Você quer ser meu?
20 Uma tarde sozinho e uma pequena vingança
Notas iniciais
Já havia se passado mais de oito dias desde que tudo aconteceu. Minha rotina com o Claude estava até que boa demais, ele continuava me paparicando, cafés-da-manhã na cama, olhares incendiários trocados ao longo do dia e um ou outro beijo roubado, os quais eu fugia antes que meu corpo me traísse e Claude acabasse dentro de mim.
Se eu o queria? É óbvio que sim. Mas dizer que eu não estranhava essa súbita mudança era pedir demais. Eu ainda tinha sérias desconfianças de que isso tudo era um sonho e que eu acordaria com o Claude me dizendo que nós não poderíamos nos relacionar pela diferença de idade e pelo fato de sermos parentes.
Por um lado eu estava feliz com essa mudança do Claude, por outro eu ficava cada vez mais apreensivo e com medo, não por causa dele mas por alguém muito próximo de mim. Desde o whats que o Andrew havia me enviado falando que estava tudo bem no dia seguinte ao da festa, nunca mais nos falamos, isso me deixava muito triste. Embora eu soubesse que o errado foi ele que agiu feito um babaca ficando bêbado na festa e tentando abusar de mim, eu sabia que o verdadeiro Andrew era muito diferente daquilo e, sabendo quem era o pai dele, esse silêncio só me fazia ainda mais preocupado.
Nos primeiros dias, eu não liguei muito com o silêncio dele; ainda estava muito magoado e com raiva, mas depois do terceiro dia me peguei pensando no Andrew. É difícil quando você cria uma rotina de conversar todo dia com uma pessoa, eu já estava acostumado com as mensagens dele de bom dia e boa noite e com os telefonemas sem motivo algum, só para comentar algo bobo. No quinto dia, eu engoli o meu orgulho e liguei para ele, caiu na caixa postal, liguei uma segunda e terceira vez, sem sucesso, e acabei me convencendo de que o Andrew não queria falar comigo realmente.
Infelizmente o mesmo não ocorria com o pai dele. Por três vezes recebi whats do velho, até que o bloqueei. Meu medo ficou agora por conta do Andrew acabar falando aonde eu morava. Só de pensar naquele monstro eu começo a tremer. Pensei em falar sobre isso com o Claude, mas desisti, era uma fase boa e o Claude nunca mais havia tido suas crises de gastrite. Eu tinha certeza que se eu falasse ele iria ficar nervoso e fatalmente teria nova crise. Deixei do jeito que estava, na esperança que ele desistisse de me procurar.
Hoje eu acordei com o Claude entrando no quarto, trouxe a bandeja com cereal matinal de chocolate e leite, além de bolo e um pãozinho de batata; tenho quase certeza que ele quer me engordar com essa quantidade de comida.
_Bom dia — falou pousando a bandeja no meu colo.
_Bom dia — respondi, me sentando e coçando os olhos, sonolento demais para abri-los de vez.
Claude se inclinou e roubou um selinho meu.
_Ei — reclamei, falsamente bravo e peguei a tigelinha com o cereal e o leite.
Ele sentou-se na beirada da cama.
_Não é hoje que você tem aquela reunião sobre o lançamento dos livros BL? — perguntei enfiando a primeira colherada de cereal na boca.
_Sim. Daqui a pouco eu estou indo — respondeu olhando a hora no relógio.
Fiz que sim com a cabeça e continuei comendo. Por isso ele estava todo arrumado para sair. Com a proximidade da festa de lançamento do selo de livros BL na semana seguinte, essa seria a última reunião para acertar os últimos detalhes.
_Vai demorar muito? — perguntei fazendo um biquinho. Era chato ficar sozinho em casa.
Claude fez uma cara de coitado, eu sabia que ele odiava essas reuniões, afinal de contas ele teria que socializar e isso definitivamente não era uma das qualidades de um escritor recluso como o Claude.
_Certeza que vai demorar. Provavelmente o dia inteiro, é a última reunião para a apresentação dos lançamentos então… — suspirou — Haja paciência.
Concordei com a cabeça, eu já estava acostumado com as reuniões dele, sempre eram demoradas.
Terminei de comer e deixei tudo empilhadinho na bandeja. Claude se levantou, ajeitando a jaqueta nos ombros, me levantei também e o acompanhei até a porta.
_Comporte-se hein?! — Claude se inclinou para mim, segurando meu rosto com as duas mãos, nos olhamos nos olhos.
_Claro, eu sempre me comporto.
Nessa última semana Claude andava relativamente mais calmo, claro, afinal, com o silêncio do Andrew e o seu sumiço, na cabeça dele a suposta ameaça havia ido embora; mas mesmo assim, sempre que saía, pedia para eu me comportar...sei lá porque, afinal eu sempre me comportei.
Ele sorriu, se inclinando mais e se eu não me esquivo ele me beijaria. Mas eu virei meu rosto e os lábios de Claude tocaram a minha bochecha.
_Até mais tarde Claude — sorri e fiz um carinho nos braços dele.
Assim que ele saiu o que eu fiz? Corri para a cama e dormi até perto do meio dia!
Quando acordei de vez, com o rosto todo amassado de tanto dormir, fui direto tomar um banho. Vesti um blusão de lã fina verde água e uma boxer, o blusão era largo e comprido o suficiente para que parecesse um vestido, enrolei um pouco as mangas para que não cobrisse totalmente minhas mãos e ajeitei o cabelo. Comi um lámen e assisti uns animes no computador.
Sem o Claude em casa, não havia nada para se fazer. Era perto das dezessete horas e o tédio estava começando a bater, foi quando decidi dançar um pouco no Just Dance. Dancei uma seis ou sete músicas, já estava levemente suado e descabelado quando ouvi a campainha tocar.
“Quem poderia ser?” — pensei, o porteiro não havia avisado nada, devia ser alguém bem conhecido para subir sem ser anunciado.
Abri a porta e as únicas coisas que eu vi foram um enorme buquê de flores do campo multicoloridas e um urso caramelo gigante que era segurado pelo pescoço.
_Mas o que… — balbuciei. Eu não estava esperando encomenda nenhuma e mesmo que estivesse, com certeza o porteiro iria anunciar.
Então a pessoa afastou o buquê para o lado e vi o Andrew por trás. Estava bonito como sempre, com aquela cara de menino bonzinho que quer ser mau e o cabelo negro raspado na parte de baixo.
_Acho que eu te devo desculpas — murmurou, corando muito e olhando para baixo.
Toda a mágoa que eu tinha do Andrew já tinha ido embora há muito tempo, fiquei tão feliz por vê-lo ali, bem. E claro, estava muito surpreso por ele aparecer com aquelas flores e o ursinho que na verdade era um ursão.
Meu coração pulou acelerado.
_Entra — falei.
Andrew deu alguns passos para dentro da sala e empurrou o buquê no meu peito.
_É para você — empurrou também o urso.
_O- obrigado — ri um pouco, peguei as flores e as deixei sobre o sofá, nem tentei pegar o urso junto, ele era gigante.
Ele deu um sorriso tão nervoso quanto o meu, devia ser a primeira vez que ele fazia isso. Com certeza era a primeira vez que eu recebia flores e eu não sabia exatamente o que pensar.
Quer dizer, até a semana passada nós éramos quase como namorados, então o Andrew fica bêbado na festa e tenta me estuprar, brigamos, eu termino com ele, me envolvo com o Claude que subitamente descobriu que me ama e me quer e o Andrew some por oito dias, voltando agora com esses presentes… Cara… é demais para qualquer um.
_Senta, Andrew. Não precisa ficar como se nunca tivesse vindo aqui em casa.
_Você está lindo — ele falou e me olhou dos pés à cabeça. Puxei a barra da blusa para baixo, cobrindo mais um pouco das minhas coxas, subitamente constrangido. Ele percebeu isso e deu uma leve tossida, limpando a garganta.
_Eu queria te pedir desculpas. Eu sei que eu fiz algo muito horrível… eu só não me lembro o quê… — Andrew falou meio gaguejando.
Olhei para ele, estava tão corado e com os olhos meio confusos.
_Não se lembra mesmo? — franzi o cenho.
_Não — negou com a cabeça — Eu sei que eu bebi demais, lembro que a gente brigou, você terminou comigo eu acho e depois não lembro de muita coisa mais.
Me sentei no sofá e puxei o Andrew para se se sentasse ao meu lado. Ele ainda agarrava o urso pelo pescoço como se fosse um lutador de MMA dando uma gravata num oponente.
_Me diz o que foi que eu fiz? — pediu.
_Deixa pra lá Andrew, já foi — neguei com a cabeça.
_Não, eu quero mesmo saber, Alois. Deve ter sido algo muito horrível. Eu lembro vagamente da gente brigando. O que eu fiz? — ele segurou a minha mão.
Respirei fundo.
_Você tentou me agarrar — falei com calma, olhando nos olhos dele.
“Será que ele não se lembrava mesmo? Ou será que só estava com muita vergonha pelas atitudes tomadas?”
Ele ficou em silêncio, olhando para mim.
_Andrew, você perdeu completamente o controle naquela noite, me agarrou e tentou me arrastar para um dos quartos, entende? Você ia me forçar…
_Não! — ele arregalou os olhos.
_Ia sim. Só não conseguiu porque eu o empurrei e consegui fugir — falei baixo, sentindo minha garganta se apertar com as lembranças.
_Me perdoa, Alois — Andrew se aproximou mais de mim, os olhos brilhando pelas lágrimas que ameaçavam cair dos olhos muito negros — Eu … eu não me lembro… não acredito que eu seria capaz de fazer isso. Por favor, me perdoa.
Encarei o meu amigo. Sim, aquele era o Andrew que eu conhecia. O doce e educado Andrew, vi que ele estava falando a verdade, estava verdadeiramente chocado pelo que eu falei e acreditava em cada palavra dita por mim.
_Você sumiu por uma semana — comentei — Achei que estivesse com raiva de mim e não quisesse falar comigo.
Andrew negou com a cabeça.
_Eu fiquei todos esses dias de castigo. Hoje é o meu primeiro dia que eu pude sair de casa.
_O que aconteceu? Foi por causa da festa né? Você passou a noite lá?
Era claro que só podia isso. Nós tínhamos horário para voltar para casa, era óbvio que no estado de embriaguez que Andrew estava, nunca ele teria reunido condições para voltar no horário, uma parte de mim se sentiu culpada por tê-lo deixado lá, devia ter falado com alguém para colocá-lo num taxi. Mas eu tinha ficado tão aterrorizado naquela noite…
Andrew corou, corou muito.
_É… eu não passei a noite em casa. Nem na festa.
Me surpreendi.
_Não? Onde você passou a noite? Com quem?
Andrew mordeu o cantinho do lábio inferior.
_Hum… — murmurou reticente.
Aquilo era muito suspeito, estreitei meus olhos.
_Com quem você estava, Andrew?
_Eu fiquei na casa de um amigo.
_Amigo?? Que amigo?
“Mentira!!!” — minha mente gritou, eu e o Andrew não tínhamos amigos, no máximo eram colegas e nenhum era próximo o suficiente para que levasse Andrew para casa.
Vi que o garoto ao meu lado corou ainda mais, adquirindo um certo tom arroxeado e estranhei bastante isso.
_U-u-um amigo… — gaguejou e mexeu no cabelo, nervoso.
_Que amigo, Andrew? — perguntei mais curioso ainda.
Ele suspirou e baixou os ombros e a cabeça.
_O Alexy — murmurou de olhos baixos.
_O Alexy???? — arqueei minhas sobrancelhas.
_Sério isso? — perguntei sem acreditar muito — Você não agarrou ele né? — falei brincando.
Pela cara que o Andrew fez eu tive certeza que alguma coisa tinha acontecido.
_Agarrou??? — levei minhas mãos à boca, cobrindo-a.
_N-não!!
_Ah, que bom.
_Foi ele que me agarrou.
_Mas o quê???? Como assim? — dessa vez minha voz saiu fina e aguda.
_A..a...a...gente tá namorando.
Certo, agora sim eu estava boquiaberto.
_Como assim????? — repeti desafinado.
Andrew gaguejou e gaguejou, gaguejou tanto que eu achei que eu teria que dar um tapas nas costas dele para que despejasse as palavras, mas no final ele conseguiu.
_Ele viu o meu estado na festa e se aproximou de mim. Eu não sei exatamente como isso aconteceu — cobriu o rosto com as mãos.
_Mas o que aconteceu? — tentei segurar a risada.
Andrew deu um tapa no meu braço.
_ N-nada!
_Ahh… aconteceu sim. Pode ir contando — pressionei.
_Ah.. é que.. ahnn.. bem…
Comecei a rir alto. A expressão de vergonha e constrangimento do Andrew eram hilárias.
_Eu dormi com ele.
Fiquei olhando boquiaberto para o Andrew, sem saber o que falar. Andrew suspirou, como se tomasse coragem para falar.
_Espero que você não fique chateado. Tudo aconteceu tão de repente e eu me lembrava de você terminando o nosso namoro.
Ele olhou para mim, olhos ansiosos. Talvez ele achasse que aquilo tinha sido uma traição. Para falar a verdade, eu estava meio chocado com a notícia mas Andrew parecia feliz e bem, eu nunca consegui amar o Andrew do modo como ele merecia; então, no final das contas eu estava até aliviado por ele me dizer que tinha se envolvido com alguém. Isso diminuiu a minha culpa por ter feito sexo com o Claude naquela mesma noite.
_Está tudo bem, Andrew. Vocês estão felizes?
Ele sorriu.
_Sim. Acho que sim.
Dei um tapinha na perna dele.
_Então me conta como foi? — me ajeitei no sofá — Mas antes, me dê o meu Suzuki-san — estendi os braços.
_Quem?
Apontei o urso que ainda era mantido agarrado.
_Ah — Andrew riu e me entregou o ursão. Ele era muito fofo e macio, tinha uma fita azul com estampa de bolas brancas no pescoço — Você dá nome aos seus bichos de pelúcia?
_Não sei — dei de ombros — Nunca tive um. Mas esse tem cara de Suzuki-san.
Abracei a pelúcia e Andrew riu.
_Isso é muito clichê: um urso chamado Suzuki-san no apartamento de um escritor gay, que escreve romances gays. Vai trocar seu nome por Misaki também?
Mostrei a língua pra ele.
_Não. E o Suzuki-san é meu e não do Claude — abracei mais apertado o urso e Andrew riu.
No final das contas, Andrew me contou o que aconteceu. Quer dizer, me contou mais ou menos, porque ele não se lembrava exatamente da noite da festa. Apenas que acordou na casa do Alexy. E quando chegou em casa, depois que respondeu o meu whats, ficou de castigo todos esses dias.
_Espera aí — o interrompi — Se você ficou de castigo sem sair de casa, como que vocês estão namorando? Você nem se lembra de como foi a noite.
Andrew mordeu o lábio inferior e corou novamente.
_Alexy tem vindo me ver todos esses dias.
_Você falou para os seus pais? Se assumiu?
Ele negou com a cabeça.
_Então? — perguntei.
_Ele pula a minha janela todas as noites e sai antes de amanhecer.
_Andrew… — foi a única coisa que eu consegui falar foi isso, então eu explodi na risada — Que safado você é!
Ele ficou muito vermelho mas acabou rindo também, meio constrangido.
_Então você me perdoa pelo que eu fiz? — perguntou subitamente sério, mudando de assunto.
Sequei minhas lágrimas do riso.
_Claro, Andrew.
_Somos amigos ainda?
_Mas é claro — sorri.
Andrew se jogou em cima de mim, me abraçando e nos desequilibrando, caímos no chão, meio ajoelhados meio sentados.
_Que bom — ele falou — Você é o meu único amigo e eu estava com medo de te perder.
_Nunca — eu respondi.
E foi nesse momento. Nesse miseravelmente momento, que o Claude abriu a porta de casa.
Demorou ainda para eu me tocar de como aquilo pareceu aos olhos do Claude. Mas sim, é claro que ele entendeu errado. E quem não entenderia?
Andrew e eu estávamos abraçados no chão da sala, um buquê de flores sobre o sofá e um urso de pelúcia jogado no outro lado.
E eu fiz exatamente a coisa mais clichê possível.
_Não é nada disso que você está pensando, Claude.
Andrew me soltou e rapidamente nos colocamos de pé. Doeu tanto ver a expressão perplexa do Claude me olhando. Como se não acreditasse no que via.
_Senhor Claude — Andrew falou — Não é isso mesmo. Eu vim aqui falar com o Alois, contar que eu estou namorando.
Claude franziu o cenho.
_É verdade, Claude. — falei rapidamente.
Mas ele entrou e fechou a porta.
_Não quero saber, não é da minha conta — falou e foi para o quarto, afrouxando o nó da gravata no caminho.
_Desculpa, Andrew — falei baixinho.
_É claro que ele entendeu errado. Vocês estão juntos?
Meneei minha cabeça.
_Mais ou menos — respondi.
_Eu vou embora. Assim vocês podem se entender.
_Não tem muito para se entender. Não temos nada de concreto — dei de ombros, angustiado.
“Será que agora vamos voltar à estaca zero?” — pensei.
_Mesmo assim — Andrew respondeu e foi em direção à porta.
O acompanhei e a abri para ele. Então me lembrei que a festa do Claude iria ser na sexta-feira e eu ainda não tinha conseguido comprar a minha fantasia.
_Andrew, o que você vai fazer amanhã de tarde?
_Nada, eu acho. Só vou encontrar o Alexy à noite.
_Tem um tempinho para ajudar um amigo a encontrar uma fantasia?
Andrew sorriu.
_Claro.
Combinamos tudo rapidamente e ele saiu.
Fechei a porta com cuidado, me preparando internamente para uma possível briga com o Claude, ou pior ainda, um possível desprezo.
Fui até o quarto e encontrei o Claude olhando pela janela. Tinha trocado a roupa e vestia uma calça solta e uma camiseta.
_Claude…
_É verdade? — ele me interrompeu — Quem ele está namorando?
_Um colega da escola — falei e me sentei na cama dele, dobrando as pernas sobre o colchão.
_Não é você?
_Não — balancei a cabeça negando.
Claude então se virou para mim e eu vi os olhos dele brilhando. Em poucos passos estava na minha frente, inclinei minha cabeça para cima, olhando o seu rosto. Ele parecia meio frio, meio estranho.
_Claude?
_Alois… nunca mais quero ver alguém te abraçando daquele jeito — Claude se inclinou e veio por cima de mim até eu que estivesse deitado completamente na cama.
Acariciou meu cabelo e rosto e tocou de leve os meus lábios com a ponta dos dedos.
_Estou com muita raiva de você agora — Claude falou.
Eu fechei meus olhos, sem saber o que pensar ou o que falar. E quando os lábios do Claude tocaram os meus e os abri minimamente, e então algo se incendiou entre nós. Claude segurou na minha cintura com uma mão enquanto a outra segurou na minha nuca. O abracei, enrolando meus braços no pescoço dele e o trazendo para mim. Toquei a língua do Claude com a minha, aprofundando o beijo até que ambos estivéssemos ofegantes. Estava ótimo mas eu sabia exatamente o que aconteceria se continuássemos ali.
Empurrei Claude e invertemos as posições. Beijei o pescoço dele e desci beijando por cima da camiseta até chegar no cós da calça. Lancei um olhar provocante e ele sorriu.
Enganchei os dedos no elástico da calça e a puxei para baixo. Apalpei o seu membro sobre a box. Ele endureceu rapidamente.
_Alois… — murmurou e soltou a cabeça com força no travesseiro.
_Está bravo comigo? — perguntei.
_Um pouco — ele me respondeu e eu apertei mais.
Claude gemeu.
_Bravo por quê? Eu não fiz nada.
_Ah… Alois... não quero ninguém se aproximando de você.
Eu acariciei mais a ereção que agora formava um volume considerável.
_Que pena que está bravo comigo. Podíamos fazer algo… — propus e ameacei tirar a box dele — Mas você está bravo não é?
_Não. Não estou — Claude falou e eu sorri satisfeito.
_Que bom! — pulei em cima dele e sapequei um selinho nos seus lábios.
Depois saí rapidamente da cama antes que ele percebesse e me agarrasse.
_O que você está fazendo? Por que parou? — perguntou confuso.
_Não quero mais — sorri e dei uma piscadinha.
Claude bufou.
_Vingança por aquele dia que eu achei que a você e o Andrew transaram né?
Dei de ombros divertido e corri para o meu quarto.
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