Notas iniciais
Apresento a todos Beatriz. A estilosa e unica tataraneta do fundador da cidade.
É uma garota humilde e sonhadora, que tenta ajudar quem merece, não concorda com muitas opiniões, principalmente a de seus pais.

Beatriz Pinto, uma bela garota de quinze anos, com um rosto livre de espinhas, e revoltada com algumas coisas do mundo, era uma dos quatro tataranetos do fundador da cidade, e uma dos quatro filhos do casal mais rico da região. Seu tataravô, havia conseguido uma estatua em sua homenagem na praça central com seu nome esculpido, Cardoso Pinto, a escultura já estava cinza pelos anos em que estava exposta a pichações e ao tempo confuso da pequena cidade de Arvore Coração.

A garota tinha mais três irmãos, Lucas, Tiago, e André, dos três ela só conseguia conversar com o mais novo, que parecia ser o único normal de sua família, apesar do menino não conseguir falar com nenhuma pessoa que não convivesse com ele por mais de uma semana, isto incluía colegas de escola, professores, médicos e etc. Ele tinha 14 anos e era o mais novo da família Pinto.

Ela e toda sua família, moravam no casarão onde o fundador havia morado, em frente a prefeitura, e de frente para a praça central. Desde pequena, todos faziam questão de explicar a ela que morando na mansão, sendo uma Pinto, ela devia agir como e mostrar ser rica, mas beatriz nunca conseguiu se sentir superior a alguém, e seu irmão caçula puxou para ela neste sentido.

Sempre usava roupas caras, trazidas de muitos países diferentes, era algo que ela gostava do fato de ser rica, se vestia bem e gostava muito de cantar enquanto trocava inúmeras vezes de roupa, eram musicas animadas na maioria das vezes, e pouco conhecidas.

Lucas estava sentado na calçada em frente a sorveteria mais próxima da casa aonde ele e ela moravam ele ergueu a cabeça para olhar a rua e ela sorriu para o irmão, com calor ela tropeçou nos próprios pés, e seu fichário vermelho caiu ai a garota viu seu irmão rindo, ele sempre ria dela, pois ela sempre tropeçava nas coisas mais improváveis.

— Não teve graça alguma... – Disse Beatriz, ela se sentou ao lado de seu irmão que entregou um pequeno pote de sorvete que ela gostava muito – As pessoas viram... e deram risada, foi vergonhoso.

Sem dizer nada Lucas se levantou e ela fez o mesmo ainda olhando para o lado e vendo as pessoas que riam de seu tropeço os dois foram andando até a mansão que estava muito silenciosa.

— Mãe... pai? – Chamou Lucas em quanto a garota subia para seu quarto.

A primeira coisa que Beatriz fez foi pegar seu celular em cima de sua cama. Colocou uma musica da Marisa Monte e começou a se trocar lentamente. A ordem de seus pais de não levar o celular para a escola ecoava em sua cabeça.

“Nada de celulares na escola... A educação daqui não é alto nível então eu quero comprometimento total dos dois... Vocês querem estudar na cidade do vô Pedro, porque se quiserem pode falar lá tem escola particular”.

Aquela havia sido uma ordem dada dois dias antes das aulas começarem e ela e seu irmão sabiam que o melhor era aceitar se quisessem continuar estudando naquela escola e vivendo naquela cidade.

Logo que terminou de se trocar, Beatriz colocou um Biquíni roxo que havia comprado uma semana antes quando fora pra São Paulo com sua mãe. A musica que tocava no seu celular mudou, o toque da musica “O Mapa do Meu Nada” da Cassia Eller e mexeu com os sentidos da garota, que começou a cantar e dançar de frente para o espelho que tinha na parede de seu quarto.

“Você é dedos que eu te quero, tocou
Você é beijo que eu te quero, beijou
Você é Vênus que eu te quero, soprou
Não sou desses homens, eu te quero, atenção

O dedo deduz, dedo é dez se é dois
Tocando essa cor desde os pés do teu chão
Buscando afinar um satélite à-toa”

Beatriz se trocava e cantava, fazia poses e se imaginava sendo fotografada por fãs durante um show.
“Não sou desses homens, eu te quero há um tempão
Doido desejo chupando dedo num beco
cheio de bêbados trêbados
Chutando os prédios, pregando prego no prego
Réu da razão, do suplico, cuspe fútil
Nessa estrada cariada.

Só você é o meio-fio de luz
Contramão sinalizada
No mapa do meu nada
Canção emocionada

Trajeto por teus fios”

A garota segurou uma parte do cabelo e fez uma repetição que não existia na musica da cantora, girou durante uma nota aguda que criara e durante o giro viu que alguém estava na porta. Parou de cantar e de dançar e olhou para quem estava na porta. Era seu irmão mais velho, André.

— Você me acordou com esta musica – ele disse apenas, Beatriz sorriu confusa – O pai e mãe não sabem que você dança pelada ou eles sabem?

— Eu não estou pelada! E acho que eles também não sabem que o filho de 22 anos deles não foi trabalhar no estagio e acordou uma hora da tarde – falou Beatriz e seu irmão pareceu desconcertado, deu um sorriso confuso idêntico ao da irmã.

Ele se virou e ela pegou uma toalha e desceu para a piscina que estava terminando de ser limpa pelo jardineiro que gostava de limpar a piscina. O homem tinha o mesmo nome do pia da garota, mas aquele Eduardo era muito mais comunicativo e legal do que o pai dela. A garota se jogou em um sofá acolchoado e ficou escutando sua playlist, cantarolando as musicas quase sem soltar som algum.

— Bia, já pode usar – falou Eduardo logo que terminou de fazer o serviço, mas ela não o escutou – Bia!

Ela abriu os olhos e ele estava apontando para a piscina, ela agradeceu rindo enquanto o jardineiro ia para outra parte da casa da família Pinto. Beatriz pulou na agua e mergulhou por longos segundos. Quando emergiu, Antônia, uma das empregadas que tinham na casa estava na beira da piscina com um copo de suco de laranja. Agradecida, a garota pegou o copo e ficou sentada na borda, quando terminou, ela agradeceu a mulher.

— E Antônia, sabia que eu estou na sala do seu filho... eu acho que é ele, pelo que me lembro das vezes que ele veio aqui com você.

— Primeiro ano, deve ser ele mesmo, é um bom menino – disse Antônia orgulhosa.

— E muito bonito também.

Espantada, Antônia se afastou e Beatriz voltou a nadar e depois de um tempo apenas mergulhava. Só parou de fazer coisas sem razão na agua quando seu irmão Tiago, de vinyte anos entrou na agua sem falar nada.

— Tiago – chamou ela e o outro emergiu sorridente e com o cabelo na frente do rosto. – Oi pra você também... Você comprou o cd que eu pedi?

— Sim, esta na bancada da cozinha... e oi, foi mal não ter cumprimentado antes de entrar, eu estava morrendo de calor, lá em São Paulo estava nublado mais ainda assim estava muito calor. E eu não aguentava mais.

Sem falar mais nada, Beatriz saiu da piscina e foi correndo para cozinha e quando chegou lá viu todo seu paraíso de felicidade quebrado no chão sob os azulejos branco da cozinha. Seu irmão, que estava na piscina, apareceu do seu lado e olhou para o mesmo lugar que ela, tão surpreso quanto a irmã.

— Não foi você que fez isto...- disse Tiago.

— É obvio que não...

— Fui eu, mas eu juro que foi sem querer – disse uma voz, a falsa inocência e arrependimento era facilmente notável, mas os olhos não tinham falsidade, era crueldade, e André apareceu na cozinha — vou chamar a empregada, ela pode limpar esse lixo que ficou no chão. Isabel!

Uma empregada magra de olhos esbugalhados, um coque mal feito apareceu, ela olhou para cena dos três irmãos separados apenas pelos restos inúteis do cd recém comprado, mas todo destruído.

— Limpe isto. Esta porcaria caiu, sem querer – ele olhou nos olhos de Beatriz para dizer aquelas duas palavras – e ainda acabei pisando...

— Eu te odeio! – Beatriz pulou para atacar seu irmão mais velho, mas Tiago a agarrou e ela apenas conseguiu arranhar o braço de André que virou rindo e foi para seu quarto. – Eu vou matar aquele filho da...

— Calma, eu vou falar com ele, afinal, eu que comprei o cd, e depois eu compro outro. Ou eu mando Sergio, o motorista, ir comprar.

Tiago subiu para ir falar com André, e Beatriz ajudou Isabel a limpar o que restou do cd que seu irmão queria lhe dar de presente. Quando terminou, o que não demorou muito, ela foi para a sala de estar onde Lucas estava em silencio assinto ao canal pago Fox. Ele olhou desinteressado para sua irmã, mas ela começou a se mexer no sofá e ele entendeu que ela queria dizer algo.

— O que aconteceu? – perguntou o garoto, ela pareceu aliviada, parou de se mexer e olhou para ele.

— Bom semana passada eu pedi um cd para Tiago ele foi comprar porque já ia para São Paulo então fiquei ansiosa queria muito aquele cd e quando Tiago disse que comprou fiquei aliviada mas então eu logo fiquei triste porque eu tinha acordado André quando cheguei da escola mas a culpa não foi minha ele nem devia estar em casa estas horas então quando sai da piscina eu vi o cd todo quebrado e ele falou que foi ele.

Quando percebeu que a irmã tinha parado de falar rápido como se não fosse necessário fazer pausa entre as frases, Lucas começou a falar quase as mesmas coisas que Tiago dissera para Beatriz poucos minutos antes, mas ela se sentia mais tranquila porque desta vez era Lucas quem dizia, e ele era calmo quando queria deixá-la feliz.

Na hora do jantar a mesa estava toda silenciosa. Os pais dos quatro jovens haviam voltado de uma reunião com o prefeito as cinco horas da tarde. Beatriz não comentou com nenhum dos dois sobre o que acontecera durante a tarde, e André fez o mesmo.

Quando terminaram de comer todos foram para seus quartos com exceção de Beatriz que foi para o quarto de Lucas, de frente para o seu, como ela fazia todas as noites.

Lucas estava sentado na cama, o abajur ligado, e ele só ergueu a cabeça quando ouviu a porta bater e sua irmã se jogar ao seu lado sem falar nada. Ela ficou mexendo nas coisas dele que estavam sobre a escrivaninha e logo perguntou?

— Conversou com alguém na escola hoje?

— Isto inclui você?

— Logico que eu não estou incluída! – falou Beatriz – digo com alguém da sua turma.

— O pessoal da minha turma é estranho, acho que me trocaram para a manha porque minhas notas foram horríveis o ano todo, deviam ter pensado que eu por causa dos meus amigos... mas eu nunca fui muito inteligente mesmo.

— É, eu sei disso – Beatriz zombou de seu irmão que a olhou surpreso – quero dizer, você é bom em outras coisas, esquece. Mas eu fiz amizade com uma menina crente. E sou da sala do filho da Antônia.

— Ah, que desinteressante. Ele deve ser mais burro que eu, sabe, foi escolhido como o mais bonito por dois anos, deve ter pensado que não precisa estu...

— Pare com isto Lucas Pinto! Eu pensei que você fosse diferente do resto desta família. Que nos dois fossemos os únicos diferentes desta família estranha – ironizou Beatriz e Lucas riu.

— Você esta certa. Mas e a menina crente, como ela é?

— Não sei dizer, ela usa saia, cabelo cumprido e trançado, vai ao culto sempre que pode, e para ser mais especifica, ela é o oposto da nossa família.

— Qualquer família é o oposto da nossa – disse Lucas – crescemos ouvindo que quem não é rico não merece valor. E que deus não existe, acho que nenhuma família decente ensina isto para seus filhos, esta na hora de irmos para igreja, o que você acha Bia?

— Por mim tudo bem, vamos virar cristãos. Acho que vou dormir e rezar para o André quebrar os dois braços e as duas pernas e ainda ter diarreia – disse Beatriz naturalmente e Lucas tossiu e riu ao mesmo tempo.

— Não é para isto que se reza, e Deus não ia realizar isto... boa noite Bia.

Rindo Beatriz voltou para o corredor escuro e passou rapidamente, entrou em seu quarto, trocou de roupa e se deitou. Ela pegou seus fones debaixo de seu travesseiro e logo depois de cantarolar uma musica caiu no sono.

No sonho Beatriz estava tremendo, ouvia gritos atrás das grandes cortinas. Sabia que era gritos animados e ansiosos, ansiosos por ela e por seu talento que do dia para noite ficou conhecido em todo o país.

Um homem sorridente foi ate ela e disse que estava na hora. Nervosa ela sentiu o coração saltar de seu peito, ela estava nervosa, mas ainda sim feliz.

Vestia um conjunto de calcinha e sutiã Victoria Secret´s de oncinha, tinha um rabo de oncinha também, um microfone que descia de sua orelha até sua boca. E um garoto alto parou ao seu lado, era seu dançarino para sua musica de maior sucesso. Não era sua, mas ela fez a musica ser conhecida. Mapa do meu nada.

Subiu alguns degraus e se pôs de costas para a cortina, e quando a cortina ergueu a gritaria aumentou. Ela se virou e o toque da musica começou, ela cantou a primeira parte, os seus fãs fizeram o mesmo, e durante a dança, seu dançarino a acompanhava, fazendo uma bela interpretação da musica.

Quando estava terminando a musica, outra começou a tocar mais alta, ela fechou os olhos pensando que estava fazendo algo errado, mas quando reabriu os olhos ela estava de volta em seu quarto, sozinha e com o pijama branco com anjos em relevo que veio da Itália.

Notas finais
Por favor comentem, divulguem e é isso ae
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.