Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
53 Capítulo 53 - Silence in the darkness... (parte 2)
Notas iniciais
As coisas pareciam se mover em câmera lenta enquanto Rachel via Quinn passando mal. Judy já estava amparando a filha antes que a morena se desse conta do que fazer. Quando seu corpo reagiu ao que acontecia, Noah se adiantou com um pacote de remédios que ela sequer havia percebido antes. Ouvi-lo explicar à Judy que o médico tinha dito que aquilo poderia acontecer de novo e dizendo para que servia cada um dos três novos remédios fez seu estômago embrulhar. Não se tratava de ciúmes, mas de uma sensação de impotência que dominava todo seu corpo. Quinn sentiu dores e ela não estava ao lado dela quando aconteceu. Quinn se medicou e ela não estava com ela quando aconteceu. A dor se repetia e havia alguém que sabia melhor do que ela como proceder. Ela ficou imóvel... Toda a bravura com a qual enfrentava a todos antes não aparecia naquele momento. Seu coração se despedaçava ao ver a fragilidade de Quinn, mas seu corpo não se movia. Tudo parecia entrar em um silencio profundo...
Judy lavava o rosto da filha, enquanto Frannie entendia perfeitamente o que acontecia com Rachel. Pôs a mão no ombro da morena e recebeu um olhar indecifrável dela. Ela estava machucada... Ela estava praticamente gritando quando Quinn sentiu as dores, quando vomitou... Ela teria causado aquilo? Que espécie de namorada insensível ela era? Aquelas perguntas não paravam de martelar em sua cabeça...
Quinn tomou os remédios e se deitou. A luminosidade, por menor que fosse, incomodava dolorosamente. Pediu uma echarpe à Judy e colocou sobre os olhos. Quando Rachel entrou no quarto devagar, Judy sentiu que era hora de sair. Não disse nada. Ela não estava chateada com a nora. Sabia que não era culpa dela. Mas não sabia o que dizer. Via no olhar da morena que ela estava magoada. Não era assunto de ninguém além dela e Quinn...
Quando Rachel sentou na cama, Quinn sentiu o colchão ceder e reconheceu pelo cheiro que era sua namorada ali ao seu lado.
R: Como você está?
A voz era baixa, mas firme o suficiente para entregar seu estado de espírito. Quinn conhecia Rachel como ninguém e sabia que ela não estava bem.
Q: Melhor...
Silêncio se formou entre elas e alguns poucos segundos pareceram uma verdadeira eternidade. Quinn queria se desculpar, mas não enxergar a expressão de Rachel dificultava muito sua forma de agir.
R: Eu ia perguntar o que significa isso, mas o Noah explicou à Frannie. E eu ouvi...
Estava claro que ela se sentia excluída. Perdida talvez fosse a palavra mais certa...
Q: Podemos conversar depois?
A voz de Quinn estava cansada. Era óbvio que ela ainda se sentia mal. Aquela não era a hora ideal para discutirem e Rachel não insistiria nisso...
R: Claro! Depois... [a voz saiu quebrada]
Q: Me desculpe! Meu amor... Eu não queria te magoar, eu...
R: Depois conversamos... [interrompeu] Você precisa descansar...
Os remédios que Quinn tomou provocaram sonolência, então ela conseguiu dormir horas ininterruptas. Rachel não dormiu nada... Passou a noite inteira velando o sono dela, preocupada se ela sentiria dor novamente. Quando se deu conta, já era dia. Respirou fundo e se levantou para tomar um banho quente demorado. Prendeu os cabelos num coque apertado e deixou que a água deslizando por suas costas tentasse acalmar seus músculos tensos. Estava chateada ao mesmo tempo em que se sentia culpada.
Judy, Frannie e Noah haviam deixado o apartamento em ordem antes de saírem na noite anterior. Rachel foi à cozinha e começou a preparar o café da manhã. Pôs a mesa como costumava ser antes e não demorou muito para que Quinn chegasse por lá.
Q: Rach?
R: Aqui! [bateu na mesa para que ela acompanhasse o som]
Quinn já sabia como se mover dentro do apartamento, mesmo que de forma bem menos ágil do que deveria. Mantinha os olhos fechados e se sentou sem qualquer dificuldade.
R: Como está se sentindo? [perguntou calma]
Q: Bem melhor!
R: Quando você pretendia me contar que viu alguma coisa?
O corpo de Quinn enrijeceu. Não apenas pela pergunta, como também pela calma fria contida na voz de Rachel.
Q: Eu não vi nada! [garantiu]
R: Noah disse à Frannie que você viu alguma coisa.
Q: Claridade. Eu pude sentir a claridade novamente.
R: E quando eu ia saber disso?
Q: Você não me deu tempo para dizer nada. [tentava explicar]
Quinn esperava que Rachel rebatesse o que ela disse, mas nada foi dito. Aquele silêncio não fazia sentido.
Q: Fala comigo... [pediu baixinho]
R: Eu não quero falar...
Q: Eu preciso que você fale! [insistia]
R: Eu não quero falar se for pra você sentir dores e vomitar! Eu não quero provocar isso de novo!
A angústia na voz de Rachel fez Quinn se preocupar. A morena estava se sentindo culpada pelo que tinha acontecido e aquilo não tinha nada a ver com ela.
Q: Hey! Não foi culpa sua! [tentava esclarecer]
R: Eu sinto que foi!
Q: Mas não foi! [Rachel manteve o silêncio de antes] Por favor! É angustiante não te ouvir. Fale comigo! Eu preciso saber que você está aí!
R: Eu estou aqui! Mas eu não quero falar. Eu não quero falar o quanto você me magoou ontem porque falar sobre isso faz com que eu me sinta uma pessoa horrível! Ontem eu me sentia com razão, mas de repente você passou mal e eu já não sei...
Q: PARE COM ISSO!
O grito de Quinn fez a morena se assustar.
Q: Pare de me tratar como uma cega! Eu sei que estou cega, mas não preciso que você me trate assim. Quer brigar comigo, brigue! [exaltou-se] Me dê a chance de explicar, mas não evite uma maldita discussão porque eu não te enxergo!
Quinn estava extremamente irritada e não era aquilo que Rachel queria...
R: Eu... [respirou fundo, ainda sob o efeito do susto] Eu me senti traída!
Q: Eu não te traí! [defendeu-se]
R: Eu não falo de beijo ou sexo. Eu falo de cumplicidade.
Q: Eu fui ver o Russel, ok?! [confessou] Eu não fui com o Noah porque preferia estar com ele. Eu não queria que você passasse por isso, nem queria expor minha mãe, nem minha irmã. Mas eu precisava que alguém fosse comigo e talvez ele fosse o mais indicado. Eu senti dor lá. Eu não fui ao médico com ele. Ele estava comigo quando eu precisei ir. É diferente. Eu quis te poupar disso.
R: Eu não preciso que você me poupe! [disse ríspida] Por que você foi ver o Russel?
Q: A promotoria me ligou. [pensou em como responder, mas não sabia explicar] Eu não sei dizer... Eu precisei ir.
R: Deveria ter me avisado. Eu queria ter ido com você!
Q: Eu não queria que você fosse.
R: Eu sou sua namorada! [disse irritada] Eu tenho que estar com você nos momentos difíceis também! Tem que ser eu a pessoa que te acompanha.
Q: Mas eu não queria você lá! Qual a dificuldade em entender isso? [a voz de Quinn ia ficando mais alta]
R: Não é normal você não me querer por perto! [rebatia chateada]
Q: Não foi isso o que eu disse! Não deturpa!
R: Entenda que eu queria estar com você quando você visse alguma coisa!
Q: MAS EU NÃO VI NADA! [gritou] Só uma porra de uma claridade que parecia queimar minha cabeça! Pare de insistir nisso! Não aconteceu nada demais! Eu não estou enxergando e estou sentindo dores. Essa luminosidade parece que vai explodir meu cérebro!
R: Mas eu queria...
Q: PARE!
O grito de Quinn veio seguido do barulho ensurdecedor de pratos e xícaras se quebrando no chão, misturando-se ao tilintar irritante dos talheres que caíam juntos. Suas mãos foram direto aos ouvidos e seus olhos se abriram como se buscassem compreensão. Não havia claridade, não havia entendimento. Ela sabia que tinha explodido e não sabia o que isso havia causado em Rachel. A morena estava tremendo...
Santana e Brittany apareceram rapidamente. Estavam no corredor entre os apartamentos quando ouviram a discussão. Os pratos quebrando foi o estopim para entrarem. Encontraram Rachel completamente assustada e Quinn ofegante.
S: Mas que merda é essa?! [exclamou]
Brittany se aproximou de Rachel e a abraçou. A morena não desviava os olhos de Quinn, sem entender o porquê daquela explosão tão intensa.
Q: Rach... Eu...
S: Britt... Tira a Rachel daqui!
Q: Eu...
S: Agora, Britt! [falou mais sério]
Rachel estava muito nervosa. Ela sequer olhou para trás quando Britt a tirou de lá. Quinn fez menção de se levantar e ir atrás dela. Por um segundo ela esqueceu que não enxergava...
S: Fica quieta! [ordenou] O que você pensa que está fazendo? [repreendeu]
Q: Você não sabe o que houve!
S: A Rachel estava tremendo, Quinn! Você fez a garota tremer! Você tem noção disso?
Q: Não! Eu não enxergo, esqueceu?! [respondeu ríspida]
S: Você quer que eu sinta pena de você? Quer que eu chore agora? [provocou]
Q: O que você quer? [irritou-se]
S: Quero evitar que você faça merda! Você quebrou vidro pra burro! Vai ter que comprar tudo de novo!
Q: Grande porcaria! Não fala besteira!
S: Quer quebrar sua cara? Quer afastar de você a pessoa que eu precisei te garantir que não te deixaria nunca?
Q: Se ela não vai me deixar nunca como eu poderia afastá-la?
S: Não dê uma de espertinha pra mim! [disse autoritária]
Quinn recostou-se na cadeira. Só então percebeu que também tremia...
Q: Eu não sei o que houve... Eu vi Russel ontem e senti dores. Desde então eu estou sem paciência... Sei lá.
S: E desconta logo na Rachel?
Q: Ela me pressionou com ciúme do Noah. Ele foi comigo e estava comigo quando eu percebi a claridade. Ela se sentiu excluída por não estar comigo.
S: E você não dá razão a ela?
Q: Que razão?
S: Inverta os papéis e imagine o Finn no lugar no Noah. Você sequer daria a ela a chance de te explicar qualquer coisa. Você partiria para cima com uma tonelada de ciúme massacrante.
Q: Ela tem que confiar em mim!
S: É... Tem! Claro! Mas você nunca mais vai perceber a claridade novamente pela primeira vez... A primeira vez é única e não era ela quem estava com você. Creio que seja um motivo para comemorar e, no entanto, você está quebrando sua cozinha e magoando sua garota.
Q: Por que você está contra mim?
S: Não estou contra. Não se faça de vítima! Você está dando sinais de que está voltando a enxergar e não consegue focar nisso.
Q: Dói, Santana! Queima como fogo!
S: No pain, no gain...
Britt era ótima em dar espaço às pessoas. Ela estava ao lado de Rachel, esperando que a amiga ficasse bem, mas não sabia quando isso aconteceria. Passava a mão delicadamente pelas costas delas, tentando acalmar os tremores que insistiam em não abandoná-la. Rachel tinha o olhar perdido e lágrimas silenciosas...
R: Você poderia me levar até meus pais?
B: Claro! Tem certeza?
R: Sim... [assentiu vagarosamente] Me tira daqui!
Hiram tentava consolar sua estrelinha. As lágrimas silenciosas deram lugar a um pranto sonoro que parecia não ter fim. Os ciúmes, as dores, o vômito, os novos remédios, a discussão, a explosão de Quinn... Tudo era narrado em meios aos soluços insistentes que não a abandonavam. Beth estava encostada na parede do corredor, com as mãos para trás, tentando entender a conversa confusa que se formava no quarto com a porta aberta. Ela tinha ouvido o nome de Quinn algumas vezes e estranhou a ausência da loira ali. Estava triste por ver Rachel chorar...
Quando Santana, finalmente, havia conseguido fazer Quinn admitir que tinha agido completamente errado, a loira pediu que ela a levasse até Rachel, pensando que a namorada estava do outro lado do corredor. Assim que nem ela, nem Britt foram encontradas, Santana fez uma ligação e descobriu que Rachel estava com os pais. Quinn ficou ainda mais triste ao imaginar como ela estava se sentindo... Fez com que Santana a levasse lá correndo...
Recebida por Leroy, Quinn percebeu no tom de voz dele que Rachel já havia contado sobre o acontecido...
Q: Eu posso falar com ela? [perguntou constrangida]
L: Claro! Ela está no quarto. Eu te levo lá!
Beth havia cochilado e se ela descobrisse que Quinn estava lá e ninguém a acordou ela choraria com certeza...
Leroy deu duas batidas na porta e abriu. Rachel continuava nos braços de Hiram, com Shelby sentada na ponta da cama. Elas tinham uma grande plateia já há algum tempo...
Quando Rachel viu a namorada constrangida ao lado de Leroy, sentiu seu coração apertar. Quinn parecia um bicho acuado, com medo que as paredes a esmagassem de repente. Não precisaram pedir para que todos saíssem. Ficaram sozinhas rapidamente...
Quinn não conhecia aquele quarto, não sabia como se locomover ali dentro. Estava com sua bengala, então tentou se situar no espaço movendo-a. Bateu no que acreditava ser a cama e acertou, mas manteve-se de pé...
Q: Eu vim te buscar! [soltou logo depois de respirar fundo]
R: Você o quê? [perguntou confusa]
Q: Eu vim te buscar... [repetiu mais baixo] Eu quero me desculpar, mas eu não me sinto bem aqui! Eu não conheço estes cômodos. Eu não consigo imaginar o que me cerca. Eu quero te levar pra casa e quero me desculpar... [começava a chorar] Por favor, me perdoa!
R: Eu não quero ir agora... [disse calma enquanto enxugava as lágrimas]
Quinn respirou fundo e sentiu o nó em sua garganta se tornar ainda mais sufocante... Ela apertava a bengala com força... Sentiu a mão de Rachel segurar seu braço e lhe guiar até a cama, fazendo-a se deitar, para logo depois se deitar...
R: Nem eu, nem você vamos sair daqui agora... [disse calma]
O choro de Quinn se tornou mais forte. Não estava claro para ela, mas estava para Frannie, que havia explicado à Rachel sobre o comportamento explosivo da loira. Basicamente Quinn havia chegado num momento limítrofe de pavor. Perceber a claridade deveria ter sido um momento de esperança, mas foi um momento de dor. Ela se sentia incompetente. Em momentos difíceis ela costumava ser abandonada. O que garantia que ela não seria naquele novo momento?
R: Como você pode ousar pensar que eu não aguento as coisas junto com você?
Sua voz não era taxativa. Era suave e realmente curiosa...
R: Você precisa entender que eu passei semanas sentada numa cadeira desconfortável esperando você acordar. E eu passaria muito mais tempo se fosse necessário... Precisa entender de verdade que eu guiarei você enquanto você não conseguir enxergar. E precisa entender, de uma vez por todas, que traição não se resume a beijo e sexo. Eu sei que você não me trairia dessa forma. Por mais que já tenhamos brigado por isso, eu sei que isso não é motivo para desconfiar de você. Eu sei que o Noah ainda gosta de você e que se ele achasse que tinha chance, ele arriscaria. Mas, por mais que eu verbalize com raiva algumas coisas sem sentido, eu preciso dizer que quando se trata de emoções, Quinn, também é possível haver traição. E você traiu nossa cumplicidade.
Q: Eu não... [continuava chorando]
R: Eu sei que você não teve essa intenção. [interrompeu] Mas traiu... Quando você vive com outra pessoa situações que deveria viver comigo, me escondendo isso, você está traindo a cumplicidade que construímos. Traição emocional também é traição. E doeu! Doeu você não enxergar isso. Doeu! Doeu me sentir por fora da sua vida, não saber das suas dores, da claridade, dos remédios. Doeu não saber que você foi ver o Russel. Doeu... Doeu te ver passando mal na minha frente e não saber como proceder. Mas Noah sabia...
Q: Não era pra ser assim!
Rachel levou a mão direita ao rosto de Quinn e enxugou as lágrimas que ainda escorriam. Imediatamente a loira virou o rosto e beijou o pulso da morena. Sentiu o beijo delicado dos lábios carnudos em sua têmpora e seu corpo passou a entender que nem tudo estava destruído...
Q: Eu prometo que isso nunca mais vai acontecer!
R: Não prometa! [disse séria] Você descumpriu sua última promessa. Não banalize nossa confiança.
Q: Então o que eu posso fazer para você me perdoar e voltar a confiar em mim?
R: Eu estou deitada com você depois de ficar completamente assustada e confusa por você ter quebrado tudo o que estava em nossa mesa. Depois de você gritar comigo... Se isso não indica que eu perdoei, eu não sei mais o que indicaria...
Q: Você confia em mim?
Rachel a beijou nos lábios delicadamente, sentindo o corpo de Quinn reagir ao seu carinho:
R: Eu te amo... [disse calma] Isso é o que importa agora...
Notas finais
Chegaram num ponto de explosão inevitável, mas Rachel tem sido surpreendente... Concordam?
Espero que gostem!
No próximo capítulo veremos o desenrolar disso. Quinn ainda estará insegura por todo esse desentendimento, mas descobrirá que Rachel pode ser ainda melhor do que tem sido... ;-)
E Beth será fofa...
Notícias sobre Finn e Brody também!
Ah... E um monento com Quinn hot e dominante! ;-)
Comentem!
Beijos
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