Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
42 Capítulo 42 - "Chiaroscuro (parte 2)..."
Notas iniciais
Rachel estava aparentemente calma e isso assustava a todos. Ela não parecia em choque. Sentada, brincava com a aliança de Quinn em sua mão, passando seus dedos delicadamente pela jóia. Fazia planos em sua mente do que fariam quando Quinn acordasse. Era isso! Ela lutava contra qualquer possibilidade de receber uma notícia ruim. De alguma forma inexplicável, a morena se trancou dentro de sua própria mente, abstraindo a noção de que o caso de Quinn era grave, de que ela estava há horas em cirurgia e de que tudo poderia acontecer.
Quando as notícias chegaram de verdade, ela não quis ouvir novamente. Havia pessoas suficientes ali para absorver os termos médicos, as estatísticas... Rachel fechou os olhos, tentando ir para outro lugar. Seus pensamentos a levaram ao corredor do McKinley, vendo Quinn caminhar com a desenvoltura perfeita de Cheerio em seu uniforme sexy... Mas era o mesmo corredor da sala do coral. A morena abriu os olhos abruptamente. Shelby percebeu a agonia da filha e se aproximou para ajudá-la. Rachel voltou a chorar. Sua mente também não era um lugar seguro. Ela acabou sendo transportada para o lugar onde tudo aconteceu. Ela não tinha saída...
O choro não era verbal. Rachel não queria falar. Apertou-se no abraço de sua mãe, sentindo uma proteção que nunca havia sentido antes. Não conseguiu evitar ver Judy chorando enquanto ouvia o que os médicos diziam. Ela sabia que deveria estar ali também, ouvindo os detalhes da cirurgia, mas seu medo de enfrentar uma verdade com a qual talvez não pudesse lidar era muito maior. Mas Judy não desabou e isso só poderia significar que Quinn havia sobrevivido à cirurgia. Mas então por que não havia sorrisos?
Leroy sentou ao seu lado, enquanto Hiram sentou-se com Judy, falando algo que não dava para ouvir, devido à distância. Rachel olhou para seu pai devagar, tentando não se abalar com a expressão em seu rosto. Tinha medo do que veria. Mas Leroy estava sereno, absolutamente calmo.
L: Filha...
R: Se a notícia não for boa eu não quero ouvir. [disse firme]
L: A cirurgia terminou e a Quinn vai para a UTI. [disse sem rodeios]
R: Então... [ajeitou a postura na cadeira, voltando-se totalmente para ele] Então ela está bem?
Sua voz trêmula, sofrida, estava cheia de esperança, acompanhada por um sorriso nervoso de quem pensava que as coisas voltariam a ficar bem. Leroy tomou todo o cuidado com as palavras, a fim de não deixar qualquer dúvida na cabeça de sua filha:
L: Os médicos retiraram as três balas. Uma no tórax, uma na cabeça e outra no ombro. [explicava calmo, observando o olhar firme de Rachel sobre ele] Foi uma cirurgia complicada, filha. Quinn ficou algum tempo sem oxigênio no cérebro e a hemorragia sofrida foi bem séria!
R: Mas ela recebeu sangue do pessoal. Eu fiquei sem oxigênio quando sofri o acidente e estou bem aqui. Tudo deu certo! [e voltava a se encher de esperança]
L: Sim, filha! É verdade! [dizia calmo] Mas eu preciso que você esteja ciente de que o tiro que Quinn levou na cabeça é mais grave do que o seu acidente...
Rachel inclinou a cabeça, olhando para seu pai com uma expressão confusa. Toda sua relutância em saber das consequências, em ouvir os termos médicos, parecia ter que acabar. Ela não poderia fugir para sempre...
R: Mas a cirurgia acabou... [choramingou] Ela vai pra UTI, como eu fui. E depois ela vai para o quarto. Depois vai pra casa comigo... [seu tom de voz foi aumentando, chamando a atenção dos amigos ao redor]
L: Filha...
R: Eu não quero saber o quanto tudo é complicado! [disse firme] Eu só quero ouvir que ela vai ficar bem! Só isso! Me diga isso! Eu só quero ouvir que ela vai ficar bem! [insistia entre lágrimas]
L: Ninguém sabe, filha... [disse vencido] Os médicos não sabem os danos que ela sofreu. Eles não sabem quando ela vai acordar... Se ela vai acordar...
R: Como não sabem? [irritou-se desesperada] Que porcaria de médicos são esses?! Que droga de hospital é esse?! [levantou-se furiosa, com o rosto banhado em lágrimas]
Leroy se levantou também e a segurou pelos ombros:
L: Calma, Rachel!
R: Como calma?! [soltou-se das mãos do pai] Como eu posso ficar calma? Como? Levou as mãos à cabeça! Eu quero vê-la! [moveu-se para sair dali]
L: Não! [segurou em seu braço] Você ainda não pode vê-la.
R: Eu preciso vê-la!
Todos os olhares estavam voltados para ela. Inclusive o de Judy. Era uma cena tão sofrida que todos esqueceram seus próprios sentimentos. Nenhum era igual àquele. Judy, como mãe, tinha um sofrimento único, isso ninguém poderia negar. Tudo passava pela cabeça dela: Quinn criança, crescendo uma linda garotinha, a adolescente retraída e calada, genial em todos os aspectos. Quando lhe fechou a porta na gravidez de Beth. Quando a recebeu de volta. A generosidade da filha em perdoá-la... Mas o que Rachel estava sentindo ali era algo que ninguém saberia explicar, ou ter ideia de como doía. A morena se sentia fisicamente partida. Era como se metade dela estivesse ausente. Era sufocante a ideia de não ter Quinn de volta. Mas era uma outra forma de sufoco. Doía e queimava como nada. As lágrimas da morena saíam cortantes, ácidas. Rachel sentia sua pele queimar. Ela era pura dor...
R: Eu preciso vê-la! Eu preciso falar com ela! [insistia]
L: Filha... Por favor me ouça!
R: EU NÃO QUERO OUVIR! [gritou e se afastou bruscamente]
Mais uma vez, Shelby corria atrás da morena. Mas dessa vez, Santana e Britt foram junto! Rachel era mais rápida do que parecia e precisaram se separar para encontrá-la...
Burlando qualquer segurança, a morena conseguiu chegar ao Centro Cirúrgico. Parou em frente à porta que dividia a ala normal, daquela ala do hospital. Sabia que não podia atravessar. Mas precisava. Precisava tanto! Pelo vidro, avistou uma movimentação na porta de uma das salas. Enfermeiros carregavam uma maca, transportando um paciente recém-operado. Seu coração disparou. Ela tinha certeza de que ele sairia por sua boca ao ver o perfil de sua namorada inconsciente.
R: QUINN! [gritou, chamando a atenção de todos] QUINN! [continuava a gritar] VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR! EU TE PROÍBO! LEVANTA DAÍ! [gritava mais] LEVANTA AGORA, QUINN!
A morena estava aos prantos e sequer percebeu que enfermeiras a mandavam calar a boca. Quando ela tentou atravessar a porta que a mantinha distante, sentiu-se ser puxada para trás. Não conhecia as pessoas que lhe puxavam, e nem se importava...
R: QUINN! ACORDA! [continuava a gritar]
A próxima imagem que Rachel viu foi Santana à sua frente, puxando-a para si. Enquanto a puxava, a latina pedia aos seguranças que se afastassem que ela cuidaria da situação. Rachel olhou para ela e Santana podia jurar que nunca viu tamanho sofrimento em toda a sua vida...
R: Por favor, Santana... Conversa com ela... Pede pra ela acordar... Ela te ouve. Ela sempre te ouve... [pedia chorando]
O coração da latina se quebrou em mil pedaços. Finalmente entendeu que a aparência calma de Rachel de antes era apenas a espera para essa explosão. A morena implorava para que a latina fosse lá e acordasse Quinn...
R: Eu gritei com ela. Será que ela ficou chateada? [começava a perder um pouco a noção das coisas]
S: Tenho certeza que não... [tentou acalmá-la]
R: Desculpa... [murmurava muito baixo] Desculpa por gritar, meu amor... [falava para si mesma] Desculpa...
S: Vem... [segurou em sua mão, guiando de volta à sala de espera]
R: O que aconteceu com aqueles dois? [perguntou de repente]
[FLASHBACK ON]
Jennifer não queria atirar em Quinn. Ela sequer queria atirar em Rachel. Esperava que Russel, em algum momento, fizesse isso. Toda aquela pose falsa e fria de quem tinha tudo sob controle escondia o pavor que estava sentindo naquele momento. Ela não tinha virado uma excelente atiradora. Não... Ela sequer sabia manejar aquela arma direito. Mentiu para Russel. Não revelou a verdadeira razão de odiar Rachel. Desejava mesmo que a morena largasse Quinn. Queria que ela sofresse, mas não desejava a morte de ninguém. Mas as coisas haviam saído do controle. E quando se deu conta, tinha sua arma apontada para a loira e Russel ordenando que abaixasse a arma. Era o que ela pretendia fazer. E ela o faria. Sabia que não teria saída, mas ela não queria machucar Quinn. Não fisicamente. Desde o começo, seu plano sempre havia sido que a loira sofresse sem Rachel e não o contrário. Mas Quinn era mais corajosa do que ela pensou. E quando a loira apontou a arma para a própria cabeça, algo dentro de Jennifer se desesperou. A ideia não era aquela. Aquele não era seu objetivo. Então tudo saiu do controle. Russel já não era mais seu comparsa. Era seu inimigo também. A arma apontada para Quinn nunca deveria ter disparado. Mas disparou. Disparou tão logo Jennifer sentiu o tiro que Russel lhe deu atravessando suas costelas. O silenciador da arma impediu que o barulho se fizesse presente na sala, mas o som do tiro acidental de sua arma se fez explosão nos ouvidos de Quinn e fogo em seu peito. A mão de Jennifer não soltava a arma. O segundo tiro que lhe atingiu foi seguido pelo segundo tiro em Quinn. O terceiro... Nenhuma das duas tinha mais consciência no momento...
[FLASHBACK OFF]
S: O que sabemos é que ela não resistiu e que ele ainda está em cirurgia. [tentava explicar calma] Não sabemos quantos tiros da polícia ele levou, mas sabemos que foram muitos. Não sei se ele escapa...
Rachel não sabia como se sentir diante daquilo. Seu coração não permitia que se sentisse bem com a morte de ninguém, mas e daqueles dois? Ela não se sentia feliz, nem triste por eles. Não sabia se desejava que Russel morresse... Era uma total ausência de sentimentos. Ela não aceitou que o ódio lhe dominasse. Ela só queria se preocupar com Quinn...
Ainda não tinham permitido qualquer visita à UTI. Shelby acompanhou Judy em casa para descansar um pouco. Foi difícil convencê-la, mas não havia muito o que fazer ali naquele momento. A mulher já havia rezado tanto em silêncio. Poderia fazer aquilo em casa também. Não demoraria a voltar.
A sala de espera esvaziou um pouco. A notícia de que Quinn havia sobrevivido à cirurgia tinha acalmado os nervos da maioria. Não os de Rachel... A incerteza de quando a namorada acordaria estava acabando com ela. A atenção foi desviada quando sua visão periférica percebeu uma pequena mala sendo colocada ao seu lado. Ergueu a cabeça e recebeu um sorriso terno de Hiram:
H: Eu sei que você vai continuar se recusando a sair daqui. Então eu trouxe algumas coisas para você. A vantagem de ser médico aqui é que consegui um quarto. Você poderá tomar um banho e descansar um pouco... [disse carinhoso]
Rachel se levantou rápido e o abraçou com força...
R: Obrigada, papai!
Santana acompanhou Rachel. Pediu que Britt fosse pra casa descansar. A latina precisava ficar para cuidar da morena. Sabia que era importante para Quinn manter a amiga firme. Não fazia ideia de como as coisas seriam dali pra frente, mas sabia que teria que ser forte por elas.
S: Esperarei aqui. [sentava-se no sofá do quarto, enquanto Rachel seguia para o banheiro]
Assim que fechou a porta, a morena se deparou com um espelho. Olhou-se por um longo período e não gostou do que viu. Seu rosto estava triste. Olheiras e olhos inchados de tanto chorar. Sentiu a garganta arranhar. Resultado dos gritos histéricos que deu várias vezes, nas últimas horas. Despiu-se com calma. Deixou que a água fria lhe cobrisse. Naquele momento ela não queria banho quente. Queria o banho preferido de Quinn... Passou a ensaboar o corpo e aquilo não se tornou uma tarefa fácil. Com os olhos fechados, sentiu um nó se formar em sua garganta. Suas mãos deslizando por sua pele só a faziam lembrar as mãos de Quinn por seu corpo. Nada era igual. Nada nunca mais seria igual... Forçava sua mente e tentava sentir as mãos da namorada a tocando. Em seus seios, em sua barriga, em suas costas, em sua intimidade... Soltou um soluço alto e não conseguiu evitar chorar. Santana ouviu do lado de fora e se levantou rapidamente, colocando-se em frente à porta do banheiro. Continuou ouvindo o choro sofrido de Rachel. Não quis atrapalhar o momento. Era um instante de dor em que sabia que a morena precisava ficar sozinha. Tinha passado o dia inteiro cercada por tanta gente que não teve um momento sequer para pensar em tudo. Foi impossível a latina não chorar também. Pela amiga com quem cresceu. Sua companheira de tantas coisas! Chorar pela amiga Rachel. Ali tão frágil, tão sozinha!
Quando Rachel saiu do banheiro percebeu que Santana havia chorado.
S: Se você contar a ela eu te mato!
Rachel riu. Em meio àquele momento tão difícil, Santana a fez rir! Mas não foi bem pelas palavras ditas, mas pelo que aquilo significava. Era como se a latina estivesse dividindo com ela a esperança de que ela teria a oportunidade de contar aquilo...
A morena se permitiu tentar descansar alguns minutos. Sentou sobre a cama e encostou-se à cabeceira.
R: Eu não quis saber detalhes sobre a cirurgia porque eu não queria perder qualquer esperança... [explicou de repente]
S: É compreensível...
R: Eu a pressionei a nos assumir...
Santana não entendeu onde Rachel queria chegar e esperou que ela continuasse.
R: Eu insisti para deixar de ser o segredo dela. [continuava a dizer] Não sei... Se tudo ainda fosse um segredo nada disso teria acontecido... [voltou a chorar]
Santana se levantou rapidamente e se aproximou da amiga para abraçá-la.
S: Hey! Não fala bobagem! Isso não tem nada a ver!
R: Tem tudo a ver! [separava-se do abraço] Aquele louco só veio atrás de mim porque descobriu sobre nós. Não fosse por isso ele nunca teria aparecido de novo. Eu que insisti. Briguei com ela por causa disso... [chorava ainda mais]
S: Pare com isso, Rachel! [tentava buscar seu olhar] Não se responsabilize pela loucura dele. A Quinn teria assumido vocês de qualquer forma depois de tanto tempo. Não é culpa de ninguém, a não ser daqueles dois loucos!
R: Então me diz como eu faço para não sentir essa culpa que pesa em mim! [chorava agoniada] Me diz, Santana!
A latina não sabia mais o que dizer. Ela sabia que Rachel precisava encontrar respostas, ocupar-se enquanto as coisas não evoluíam.
R: Eu a amo tanto que me sinto um nada sem ela... [voltou a falar]
S: Eu sei... Ela também te ama!
R: Você lembra como eu era egoísta. Como eu vivia em função do meu futuro na Broadway. [Santana apenas assentiu com a cabeça] Ela mudou minha vida. Ela me mudou! Todo o resto perdeu a importância diante da presença dela em minha vida, ao meu lado. [contava com um sorriso fraco, choroso] Ela me transformou numa mulher de verdade, ela me revelou meu corpo. E me fez descobrir o dela. [ia se abrindo sem qualquer pudor diante da amiga que ouvia com cumplicidade] Eu sei o gosto de cada pedaço do corpo dela, de cada canto da pele. O cheiro de cada centímetro... Eu reconheço cada mudança na vibração da voz dela. E cada olhar... O jeito como ela me toca, como ela fala com meu corpo, a maneira como ela sonha comigo... [fechou os olhos lembrando] Cada beijo... Quinn Fabray se apossou da minha existência. Do meu corpo inteiro... [abriu os olhos novamente, buscando encarar Santana] Então me diz como eu posso encarar essa situação toda com tranquilidade de verdade? Como eu posso ouvir um médico dizendo onde cortou, onde costurou, se tudo o que eu quero é ir pra casa e admirar o corpo dela perfeito por horas? Sem nenhuma marca de bala ou cicatriz grave... Não pela estética, mas pela natureza desses ferimentos. Ela quis me proteger, Santana! [voltava a chorar] Ela está na UTI porque ela se colocou na minha frente. Ela apontou a própria arma pra cabeça!
Santana não sabia daquilo e lhe soou assustador...
R: Como eu posso me imaginar sem ela? [perguntava sofrida] Eu simplesmente não posso! [chorava mais]
Santana forçou Rachel a se mover e sentou-se ao lado dela, puxando-a para deitar-se em seu colo. A morena obedeceu. Sentiu os dedos da latina começarem um carinho em seus cabelos. Aquilo era inédito!
S: Já sabe que isso não sai daqui, não é?! [disse em um tom ameaçador]
R: Sei... [sorriu suavemente, mesmo chorando]
S: Então... [respirou antes de falar] Eu sempre soube que ela sentia algo por você! Era tão engraçada a forma como ela olhava para suas pernas quando você insistia em usar aquelas saias curtíssimas! Eu sabia o que ela sentia, mas ela não entendia ainda. Eu a conheço desde sempre e ela nunca havia se apaixonado de verdade até se apaixonar por você. Nem pelo Puck...
Rachel ouvia tudo atentamente. Sabia o que Santana estava fazendo. Ouvir a história delas sob o prisma de outra pessoa lhe dava paz. E ela precisava muito disso...
S: Era tão óbvio que vocês se gostavam! E eu não entendia porque perdiam tempo brigando pelo Finn... Até que eu entendi que ela não estava brigando por ele, mas por você! Ela não sabia, mas era por você! [sorria suavemente, sentindo Rachel relaxar em seu colo] Ela sempre foi louca por você! Sempre! E fiquei muito feliz quando, enfim, ela entendeu isso!
R: Eu sei que sempre a amei... [disse com a voz cansada] E sempre serei grata a ela por ter me mostrado isso. Ela me fez enxergar isso... [murmurava sonolenta] Eu a amo... Mais do que tudo... [ia adormecendo]
S: Eu sei... E ela sabe...
Já era muito tarde quando Judy entrou naquele quarto e se deparou com Rachel dormindo. Santana havia voltado para o sofá para deixar a morena descansar em paz.
J: Rachel, Querida... [chamava baixinho] Acorde querida!
A morena abriu os olhos sonolenta, sem entender direito onde estava. Havia conseguido dormir um pouco, muito mais pelo cansaço gigantesco do que por qualquer outra coisa. Sua mente acabou se desligando um pouco...
R: Aconteceu alguma coisa? [levantou-se rapidamente]
J: Calma! [tentou contê-la] Vim te buscar para irmos à UTI.
R: Podemos entrar agora? [desceu da cama apressada]
J: Sim... [sorriu-lhe docemente] Mas tenha calma, querida!
Rachel tremia completamente ao chegar à porta da UTI. Não quis olhar pelo vidro. Respirou fundo e entrou de uma vez. Seu coração falhou uma batida... Sua garota estava entubada, com a pele tão pálida... Quase não havia cor em seus lábios. Não havia reparado nisso quando a viu mais cedo, mas percebeu naquele momento que a cirurgia na cabeça não resultou na retirada dos cabelos loiros. Eles continuavam lá, lindos como sempre foram. Havia sim uma bandagem na lateral, mas nem era tão grande assim... Judy foi direto à testa da filha, depositando ali um beijo delicado. Rachel puxou uma cadeira ao seu lado e se sentou. Observou calmamente por um tempo, até que estendeu a mão para segurar a de Quinn. Quando tocou a pele fria da namorada, sentiu o choro vir à garganta, mas o segurou. A eletricidade sempre presente no toque de suas peles estava ali, firme e forte! A morena aproximou seu rosto e beijou a mão que começava a esquentar diante do contato... Seu corpo inteiro era tomado por um calor intenso ao sentir a pele, o cheiro de Quinn novamente...
R: Oi, meu amor... [disse suavemente, apertando um pouco mais a mão dela] Eu sei que deve ser um pouco difícil se esforçar agora. Você deve estar muito cansada depois desse dia tão difícil! [dizia calma, com os olhos cheios de lágrimas] Eu quero que você descanse bastante para então poder se esforçar muito para voltar pra mim! [tentava não chorar, mas era não conseguia evitar] Eu preciso que você volte pra mim! [chorava] Por favor, não desista! Faça força e seja forte por nós duas! Eu preciso que você volte pra mim! [beijava a mão dela sem parar]
Sentiu as mãos de Judy sobre seus ombros, apertando delicadamente a fim de lhe dar força...
R: Desculpa! [pediu constrangida]
J: Por que se desculpa? [enxugava as lágrimas que havia deixado cair]
Rachel estava acostumada a ser tratada muito bem por Judy, elas tinham uma relação muito boa, mas não estava acostumada a fazer declarações de amor em sua presença...
R: Eu sei que ainda não é fácil entender nosso relacionamento. Que a sua igreja não aceita e...
J: Eu não vou mais à igreja, Rachel... [disse calma] Quer dizer... Eu vou sozinha orar, porque eu acredito na casa do Senhor, mas eu não frequento mais as missas.
R: Não?!
J: Eu não quero ouvir as pessoas falando sobre o que não sabem. Dizer que minha filha é anormal e que o amor dela é um pecado... Eu vejo vocês juntas e devo admitir que nunca vi um amor tão verdadeiro! [disse sincera] Então não se desculpe por amá-la. Eu agradeço por esse amor que você sente! [chorou emocionada]
Rachel a abraçou, também emocionada... Naquele momento, naquela situação, ninguém sentia o que elas sentiam. Elas se entendiam melhor do que todos os outros...
R: Ela vai acordar, não vai? [perguntou de repente, depois de alguns minutos de silêncio]
J: Eu tenho certeza de que vai! [disse firme, mas não conseguiu esconder o medo por trás do que falava]
R: Ela andava tão triste... [acariciava a mão novamente] Preocupada com isso tudo... Ela precisa voltar! Ela precisa ser feliz! Eu preciso fazê-la feliz!
J: Você a faz feliz, Rachel! [garantiu] Eu nunca vi a Quinnie mais feliz do que ela é com você... Minha filha sempre foi tão fechada, tão presa num mundo só dela. Você a faz viver aqui fora... Você a faz parecer iluminada em meio a escuridão...
Rachel deslizava o polegar pelas costas da mão da namorada e lhe doeu sentir o dedo anelar dela vazio. Levou a mão ao bolso e retirou a aliança de lá, recolocando novamente. Beijou da mesma forma que fez quando a colocou naquele dedo pela primeira vez...
R: Eu te amo, meu amor... Não me deixa aqui sozinha... [choramingou] Por favor, volte! Volte pra mim!
Shelby chegava em casa exausta depois de ter deixado Judy no hospital. Precisava ver Beth. Pela hora, a menininha deveria estar dormindo há muito tempo. Entrou no quarto devagar e se deparou com a garotinha acordada agarrada ao Nemo de pelúcia dado por Quinn.
S: Beth? Por que você está acordada?
B: Eu sonhei ruim, mamãe... [choramingou um pouco]
S: Teve um pesadelo, meu amor? [puxou a filha para o colo, sentindo-a assentir com a cabeça] Foi só um pesadelo, filha! Está tudo bem! Mamãe está aqui! [alisava as costas da garotinha]
B: A “Kim” vai acordar, “num” vai? [perguntou com a voz chorosa]
Shelby se assustou e olhou para a filha sem saber o porquê da pergunta. Como Beth poderia saber de algo do que aconteceu?
S: O que disse?
B: A “Kim” vai acordar? [repetiu com a voz ainda mais chorosa]
S: Está tudo bem! [respondeu rápido] Foi só um pesadelo, Beth! Só um pesadelo...
Deitou a cabecinha da filha no ombro e começou a balançá-la para fazê-la dormir... Sentiu o coração apertar ao ouvi-la murmurar “Kim” várias vezes enquanto voltava a cair no sono... Dessa vez Shelby se assustou de verdade. Não sabia nem por onde começar a entender essa ligação entre as duas. Quinn, definitivamente, precisava acordar...
Notas finais
Espero que tenha ficado clara a diferença de comportamento da Rachel com o acontecido, comparado ao comportamento da Quinn quando ela sofreu o acidente.
Fiquei muito feliz com a reação de vocês com o capítulo anterior! Obrigada por confiarem em mim! :-) Agradeço pela grande quantidade de comentários, assim como a grande quantidade de perguntas no ask.fm. Entendam que se não respondo é porque não vi ou porque eu não posso responder àquela pergunta sem dar spoiler. ;-)
A música do capítulo foi uma indicação de várias pessoas. Agradeço muito!
Comentem e me digam o que acharam!
Prometo mais emoções no próximo capítulo! ;-)
Beijos!
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