Notas iniciais
escrevi em dez minutos na aula de matemática, relevem~

Ela era calma, um doce de mulher. Difícil de descrever, de lidar, de conviver. Apesar de saber que Lara era esse tipo de mulher, André decidiu se aventurar junto dela. Lara era uma morena maravilhosa, seu rebolado brasileiro e sorriso enorme conquistou André no primeiro olhar que trocaram numa noite sem estrelas. Os cabelos eram compridos e, como costumava chamá-los, era cachos que não acabavam mais e facilmente pudera se perder ali.

André tentava se aproximar cada vez mais dela, mas Lara o encarava com um sorriso nos lábios e não se manifestava com o carinho de André. Ele continuava e continuava e Lara persistia em ignorá-lo. Não que ela se incomodasse do quanto André insistia, mas na verdade é que ela não se permitia amar ou ser amada.

André não sabia muito sobre ela. Andava sozinha, não tinha amigas, ninguém era visto andando com ela, e mesmo assim aquele sorriso não saia de seus lábios.

Ela era feliz sozinha, e só.

André nunca se daria o luxo de se apaixonar por alguém, todas eram irritantes o suficiente para se afastar. E sempre que elas o viam em algum lugar, ele tinha obrigatoriamente que ignorá-las. Apesar de vários argumentos contrastantes com sua personalidade difícil de lidar, André era tão calmo quanto Lara. Sem dizer que ele era muito persistente.

No dia que André optou por falar o que — provavelmente — sentia por Lara, ela sorriu. Era um sorriso triste dessa vez. André ficou sem reação e ela então explicou: André não a amava como dizia, mas amava seu rosto, seu sorriso e seu jeito. Não amava a Lara, mas amava a aparência dela. Assim que o sorriso se desfez, André não se mexeu, não discutiu. Só pensou. A moça o encarou novamente antes de sair de vez, dizendo algo que ele nunca mais esqueceria:

— Você não consegue ver meu coração.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!