Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

34 Capítulo 34 - Quinn Fabray tem uma arma...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Aerosmith - Janie's Got A Gun

Quinn não podia acreditar que Russel estava solto. Seu coração disparava e uma raiva absurda dominou seu corpo. Mas não durou muito tempo. O desespero se fez presente e tomou conta de tudo. Sentiu seu corpo congelar em pavor. Precisava ligar para Shelby, mas ela estava no voo. Deu-se conta de que o número de telefone desconhecido do qual Russel falou, era um número fixo de Nova York. Então ele estava em terra. Por enquanto, não precisaria se preocupar com Beth. Pelo menos até o avião pousar. Sua atenção fixou-se em Rachel. Ligaria para o Dr. McCarty para entender o que estava acontecendo, mas só depois de saber que a morena estava segura.


As duas ligações que ignorou antes de atender a de Russel eram de Rachel. Respirou fundo e retornou para a namorada:


R: Qual o seu problema, Quinn? [gritava chorando ao telefone] Por que você me deixou? Por que você não me atendeu?

Q: Onde você está? [limitou-se a perguntar, tentando manter a calma]

R: No mesmo lugar!

Q: Não saia daí! Estou voltando!


Rachel não havia conseguido se mover um centímetro sequer. Após a briga com Quinn, tremia sem parar. Seu corpo não respondia aos seus comandos, ficando incapaz de dirigir. Sequer conseguiu ir para o banco do motorista. A loira não estava longe, voltou correndo... Assim que avistou o carro no mesmo lugar, sentiu uma onda de alívio em seu corpo ao perceber que Rachel estava bem. O barulho da porta se abrindo assustou a morena. Quinn sentou-se rapidamente, sem explicar nada, preparou-se para dar a partida novamente. Sentiu Rachel completamente furiosa desferir tapas contra seu braço:


R: Não faça mais isso! Não me dê as costas numa discussão! [chorava irritada] Nunca mais!

Q: Pára, Rachel! [gritou surpresa com os tapas] Isso machuca!

R: É pra machucar mesmo! Pra você entender o quanto eu estou furiosa! [continuava chorando, diminuindo a força até parar]


A morena não parava de chorar e explodiu num choro ainda mais intenso. Quinn não entendia porque ela chorava tanto. Esperou que ela estivesse em condições de falar, mas essa hora parecia que não chegaria nunca. Rachel encolheu-se em seu lugar apertando os próprios joelhos, tentando se controlar, mas em sua cabeça só pensava em Quinn indo embora, dando as costas. Aquele simples ato a fez temer uma ida definitiva. Aquele ato a fez pensar que ao contrário dela, a loira não estava mais disposta a enfrentar tudo em qualquer circunstância. Ela descobriria logo que era exatamente o contrário...


Quinn continuava esperando que ela voltasse a falar alguma coisa, mas só presenciou o choro diminuindo e a raiva de Rachel parecer mais branda. A morena desviou o olhar para a janela e se recostou no banco, incapaz de encarar a namorada naquele momento.


R: Me desculpe por meu descontrole... [murmurou constrangida, ainda com a voz embargada]


Quinn não respondeu, deu partida no carro e seguiu. Percebeu que o trânsito estava melhor e preferiu não falar sobre a soltura de Russel ali no carro. Precisava de um local mais seguro para uma possível nova explosão emocional de Rachel.


Durante todo o caminho a morena tentava entender sua própria reação e não via como contorná-la. Estava magoada com o comportamento de Quinn, mas sabia que tinha exagerado. Como convencê-la a desculpá-la sem deixar maiores mágoas?


Assim que a porta do apartamento se abriu Rachel disparou em direção ao quarto. Quinn manteve-se parada olhando a sala e os brinquedos que haviam ficado espalhados por ali. O cheiro de Beth continuava no ar e seu coração apertou. Respirou fundo... Não era hora para aquilo. Apressou-se até o quarto e viu Rachel se despindo para tomar banho. Ela precisava esfriar a cabeça e estava disposta a tomar o banho mais frio de sua vida. Quinn a impediu. Com calma a segurou pelos ombros e a olhou por alguns segundos, buscando um nível de calma que sabia ser necessário naquele momento. A morena a olhou confusa, esperando por algum discurso sobre maturidade e comportamento.


Q: Russel está solto... [disse com a voz baixa, tentando não fazer muito alarde]


Quinn sentiu Rachel estremecer sob seus dedos. O olhar da morena mudou completamente e a loira viu um brilho triste...


R: Co-como assim? [perguntou temerosa]

Q: Eu não sei... Eu precisava ter certeza de que você estava bem para poder buscar respostas. Vou ligar para o Dr. McCarty.


Quinn moveu-se para buscar o telefone, mas Rachel a segurou pela blusa.


R: Me desculpa! [voltou a chorar] Eu não sei o que deu em mim! Quer dizer... Eu sei, mas me desculpa! [chorava ainda mais]


A loira a puxou para um abraço e sentiu a força com que Rachel a segurava. A morena parecia apavorada e Quinn não sabia dizer se era pela briga que tiveram ou por causa de Russel. Talvez pelas duas razões.


Q: Isso não interessa agora. [disse calma sobre os cabelos escuros] Falamos sobre isso numa outra hora...


Quinn deixou claro que elas tinham algo mais urgente a cuidar, outra prioridade no momento, mas que aquele assunto não estava resolvido. Ela sabia que sair do carro não tinha sido a melhor atitude, tinha plena consciência de que as duas tinham seus erros e acertos naquele desentendimento. Mas elas conversariam sobre aquilo depois.


Rachel a viu se afastar e pegar o celular. Sentou-se ainda fragilizada e a observou sentar-se também. A primeira ligação foi para Puck. Antes de deixar que o ciúme falasse mais alto de novo, prestou atenção à conversa e ouviu que Quinn pedia que ele buscasse Shelby e Beth no aeroporto e que não saísse de perto delas até terem certeza de que não corriam perigo. Pediu que ele se cuidasse também porque poderia ser alvo de Russel. Logo após, Quinn ouvia do Dr. McCarty que Russel havia sido solto por bom comportamento. Aquilo lhe soou absurdo! Ele havia ameaçado Rachel na frente dos policiais. Ele era perigoso demais! Só que tinha excelentes advogados que conseguiram garantir que ele aguardaria o julgamento em liberdade. Russel estava impedido de se aproximar de Rachel, devendo ficar a uma distância mínima de 500 metros dela. Para Quinn, nem assim era seguro... Era definitivo: sua paz havia acabado.


Com o celular desligado em mãos, a loira tentava estabilizar a própria respiração. Agora ela se sentia mais impotente do que nunca. Tinha muito mais com o que se preocupar. Rachel a observava sem saber como agir.


Q: Você não ficará sozinha em nenhum momento. Eu não sairei de perto de você um instante sequer. E se eu precisar sair, algum de nossos amigos ocupa meu lugar até que eu volte. Eu não confio mais na polícia cuidando de você!


Quinn dizia como as coisas funcionariam, sem olhar para Rachel. Ela tentava enumerar as “novas regras” em sua própria mente, traçando uma linha lógica de “força-tarefa protetiva”, buscando garantir a segurança da morena. Rachel se aproximou e sentou ao seu lado. Quando ia dizer alguma coisa, foi logo interrompida:


Q: Não adianta me pedir pra relaxar! [disse firme] Eu não vou relaxar! [virou o rosto para olhá-la]


O coração de Rachel quase se quebrou ao ver os olhos chorosos da loira...


Q: Dessa vez ele não vai tocar num fio de cabelo seu! Eu não vou deixar! Eu o mato antes!


A firmeza com que Quinn disse aquilo fez Rachel estremecer. Não havia brincadeira, nem hesitação. Era nítido que a loira era capaz de fazer aquilo. Ela não deixava dúvidas quanto a isso.


Q: Ele não vai chegar perto de você, nem de Beth... Nem que eu tenha que morrer para evitar isso!

R: Não fala isso! [disse ríspida] Pelo amor de Deus, não fala isso!


Rachel a abraçou com força, sentindo Quinn a puxar para seu colo. Ciúmes eram secundários naquela hora. Nada era mais importante do que estarem juntas.


Q: Eu não devia ter saído daquela maneira e, por isso, peço desculpas... [disse baixinho]

R: Eu te amo! [buscou os olhos claros] Amo tanto que me enlouquece pensar em perder você! Por mais insano que sejam os meus ciúmes, por mais segurança que você me passe, eu ainda sinto um medo avassalador de perder você! Me desculpe... Desculpe ofender você e estragar o fim de semana.

Q: Não estragou...

R: Mas quase estraguei.

Q: Quase...

R: Desculpe pelos tapas... [encaixou o rosto no pescoço de Quinn]

Q: Doeram...

R: Desculpe, meu amor... [deslizou as mãos pelo braço da loira, acariciando]

Q: Olha pra mim... [Rachel se moveu, obedecendo] Eu quero que você tenha medo do Russel, mas o medo natural, que faz você tomar cuidado e se proteger. Fora isso, eu não quero que você se apavore. Eu cuidarei de você! Eu estarei te protegendo o tempo todo!


Russel bebia uma ótima safra de Whisky com um de seus advogados, num escritório caro, num dos prédios mais imponentes de Manhattan. Eles sorriam com a vitória, ainda que temporária. Ao serem informados pela secretária sobre a chegada de quem esperavam, os homens se levantaram e esperaram a porta se abrir. Por ela entrou uma jovem muito bonita, de cabelos castanhos e olhos azuis. Russel estendeu a mão para cumprimentá-la:


Russel: Olá, Jennifer! [sorriu educado]

J: Olá, Senhor Fabray!


Haviam tomado banho juntas, ignorando totalmente a briga que tiveram. Não foi difícil fazer Rachel dormir. Assim que percebeu que a morena estava no mais profundo sono, Quinn saiu do quarto e chamou Santana, Britt, Blaine, Kurt e Michael. Precisaria muito da ajuda deles dali em diante. Ligou para Noah e se certificou de que Beth havia chegado bem e pediu que ele explicasse tudo à Shelby. Ligou para Judy e Frannie para avisá-las, assim como para os Berry. Pediu que todos tomassem cuidado e mantivessem contato constante com ela.


O lugar não era dos melhores. Quinn mantinha as mãos nos bolsos do casaco, enquanto Santana falava com o homem atrás do balcão de vidro. A loira estava inquieta, preocupada com Rachel em casa, mas o fato de saber que os quatro amigos permaneciam lá, a deixava mais segura. A desculpa que deu para sair com Santana era a mais fácil de todas: buscar comida para todos! Ninguém desconfiaria...


A latina chamou a atenção da amiga, indicando que ela se aproximasse mais do balcão. Então toda a coragem que Quinn já possuía, pareceu multiplicar. A loira pegou o objeto ali exposto e viu que se encaixava perfeitamente em sua mão. Não hesitou um segundo sequer:


Q: Vou levar! [olhou firme para o homem]

S: Duas, por favor! [complementou]

Q: Como assim, duas? [surpreendeu-se]

S: Você acha que vou deixar você sozinha nessa?

Q: Você não precisa fazer isso, S!

S: Eu faço o que for preciso por você, Q! Por vocês... [recebeu de Quinn um olhar de extremo agradecimento]


As duas saíram do Queens com duas pistolas automáticas Glock e munição para ambas. Dessa vez, Quinn não media as consequências. Se Russel se aproximasse de Rachel, ele acabaria morto e ela tinha certeza de que já não amarguraria qualquer remorso...


Que Deus a perdoasse...

Notas finais
Desculpem a demora em atualizar, mas a NET fez o favor de deixar meu prédio sem internet por dias. :-(
Santana é mesmo fiel à amizade com Quinn! Espero que gostem do capítulo e, por favor, comentem!
No próximo capítulo, Rachel será ainda mais carinhosa em sua tentativa de redenção. Teremos notícias de Beth e pode ser que entendamos mais sobre Jennifer e Russel se "conhecerem"... ;-)
As coisas agora serão mais explosivas, afinal, Quinn (e Santana) têm uma(duas) arma(s)! ;-)
Beijos!