Você Sabia o Que Estava Por Vir
5 Capítulo IV - A calma praiana
Notas iniciais
Pegamos o almoço e encontramos uma mesa vazia.
–E então? Por que você trocou de escola?
–Por que com certeza seria muito difícil ir até São Paulo toda manhã. – Disse enquanto abria meu refrigerante.
–Ah então você é Paulista! Por que se mudou então? – Foi um alívio ela não me chamar de São Paulina, sério me impressiono com a burrice alheia.
–Minha mãe, ela foi promovida.
–Ah te entendo, na verdade isso é forma de dizer, nunca nem sai deste estado.
Não pude deixar de rir com esse comentário, por que é impressionante, não importa pelo que esteja passando as pessoas sempre vão entender mesmo que nunca tenha sequer passado por algo parecido.
–Mas, e ai, gostando daqui?
–Bem, não me leve a mal, mas estou gostando o máximo que se pode gostar de uma cidade nova quando se deixa tudo pra trás.
–Não, tudo bem, mas não está assim tão ruim está?
–Não, está até melhor do que pensei, a escola pelo menos é legal, quero dizer, os esquemas das aulas. Isso sem contar que achei alguém que pensa como eu no primeiro dia de aula – O que eu poderia dizer para ela? Na verdade está pior do que eu pensei? Meu ex estuda aqui e ele se tornou um completo imbecil? Não poderia falar isso para ela, não que ela não pareça confiável ou legal, na verdade é exatamente o oposto, é só que acabei que conhecê-la, e outra, eu não menti exatamente, o que falei é até verdade vendo pelo lado positivo, a escola não é assim tãão ruim.
–Ainda bem! Isso quer dizer que estou fazendo um trabalho bom! – Ela riu um pouco e começamos a comer, às vezes comentávamos sobre algo, nada muito importante, percebi que ela estava olhando para um lugar, depois de um tempo percebi que não era algo e sim alguém.
–Quem é ele? – Disse fazendo um pequeno aceno de cabeça em direção a um menino loiro com olhos mel sentado na mesa a nossa direita que ria sem parar.
–Queem? – Ela disse voltando sua atenção para a comida.
–Queeeem que você quer enganar com isso? – Disse imitando o tom que Dani usou antes.
–Ok! Ele é o Ricardo, faz aula de inglês comigo e a tarde aula de dança.
–A dancer? Interesting... So... You fall for him before or after the dance class? – Para quem não sabe inglês de plantão: Um dançarino? Interessante… Então… Você se apaixonou por ele antes ou depois das aulas de dança?
–Shut up! – Ela disse ficando vermelha. Para quem não sabe: Cala a boca!
–Não é sério, antes ou depois?
–Antes, já o conhecia da escola, eu comecei as aulas ano passado.
–Aaah! E vocês se falam desde quando?
–Nós não falamos muito sabe...
–Mas vocês já conversaram certo?
–Claro néh! Como vou gostar de alguém que nem conheço?! Sim já conversamos.
–E então por que você ainda não foi falar com ele?
–Como assim?
–Tipo: Quer ir ao cinema algum dia destes? Ou shopping, você que sabe, restaurante, escolha um.
–Por que eu não vou chegar em um menino, ele que tem que fazer isso.
–Te entendo... Neste caso é sério, sou igualzinha você, mas, talvez nem tão igual, se o menino não fez isso ainda é por que ele não tem firmeza, você tem que ajudar né?! Ou quer que ele pergunte isso para você sem saber se você realmente quer alguma coisa?
–Ah poderia ser isso... Seria bem mais fácil.
–É seria, mas não é assim que funciona o amor.
–Infelizmente.
*******
Quando finalmente as aulas acabaram, encontrei novamente com a Dani trocamos os números de celulares e peguei meu caminho, chegaria em casa faria minha lição e depois disso nada mais, isso mesmo sou desocupada e amo isso.
Até que o temido primeiro dia de aula não foi assim tão ruim, contando que quase esqueci que o Henrique estava na mesma escola, vendo por esse lado, foi uma manhã boa... Eu iria esquecer que ele estava ali, seria melhor assim, vocês verão, eu vou conseguir! Eu nem lembro quem ele é, quem é esse tal Henrique de quem tanto falam? Ah é aquele imbecil da escola? Conheço ele não, quer dizer só o conheço pelo o que falam...
Entrei em casa, minha mãe não estava, o que era de se esperar, estava trabalhando. Fui para a cozinha e fiz um pequeno lanche, o que é? Não posso comer? Faz tipo 4:00 que eu não como nada! Parem de me julgar! Subi para meu quarto, liguei a TV em um canal de músicas e o computador, peguei os cadernos de minha mochila e o estojo, me deitei na cama e fiz minhas lições enquanto comia e cantava.
Quando estava quase acabando as lições meu celular vibrou e fez um pequeno tock tock, mensagem.
Você pode ir a praia?
Era da Dani, respondi que sim, só ia me arrumar e já iria.
Ok! Vou estar de esperando na praia da Cigana.
Ok sem problemas, só precisava descobrir como chegar lá... Ainda bem que existe a internet não é mesmo? Procurei o mapa da cidade e não era muito longe da minha casa, era a terceira praia seguindo a avenida. Minha casa por sorte não era tão distante do litoral, não chegava a ficar a 2 quarteirões, mas não era longe, devia dar a mesma distância da minha casa para o colégio.
“É pelo que parece você não vai ficar sem fazer nada” pensei comigo mesma. Me levantei, terminaria as lições mais tarde, só faltava a de inglês, o que seria rápido, Fui para o banheiro, coloquei meu biquini, passei o protetor, vesti um short e uma regata e coloquei tudo que poderia precisar na minha bolsa. Deixei um pequeno recado para minha mãe e sai.
O sol estava forte hoje, curtia a brisa enquanto andava, o cheiro de maresia chegava em mim, estava tudo tranquilo como geralmente cidades praianas são, tudo calmo sem a típica pressa a que estava acostumada em São Paulo... Estava tudo calmo até ser puxada para uma ruela.
–Mas que mer... – Uma mão definitivamente masculina tapou minha boca me impedindo de concluir a frase e de gritar como louca.
Fale com o autor