Você Sabia o Que Estava Por Vir
2 Capítulo I - Mães...
Notas iniciais
Acordei um pouco atrasada, contando que hoje iria sair com minha mãe para comprar decorações novas, já que segundo ela “estavam muito abaixo do nível da casa”... É minha mãe inventa qualquer coisa para comprar decoração nova. Lembrei-me que da última vez que deixei vocês estava vindo para cá. Bem a casa é simplesmente LINDA, afinal de contas parece que de uma certa forma a promoção de minha mãe foi até legal... O bairro era o melhor da região, a casa era moderna com várias janelas espalhadas por toda ela, mas ao mesmo tempo preservando sua privacidade, uma piscina se encontrava no jardim enorme da casa ao lado do deck com churrasqueira, as casas se dividiam com pequenas cercas, como se ladrões não existissem, todas as casas ali eram impressionantes, mas modéstia a parte, a minha era a mais bonita...
Levantei-me e fui tomar meu banho, coloquei uma roupa qualquer, penteei meus cabelos negros e arrumei o quarto, fiquei um tempo olhando pela minha janela, a casa do lado era linda e enorme como todas as outras, não tinha percebido a existência de uma grande janela à frente da minha até ver o vulto de alguém que me observava, a pessoa se escondeu, provavelmente torcendo para que não tivesse visto, mas a vi. Desci as escadas para tomar meu café da manhã, encontrei minha mãe sentada à mesa com um xicara na mão e na outra segurava um pedaço de pão doce.
–Bom dia mãe!
–Bom dia filha! Dormiu bem?
–Sim, e você? Nenhum problema com a cama nova?
–Sim dormi, nenhum problema.
Peguei um copo de suco de maçã, um pedaço do pão e me sentei à mesa junto a minha mãe. Sempre fomos só nós, meu pai morreu quando tinha 1 ano e meio, minha mãe sempre conseguiu nos sustentar e proporcionar um bom estilo de vida, ela sempre lutou para ter o que tem e me educou da mesma forma.
A casa parecia grande demais para nós duas, na verdade a casa ERA grande demais para somente duas pessoas, não que fosse reclamar, eu amei aquela ela.
Fomos para o shopping da cidade atrás das decorações tanto desejadas por minha mãe, rodamos e compramos o shopping inteiro, lembrei que começava na escola (ou inferno, depende de como pensa) daqui a 1 dia (pois é, amanhã já teria aula), então saímos para comprar meus materiais, almoçamos e voltamos para casa às 2 horas da tarde.
Depois de descansar um pouco deitada na minha cama decidi ir à piscina, passei o protetor, coloquei um biquíni, minha saída de praia, peguei um toalha e desci. Enquanto colocava meu celular e toalha na mesinha e tirava minha saída percebi que na casa ao lado, a mesma do vulto na janela, a piscina estava sendo usada. “Ótimo” pensei, “Adolescentes, como os amo” É eu sei que também sou uma, mas ninguém merece adolescente, ainda mais com os amigos. Fiz tudo da forma mais silenciosa e discreta que pude e entrei na piscina, por sorte eles estavam muito entretidos em rir da cara de um menino alto e moreno para olhar a casa ao lado. Estava tudo ótimo até a minha mãe chegar gritando:
–FIIIILHAAAA! VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR QUEM MOoora... – Ela, ainda bem, graças senhor, calou a boca, não que os meninos já não tivessem virado e visto uma mãe louca gritando com a filha.
Ela olhou para os lados, viu que tinham pessoas do outro lado da cerca, no momento me encarando (o que é totalmente entendível). Pareceu perceber o que acontecia e falou, dessa vez mais baixo:
–Depois eu falo. – E saiu andando me deixando ali sozinha, entrou na casa e subiu para seu quarto, o que pude ver pelas janelas.
Não queria me virar e encontrar vários rostos me encarando, mas também não sairia da piscina tão cedo, não amo meu corpo como qualquer uma, não iria sair dali, muito menos com um bando de garotos bonitos me encarando, provavelmente pensando na mãe louca que chegou berrando, continuei nadando normalmente como se nada tivesse acontecido, quando virei para ver se já tinham parado de me olhar, somente um dos 5 garotos estava de costas, o mesmo de quem estavam rindo antes, e parecia estar daquela forma de propósito, como se quisesse esconder o rosto, não importava para onde ia ou como mergulhava sempre voltava de costas para mim, o que me deixou intrigada, mas os outros continuavam me olhando, e conversando o que é pior... Não sei se saio e então aguento tudo de uma vez ou se fico fingindo não perceber o que está acontecendo e espero eles saírem. Decidi que iria sair, só esperaria um pouco, esperaria a atenção diminuir. Sai da piscina da forma mais discreta possível, assim como fiz para entrar, me enxuguei, coloquei minha saída e entrei em casa. Encontro minha mãe deitada no sofá, assistindo televisão como se não tivesse deixado a filha sozinha na piscina numa situação mais que desconfortável.
–Bonita a senhora eim!
–Oi? Eu sei, mas por que falar isso agora?
–Estava me referindo a o que você fez agora pouco.
–E o que fiz agora pouco?
–Entrou gritando no jardim e depois me deixou lá sozinha enquanto faziam piada de mim! Que tipo de mãe é você?
–Do tipo que sabe que a filha é exagerada que nem romance mexicano, e quis deixar ela sozinha enquanto meninos lindos a paqueravam.
–Você precisa parar de achar isso! Eles NÃO estavam me paquerando, estavam comentando o quanto meu corpo é disforme!
–Falei, exageraaada! Não tem nada com seu corpo menina problemática!
–Você é minha mãe, porque acreditaria nisso?
–Justamente por que sou sua MÃE!
–Ta ta ta, vou tomar meu banho.
Subi para meu quarto tomei meu banho coloquei um short que achei por ai e uma camiseta, não ligava muito para roupas. Amarrei meu cabelo e arrumei meu material, não iria arrumar amanhã, já teria que acordar cedo, não iria acordar mais cedo ainda pra fazer isso.
Desci para jantar, falei para minha mãe que dormiria mais cedo dei boa noite e fui me deitar.
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