Você quer ser meu?

11 Uma conversa e um passeio no parque POV Alois


Notas iniciais
Oie pessoas, Depois de muita demora eu consegui escrever um novo capítulo. Espero que esteja bom! Alguém curioso sobre a conversa do Alois e Andrew depois daquele bilhete? Então agora vai ser mostrado o que aconteceu. Ficou meio grande para os meus padrões. Eu sempre tento postar capítulos entre 2 e 3 mil palavras para não ficar muito cansativo. O capítulo cobre cerca de quinze a vinte dias por isso ficou grande. Aproveitem.

Depois que li aquele bilhete que o Andrew me deu, senti meu rosto pegar fogo, tanto que o professor até perguntou se estava tudo bem, tentei disfarçar na hora e dobrei o bilhete colocando-o no meu bolso para jogar fora depois, quando estivesse em cada e longe dos olhares curiosos dos outros alunos. Acho que ninguém viu o papel mas era melhor não arriscar.

A aula terminou e o professor saiu da sala carregando a pilha de livros debaixo do braço; os outros alunos se levantaram e aproveitaram para se juntarem em grupinhos e conversar enquanto o próximo professor não chegava. Aguardei o Andrew virar para conversarmos como ele sempre fazia mas dessa vez não, ele continuou virado para frente, de cabeça baixa.

Foi assim na terceira aula também, e minha língua formigava querendo conversar.

Deu o sinal e saímos lado a lado para o intervalo, guardamos nossos livros nos armários e eu não me aguentei.

_Você não vai falar comigo?

Ele tomou um susto pelo som da minha voz depois de todo aquele silêncio.

_V-vou — gaguejou corando — Só não sei o falar…

_Fala qualquer coisa. A gente nunca teve esse problema.

Andrew estava envergonhado, eu podia ver isso claramente; na verdade, eu também estava constrangido. Nunca imaginei que fosse receber uma declaração, ainda mais do meu amigo, aliás, nunca imaginei que o Andrew também gostasse de garotos, ele nunca havia dado nenhum sinal.

Mas agora a verdade era essa.

“Se bem que pode ser que eu tenha entendido tudo errado e que ele tenha dito aquelas coisas num outro sentido, não é?” — pensei.

Nós nos olhamos por alguns minutos. Ambos querendo falar mas sem muito assunto. O único assunto pertinente era o tal bilhete e era o único também que queríamos evitar a qualquer custo.

Nem percebemos que estávamos parados no meio do corredor, um de frente para o outro nos encarando.

_Agora só falta o beijo. Beija a princesa — o carinha do terceiro ano aparatou do nada e empurrou nossas cabeças, aproximando-as bruscamente.

Foi por pouco que não nos beijamos, no último segundo afastamos nossos rostos. O cara saiu andando calmamente e o Andrew foi atrás dele. Corri atrás do Andrew antes que ele batesse no idiota mas não fui rápido o suficiente.

Andrew o alcançou por trás e o puxou pela gola do blusão do time de lacrosse, o cara se desequilibrou e Andrew o empurrou de encontro aos armários causando um barulhão de metal.

_Seu imbecil! Você acha que é quem, seu merda? — gritou segurando o outro pelo colarinho, impedindo-o de sair.

O cara era bem maior que o Andrew, eu não queria nem ver a surra que o meu amigo ia levar. Puxei-o para trás pelo braço mas ele nem se mexeu.

_Ui, tá bravinho?! Quem manda ficar de namorico no meio do corredor, sua bicha?

Vi o Andrew ficar vermelho e puxar o punho para trás preparando o soco. O cara também percebeu que ia apanhar, porque tentou afastar o rosto e fechou um olho, se preparando para o golpe.

_Não Andrew, não faz isso. Não vale a pena — argumentei. Casos de brigas dentro da escola eram severamente punidos. Não queria que o Andrew passasse por isso.

Ele pareceu me ouvir por um momento, então o retardado tinha que estragar tudo.

_Isso mesmo. Ouça a sua princesa.

Andrew trincou os dentes e apertou o pescoço do outro, deixando-o vermelho, o punho veio com tudo mas no último segundo uma mão o segurou, impedindo-o de acertar a cara do outro.

Todos os três — eu, Andrew e o cara — olhamos para trás para ver quem tinha impedido aquilo. Era um aluno do primeiro ano, não me lembro exatamente o nome dele, acho que era Alexy, era da mesma turma de amigos do retardado que aliás eu me nego a dizer o nome dele, mas era Anton.

_Desculpe o meu amigo — falou calmo mas seu olhar era duro e Andrew o soltou imediatamente — Ele tem sérios problemas mentais: preconceito.

O idiota se afastou um pouco, tossindo.

_Deixa que eu cuido dele — Alexy falou puxando o amigo pelo ombro. Miraculosamente o idiota não falou mais nada, foi caminhando de cabeça baixa ao lado do amigo de cabelos castanhos claros.

Voltamos à posição original: os dois se olhando sem muito o que dizer.

Por fim Andrew perdeu a paciência.

_AAAAAAAAAAAAAA — gritou frustrado elevando as mãos para o alto — Que dia esquisito!

_Esquece cara. Tem dia que a gente nem devia sair da cama.

Ele olhou para mim.

_Você está falando isso por causa do bilhete? Foi tão ruim assim?

Me espantei.

_Não. É claro que não.

Ele ainda olhou para mim desconfiado.

_Acho que a gente devia conversar sobre o bilhete — comentei, coçando a nuca, meio sem jeito.

_Você está bravo?

_Não.

Ouvimos o sinal de fim do intervalo, nem deu tempo de comer alguma coisa. Corremos para os nossos armários e pegamos os livros para o segundo período.

Foi uma tortura assistir até o fim das aulas. Eu ficava pensando no que eu ia falar, como eu ia falar. Estava uma pilha de nervos, principalmente porque não sabia exatamente o que estava sentindo em relação à isso.

Não prestei atenção nenhuma ao que os professores falavam, o meu corpo estava ali mas a minha cabeça estava bem longe. Foi muita coisa para um dia só: a noite com o Claude, o fora dele na manhã seguinte, o idiota do terceiro ano nos provocando duas vezes no mesmo dia e,é claro, o bilhete com a declaração do Andrew!

Quando finalmente deu o sinal indicando a hora da saída fomos até os armários e guardamos o material ali. Andrew me olhava de soslaio, parecia que tinha medo de me encarar.

_O Claude não vem te buscar?

Fiz que não com a cabeça.

_Falei para ele não vir. Vem, vamos no Harnold´s.

Era uma lanchonete que ficava no meio do caminho, nem muito longe da minha casa nem da dele. Caminhamos em silêncio até lá e entramos na porta de vidro que tilintou um sininho assim que passamos por ela. Era uma lanchonete tipicamente americana — um balcão longo com vários banquinhos redondos e giratórios, a partir do meio do salão até o fundo várias mesas dessas com bancos inteiriços estofados de couro vermelho tomavam conta do ambiente.

Escolhi uma mesa no fundo do salão onde teríamos alguma privacidade, o local estava um pouco cheio por causa do horário de almoço. Logo a garçonete surgiu e anotou nossos pedidos: um hamburger duplo para Andrew e uma porção gigante de batata frita com bacon frito para mim.

_E para beber? — perguntou a loira mascando chiclete.

_Coca-cola, com limão e muito gelo — falou Andrew e olhou para mim, esperando o meu pedido.

_Milk shake de baunilha — pedi e confesso que foi por influência do anime que eu estava assistindo no momento, o personagem principal adora essa bebida.

A moça saiu apressada para preparar o pedido.

Olhei para Andrew e ele afastou o olhar.

_Você vai ficar assim?

_Estou meio sem jeito.

_Não devia ter dito nada então.
_Não falei, nem isso eu tive coragem — lamentou.

Suspirei.

_Andrew, pára de bobagem. Vamos conversar direito. O que você quis dizer naquele bilhete?

Ele olhou para mim.

_Você não entendeu?

_Entendi. Só não sei se entendi direito.

_Entendeu sim.

Franzi as sobrancelhas.

_Eu nunca soube. Você não dava pinta.

A moça chegou com os pedidos e a conversa foi interrompida.

Comi algumas batatinhas e ele atacou o sanduíche.

Passaram vários minutos antes dele falar:

_Eu não sei o que eu sou, Alois.

Fixei meus olhos nele.

_Você falou que nunca soube...Nem eu sabia — se explicou — De repente comecei a ver você de outro jeito.

Puxei um gole do milk shake pelo canudo.

_Não sei quando foi nem como, só sei que comecei a invejar o seu tio. Queria que você fizesse aquilo comigo, me provocasse também. E-eu n-não iria recuar.

Ele corou fortemente. E eu mais ainda.

“Uau” — foi a única coisa que eu pensei. Mas Andrew me encarou, aguardando que eu falasse alguma coisa.

Bebi mais alguns goles do milk shake, nervoso.

_Eu eu não sei bem o que falar, Andrew — fui sincero com ele — Fiquei meio surpreso sabe?

_Eu sei, eu sei.

Ele terminou de comer o hamburger de cabeça baixa e limpou a boca com um guardanapo, depois lambeu a ponta dos dedos, tirando o restinho do molho que havia escorrido e os secou no papel.

Andrew parecia triste e com certeza estava envergonhado. Não queria que meu amigo ficasse assim.

_Desculpe por ter feito isso, eu não devia ter te dado aquele bilhete é só que… Puta merda, eu vejo você correndo atrás do Claude e o cara nada… só fica te afastando. Você merece mais, Alois.

Talvez o que ele disse fizesse sentido. Eu sei que estou pressionando o Claude e que por enquanto ele só foge. Talvez eu esteja bancando o bobo.

_Talvez — respondi — Mas a gente não escolhe de quem gosta, não é Andrew?

_Não mesmo.

_Não mesmo — repeti a fala dele — Eu queria poder te corresponder.

Falei sinceramente e cobri a sua mão que estava pousada no tampo da mesa com a minha, ele acariciou um pouco os meus dedos e eu puxei minha mão de volta.

_Eu não quero que você se afaste de mim, Alois. Você acha que a gente ainda pode ser amigos mesmo eu te amando?

“Te amando????? Céus!!!”

Tomei o resto da minha bebida, tentando acalmar os nervos.

_Eu acho que você só está confuso, Andrew. Não deve ser amor, você deve estar enganado — comentei.

Ele riu e eu o encarei melhor.

_A história se repete não é?

Fiz uma expressão interrogativa.

_Você está repetindo as mesmas coisas que o Claude te fala.

“Putz, era verdade! E eu odiava quando ele não levava a sério os meus sentimentos”.

_É verdade. Me desculpa, Andrew. Eu acredito em você e nos seus sentimentos, mas eu não posso correspondê-los. Até queria, acho que seria bem mais fácil, mas não é assim que acontece.

_Eu sei. Eu sempre soube que não tinha chance com você. Só quero ser seu amigo.

Sorri para ele.

_Você já é o meu amigo. O meu único amigo.

Ele sorriu de volta.

_Posso me aproximar de você então?

Achei que ele queria um abraço de reconciliação, então me levantei e fui até o seu lado do banco, escorreguei para o seu lado, passei os meus braços pelo seu pescoço e aproximei nossos corpos. Senti ele se surpreender e depois envolver os braços na minha cintura.

O abraço durou alguns poucos segundos.

_Amigos então? — perguntei mostrando o dedo mindinho estendido numa brincadeira totalmente infantil, ele riu e entrelaçou o mindinho dele no meu e apertamos os dedos.

Ficamos mais uma hora conversando sobre coisas mais amenas: falando mal de um ou outro colega da sala, do professor de história que deu aula com o zíper da calça aberto e claro, sobre como o idiota do terceiro ano estava irritando e como surpreendentemente o Alexy conseguiu controlar a língua ferina do amigo.

Já era mais de duas da tarde quando finalmente pagamos a nossa conta. Andrew estava conversando quase normalmente comigo e eu me sentia meio estranho, ficava com medo de fazer alguma brincadeira e ele achar que eu estava dando mole. Não que o meu amigo fosse de se jogar fora, ele era muito bonito: a pele bem clarinha contrastando com os cabelos pretos e lisos, cortados meio no estilo punk com a parte de baixo raspada e a de cima bem mais longa presa num rabo de cavalo, era quase tão magro quanto eu mas era mais alto também e tinha olhos negros muitos expressivos.

O problema não era ele ser pegável ou não — até porque ele era, bastante — o problema era que eu só sentia amizade por ele e não ia me aproveitar do seu sentimento por mim para suprir a minha carência.

Andrew me acompanhou até perto de casa quando então se desviou para ir à academia. Paramos duas esquinas antes.

_Então está tudo acertado entre nós? — perguntei.

_Está — ficou alguns segundos em silêncio — Alois, eu não quero que você fique estranho comigo, quero que continue exatamente como é.

_Ok — sorri para ele.

_E, eu quero que você saiba que, se não conseguir conquistar o Claude, eu estarei ao seu lado, esperando a minha vez.

Caramba, é difícil não ficar abalado ouvindo essas palavras. Meu coração acelerou.

_Não pensa assim, Andrew.

Eu não queria que ele tivesse esperanças.

_Tudo bem, tudo bem. Só quero saber se eu posso me aproximar de você?

Arregalei meus olhos.

“O que ele queria dizer com isso? Outro abraço?”

Ele percebeu e se apressou em falar.

_Não é isso. Não vou tentar nada.

_Ah tá. T-tudo bem então.

Ainda demos um abraço rápido, meio sem jeito e eu caminhei para casa.

Quando cheguei no apartamento Claude tentava disfarçar o nervosismo pelo meu atraso, até porque eu não havia ligado avisando que ia chegar mais tarde. Passei por um breve interrogatório e não deixei de provocá-lo um pouco.

Os dias foram passando e eu percebi o que o Andrew quis dizer com “aproximar”. Ele simplesmente começou a se comportar como meu namorado na escola, quer dizer, ele não tentava me beijar nem segurar minha mão mas sabe quando o cara fica próximo a você quase como um guarda-costas e não deixa ninguém se aproximar? Então, ele fazia mais ou menos isso, e uma ou duas vezes eu senti ele me segurando pela cintura de modo protetor, na hora em que dava o sinal e vinha aquela avalanche de alunos querendo sair correndo da escola.

Não vou dizer que eu não gostei do cuidado e talvez eu tivesse que ter cortado logo mas não fiz, deixei rolar e um dia ele estava encostado na parede do pátio durante o intervalo, eu tomava uma latinha de coca-cola. Andrew estava lá encostado na parede com as pernas meio que escorregando e simplesmente me abraçou por trás, me puxando pela cintura e colando minhas costas no seu peito. Me assustei com aquilo e quis sair mas ele me olhou com aqueles olhos pidões.

_Só um pouquinho — pediu.

Eu sabia que estava agindo errado mas relaxei no seu abraço e ele me envolveu a cintura com os braços, pude sentir a respiração dele na minha orelha mas como ele estava nas minhas costas não tinha como saber como era a sua expressão.

Levei a latinha para trás, oferecendo o refrigerante para ele que tomou alguns goles por cima do meu ombro, do mesmo canudo do que eu.

“Isso vale como um beijo indireto?” — pensei voltando a tomar o restinho.

Vi a turma do idiota surgir andando do refeitório em nossa direção e sinalizei com a cabeça na direção deles.

_Melhor a gente se afastar — comentei.

Se o idiota já encrenca sem a gente fazer nada, imagina vendo a gente abraçado desse jeito? Mas o Andrew não me soltou por nada.

_Deixa — falou simplesmente e eu não consegui me soltar.

Eu já estava até vendo a encrenca acontecer mas eles passaram direto, vi o retardado dar uma olhada rápida e se afastar de cabeça baixa, ao contrário do Alexy que ficou nos encarando por um bom tempo.

Aquilo foi muito estranho. Tão estranho quanto eu estar abraçado pelo meu amigo daquele jeito.

Andrew apoiou o queixo no meu ombro e falou baixinho perto do meu ouvido.

_Viu como não aconteceu nada?

Balancei minha cabeça, mantendo meu rosto para frente, se eu virasse um pouquinho que fosse, nossas bocas se encontrariam.

Puxei um pouco do refrigerante pelo canuto, nervoso, mas já tinha acabado e fez aquele barulho característico de lata vazia.

_Vou jogar no lixo — comentei tentando me afastar mais uma vez.

_Deixa que eu jogo — Andrew falou tirando a lata da minha mão e saiu em direção à lixeira, não sem antes me dar um beijo no rosto.

A situação estava se complicando, e muito.

Eu tinha que fazer alguma coisa, não podia seguir por esse caminho.

No final das aulas, antes que nós guardássemos nossos materiais eu o puxei pelo braço assim que nós saímos da sala, paramos ao lado da porta e esperamos o fluxo maior de alunos passarem. Ele me olhou com aqueles olhos interrogativos.

_Precisamos conversar — falei sério.

Percebi que ele engoliu em seco.

“Que coisa mais clichê” — pensei meio divertido meio apreensivo.

Assim que a avalanche passou ele virou para mim.

_Fala.

Respirei fundo.

_Andrew, isso não vai dar certo. Não é correto você ficar do jeito que está, me abraçando, me protegendo assim.

_Você não gosta?

_Não é isso. É que eu sinto como se estivesse me aproveitando de você.

_Eu não me importo de ser aproveitado por você.

“Acho que é assim que o Claude se sente em relação à mim” — pensei começando a entender o lado do meu meio-tio. A diferença é que eu acho que o Claude gosta de mim de um jeito que eu não consigo gostar do Andrew.

_Não fala assim. Eu me sinto mal, não quero te enganar, te dar falsas esperanças. Eu ainda gosto do Claude.

Ele sorriu para mim, um sorriso doce.

“Como ele pode agir assim?”

Sentia um misto de ternura, carinho e culpa.

_Eu sei que você gosta dele — Andrew se aproximou e segurou meu rosto entre as mãos — Eu não quero que você mude seu jeito com ele, continue o provocando e me contando o que acontece. E não se preocupe comigo, só me deixe ficar ao seu lado.

_Eu sinto como se estivesse te traindo — falei baixinho, olhando para o lado.

Andrew abriu um sorriso enorme.

_Quer dizer que você sente alguma coisa por mim?

_Mas é claro. Eu sou seu amigo, não quero te machucar.

Ele ainda segurava meu rosto, com cuidado e carinho.

_Alois — chamou meu nome como se fosse um sussurro — Nós estamos em um jogo, você quer o coração do Claude e eu quero o seu. Continue com as suas jogadas e eu continuo com as minhas. Vamos ver quem ganha, ok? Não se sinta mal por continuar tentando o Claude.

“Andrew é o cara mais diferente que eu conheci na vida. Se fosse o contrário eu estaria com ciúmes” — pensei enquanto ele acariciava minhas bochechas com os polegares.

Achei que ele ia me beijar mas ele não o fez e eu me senti aliviado.

_Melhor a gente ir não é? — perguntou — Claude já deve estar te esperando lá fora.

Assenti com a cabeça e a gente saiu. Como Andrew havia falado, Claude me esperava fora do carro, encostado no capô e com os braços cruzados.

Me despedi do Andrew e ele falou que depois ligaria para mim, percebi que o Claude não gostou nada do jeito que ele falou comigo mas eu não podia fazer nada. Estava muito confuso com tudo o que estava acontecendo comigo e não sabia exatamente quais sentimentos estavam rolando dentro do meu peito. Eu gosto do Claude, todas as vezes que fantasio é com ele, são os beijos dele que eu quero mas também não posso dizer que toda aquela doçura do Andrew não me atingia também, era gostoso ser querido assim.

Resolvi tentar deixar todo esse assunto de lado, ele havia dito para eu continuar com minhas jogadas, que ele continuaria com as dele. Acabei chamando o Claude para tomar sorvete na sorveteria nova que estava inaugurando, tivemos que passar no apartamento porque ele é um esquecido e não pegou a carteira e enfim, tive que ver aquela cena quente dos vizinhos da cobertura se pegando no elevador. Ai que inveja! E o Claude lá, fazendo cara de parede branca…

Fomos até a sorveteria e eu pedi uma banana split, estava morrendo de vontade de comer uma mas quando ela chegou eu não conseguia nem comer direito de tanta coisa que tinha, resolvi comer as cerejas e quando percebi que o Claude olhava para mim daquele jeito resolvi jogar um pouquinho, só um pouquinho.

Não tive culpa se ele ficou todo agitado, respirando rápido e com o rosto vermelho daquele jeito.

Naquela noite ele ligou para mim perto das onze horas da noite, ficamos conversando por um tempo e eu contei para ele sobre o casal do elevador, ele riu e quis saber todos os detalhes e é claro que eu contei.

_E o Claude? — perguntou.

_Fez cara de paisagem — respondi.

_E você não o provocou?

Fiquei meio constrangido de falar, mas respondi.

_Provoquei. Falei que eu queria que ele me prensasse daquele jeito no elevador.

Silêncio…

_Andrew?

_E ele?

_Adivinha?

_Falou que não.

_Acertou.

_Quer que eu vá até aí andar de elevador com você? — se propôs.

Senti meu rosto ficar vermelho.

_Andrew…

Ouvi a risada nervosa dele pelo telefone.

_Eu sei, eu sei. Boa noite, Alois.

_Boa noite Andrew.

Desligamos depois de uma hora de telefonema.



***



Na semana seguinte, Andrew me chamou para ir no parque no sábado, queria correr mas não queria ir sozinho.

_Você sabe que eu sou meio preguiçoso,não é?

_Sei, por isso mesmo estou te chamando — comentou feliz.

_Sei não — dava preguiça só de pensar que eu teria que acordar cedo no final de semana.

_Vamos vai. Depois a gente pode tomar sorvete!

“Isso é golpe baixo” — pensei.

Ele sabe que eu sou doido por sorvete.

_Tá bom. Às nove então?

_Tudo bem.

O sábado chegou rápido e eu rolei para fora da cama com uma preguiça monstro. Claude já estava acordado e tinha preparado o café da manhã, estranhou o fato de eu sair do quarto com um short de corrida e uma camiseta fininha.

_Aonde vai? — perguntou se levantando do sofá para me servir.

_Vou ao parque. Tem leite? — perguntei sentando-me à mesa.

Ele encheu a xícara e eu peguei o pote de achocolatado.

_Num sábado de manhã? — estranhou.

_Vou dar uma corrida — falei e peguei uma torrada, passando geléia de morango. Ele se sentou ao meu lado.

_O apocalipse está próximo!

Dei um tapinha no seu braço.

_Que exagero!

Comi mais duas torradas e terminei o leite.

_Acho que eu vou também — comentou e eu gelei, quer dizer, não tinha motivo para eu gelar mas eu gelei.

_T-tudo bem. Mas eu vou com o Andrew.

Vi ele murchar.

_Ah. Então eu fico.

_Não tem problema você ir. Vai ser legal — tentei consertar.

A questão é que depois do caso do quarto quando o Claude achou que eu e o Andrew estávamos nos agarrando, a relação dele com o Andrew ficou tensa. Claude tinha ciúme do Andrew e tinha motivo para ter até certo ponto porque o garoto estava tentando me conquistar. Imagino que um passeio no parque com os dois fosse ficar tenso mas não queria falar para o Claude não ir para não dar a impressão que eu estava tendo um encontro com o meu amigo.

_Deixa. Eu sou escrever um pouco — comentou como se não tivesse ficado chateado.

_Eu volto logo, tudo bem? Depois a gente passeia. Só nós dois.

Abracei ele e consegui sapecar um selinho nos seus lábios. Ele pareceu se animar um pouquinho.

Peguei minha mochila e saí.

O parque ficava meio longe de casa mas ainda dava para ir a pé. Me encontrei com o Andrew na entrada, escolhemos uma área gramada debaixo de uma árvore e eu estendi uma colcha no chão e me sentei em cima.

_A gente não ia correr? — perguntou Andrew olhando o tecido estendido.

_Você vai, eu fico aqui.

_Você não tem jeito.

Balancei minha cabeça negativamente num movimento exagerado e sorri para ele.

Logo Andrew foi correr. Deitei no chão com os braços sob a cabeça. O dia estava bonito e o parque ainda estava vazio.

Cerca de trinta minutos depois ele voltou.

_Já?

_Não tem graça sozinho.

_Sou uma péssima companhia para esportes — comentei em tom de desculpa.

_Sem problemas.

Andrew se jogou ao meu lado, se deitando de lado e apoiando a cabeça com a mão. Ele nem estava suado, duvido que tivesse corrido, deve no máximo ter feito uma caminhada leve.

Fiquei olhando o céu e conversando com ele coisas bobas, amenidades sobre a escola e sobre Claude.

Não sei como aconteceu mas de repente Andrew estava sobre mim, quer dizer, metade do seu tronco estava, seu rosto se aproximando perigosamente do meu.

Eu devia tê-lo impedido, ter afastado ele quando percebi que ele ia me beijar, mas eu não fiz e os lábios dele tocaram os meus. Eu apoiei meus braços nos seus ombros e ele me abraçou pela cintura e percebi que suas mãos tremiam, acho que era nervoso. Andrew começou a mover os lábios e eu acompanhei o beijo.

Era gostoso, seu beijo era calmo e morno. E mesmo quando eu abri minha boca e ele tocou minha língua com a dele, o beijo continuou calmo e morno. Eu podia ficar ali para sempre, era cômodo. E esse era o problema, o beijo era calmo, morno e cômodo demais. Não fazia a minha cabeça girar, nem meu sangue ferver nem meu estômago se apertar de ansiedade como eu senti quando beijei Claude.

Depois de alguns minutos Andrew terminou o beijo com vários selinhos.

Abri meus olhos e olhei para ele, estava muito corado, eu não devia estar diferente. Ele acariciou meus cabelos e eu fiz o mesmo, afastando as mechas negras frontais, descobrindo seu rosto.

_Por que fez isso? — perguntei calmamente.

_Não resisti. Você podia me dar uma chance, não podia?

Olhei para ele, Andrew agora me parecia mais pálido agora o que realçava muito o negro do seus cabelos e olhos.

_Você parece o Nico.

Ele franziu as sobrancelhas.

_Quem???

_O Nico di Angelo.

Ele se afastou alguns centímetros mas continuou quase em cima de mim, com as mãos na minha cintura.

_Eu aqui, me declarando e você me comparando à um personagem de livro!!!

_Ei, eu gosto do Nico. Ele é fofo.

_Não acredito nisso!!!

_Mas vocês se parecem — argumentei — Olha só: os dois são pálidos, têm cabelos e olhos pretos… só falta as olheiras para você ficar igual à ele.

Andrew sorriu para mim e eu percebi que ele não tinha ficado chateado pela quebra proposital do clima.

_Que seja, então — Andrew cravou os olhos em mim — Você não quer ser o meu Percy?

“Aiiii que fofura!!!”

_Você sabe que o Nico não fica com o Percy, não é? Ele fica com o Will Solace.

Ele riu.

_Seja o meu Will então.

_Ai, Andrew.

“Que situação!!! Ele estava me pedindo mesmo em namoro????”

_Olha só: eu sou moreno como o Nico, você é loiro igual ao Will… É o destino — falou esperançoso.

_Bobo — dei um tapinha no seu braço.

Voltei para casa perto do meio dia. E sim, nós ficamos. Trocamos alguns beijos e nenhum deles me fez me sentir quente.

Infelizmente, cheguei à conclusão que era só amizade mesmo. Pelo menos até agora.

Notas finais
E agora? Alguém shippa o Andrew x Alois? Particularmente eu acho o Andrew muito fofo. Mereço comentários? Beijos