Você Sabia o Que Estava Por Vir
19 Capítulo XVIII - Uma quinta-feira como qualquer outra.
Notas iniciais
Acordei com o som de meu despertador, por que todo dia é assim? Eu sei que é horrível e mesmo assim vou dormir tarde, por que Renata? Por que?!Se bem que desta vez tenho quem culpar... É, colocarei a culpa nele, é bem mais fácil assim... Levantei-me com esforço, para ajudar hoje era o pior dia, teria que aguentar duas, DUAS aulas de espanhol, não que eu não goste da matéria é só que minha professora é insuportável. Terminei de me arrumar, tomei meu café e fiz meu caminho para o tédio mortal.
Chegando ao colégio me dirigi à sala de geografia, ainda bem que tinha alguma aula para salvar o dia, lá encontraria com a Dani, que estava desesperada para saber o que tinha acontecido, ela ficara sabendo ontem à noite, pois tinha me mandada uma mensagem perguntando se poderia ir à minha casa. Aparentemente a resposta: “Melhor não, já tem alguém aqui e você não vai gostar de ficar sobrando...” A surpreendera.
–Finalmente! Por que demorou tanto? Estava morrendo de curiosidade! O que aconteceu? Eu quero todos os detalhes! – Ela parou abruptamente, deu um sorrisinho de lado e completou. – Pensando bem, nem todos os detalhes...
A olhei por um tempo sem acreditar no que tinha ouvido.
–Sério Daniella? As vezes me pergunto o que passa pela sua cabeça... Mas a curiosidade vai logo embora, o medo ganha. Não aconteceu nada disso que a senhorita está pensando, só algumas provocações mesmo.
–Provocações é? O que ele aprontou? – Perguntou ela ainda com aquele sorriso no rosto.
–Quem disse que foi ele? – E essa foi minha vez de usar o sorriso com ela.
O professor entrou na sala e ela ficou sem saber o que tanto queria, até que gostei da ideia, assim ela ficava mais tempo curiosa, quem mandou insinuar atos? Virei para a frente e tentei me concentrar na aula e não em uma Dani louca tentando chamar a minha atenção, serei sincera, foi difícil.
No intervalo entre uma aula e outra a expliquei o que aconteceu e ela na maioria das vezes me respondia com um: Ah! Não!! Como assim?! Sério?? Nossa! Uau! Safadinha!! Pois é... E foi isso que eu tive que aguentar...
O sinal já havia tocado, mas dessa vez eu ficaria mais um pouco na escola, precisava arrumar meu armário, já estava começando a ficar nojento e eu não estava me encontrava mais lá dentro. Enquanto separava os livros e cadernos, Henry parou ao meu lado e lá ficou me olhando por um bom tempo, assim que me virei, com a intenção de fazê-lo sair com uma olhada, percebi o erro que tinha cometido, quem queria sair correndo dali era eu, mas provavelmente não conseguiria. Enfim, ele decidiu quebrar o silêncio, minha voz provavelmente falharia com toda a atenção que se apresentava naqueles olhos azuis tempestade.
–Tenho duas perguntas para você. – Começou ele. –Primeiro o mais importante, já terminou com o seu namoradinho?
–Você nunca cansa de perguntar isso? E não, não terminamos.
–Esperança é a última que morre, não é isso que todo mundo diz? – Perguntou levantando uma sobrancelha. – Enfim, e quanto a nossa ida ao aquário? Se decidiu?
Oops! Esqueci de falar sobre isso com você não é? Hehe... Enfim, depois de uma longa reflexão me decidi. Faremos assim, eu não esqueci, nunca esqueceria de te contar algo assim, só estava poupando-a de um parágrafo tedioso, cheio de pensamentos confusos que muitas vezes nem eu mesma entendo, então eu não quis te fazer passar por isso. Agradeça-me mais tarde.
–Sim já me decidi. – Respondi. – Você poderia trazer pra mim? – Perguntei apontando para o lixo alguns armários à frente.
Ele trouxe para mim e enquanto jogava tudo que não precisava fora ele perguntou:
–E você decidiu...?
–Ah... Que não tem problema eu ir. – Respondi logo depois de encontrar um pacote de salgadinho vazio.
–Qual é?! Qual o problema de você ir... – Ele parou repentinamente a exclamação. –Perai! Você falou que vai?
–Sim... – Respondi ainda rindo.
Então ele começou a rir que nem um idiota, veio na minha direção e segurou meu rosto com as duas mãos. Olhei para ele e disse:
–Se eu fosse você não faria o que está pensando.
Imediatamente ele soltou meu rosto me e me abraçou, não era para ele fazer isso também, mas é né...
–Pronto? Já acabou? – Perguntei para ele.
–Sim, acho que já... – Ele passou os olhos por mim. – Quer dizer, por mim não, mas sou proibido de fazer o que quero, por você e pelo seu namoradinho idiota.
Comecei a rir.
–Desculpa, é que engraçado ver você chamando outra pessoa de idiota depois do que acabei de ver.
–Ei! Aquilo não é idiotice! É felicidade, finalmente consegui que você me desse pelo menos a chance de sair comigo.
Olhei para ele, dei um pequeno risinho e me virei, fechei meu armário, peguei minha mochila e antes de ir embora me virei para ele novamente. Eu tenho que parar de fazer isso! Sempre dá errado, eu nunca consigo falar o que queria, respirei fundo e falei.
–Tá grilo feliz, entendi. Mas será que você vai falar quando? Ou eu tenho que adivinhar?
–Tinha esquecido... – Disse ele rindo. – Amanhã às sete horas estarei te esperando na frente das tartarugas.
Claro que ele foi escolher o animal que eu mais amo, infelizmente ele me conhece.
–Ok, então até.
Quando passei pelo portão do colégio vi um carro antigo estacionado ao meio-fio com um homem conhecido meu encostado nele. Fui andando até ele descrente do que via.
–Você só pode estar brincando!
–O que? Não posso vir te buscar? – Perguntou ele rindo um pouco da situação. – Eu lembrei que você disse que hoje era o pior dia pra você, e como eu te fiz ficar acordada até mais tarde me senti obrigado, então sai mais cedo da faculdade e passei aqui.
–Você é inacreditável!
–Você não imagina o alívio que foi te ver, achei que não tinha vindo hoje e eu ia ficar parado aqui que nem bobo.
–Estava arrumando meu armário, sabe, se alguém tivesse me avisado eu deixava pra outro dia.
Ele me puxou para um abraço e sussurrou no meu ouvido:
–Não tem problema, a demora só me deixou com mais vontade do seu beijo.
–É eu sei eu sei... Inesquecível ele né? – Perguntei rindo com cara de convencida.
–Você não tem nem ideia do quanto. – Respondeu ele me beijando. – Vamos? Vou te levar pra passear um pouco.
E então entrei no carro, só para ver um Henrique parado na porta da escola com uma postura totalmente diferente daquela que ele estava há poucos minutos atrás.
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