Você quer ser meu?

19 Um dia seguinte e um cinema


Notas iniciais
Olá pessoa lindas, Estou muito feliz, muito feliz mesmo, a Você quer ser meu? recebeu a primeira recomendação! Isso não é demais? Fiquei felicíssima. Agradeço muito o carinho. Dedico esse capítulo à Black Fenix que fez a recomendação linda. Agradeço também à todos que comentaram. Vamos à leitura?

POV ALOIS

Acordei com um barulho na cozinha, minha cabeça doía assim como o meu traseiro, com aquela dorzinha característica. De repente a avalanche de lembranças da noite passada soterraram o meu cérebro: eu perdido, Claude indo me buscar, nós dois nus sobre o sofá da sala transando totalmente melados de chocolate, senti minhas faces esquentarem e meu membro pulsar só de lembrar em como ele me tomou, e como foi bom tudo aquilo.

Mas a lembrança do Andrew também estava lá, e eu fiquei imensamente triste por tudo o que aconteceu e como aconteceu. Sim, eu estava magoado com ele mas eu acima de tudo sabia que aquele não era o Andrew; ele não era assim. Estava também preocupado com o destino dele.

“Como será que ele voltou para casa?”

“Será que está bem?”

Eu me sentia um pouco culpado por tê-lo abandonado na festa. Mas não tive outra alternativa, agora era rezar para que nada de ruim tivesse acontecido com o meu amigo. Porque ele ainda era o meu amigo e eu esperava que ainda continuasse sendo. Andrew me disse coisas horríveis, mas de certo modo, ele tinha razão. Se fosse Claude ali, eu teria cedido; teria cedido às apalpadas públicas, teria cedidos aos amassos contra a parede, teria ido para o primeiro quarto que estivesse vazio e teria feito sexo com ele. Assim como fiz ontem no sofá da sala.

Olhei o celular — nenhuma mensagem. Eram quase onze horas da manhã. Poderia ligar para o Andrew, mas ia falar o quê?

O barulho da porta do quarto se abrindo chamou a minha atenção e eu me sentei na cama. Claude entrou carregando uma bandeja, assim como no dia anterior, um sorrisinho involuntário e bobo surgiu nos meus lábios.

_Bom dia — ele sorriu. Um sorriso grande.

_Bom dia, Claude — respondi e peguei a bandeja que ele colocava na minha frente.

De novo ela estava repleta de coisas gostosas: tortinhas de morango e creme, biscoitos de nata, leite achocolatado que ele sabe que é sagrado para mim de manhã, pão comum, pão de frios e bolinhos recheados de chocolate.

_Desse jeito você vai me engordar. Vou virar uma bolotinha — falei divertido, tentando escolher por onde começar a comer.

_Engorda nada, você come come e nunca engorda. E mesmo que engorde, vou gostar de você assim mesmo — falou e roubou um dos biscoitinhos.

“Quanta diferença… Semanas atrás ele estaria me repelindo, falando que nós não podíamos porque somos parentes”

Não falei nada porque, claro, não queria parar de ser paparicado, tomei um golinho do leite e joguei um dos biscoitos na boca, ele derreteu macio na minha língua.

_Como você está? — me perguntou e eu estava tão entretido com aquele monte de comida que nem entendi direito.

_Hum?? — minha boca estava cheia com a tortinha.

_Você está bem? Não está...sei lá...dolorido?

As bochechas de Claude ficaram rosadas e eu achei aquilo fofo.

_Ah, um pouco mas tudo bem. Não é nada que eu não vá me recuperar — dei outra mordida na tortinha.

Terminei de comer a torta, lambendo o creme que havia sujado os dedos e tomei todo o leite, meu estômago estava mais do que cheio e eu pus a bandeja de lado.

_Estava uma delícia. Obrigado! — me ajoelhei na cama e dei um beijo na sua bochecha.

Puxei o edredom e me levantei, ainda estava semi nu, só de boxer mas eu nunca tive vergonha de ficar nu na frente do Claude e não ia ser agora que eu teria, ainda mais depois de ontem em que Claude lambeu chocolate do meu corpo todo.

Só de lembrar da cena novamente meu corpo esquentou e ali estava o meu meio-tio me olhando com olhos cobiçosos- eu já havia visto aquele olhar, mas antes ele tentava disfarçar os olhares — sentado na minha cama fofa e quente. Seria tão fácil pular em cima dele e a gente repetir a cena de ontem…

“Não, Alois! Se controle! Deixe ele passar vontade!”

Mas Claude havia mudado o seu jeito, estava se libertando ou sei lá o quê pois assim que eu passei por ele ainda sentado para sair do quarto, fui capturado por braços fortes que me seguraram pela cintura e me puxaram contra ele.

_Já tem alguma resposta? — me perguntou olhando para a minha boca.

Passei a língua lentamente pelos meus lábios e estreitei os meus olhos. Eu sabia ser provocante.

_Resposta? Sobre o quê?

Claude me apertou mais e tentou alcançar o meu pescoço mas eu espalmei minhas mãos no seu peito e impedi o avanço, mesmo que estivesse louco pela carícia.

_Você sabe. Me dar uma chance.

_Ah isso. Não, ainda não tenho uma resposta — falei como se não tivesse importância nenhuma.

Ele fez uma cara de desgosto e eu quase ri. Então passei as mãos pelo seu peito e ombros, acariciando até meus dedos tocarem o seu pescoço, percebi que a sua respiração se alterou levemente.

_Me deixe te provar como pode ser bom se você disser sim — murmurou.

Permiti que ele me puxasse mais e deixei que seu rosto se escondesse no meu pescoço. Claude inalou profundamente e eu me arrepiei, meu pênis começou a endurecer e eu me afastei antes que ele começasse a beijar o meu pescoço e eu fraquejasse.

_Tenho certeza que vai ser bom. Só não sei se quero mais — falei e me livrei dos seus braços.

_Alois…

_Calma Claude, sem drama. Nem acordei direito — falei divertido, dei uma piscadinha e joguei um beijo no ar para ele antes de ir para o banheiro.

O problema era que eu estava de férias e Claude trabalhava em casa, ou seja, muito tempo juntos no mesmo espaço. O risco de eu me deixar levar era enorme.

Tomei meu banho e quando saí do banheiro, Claude já estava enfiado no seu escritório escrevendo o raio do livro, passei em frente à porta e o vi digitando furiosamente, pelo jeito estava inspirado.

Entrei na cozinha e tomei um susto.

_Claudeeee!!!! — falei alto, quase gritando. Ouvi o barulho de algo caindo no escritório, no mínimo ele havia tomado um susto e batido em alguma coisa. Logo surgiu na porta.

_ O que foi???

_O que foi????? Eu que pergunto: o que aconteceu aqui??? — mostrei para ele a cozinha e e o estado que ele a deixou.

Claude olhou para o chão, depois ajeitou os óculos no rosto e então juntou todo o pouco de dignidade que ele tinha e falou:

_Eu … bem… esqueci de pôr a tampa do liquidificador quando fiz a massa das panquecas.

Tinha massa por todo lado: armários, pia, fogão, chão — tudo estava cheio da massa que escorria. Quase arranquei os cabelos, foi exatamente por isso que eu assumi a cozinha: a mistura Claude mais cozinha era algo explosivo e perigoso. Desde que eu vim morar com ele, Claude conseguiu queimar o microondas e explodir uma panela elétrica. Era um perigo!

_Pode largar o seu livro e vir ajudar nessa bagunça — falei sério.

_Sim, senhor! — Claude bateu continência e eu dei um tapa na sua barriga.

_Vamos logo — pegamos algumas folhas de papel absorvente e tiramos o grosso da sujeira, depois Claude pegou um balde com água e produtos de limpeza e panos para que pudéssemos limpar melhor.

A massa já estava meio seca e portanto tinha que esfregar.

_Tsc — estalei a língua no céu da boca e peguei o pano molhado, me abaixei no chão e comecei a esfregar; Claude começou a fazer o mesmo.

Eu estava perto da pia, concentrado limpando ajoelhado no chão, Claude se ocupava de limpar perto dos armários. Muitos minutos depois estávamos quase acabando quando fui repentinamente agarrado pela cintura, Claude se ajoelhava sobre mim, me cobrindo com seu corpo.

_Você cheira bem — murmurou afundando o nariz na minha nuca. Meu corpo se arrepiou completamente e isso reverberou no meu baixo ventre.

_Claude! — tentei impor um tom sério na minha voz.

_Mas é verdade, você tem — suas mãos se encaminharam para cima, entrando por baixo da minha camiseta e deslizando até o meu peito.

_Deve ser porque eu acabei de tomar banho — falei, querendo fugir das suas mãos, engatinhei pela cozinha me afastando daquele homem lindo.

_Não. É um cheiro só seu. O mesmo que eu senti ontem também — falou e puxou o meu pé, me desequilibrando e fazendo com que eu caísse de vez no chão.

Claude então me puxou de volta e me virou de barriga para cima. Em segundos ele estava sobre mim, seus olhos procuraram os meus, olhos dourados — brilhantes e misteriosos — eu nunca havia conhecido alguém com aquele tom. Seu olhar se demorou no meu, depois vagou pelo meu rosto brevemente antes de se fixarem nos meus lábios, os quais umedeci com a língua.

Uma mão acariciava a curva da minha cintura, a outra sustentava o seu peso logo acima da minha cabeça. Então ele começou a aproximar o rosto do meu, me preparei para o beijo que fatalmente aconteceria se o telefone não tivesse tocado naquele instante.

Claude pareceu sair do torpor.

_Vai atender — falei para ele, aproveitando a chance para me afastar.

_Deixe tocar — Claude tentou ainda me segurar mas eu já estava de pé e pegava o balde para levar para a área de serviço.

_Pode ser algo importante.

Ele pareceu se convencer da importância de atender ao telefonema que, na verdade, tinha grandes chances de ser alguém do telemarketing de uma empresa qualquer e foi até a sala.

Acho que era o Daniel porque logo ele levou o telefone sem fio para o escritório e se fechou lá com cara de quem estava conspirando. Sorri para mim mesmo, Claude disfarçava muito mal, eu tinha certeza que ele iria contar todos os detalhes de ontem para o Daniel.

Terminei a limpeza que já estava no final mesmo.

Não sei exatamente como estou me sentindo. Claude mudou radicalmente e foi da noite para o dia e eu fico me perguntando:

“Qual é o verdadeiro Claude?”

Talvez fosse esse de agora, livre das amarras morais, se deixando levar pelos sentimentos. Afinal, ele nunca disse que não me queria, só ficava batendo na tecla de que não podia porque era errado.

Pena que toda essa mudança só veio depois de tanto tempo, depois de todas as vezes em que ele me rejeitou; não é como se eu não o quisesse — eu ainda amo e o desejo muito, ainda mais depois de ontem — mas… e o medo de ser rejeitado mais uma vez?

Fui para o quarto, não sem antes dar uma bisbilhotada de leve no que o Claude estava falando mas a porta do escritório estava fechada e provavelmente, ele estava falando muito baixo pois só o que eu ouvi, colando meu ouvido na porta, foi um leve murmúrio.

Decidi ir para o meu quarto, ia aproveitar e ler um pouco.

Me joguei na cama ainda desarrumada e peguei o volume, abrindo na página em que eu tinha parado a leitura. Logo depois meu celular vibrou sobre a mesinha de cabeceira.

“Deve ser o Andrew” — foi a primeira coisa que eu pensei e peguei o aparelho apressado.

Era um whats e não era do Andrew, o abri:

Então você foi rápido em vadiazinha? Não perdeu a oportunidade de abrir as pernas para o meu filho na primeira chance que teve. Dá para pedir para ele parar de te foder e voltar para casa que a mãe dele tá preocupada?

E não ache que eu te esqueci não. Agora vai ter que me encontrar, estou morrendo de vontade de matar a saudade.

Um tremor involuntário percorreu o meu corpo, era o pai do Andrew. Um medo terrível de que ele viesse atrás de mim tomou conta da minha mente mas algo era ainda mais urgente: ele achava que o Andrew estava comigo, quer dizer que ele não havia voltado para casa.

“O que será que aconteceu com ele? Onde está o Andrew?”

O celular tremia na minha mão. Nova mensagem, abaixei os olhos:

Espero que você tenha a decência de mandar o Andrew para casa agora. Estou ficando sem paciência, com ele e com você.

Tentei ligar para o Andrew, só deu caixa postal. Liguei mais três vezes e mandei várias mensagens no whats e não tive nenhuma resposta.

Comecei a ficar desesperado.

Decidi ir procurá-lo mas eu não tinha o telefone do dono da festa então eu teria que ir lá. Mandei mais um whats para ele, já meio deseperado. Na minha mente eu só via o Andrew morot jogado no meio da estrada ou ele em coma num hospital ou sei lá o quê, nessas horas a gente só pensa desgraça.

Calcei o tênis e peguei o resto da minha mesada, e guardei o celular no bolso. Fui até o escritório para avisar o Claude então o celular vibra mais uma vez.

“Estou bem. Não se preocupe, acabei de chegar em casa.”

Era Andrew.

Ainda bem.

Um peso gigante havia acabado de sair da minha cabeça.

É claro que fiquei mega curioso para saber o que tinha acontecido com o Andrew. Mas ainda me sentia desconfortável em ligar para ele. A sua mensagem também tinha sido seca. Nem beijos ele me mandou. Talvez a amizade esfrie, o que fez meu coração se apertar.

POV CLAUDE

_E então? Como vai a operação reconquista do Alois?

_Acho que vai bem — respondi falando o mais baixo que podia, estava fechado dentro do escritório e não queria de modo algum que o Alois soubesse que eu estava falando sobre ele com o Daniel.

_Só acha? — perguntou Daniel — Como foi a volta da festa? Ou ele passou a noite fora?

_Ah não. Eu fui buscá-lo porque ele se perdeu mas ele passou a noite comigo — eu sabia o sentido dúbio da resposta e prontamente o Daniel mordeu a isca.

_Passou a noite com você???? É isso mesmo o que eu estou pensando? — a voz dele saiu mais alta e fina, repleta de curiosidade pervertida.

_Bem, não foi a noite toda mas é isso o que você está pensando — respondi tentando controlar a felicidade na voz.

_Claude, seu danadinho — ele riu — E então? Como foi?

Daniel é a curiosidade em pessoa, ele sempre quer saber dos mínimos detalhes.

_Alois é ótimo, ele é muito lindo, muito gostoso. Ele é perfeito!!! — me ouvi falando.

_Ora, ora. Temos alguém apaixonado, hein?!

Senti meu rosto esquentar, devia estar corando.

_Talvez um pouco — tentei disfarçar.

_Talvez??? Admita logo, seu patife. Você está completamente arriado pelo loirinho.

A voz era diferente do Daniel.

_Quem é? — falei — É o James?

_E quem mais seria? — respondeu Daniel.

_Daniel! Você está no viva-voz???

_Mas é claro. Jamie também estava curioso, afinal de contas.

_Privacidade não existe mais não é? — falei num tom falsamente bravo.

_Não quando a gente vai ser os padrinhos, não é? — Daniel riu alto e eu ouvi a risada do James acompanhando.

_Você tá louco? Eu nem deveria estar seduzindo o garoto. Ele é u…

_Eu sei, eu sei : “Ele é uma criança, é meu sobrinho….”. Isso já encheu, sabia? Agora pára de manha e vai paparicar o seu garotinho gostoso.

_Olha como fala, hein? — uma pontinha de ciúme ficou clara na minha fala.

_Mas ele é gostoso, não é?

_Muito.

_E o que ele fez em você? Me conta.

Fiquei mais envergonhado ainda. Meu editor é mais pervertido do que eu imaginei.

_Não fez nada especial. Na verdade eu não dei muita chance para ele, tomei a frente de tudo.

_Seu bobo! Deixe ele tomar alguma atitude também — brigou Daniel.

_Não tem nada melhor do que um uke de atitude — ouvi o James falar.

_Hummmm, você gosta de um uke de atitude?? — Daniel falou para o James, o tom de voz provocante.

_Adoro! — respondeu James no mesmo tom.

O que se seguiu depois foi o som de algo caindo e o barulho de beijos e risinhos.

_Daniel? James? — chamei .

_ Ahhhh ahh hmmmm, Jamie, não faça isso — ouvi Daniel gemendo, a voz abafada.

_Você que pulou em cima de mim. Seu safado — era James.

_Você disse que gostava…

_Vem cá — falou James. Mais risos, mais barulhos de beijos.

“Céus! Aqueles dois me abandonaram na linha para ficarem se agarrando???” — resolvi desligar para não ter que ouvir pelo telefone os dois transando.

Saí do escritório. Alois estava no quarto sentado na cama, segurava o celular e parecia nervoso.

_Você está bem? Aconteceu alguma coisa?

Ele tomou um susto e olhou para mim.

_Sim. Tudo bem. Não aconteceu nada não.

Alois parecia tão adorável. Tão lindo naquela expressão meio preocupada, ele deu um pequeno sorriso para mim e meu coração acelerou.

“Como eu pude negar esse sentimento por tanto tempo?” — pensei, a minha vontade era abraçá-lo e beijá-lo até perder o fôlego.

Alois sorriu, mas não foi um sorriso sincero. Algo estava angustando-o e ele não queria se abrir comigo. Eu faria qualquer coisa para vê-lo feliz.

_Vamos no cinema hoje? — convidei, me lembrando que ele adorava cinema.

Seu sorriso melhorou mais.

_Vamos.



POV ALOIS

Eram oito horas quando chegou a nossa vez no guichê do cinema. Cinema chique de gente rica, eu ainda não estava de todo acostumado com essas mordomias mas adorava usufruir delas. Podíamos ter comprado as entradas pela internet mas o Claude é um pouco resistente em compras on line, sempre tem medo que clonem o cartão dele.

Compramos as entradas e fomos direto comprar pipoca. Claude comprou o pacote gigante que na verdade era um balde decorado com a estampa do filme que íamos assistir — um de super-heróis que havia entrado em cartaz à poucos dias. Peguei o balde transbordante de pipoca com manteiga e Claude levou os dois copos de refrigerante.

Entramos no cinema e era a sala especial, eu nunca tinha assistido um filme na sala especial, achei estranho porque havia menos fileiras de poltronas do que numa sala comum.

_Onde são os nossos lugares, Claude?

Ele pegou os bilhetes e conferiu.

_Fileira M, poltronas quarenta e quarenta e um.

Ainda olhei para ele, estranhando. Foi o Claude que havia escolhido os nossos lugares, pois eu já estava namorando os combos de pipoca, refrigerante e doces, tentando escolher um. Da outra vez em que ele me trouxe ao cinema, havia escolhido os lugares no meio da fileira e ainda uma fileira bem no meio da sala, segundo ele era o melhor lugar pois dava uma visão ampla da tela.

Passei os olhos pelas fileiras e achei a fileira M — era a última — lá no topo da sala, no local mais escuro, procurei os números das poltronas e nem sei porque me surpreendi quando descobri que eram as últimas.

“Última fileira? Poltronas do canto? Por que será que eu acho que não vou conseguir assistir uma única cena desse filme?” — pensei e não pude deixar de dar pulinhos internos de alegria.

Olhei para o Claude que vinha logo atrás, as duas mãos ocupadas pelos copos enormes de coca-cola e ele sorriu para mim, um sorriso que queria dizer muitas coisas.

Devolvi um sorriso torto para ele e me sentei na poltrona quarenta e um.

_Nem pense nisso — declarou Claude — Pode pular para a outra poltrona.

_Ah não, Claude, eu gosto dessa — me interpus, se eu fosse para a outra poltrona ficaria encurralado entre a parede de espuma acústica e o Claude, sem possibilidade nenhuma de fuga das investidas que eu achava que o Claude iria me dar.

_Mas essa é minha. Vai, pode pular para a próxima — falou sério, sinalizando com o copo para o outro lugar.

Acabei sentando na quarenta. As poltronas eram estofadas fofamente, parecia que ela nos envolvia de tão macias e confortáveis que eram. Claude sentou-se ao meu lado e me deu o meu copo o qual eu tomei um gole e o depositei no suporte, ele fez o mesmo. Coloquei a pipoca entre nós dois para que pudéssemos dividi-la.

O cinema escureceu quase ao mesmo tempo que a tela se acendia, começando a passar os trailers.

Claude se comportou muito bem até os primeiros vinte minutos. Depois de quinze minutos percebi ele se espreguiçando.

“Oh Claude, isso é mais velho do que andar para frente” — pensei. É claro que o próximo passo seria ele passar o braço pelos meus ombros.

Dei uma pequena risada quando ele fez isso mesmo, olhei brevemente para ele e pude ver sua expressão insegura e ansiosa, sorri em concordância e ele sorriu de volta.

Passou-se mais cinco minutos, então Claude sussurrou no meu ouvido.

_Você não quer ficar mais confortável?

_Hum?

“O que ele quer dizer com isso?” — pensei.

Então ele sorriu e puxou uma alavanca que eu nem tinha visto ao lado da minha poltrona e ela se reclinou para trás. Entendi porque haviam poucas poltronas no cinema, elas se inclinavam e viravam poltronas semi-leito.

Meu coração se acelerou e as borboletas começaram a voar no meu estômago, mas ele não poderia fazer nada, havia ainda o braço da poltrona nos separando.

Mas até nisso eu não tive sorte, porque Claude puxou a separação, levantando-a.

“Sério que existem cinemas assim?” — pensei, vendo ele retirar a separação nas nossas poltronas e se aproximando de mim. Depois não podem reclamar se encontram algum casal se pegando durante o filme: estávamos quase deitados num local escuro!

Claude tomou o balde de pipoca da minha mão e o pôs na poltrona do lado que, para variar estava vazia. Aliás, a sessão estava meio vazia e não tinha ninguém próximo à nós.

Tomei alguns goles do refrigerante tentando controlar a minha ansiedade e a minha excitação.

Então Claude se aproximou mais. A mão que não estava pousada no meu ombro, tomou a minha mão, nossos dedos se entrelaçaram.

“Oh céus! Isso é muito para eu resistir!” — pensei, vendo ele colar os lábios na minha orelha e sussurrar no meu ouvido.

_Desde a primeira vez que viemos no cinema, eu tenho vontade de fazer isso.

A voz dele, naquele tom baixinho, soprando no meu ouvido — comecei a ficar duro.

_Ficar abraçado comigo? — me fiz de desentendido mas dei um sorriso malicioso.

_Não, Alois. Fazer isso — Claude deslocou o rosto para o lado e me beijou.

O beijo já começou com a língua dele na minha boca, tocando o meu músculo e o provocando. Mandei para o espaço qualquer pudor que eu pudesse ter e o abracei de volta, abrindo ainda mais meus lábios para que Claude pudesse explorar a minha boca. Afundei meus dedos nos seus cabelos e segurei as mechas entre os dedos. Claude segurava o meu rosto e quando eu mordisquei seu lábio inferior senti ele sorrindo e voltando a me beijar.

E o beijo foi esquentando e se aprofundando e eu já estava meio sem fôlego mas não queria parar de jeito nenhum, pelo jeito nem ele queria, porque continuava a mover os lábios nos meus, a sugá-los e mordiscá-los, a brincar com a minha língua até que eu estivesse completamente excitado e gemendo.

_Você tem que fazer silêncio, Alois — murmurou me dando alguns segundos de trégua.

_Com você fazendo isso? — falei — É impossível.

Empurrei ele para o seu lugar e fui para cima, iniciando novamente um novo beijo e enquanto ele estava concentrado nas nossas línguas se enroscando, lentamente, puxei a sua camisa para fora das calças e infiltrei minha mão pelo seu peito, senti ele se assustar e contrair a musculatura. Alisei seu abdome e escorreguei meus dedos por dentro do cós das calças.

Claude não parecia estar atento ao que eu estava fazendo, estava totalmente absorto no beijo, mas eu não conseguia atingir o meu objetivo então eu tirei a minha mão da calça dele e abri o botão da mesma, desci o zíper. Ainda nos beijávamos, rapidamente peguei a mão do Claude que me segurava pela nuca e a coloquei sobre o meu membro, ainda coberto pelas camadas de roupa. Claude me apertou levemente e meu membro pulsou.

Escorreguei a minha mão para dentro da calça aberta do Claude e segurei seu pênis por cima da boxer — estava tão duro quanto o meu.

Ainda bem que o filme estava numa parte de luta, com muito barulho porque quando o apertei e comecei a pressioná-lo, Claude gemeu e não foi um gemido baixo não.

_Você tem que fazer silêncio, Claude — repeti o que ele havia dito para mim, fiz inocentemente uma carinha de santo.

Habilmente afastei a sua boxer e segurei seu pênis na mão, movendo-o para cima e para baixo.

Claude segurou o meu punho.

_Olha o que você está fazendo comigo?! Estamos num cinema! — murmurou meio bravo meio excitado.

Movi mais a minha mão, o cheiro do Claude atingiu o meu nariz e eu salivei de vontade de me abaixar e colocá-lo na boca.

_Você que me provocou me beijando daquela forma — falei malicioso e voltei a beijá-lo.

Pena que o beijo durou apenas alguns segundos, logo Claude o interrompeu, mordendo o lábios, tentando controlar os gemidos.

_Alois… pára.

É claro que eu não parei e Claude escondeu o rosto no meu pescoço, gemendo bem baixinho.

_Me dê atenção também, Claude — miei e ele voltou a acariciar o meu membro sobre as roupas.

Eu sabia que Claude nunca seria tão atrevido quanto eu, que tive coragem de abrir a roupa dele no meio do cinema, correndo risco de alguém nos ouvir ou ver.

_Pára Alois — sussurrou, trêmulo e ofegante. Ele ira gozar a qualquer momento.

_Quer que eu pare? — sussurrei de volta.

Claude se manteve em silêncio.

Resolvi judiar, só um pouquinho.

Aumentei a velocidade da mão e senti Claude se contraindo todo, mordeu o lábio com mais força para não gemer alto, meu membro também clamava pela libertação.

Então retirei a mão e me ajeitei na minha poltrona. Claude me olhou como se não acreditasse no que estava vendo.

_O que foi? — perguntou

_Nada — dei de ombros.

_Mas… mas…

_Você mandou eu parar, eu parei.

_Não precisava me obedecer — franziu o cenho.

_Eu sou um bom menino.

_Você é terrível, isso sim. Termine o que começou, Alois.

Olhei divertido para ele, depois baixei o olhar para o seu membro. Tão duro, gotejante de pré-gozo. Estaria uma delícia.

_Não. Acho que perdi a vontade — menti.

Peguei o copo e comecei a tomar o líquido, ocupando a minha boca antes que eu caísse em tentação e começasse a chupá-lo.

Claude ainda ficou vários minutos olhando para mim com a expressão brava no rosto.

Tirei o canudinho da boca e falei.

_Melhor fechar as calças. Vai pegar um resfriado com esse ar condicionado.

Claude ficou mais bravo ainda comigo e eu quase ri alto, então fechou a roupa com certa dificuldade por causa da ereção.

Minutos depois, dei um beijo na bochecha dele e apoiei minha cabeça no seu ombro. Claude me abraçou e eu me aconcheguei à ele.

Ele tentou voltar a me apalpar.

_Comporte-se Claude, senão eu volto para a minha poltrona — ameacei me afastar e Claude me puxou de volta.

_Você ainda vai acabar comigo, Alois.

Dei um selinho nos seus lábios.

Assistimos o fim do filme que é obvio que não entendemos nada porque passamos mais da metade do filme nos agarrando. As luzes se acenderam e eu me espreguicei.

_Vamos? — falei quando vi que o Claude não fazia menção de se levantar.

_Não posso.

_Por quê?

_Por isso — Claude agarrou a minha mão e a pôs sobre seu membro.

Ainda estava duro, muito duro. Mesmo depois de todo o tempo continuava em riste.

Não consegui segurar a risada, mesmo quando Claude estapeou o meu braço. Me levantei, ficando de pé perto da sua poltrona;

_Culpa sua — me acusou tentando ajeitar a ereção para que não ficasse tão evidente assim na roupa.

_Culpa minha nada. Você que não consegue se controlar. Eu estou bem.

Claude olhou para o meu quadril e constatou que não tinha nenhum volume constrangedor ali. Isso serviu para ele ficar ainda mais bravo e envergonhado.

Não que eu não estivesse com tesão mas com certeza Claude devia estar com muito mais para ter se mantido duro até agora.

_Vamos — chamei mais uma vez, puxando o seu braço — Cubra com o blazer.

E assim nós saímos do cinema, com o Claude segurando o blazer estrategicamente em frente ao quadril.

_Disfarça Claude. Você está vermelho e está com uma expressão culpada no rosto.

Ele limitou a olhar bravo para mim.

_Você vai ver quando chegarmos em casa — ameaçou.

Ri mais uma vez.

Quando chegamos em casa, eu dei boa noite e me tranquei no quarto dizendo que estava muito cansado.

_Alois, abra a porta!!!! — Claude bateu na porta.

_Não, Claude. Estou muito cansado! — falei alto, deitado esparramado na cama com os braços dobrados sob a cabeça.

_Alois! Você não pode me deixar assim!

_Desculpe Claude. Nós não podemos, somos parentes!

_Alois — a voz do Claude era praticamente um muxoxo triste.

_Boa noite, Claude. Amanhã nós conversamos — ri.

É claro que naquela noite eu tive que me tocar, imaginando o Claude ali. Me toquei até atingir o meu limite e depois fiquei ofegante tentando recuperar a respiração e esperando o meu corpo parar de estremecer.

O melhor é que eu pude ouvir os gemidos do quarto ao lado enquanto Claude também se masturbava.

Notas finais
É isso minha gente. Não se esqueçam de comentar, mesmo que sejam poucas palavras. E a festa do Claude está se aproximando, hein?! Beijos