Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

40 Capítulo 40 - Um novo inverno...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Damien Rice - Cannonball

Quinn estava sentada à mesa, desfrutando do café da manhã caprichado que Rachel havia preparado para ela. Não estava com fome, muito menos apetite, mas ela precisava agradar a namorada e reconhecer seu esforço em cuidar dela.


Q: Onde estão seus pais? [perguntou baixinho]

R: Foram fazer compras com sua mãe. Estão organizando um jantar para nós mais tarde.

Q: Eu quero me desculpar com eles. [disse constrangida]


Rachel sentou-se mais perto e levou a mão direita à testa de Quinn, afastando carinhosamente os cabelos que caíam pelo rosto dela.


R: Você não tem que se desculpar... [disse suavemente]

Q: Eu quero! Eles foram tão atenciosos...

R: Então você pode agradecer, mas não há motivo para se desculpar...


[FLASHBACK ON]


Rachel havia conseguido fazer Quinn dormir e parecia que, finalmente, elas teriam uma noite de sono tranquila. Mas as aparências enganam... Em determinado momento da noite, Quinn se levantou desesperada, mantendo-se sentada na cama, assustando Rachel. A loira não conseguia respirar. Tentava sugar o ar com toda força, mas não conseguia... A morena se levantou preocupada para chamar os pais quando viu que já não seria preciso. Quinn começou a gritar com as mãos nos ouvidos. Rachel sentou-se à frente dela, tentando ajudar, buscando seus olhos, chamando por Quinn, mas a loira os apertava com força. Ela não parava de gritar... Estava gelada e tremendo completamente. Os Berry chegaram ao quarto desnorteados de sono e assustados. Rachel estava começando a se desesperar.


O que poderia parecer apenas um pesadelo, na cabeça de Quinn agia como fogo. Ela ouvia gritos, um choro desesperado e uma explosão. Tudo aquilo retumbava em sua mente deixando-a completamente agoniada, desesperada, sem controle. Sentiu seu braço ser puxado e uma agulha mergulhando em sua pele. O calmante mais forte que Hiram tinha... De repente, e isso nada tinha a ver com a medicação, o silêncio voltou. Quinn ergueu o olhar e se viu cercada por todos os Berry extremamente preocupados. Seu corpo se encolheu instantaneamente. Estava constrangida e confusa. Não precisou que Rachel pedisse. Seus pais as deixaram sozinhas. Sem que a morena precisasse verbalizar alguma coisa, deitou-se ao lado de Quinn e a colocou deitada sobre seu peito, acariciando os cabelos dourados com extremo carinho...


R: Foi só um pesadelo, meu amor... Foi um pesadelo... [murmurou]


Quinn se apertou com tanta força em seu corpo, que Rachel chorou silenciosamente ao imaginar a agonia que a namorada estava sentindo. A loira dormiu poucos minutos depois...


[FLASHBACK OFF]


Rachel respirou fundo, limpou a garganta e tomou coragem para falar:


R: O que você acha de conversar com o papai?


Quinn a olhou séria, desviando o olhar em seguida para o prato à sua frente. Respirou de forma um pouco mais pesada...


Q: Então você acha que eu preciso mesmo de um psiquiatra?

R: Não pelos motivos que você está pensando. [respondeu firme] Tem alguma coisa mexendo com você e isso está te fazendo sofrer. Só por isso!

Q: É claro que tem alguma coisa mexendo comigo! Eu tenho medo de perder você! De perder Beth! De mais alguém entrar nessa lista doentia do Russel só pra me atingir. [começou a chorar]

R: Hey! [saiu de sua cadeira e se forçou a sentar no colo da loira] Pare com isso! Pare de carregar o mundo nas costas! Por favor, divida sua angústia comigo! [segurava em seu rosto tentando manter seu olhar no dela]

Q: Estou dividindo... [choramingava]

R: Não está! Agora você está desabafando, mas à noite você explodiu. Papai te deu o calmante mais forte que tinha e você está acordada agora. Era pra estar apagada, mas tem tanta energia circulando em você que você sequer consegue sucumbir a uma medicação forte.

Q: Eu ouvi coisas! Eu ouvi vozes e choro... Eu ouvi! [chorava] Eu estou ficando louca!

R: Não está! Pare com isso! [beijava-lhe a testa carinhosamente] Converse com papai o que você não consegue conversar comigo. Por favor, deixe que ele tente ajudar!


Quinn não disse mais nada, apenas assentiu positivamente com a cabeça.


R: Você tem sorrido tão pouco... E seu sorriso é tão lindo! A ausência dele me faz sentir um vazio frio...

Q: Me desculpe...

R: Você não tem a menor noção do que me faz sentir...


Como prometido, elas voltavam à casa de Shelby para buscar Beth. Antes que descessem do carro, Quinn segurou Rachel no lugar:


Q: Hoje não vamos dormir na casa dos nossos pais.

R: Não vamos?

Q: Não! Vamos ter um dia divertido e eu vou sorrir pra você... [sorriu suavemente]


Rachel sorriu de forma terna e levou a mão ao rosto da loira, acariciando...


R: E posso saber onde vamos dormir?

Q: Na verdade, não vamos dormir! Eu vou fazer amor com você até o sol nascer...


Rachel se derreteu ao ouvir a forma como a namorada disse aquilo. Apesar das intenções mais quentes, foi tão doce que sequer parecia ter a ver com sexo. A morena avançou sobre os lábios macios da loira, sendo recebida com todo o desejo que se concentrava desesperado em seus corpos.


R: Eu não sei se consigo esperar até mais tarde... [jogou-se sobre ela, encaixando-se em seu colo]


As mãos de Quinn logo percorreram o corpo de Rachel por baixo da blusa, seguindo ansiosas até os seios firmes, apertando-os. A morena prendia os lábios da namorada entre os dela e depois invadia a boca de Quinn com sua língua sedenta. As mãos da loira arrastaram-se para baixo, afastando-se do corpo magnético de seu amor...


Q: Estamos no carro, em plena luz do dia, em frente à casa de sua mãe e Beth... Precisamos nos segurar e esperar até mais tarde... [disse corada]


Rachel não discutiu. Beijou delicadamente cada canto do rosto vermelho de Quinn, saindo devagar de seu colo...


R: Eu quero tudo, Fabray! Eu quero que você me possua até não aguentarmos mais! [ordenou provocante]

Q: Mais tarde... [prometeu]

R: Mais tarde... [concordou]


A ideia de levar Beth para conhecer o território das Cheerios no Mckinley parecia ter sido mesmo genial. A garotinha olhava ao redor completamente encantada. Nunca tinha visto tanto vermelho em sua vida! Por sorte, era dia de treino e ela pôde ver as Cheerios em ação no campo. O sorriso no rosto da filha fez o coração de Quinn falhar uma batida... A simples ideia de que Russel poderia machucá-la a deixava louca! Sabendo que algo do tipo passava pela cabeça da namorada, Rachel segurou sua mão, acariciando-a calmamente...


N: Vocês estão fugindo de mim?


Rachel quase deu um pulo com o susto. Noah sentou de repente ao seu lado...


R: Porra, Noah! Que susto! [levou a mão ao coração]

B: Hey! [ergueu o dedinho] “Num” pode falar “palavão”! [repreendeu]

Q: Hahahahahahahahaha


Enfim o sorriso da loira havia aparecido. O comportamento da filha, repreendendo Rachel foi uma das coisas mais lindas que ela já tinha visto.


R: Desculpe, Beth! [sorriu encantada] Você tem razão!


Noah estava orgulhoso da filha, estufando o peito. Afinal, foi ele quem ensinou isso a ela.


Q: Nós não estamos fugindo de você, Noah! [voltou ao assunto] Na verdade, era você quem não devia se afastar da Beth e da Shelby. [repreendeu]

N: Mas eu estava resolvendo coisas que a Shelby me pediu.

Q: Mesmo assim...


A conversa foi interrompida pela chegada de Sue Sylvester:


S: Essa é a família mais estranha que eu já vi em minha vida!


Quinn sorriu. Sabia que a treinadora estava apenas destilando seu veneno tradicional. Mas as expressões de Beth e Rachel não foram as melhores. Enquanto a morena se incomodou com o comentário, Beth se perguntava quem era aquela mulher tão grande... A treinadora se abaixou, tentando ficar em uma altura mais próxima da altura da garotinha.


S: Então você é a famosa Beth?!


A loirinha olhou para Quinn, esperando permissão para responder àquela desconhecida. A loira assentiu, então a garotinha voltou a olhar para a treinadora:


B: Sim... [respondeu tímida]

S: Você é linda, sabia?! [sorriu]

B: Eu “sabe”! [respondeu da forma mais fofa possível]


Sue Sylvester estava encantada. Ver a miniatura de sua melhor aluna, por quem nutria um sentimento maternal desde sempre, fez seu coração se encher de orgulho.


Q: Ela quer ser uma Cheerio quando crescer, treinadora.

S: Isso é verdade? [encarou a garotinha que assentiu freneticamente com a cabeça] Por acaso você sabe quem foi a melhor Cheerio de todos os tempos?

B: A “Kim”! [respondeu sem pestanejar, tendo certeza absoluta do que dizia]

S: Muito bem! [sorriu amplamente] Você está certíssima!

B: Êêêêêêêêêêê! [vibrou animada]


Quinn e Noah olhavam para a filha completamente hipnotizados. Mas o olhar de Rachel estava completamente preso à namorada. Enfim ela sorria novamente e era o sorriso mais puro do mundo...


A treinadora ofereceu doces e objetos das Cheerios para Beth, então a garotinha a acompanhou até sua sala. Quinn queria ir junto, mas Rachel queria ver a sala do coral novamente. Para agradar a todas, Noah acompanhou Beth e a treinadora, enquanto as garotas foram direto à sala. Seriam apenas 10 minutos de separação...


R: É tão bom te ver sorrindo de novo... [confidenciou enquanto caminhavam pelos corredores vazios]

Q: Eu prometo voltar a sorrir pra você...


Quando entraram na velha sala do coral, surpreenderam-se com o que encontraram:


R: Finn?!


O rapaz estava sentado ao piano, fazendo anotações. Ergueu a cabeça surpreso, sem entender o que elas faziam ali. Quinn logo enrijeceu ao cruzar o olhar com o dele.


R: O que você está fazendo aqui? [manteve-se de pé enquanto Quinn se sentava em uma das cadeiras]

F: O Professor Schuester me convidou para ajudá-lo com o coral.

R: Sério?

F: É... [coçou a cabeça um pouco constrangido] Ir pra NY não foi uma boa ideia! [o olhar de Quinn era de completa concordância] Esse não é o momento para esclarecer algumas coisas... [deixava no ar o interesse de, talvez, desculpar-se com elas] Quando ele me ligou eu achei que era a resposta para o que eu procurava e voltei correndo...

R: Fico feliz por você! [sorriu sincera]


Ouviram a porta batendo e já esperavam por alguma manifestação por parte do Noah. Quinn teria que apresentar Beth ao Finn?


“Como vai, Quinnie?”


Quinn congelou por dentro. Os olhos de Rachel arregalaram e a expressão de Finn era de completa confusão.


Quando a loira virou o rosto para a porta, deparou-se com Russel acompanhado. Mas que merda era aquela? Tudo fazia sentido. Russel tinha álibis porque alguém fazia as coisas por ele. Mas como era possível que esse alguém fosse Jennifer?


A garota ergueu a mão e empunhava uma pistola, apontando-a diretamente para Rachel. Quinn se levantou e fez menção de se aproximar para proteger a namorada, mas Russel também apontou uma arma contra a morena. Ela era um alvo disputado. Quinn poderia tentar protegê-la de um, mas ainda haveria o outro.


Russel: Quinnie e paspalho, não se movam, ou eu estouro os miolos dessa cantorinha vadia!


Rachel começou a tremer. Seu medo tornou-se ainda maior quando sentiu Jennifer encostar a arma contra seu pescoço. Quinn sentiu seu sangue ferver. Olhava para a namorada e seu coração se partia ao ver sua expressão de medo.


Noah e Beth seguiam para a sala do coral, com a garotinha toda animada, segurando pompons, garrafinha, toalha e bolsa das Cheerios. Assim que se aproximou da porta, Puck se assustou. Através do vidro conseguia ver que Russel estava lá. Seu primeiro ato foi colocar Beth atrás de si, sem que ela percebesse que algo errado acontecia. Como se lesse seu pensamento, Quinn direcionou o olhar para a porta, cruzando com o dele. Enfim ela sentiu que as coisas poderiam sair bem. Moveu a cabeça discretamente, negando a entrada dele. Noah entendeu seu olhar. Precisava tirar Beth dali e chamar a polícia. Foi o que fez.


B: Cadê a “Kim” e a “Êichel” papai? [perguntou confusa]

N: Tiveram que ir pra casa. Vamos atrás delas?

B: “Vamo” sim! [concordou tranquila]


Nervoso, Puck ligou para a polícia e para Shelby, pedindo que ela fosse buscar Beth urgente para que ele não precisasse sair dali.


Na sala do coral, Finn tremia. De medo por si mesmo e por Rachel. Imaginava que Quinn estava passando pelo pior momento de sua vida... A loira então entendeu... A explosão, as vozes, o choro, os gritos... Ao olhar para as armas nas mãos de Russel e Jennifer entendeu que a explosão era um tiro. Ela sabia que alguma arma dispararia ali.


Q: Por favor, deixem-na ir! [tentava manter a calma, pedindo para liberarem Rachel]

Russel: Como deixá-la ir? Como se o objetivo é acabar com ela?

Q: Seu problema é comigo! [disse enfurecida, olhando para ele]

Russel: Não, Quinnie! Não mais! Meu problema é com essa pecadora! Ela vai voltar para o inferno de onde saiu.


Rachel chorava nervosa, sem entender o que Jennifer fazia ali.


Q: O que você tem a ver com isso? [encarou Jennifer com ódio]

Russel: Ela foi um anjo que apareceu em minha vida! [antecipou-se em responder] Ela me procurou na prisão e me confessou também odiar essa cantorinha medíocre! Por um bom preço ela se tornou uma excelente atiradora e está pronta para me servir nesse momento tão importante!

Q: Você é doente!

Russel: Me respeite, Quinnie! [esbravejou]

Q: Não me chame de Quinnie! [gritou]


Rachel não parava de tremer e chorar. Jennifer, irritada com isso, deu uma cotovelada nas costelas da morena, fazendo-a ficar sem ar por alguns segundos.


Q: Sua vadia! [avançou para agredi-la, mas parou quando a arma foi encostada na lateral da cabeça de Rachel]

J: Mais um passo e ela morre agora!

R: Não, Quinn... Não! [chorava]


Não era só a loira que entendia sua agonia agora. Rachel passou a entender que todo aquele medo e as coisas que ela havia escutado estavam se materializando naquele momento. Ela devia ter dado ouvidos a isso. Quinn sentia o perigo perto e todos estavam fazendo com que ela acreditasse que era sua imaginação lhe pregando uma peça... Que erro terrível!


Russel: Sabe, Quinnie... Meu julgamento está chegando e eu sei que não sairei ileso. Os policiais que comprei não servirão para me livrar do que vai acontecer aqui hoje. Mas, pelo menos, eu terei minha consciência tranquila, de que varri essa pecadora da face da Terra.

J: Mas eu quero essa honra!

Q: Qual o seu problema?! [gritou com Jennifer] Ser louca psicótica é uma coisa, mas homicida é outra completamente diferente!

J: Eu quis você e fui rejeitada milhares de vezes...


Russel olhou para ela confuso. Não sabia sobre o interesse amoroso de Jennifer sobre Quinn. Então Jennifer era também o que ele considerava uma pecadora... E uma mentirosa! Mas não tinha problema, ela seria eliminada tão logo deixasse de ser útil...


J: Eu te quis e ela sempre foi uma pedra no meu caminho... [explicava]

Q: Você não vai ter a mim se fizer mal a ela.

J: Eu já não te quero mais! Eu quero te fazer sofrer! Eu quero tirar de você o que é mais importante em sua vida, para que você seja infeliz para sempre, carregando a culpa de que ela morreu por sua causa.


Definitivamente Jennifer era mesmo louca! Era só isso o que passava na cabeça de Rachel. Além de todo o medo de morrer...


O som do celular de Quinn começou a ressoar pelo ambiente e ela viu a chance de abrir sua bolsa. Chance que estava esperando desde o começo daquela situação.


Russel: Desligue essa porcaria!


Enquanto a loira abria a bolsa, Finn tentava pensar em uma forma de ajudar ali, mas não podia fazer nada. Não tinha uma arma ou qualquer coisa parecida. A arma de Jennifer na cabeça de Rachel o impedia de tentar qualquer atitude heroica.


O telefone que aparecia em seu visor era de Santana. Quinn o desligou sem demora e segurou o objeto que tanto desejava.



[FLASHBACK ON]



Enquanto Rachel contava à Judy sobre o dia que tiveram com Beth, Quinn pediu licença para pegar um livro na biblioteca do escritório da mansão Fabray. Na verdade, ela não tinha interesse em nenhum livro. O que ela queria mesmo era procurar uma das armas que sabia que Russel tinha. Tinha esperança de que ele não tivesse levado todas. Retirou a prateleira de livros falsos e se deparou com o cofre. Ela sabia a senha. Gênio que é, descobriu quando tinha 12 anos, assim que soube que aquele cofre existia. Russel nunca a havia mudado... Dentro do cofre, deparou-se com a caixa que conhecia. Abriu e lá estava: a pistola cromada que ele tanto amava... A arma estava carregada, mas havia munições livres também. Ela respirou aliviada. Poderia estar enlouquecendo, mas era possível que o perigo estivesse rondando ainda, por mais que lhe dissessem que elas estavam seguras. Retirou da caixa e enrolou em um lenço, colocando na bolsa...



[FLASHBACK OFF]



Rapidamente a bolsa de Quinn foi ao chão e a loira engatilhou a arma, apontando-a para Jennifer...


Q: Solte-a! [ordenou]


Os olhos de Rachel arregalaram. Ela não sabia que Quinn estava armada. Jennifer se retraiu um pouco, mas ainda manteve a arma na cabeça da morena.


Q: Eu mandei você soltá-la! [disse entredentes, com o ódio estampado em seu olhar]

Russel: Eu conheço essa arma, Quinnie. [sorriu cínico] Muito esperta!

Q: CALE A BOCA! [gritou com ele]

Russel: Abaixe essa arma! [ordenou] Se você atirar em Jennifer, eu atiro na cantorinha. Ela não tem escapatória. Aceite! São duas armas minhas contra uma sua... Você tem dois alvos, nós temos apenas um... Faça as contas!


Rachel passou a ter certeza de que morreria. Seu choro sofrido de antes se tornou um choro silencioso, de quem já estava aceitando seu destino. Finn levou as mãos à cabeça. Sua presença era completamente nula ali, mas não lhe era permitido sair. Ele começou a chorar...


Quinn ficou em silêncio por alguns segundos, com a arma ainda apontada para Jennifer, que se escondia atrás de Rachel. Sua mente começou a se afastar dali. Ouvia distante a voz de Russel mandando abaixar a arma. Tudo ficava distante. Não fazia sentido passar por aquela situação. Russel já não era mais seu pai. Ele a abandonou quando ela mais precisou. Na verdade, ele a abandonou a vida toda... Aquele homem ameaçava a vida de seu amor porque era orgulhoso e um louco. E aquela loucura que ela não sabia de onde surgiu seria a responsável por acabar com sua razão de viver. Russel queria atingi-la. Jennifer queria atingi-la... As armas estavam apontadas para Rachel, mas a morena não era o verdadeiro alvo. Na verdade, ela era o meio para atingir Quinn. Para Russel tomar de volta o controle sobre a vida da filha, para Jennifer vingar seu desprezo. Cada um com sua loucura, buscando uma forma de justiça medonha que queria conquistar.


As mãos de Quinn se moveram. Todos entenderam que ela estava obedecendo às ordens de Russel. Mas era muito diferente daquilo. Segurando a arma com a mão direita, ergueu até a própria cabeça com o dedo no gatilho...


R: NÃO! [gritou desesperada] Abaixa isso, Quinn! [implorava assustada]


A loira fechou os olhos. Não conseguia encarar a namorada naquela hora. Sua mente viajou para anos atrás. “Ela estava parada em frente ao seu armário quando avistou Rachel parar em frente ao dela. A morena colocava os livros calmamente, enquanto cantarolava uma canção da Broadway. Por alguns segundos os olhos claros da loira deslizaram pelo corpo da morena, seguindo para suas pernas infinitas... Foi a primeira vez que Quinn sentiu desejo de verdade. Foi a primeira vez e foi por uma garota. Ela precisava odiá-la. Precisava odiar aquele desejo que só crescia. E era só por ela... O perfume de Rachel invadindo seu olfato quando sentavam próximas, o sorriso arrebatador da morena... Tudo aquilo deveria ser odiado. A voz perfeita, o talento incomparável... O amor que nasceu em meio ao ódio que travava toda uma intensa luta para impedi-lo... Quinn era tão sozinha, tão solitária. Rachel a preenchia... Rachel salvou sua vida...”


Voltou a ouvir a voz de Russel ordenando que abaixasse a arma. Ela não queria obedecer. Ouvia o pedido sofrido de Rachel, implorando para não fazer aquilo. Os olhos de Finn se arregalaram e sem perceber, ele havia caminhado para mais perto de Rachel. Jennifer não esperava aquela reação da loira e aquilo a desestabilizou de repente.


Q: Eu sou o alvo de vocês! Deixem-na ir! [abriu os olhos finalmente] Ou eu vou fazer o que vocês não têm coragem...

R: Não, Quinn! Pelo amor de Deus! [implorava desesperada]


Jennifer estava nervosa com aquilo, mas não afastava a arma da cabeça de Rachel. Duvidava que Quinn estivesse falando sério. Rachel gritava, implorando para ela abaixar a arma. Mas a loira apertou ainda mais o dedo no gatilho. Russel viu que Jennifer não recuava e então desviou a arma de Rachel e apontou para sua comparsa. Por mais calhorda que ele pudesse ser, algo em si gritou ao imaginar Quinn morta. Ele não queria isso.


Russel: Jennifer abaixe essa arma! [ordenou] O plano saiu do controle!

J: O seu plano talvez! O meu continua de pé! [disse ácida]

Russel: Abaixe essa arma ou eu acabo com você! [bradou irritado]


Ela se sentiu traída por ele e soltou Rachel, apontando a arma para Quinn. A morena se desesperou ainda mais.


Q: Eu não te darei o prazer de me atingir, seja de que forma for! [retirou a arma da própria cabeça e apontou para ela]


Quinn não contou nem dois segundos e atirou mirando a cabeça de Jennifer. A arma falhou... Uma segunda tentativa e a arma falhou novamente...


Jennifer riu friamente enquanto Rachel gritava. Quinn entendeu que não tinha saída. Ela não tinha mais o que fazer. Aproveitando que Rachel já não era mais o alvo de ninguém, tentou livrar a morena dali:


Q: Finn tire-a daqui! [disse rapidamente]


Russel continuava ordenando que Jennifer abaixasse a arma, mas ela mantinha a mira em Quinn sem se arrepender um segundo sequer.


Finn puxava Rachel e tentava tirá-la da sala, mas ela se debatia desesperada, sentindo que se saísse dali nunca mais veria Quinn com vida... Jennifer estava dedicada a terminar o serviço. A loira firmou o olhar no da namorada e murmurou um “Eu te amo pra sempre! Sempre, sempre, eu mais...” Rachel não queria saber! Ela não queria sair dali, mas mesmo com muita dificuldade, Finn conseguiu tirá-la aos gritos. No corredor eles avistaram a polícia que Puck havia chamado posicionada, esperando o momento certo para agir. Finn segurava Rachel com força, enquanto os policiais se dirigiam à sala.


Quinn olhou para Russel que demonstrava certo desespero ao perceber que Jennifer não desistiria. Pensou em Rachel. No futuro brilhante que a morena tinha a seguir. Nos prêmios, nas grandes peças da Broadway que protagonizaria. Pensou em Rachel sendo mãe um dia. Pensou em como ela era linda... Pensou em Beth... Na pureza de sua filha, na inteligência e em como elas se pareciam. Pensou em como ela seria feliz criada com tanto amor que Shelby, Noah, Rachel e os Berry poderiam dar. Até Judy e Frannie... Ela faria de tudo para garantir que elas tivessem o futuro mais brilhante... Faria qualquer coisa para dar um fim àquele pesadelo... Sabia que sem ela, todos ficariam a salvo, já não haveria perigo. Sabia que nem ela, nem Russel, nem Jennifer sairiam ilesos dali...


A loira respirou fundo e esboçou um pequeno sorriso, abrindo os braços:


Q: Vá em frente, Jennifer! Acabe logo com isso!


Quinn se lançava sem medo... Por Rachel... Por amor! Por seu amor ela entregava sua vida ao que o destino lhe reservou... O medo já não existia mais...


Rachel socava o peito de Finn por tê-la tirado da sala. Ela não queria abandonar Quinn. Sentiu um arrepio congelante subir por sua espinha e segundos depois, vários disparos dentro da sala. A polícia entrou atirando e Rachel voltou a se desesperar.


Era inverno novamente...

Notas finais
À essa altura (mais precisamente no capítulo 43), Rachel sofria o acidente em "Você Sempre Esteve Em Mim". Aquele capítulo ganhou o título de "Inverno por dentro". Estamos diante de um novo inverno... :-(
Antes de se desesperarem e passarem a me odiar, como sempre, peço que confiem e sejam pacientes para ver o desenrolar da história!
Espero que comentem!
Beijos!

Próximo capítulo: veremos toda a comoção envolvendo as famílias delas e os amigos. E finalmente saber o que aconteceu quando os tiros ocorreram...