are blowing wild and free
You ain't seen nothing like me yet
I could make you happy, make your dreams come true
Nothing that I wouldn't do
Go to the ends of the earth for you
To make you feel my love…”
Um beijo demorado abaixo da orelha de Rachel... Foi tudo o que Quinn precisou fazer para que a morena explodisse num choro emocionado.
Q: Shhhhh... Não chora... [pedia carinhosa]
R: Por favor, não me deixa! [chorava nervosa] Por favor! Não ouse me deixar!
Q: Vai ficar tudo bem... [dizia em seu ouvido]
Rachel se separou dela e segurou seu rosto com as duas mãos. Olhou fixamente para os olhos de Quinn. Eles continuavam os mesmos, ainda que momentaneamente inúteis! Estúpidos olhos inúteis que não serviam pra nada! Imbecis olhos inúteis que estavam forçando sua namorada a correr riscos numa cirurgia... Lindos olhos... A morena os beijou.
R: Prometa não me deixar! Prometa sair daquela cirurgia perfeita! Prometa!
Q: Vai ficar tudo bem...
R: Não foi isso que eu pedi pra você dizer. Por favor, Quinn! Prometa! [insistia já se desesperando]
Q: Eu vou fazer de tudo...
Então Rachel se afastou... Quinn não entendeu...
R: Nós vamos dormir. [disse enquanto enxugava as lágrimas]
Q: Vamos fazer amor... [corrigiu]
R: Não... Não vamos... Não hoje... [disse decidida] Eu não vou fazer sexo de despedida com você... Eu não tenho condições emocionais de lidar com isso. Eu não vou... Sabendo que na sua cabeça você estará dizendo adeus por garantia... [voltava a chorar]
Q: Não é bem assim, Rach...
R: Nós faremos amor quando você se recuperar da cirurgia...
Q: Mas eu te quero agora... Eu preciso de você agora... [insistia]
R: Não! [continuava a chorar] Não assim... Não nesse clima...
Quinn deu dois passos à frente e soube que Rachel estava de novo ao seu alcance. Então a abraçou e sentiu o corpo da morena tremer por completo em seus braços. O que ela estava pedindo era pesado demais! Rachel sabia que Quinn estava pensando na possibilidade de não sair bem da cirurgia e com isso pretendia deixar certas lembranças. Ela não queria só lembranças... A loira a sustentava naquele abraço e entendeu que não poderia mesmo pedir aquilo...
R: Eu quero muito... Quero muito fazer amor com você agora... Mas entenda que não dá... [choramingava]
Q: Eu entendo... [tentava conter o choro da namorada] Fique calma! [beijava-lhe a têmpora] Eu entendo... Shhhhhh... Vamos para o quarto... Vamos dormir... Me desculpe... Está tudo bem...
Rachel assentiu com a cabeça em seu ombro, movendo-se para caminhar. Parou um pouco para apagar as velas e logo retomou o caminho junto com Quinn. Deitadas, as duas ficaram em silêncio por um bom tempo. A loira acariciava os cabelos escuros com extremo carinho, sentindo os dedos de Rachel deslizarem suavemente pela lateral do seu corpo...
Q: Nós vamos nos casar... [disse naturalmente]
Rachel apenas ouvia...
Q: Eu já sei exatamente como tudo vai ser. O anel que vou comprar... A forma como vou pedir sua mão... E até posso ver seu sorriso ao dizer sim... Você vai dizer sim, não vai?
A morena soltou um riso trêmulo, assentindo rapidamente com a cabeça.
Q: Que bom! [sorriu] Porque o anel vai ser caro... [brincou carinhosa, fazendo Rachel rir mais] E Santana vai me infernizar enquanto procuramos o modelo certo. Esse que já tenho em mente...
Os braços de Rachel se apertaram mais ao corpo de Quinn, indicando que estava gostando do que ouvia. A loira continuou...
Q: E eu vou passar noites em claro com você, lendo seus roteiros e ensaiando... Preparando café forte para você aguentar o ritmo... [Rachel sorriu audivelmente] Vou te fazer massagem após suas aulas de dança mais pesadas e te esperar até o último ensaio no teatro terminar. Eu ficarei sentada no chão, tentando ler algo enquanto você repete os mesmos passos de balé... Mas eu não vou conseguir ler, porque não conseguirei tirar meus olhos de você... [imaginava com um sorriso no rosto] E vou sentir ciúmes de quem contracenar com você, de quem tocar em sua cintura, e você vai brigar comigo por causa disso...
R: Não vou! [defendeu-se]
Q: Vai! [garantiu] Você sabe que vai... [sorriu] E eu vou querer dormir na sala e você vai dizer que eu fujo e eu vou voltar pra cama no meio da noite e você vai deixar que eu te abrace...
R: Vou deixar... [concordou naturalmente]
Q: Vai...
O carinho nos cabelos não passava e Rachel ia adormecendo...
Q: E eu sempre serei loucamente apaixonada por você...
Rachel já havia dormido...
Quinn já estava no quarto do hospital, esperando a hora para ir à sala de cirurgia. Já tinha ouvido novamente todas as implicações possíveis daquele procedimento: ela tanto poderia voltar a enxergar, como qualquer erro mínimo poderia deixá-la com sequelas motoras irreversíveis. Ela queria arriscar mesmo assim...
Beth estava sentada sobre as pernas dela e Rachel conversava com Judy e Frannie. Quinn podia ouvir a voz de cada uma delas e comemorava internamente a chance de poder vê-las novamente. De não mais precisar se forçar a distinguir cada voz em meio à escuridão...
B: Eu “tá” muito bonita, Kim! [disse orgulhosa]
Q: É? Me conte o que você está vestindo...
B: Uma roupa bem bonita. É azul...
E naquele momento, a loira soube que Rachel estava sendo detalhista em tudo...
Q: Quem escolheu pra você? [perguntou, mesmo sabendo a resposta]
B: A “Êichel”...
A loira sorriu... Pensou em chamar a namorada, mas ouviu seu nome ser dito por uma voz que não conhecia. Uma advogada do hospital entrou acompanhada de um dos médicos e de duas enfermeiras para entregar à Quinn o documento de autorização para desligamento dos aparelhos. Uma guerra iria começar...
R: Assinar o quê, Quinn? [perguntou surpresa]
Q: É só uma formalidade, Rach... [tentou amenizar]
R: Você não vai assinar autorização nenhuma!
Quinn só foi capaz de ouvir o som de papel rasgando. Rachel tomou o documento da advogada e o rasgou em pedacinhos...
R: E nem adianta imprimir outras vias porque eu rasgarei todas! [disse à advogada que estava um pouco assustada com a reação da morena]
Sh: Rachel, você precisa manter a calma! Não estresse a Quinn! Ela precisa ficar tranquila para entrar em cirurgia sem qualquer alteração de pressão.
Todos os outros presentes não tiveram a coragem de Shelby em falar com a morena. Todos queriam fazer o mesmo que Rachel fez. Ninguém era a favor daquela decisão de Quinn. Ninguém queria que ela decidisse por algo daquele tipo. Todos tinham esperança e queriam continuar tendo...
R: Eu gostaria... [respirou fundo] Vocês poderiam nos deixar a sós?
Rachel não precisou pedir duas vezes. Logo o quarto ia sendo esvaziado...
B: Eu “num concoda” com isso, mamãe... [disse contrariada]
Enquanto Beth saía do quarto reclamando por ter que ir para o corredor, Quinn esperava o barulho da porta para que a voz de Rachel se fizesse presente no ambiente. Mas demorou alguns segundos a mais do que o previsto...
R: Você tem mais alguma surpresa para mim? [perguntou levemente irritada]
Q: Qual o problema em querer isso?
R: Desligar os aparelhos que poderiam te manter viva? TODOS os problemas! [manteve-se irritada]
Q: É só para o caso de eu me tornar um vegetal!
R: Não ouse se tornar um vegetal! [ergueu a voz]
Q: Rach... [respirou fundo] Eu só quero evitar que você desperdice sua vida esperando por mim...
Rachel a olhou bem... Os cabelos loiros soltos que já estavam maior, alcançando os ombros delicadamente... Parte do colo exposto pela bata do hospital, o soro intravenoso entrando pela mão dela... Aproximou-se e sentou ao seu lado, segurando o queixo dela:
R: Eu estou fazendo você me olhar, mesmo que agora você não possa me ver. E o pior que eu permito que aconteça é isso: que continue assim! Você não vai entrar naquela sala de cirurgia para sair com outra sequela. Nenhuma! Se a cirurgia não funcionar, eu serei seus olhos para sempre! Mas eu não aceito que você tenha outro problema!
Q: E se eu tiver? [perguntou com medo] Eu não quero ser um fardo pra você! Pra ninguém! [choramingou]
R: Se outra sequela acontecer, nós vamos superá-la... [disse firme] E eu vou ficar o tempo inteiro ao seu lado, em qualquer cadeira desconfortável, em qualquer chão... Não assine papel nenhum.
Q: Mas você...
R: Minha vida é ao seu lado! Não importa de que forma!
Q: Mas...
R: Sem discussão, Quinn! [finalizou] Eu te amo em toda e qualquer circunstância! E ficarei com você haja o que houver! [disse decidida] Então vá lá e me volte bem... Volte para mim!
Sua pose autoritária se desfez numa voz quebrada e Quinn entendeu que jamais ganharia aquela discussão. Não haveria documento no mundo que fizesse Rachel aceitar que ela poderia partir para longe dela. Nenhum papel foi assinado...
Q: Eu vou voltar! [prometeu]
R: E eu te darei todas as cores... [sorriu chorosa] Toda a luz que você quiser...
Q: Eu quero você... A luz dos meus olhos... Da minha vida...
Quando Quinn foi chamada para a cirurgia, passou a ouvir todas as vozes misturadas com palavras de incentivo e força. Sentiu falta da voz de Noah e lamentou que ele não conseguiu chegar a tempo... Beth beijou-lhe o rosto e deu um abraço forte, dizendo que tudo ficaria bem... Aquela garotinha...
Judy e Frannie se demoraram em suas declarações, dizendo a ela o quanto estavam orgulhosas da força que demonstrava. E disseram que Deus estaria com ela durante todo o tempo...
Leroy, Hiram, Shelby, Santana, Britt, Kurt e Blaine também tiveram sua vez. Michael ligou desejando boa sorte. Não quis ser mais um no meio da multidão que aquela família tinha se tornado. Ele respeitou aquele momento que era tão deles...
Rachel não queria dizer muita coisa. Ela não queria sentir como se fosse uma despedida. Não precisava gastar todas as palavras. Ela teria a chance de dizê-las depois. Não teria? Aproximou-se e sem pensar em mais nada, beijou delicadamente os lábios de Quinn...
R: Vá buscar sua visão! [incentivou com um tom encorajador]
Q: Eu vou! [sorriu]
R: Sabe que eu te amo, não sabe?
Q: Sei... Você sabe que eu te amo mais, não sabe?
R: Conversamos sobre isso quando você voltar! [provocou]
Quinn retirou a aliança e a colocou na palma da mão da morena:
Q: Guarde para mim...
Um abraço forte e um beijo no pescoço da loira... Logo Rachel a viu se afastar, até sumir de seu campo de visão... Sentiu as mãos de Kurt em seus ombros e logo ouviu as vozes de todos numa confusão tremenda dizendo que tudo ia ficar bem. Mas tudo em que ela conseguia se concentrar naquele momento era na aliança queimando na palma de sua mão... Era o elo e ela não permitiria que se quebrasse...
Quinn recebia a anestesia na quantidade exata para não sentir dor, mas a ausência de sedação a estava deixando aflita. Os médicos a acalmaram, assim como as enfermeiras, o anestesista e alguns residentes que acompanhavam aquela cirurgia tão importante e interessante para suas carreiras. O som dos equipamentos cirúrgicos entrando em ação fez Quinn se desesperar. Ela sabia que sua cabeça estava sendo aberta em algum ponto. Ela sabia que uma sonda iria percorrer seu cérebro. Ela sabia que tudo aquilo estava acontecendo naquele momento. Ela não estava deitava na maca, mas sentada em uma posição reclinada. Antes que ela tivesse um ataque de pânico, uma das médicas residentes apareceu à sua frente e começou a guiá-la na respiração. Passou a instruí-la a manter a calma e segurou em suas mãos. Aquilo a acalmava aos poucos. Sua respiração ia se estabilizando. Ela sabia que caso se desesperasse e se movesse, poderia provocar o fim de sua vida. Cada pequeno movimento, por mais milimétrico que fosse, poderia lhe custar tudo... Ela precisava ficar quieta e apenas seguir as orientações médicas...
Então, ela passou a ouvir perguntas. Naturalmente ia respondendo. Algo sobre se sentia as pernas ou os braços. Algo como quem era o Presidente dos Estados Unidos. Algo sobre seu nome completo. Algo sobre qual a melhor pizza do mundo... Ela ouviu bem a ordem de fechar os olhos e obedeceu. As perguntas foram repetidas. Ordens sobre mover os dedos e os pés foram igualmente obedecidas. Tudo parecia funcionar bem... O tempo ia passando e Quinn não reclamava da demora. Um dos médicos pediu para colocar música e o som reverberou pela sala, ainda que baixo... Ele perguntou se Quinn poderia sorrir e ela assim o fez. Mas ela sorriria de qualquer forma. A música era “Don’t Stop Believin” e ela sempre sorriria ao ouvi-la... Ela nem sonhava que Rachel a tinha escolhido...
Cirurgião: Chegou a hora da verdade, Quinn... Preparada?
Q: Sim... [a loira respirou fundo em ansiedade]
Cirurgião: Sente alguma dor?
Q: Não...
Cirurgião: Ótimo! [sorriu] Então, que tal abrir seus olhos novamente? Mas com calma, Quinn... Bem devagar, ok?!
Q: Ok...
Cirurgião: Senhores! [chamou pela equipe] Preparados para a festa? [vibrou com segurança]
As luzes à frente de Quinn foram levemente reduzidas... Ela obedeceu. Vagarosamente começou a abrir os olhos. Era sua chance. Toda sua esperança estava ali, naquele momento, e tinha que dar certo. Ela parecia bem. Estava numa cirurgia complicada e nada de ruim havia acontecido. Ela não tinha se tornado um vegetal. Pelo menos por enquanto... Ela tinha todas as suas esperanças derramadas ali, naquele exato e crucial momento... Então ela seguiu... Abrindo os olhos devagar até que os tinha completamente abertos...
Cirurgião: Então, Quinn... Você está vendo? O que você está vendo?
Uma foto plastificada de Rachel com Beth no colo havia sido colocada à sua frente. Ambas estavam com sorrisos imensos. Tinha sido tirada na festa de ano novo durante o jantar. Quinn se lembrava do momento, mas ele era totalmente novo para ela. Era a primeira vez que ele se materializava em imagem. O ano novo chegava para ela alguns dias depois... Seus olhos encheram de lágrimas e seu peito tremeu em emoção...
Q: Eu... [respirou] Eu vejo minha vida de novo...
Notas finais
Espero que gostem, pois é um capítulo MUITO IMPORTANTE e, por isso, foi tão complicado de concluí-lo...
Muito obrigada pelos comentários no capítulo anterior! Adoro relê-los o tempo todo! ;-)
Por favor, comentem! Estou ansiosa para saber o que acharam desse! :-)
No próximo capítulo veremos sobre como foi a espera fora da sala de cirurgia e veremos todo o resto a partir de agora. Vocês me acompanham? ;-)
Como estou escrevendo e apagando, escrevendo e apagando desde ontem, então ainda acho válido desejar um "Happy Achele Day"! ;-)
Beijos e comentem!
P.S.: Lembrando que, como já disse anteriormente, estou usando de toda licença poética possível (e adequada) ao lidar com a situação médica da Quinn. Isso inclui a situação cirúrgica.
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