Você Aceita?

3 Thank you, friend... Thank you.


Notas iniciais
Muito mais que um amigo, um irmão.

10 de Janeiro de 2007

Um dia quente, típico de janeiro. Uma quarta-feira, seria mais um dia comum, melhor, é mais um dia comum, porém, hoje, Erick completa oito anos e pela primeira vez ele ganhou uma festa de aniversário.

Sua mãe organizou uma no seu quintal e convidou as crianças do bairro. Já são 17:00 horas e Erick está conversando com um grupo de crianças, enquanto sua mãe está dentro de casa assistindo televisão, ela simplesmente organizou as coisas, e entrou para casa, não se deu ao trabalho de ficar na festa.

— Ei, você. É Erick não é?

Erick que agora estava em canto do quintal sentado e brincando com alguns carrinhos, cujo ele havia recebido de presente de sua avó, Erick levanta os olhos em direção ao garoto baixinho e gordo, e de aparelho e como camiseta do Bob Esponja, então responde:

— É Erick sim. E qual seu nome?

O garoto que estava com o rosto sujo de chocolate, e com a boca cheia de bolo responde esticando a mão suja de chocolate:

— É Higor.

Erick ignora a mão suja de Higor e aperta.

— Ei, eu duvido que você consiga tomar dois litros de refrigerante de uma só vez. Diz Higor para Erick apontando a garrafa de refrigerante.

Erick coça a cabeça, analisa a proposta que seu novo amigo lhe fez, fica meio indeciso, mas então com um único movimento ele se levanta e diz:

— Fechado.

Erick se levanta vai em direção a mesa onde está a garrafa de refrigerante, Higor caminha ao lado de Erick. Os dois então estão à frente da garrafa, Higor pega na mão e entrega para Erick, então ele se afasta e vai até o meio das crianças e grita:

— EI, EI, EI, Erick vai tomar toda a garrafa de refri.

Todas as crianças voltam a atenção para Erick que parece nervoso, então todas as crianças, ao mesmo tempo começam a dizer em voz alta a incentivar:

— ERICK! ERICK! ERICK! ERICK! ERICK! ERICK!

Erick então abre a garrafa e a leva em direção a sua boca, ele coloca a garrafa nos lábios enquanto todas crianças continuam a gritar seu nome.

Erick então vira a garrafa, o refrigerante desce gole a gole, as crianças continuam a gritar seu nome, já se foram mais de 600ML, Erick continua respira fundo, 1LT parte do refrigerante escorre pelo lado da boca, e pelo nariz de Erick. Antes que Erick pudesse beber o outro litro, ele sente alguém puxá-lo na altura do pescoço, e logo em seguida ele ouve uma voz, que grita com ele enquanto o segura firme com as duas mãos:

— ACABOU A FESTA PRA VOCÊ PIRRALHO. CRIANÇA INFELIZ, SÓ DÁ TRABALHO. FOI REALMENTE UMA PENA VOCÊ NÃO TER MORRIDO NO PARTO. Todas as crianças se calam, e olham para Erick, assustadas. A voz do homem de uns 35 anos, e aparentemente alcoolizada volta a dizer. — E TODOS VOCÊS. Diz o homem apontando para as crianças com uma mão, enquanto segura Erick com a outra. — VÃO PARA SUAS CASAS, ACABOU A FESTA! Finaliza George Rainz, o pai de Erick.

A mãe de Erick assiste tudo da janela de casa, com um aspecto de felicidade no rosto. A maioria das crianças já saíram e George empurrou Erick e adentrou a casa.

Dez minutos depois de tudo, todas as crianças foram embora, ficando apenas Higor que se aproxima de Erick que está sentado no chão ao lado da mesa.

— Ei cara, você tá bem? Pergunta Higor ao se aproximar e se sentar ao lado de Erick.

Erick levanta o rosto. e com um semblante de tristeza e até mesmo vergonha responde:

— O que você tá fazendo aqui ainda? Por que não foi embora como todo mundo?

Higor olha para Erick, e sorrindo responde:

— Ir embora por quê? A festa não terminou ainda.

Erick suspira, e responde com uma voz quase inaudível:

— Não deveria nem ter começado…

— Concordo, assim sobraria mais comida. Diz Higor.

Erick então dá um leve sorriso e olha para Higor.

— Você ainda tá com fome? Pergunta Erick.

Higor se levantando do chão:

— Eu tô sempre com fome.

Já são 18:00 horas, a noite começa a chegar, e mesmo depois do evento fatídico que ocorreu na festa, Erick e Higor seguiram a comemoração, comeram, conversaram, jogaram etc. A festa continuou apenas com os dois, e dá pra se dizer que a festa ficou muito melhor do que aconteceu.... é, ela ficou.

18:36, um carro estaciona à frente da casa de Erick.

— HIGOR, VAMOS EMBORA, JÁ TÁ NA HORA, SE DESPEDE DE TODOS E VAMOS!!!

Higor ouve os gritos, sua mãe chegou para levá-lo embora.

— Minha mãe chegou cara, tenho que ir. Diz Higor para Erick se levantando do banco onde os dois estavam sentados.

— VAMOS, HIGOR!!!

— EU JÁ VOU MÃE!!!

— Olha só, eu tenho que ir agora. Mas você não quer ir lá em casa amanhã? Eu moro bem perto daqui. Diz Higor para Erick indo em direção ao carro.

Erick sorrindo para seu novo… novo melhor amigo, responde:

— É claro que eu quero.

Higor entra no carro, ele abaixa o vidro e dá tchau para Erick gesticulando com a mão. O carro parti. Erick dá alguns passos. Abre a porta de casa. Ele entra. A porta é fechada.



Sábado 9 de abril de 2016.

22:00 horas, Erick acorda, ele estava dormindo no chão do banheiro, ao seu lado uma garrafa vazia de whiskey, ele coça os olhos, passa a mão em sua cabeça, cuja a mesma parece que vai explodir a qualquer momento.

Então Erick se impulsiona para frente, se levanta dizendo:

— Cara, que sonho foi esse, por que fui lembrar disso?

Desde que Samanta foi embora Erick ficou bebendo, bebendo e bebendo, e agora acordou em seu banheiro, com uma lembrança de sua infância, um dos mais felizes e dramáticos diga-se de passagem.

Erick já totalmente de pé segue, abre a porta, e sai do banheiro. Fecha a porta. Ele caminha em direção a cozinha, não são mais que vinte passos até chegar lá, ele se põe à frente da geladeira, abre, pega uma garrafa de água, fecha a geladeira.

— É melhor eu dormir... na minha cama. Diz Erick com um leve sorriso.

Ele segue em direção ao quarto.

Notas finais
Comentem aí o que acharam, não somente deste capítulo, mas sim do livro todo, o que estão achando até agora. Ótimo? Bom? Ruim? Uma porcaria? Não sou capaz de opinar? Diz aí o que está achando. Valeu.