Você atingiu minha alma
3 Capítulo Três
Apenas dois dias e Regina estava sentindo-se bem ao lado daquele desconhecido. Sentia-se encantada com a maneira como ele conduzia as conversas, sua gentileza e sua paciência. Algo naquele belo homem produzia uma sensação de tranquilidade e alegria naquele coração vazio e escuro. Talvez aquela fosse uma chance de não ser mais uma personagem excluída da rota da felicidade.
Naquela noite, num canto da cidade...
– Ela nem se incomodou com a minha presença. Estava sentada jantando com o desconhecido e não se alterou ou sequer nos convidou para sentar.
– Regina está ficando desprendida, filho. – diz Emma. – Dê um espaço para ela.
– Ela desistiu de mim?
– Absolutamente não. Regina perdeu a mãe, depois ficou um ano longe de você e em seguida teve de desistir de Robin. Ela se afastou de nós e devemos deixar que siga o caminho que escolher. Mas ela jamais irá desistir de você.
– Minha mãe parecia tão feliz ao lado daquele rapaz. Os dois estavam rindo muito quando eu cheguei. Quando me afastei para vir embora, ouvi os risos recomeçarem. Ela sequer me explicou porque não veio ao nosso jantar.
Emma acaricia os cabelos do filho.
– Não a julgue, filho. Regina está apenas organizando as ideias dentro do coração. Mais tarde, vocês dois vão conversar e chegarão a um acordo.
– E se ela quiser ter um filho legítimo com aquele rapaz?
– É um direito dela, amor. Mesmo assim, ela não irá desistir de você.
– Penso que eu a magoei muito quando resolvi viver com você e com meus avós. Será que estou sendo infantil demais com este egoísmo? Será que aprecio ver a solidão de minha mãe?
– Dê tempo ao tempo, querido. Quando Regina sentir-se preparada, virá conversar sobre o relacionamento com aquele rapaz e esclarecer todas as suas dúvidas.
Mas noutra casa da cidade, Regina não se mostra preocupada em elaborar explicações a quem quer que fosse. Queria apenas um pouco de cor em sua vida monocromática e som para aqueles cômodos que apenas ecoavam o contato dos saltos de seus sapatos contra o soalho. E Vasco estava proporcionando momentos mais coloridos e certamente deixaria boas lembranças para aqueles encontros que seriam fugazes.
– Nossa! – Vasco espanta-se ao ver as horas em seu relógio. – Como é tarde! Não me atinei para o horário e cometi a grosseria de avançar o horário adequado!
Regina bebe mais um gole do vinho e sorri. Segura a mão do visitante que ia levantar-se e o faz sentar-se outra vez.
– Vou dar duas opções para você, Vasco. A primeira: você parte e dorme sozinho. A segunda: você fica e dorme acompanhado.
Ele coça a testa e sorri. Acaricia o rosto barbado e faz uma careta engraçada.
– A segunda opção é agradável aos ouvidos de um homem. O convite para dividir a cama com uma mulher tão bonita e inteligente soa como música de um coral de anjos. Como um cavalheiro, eu deveria declinar ao convite, entretanto, como um homem jovem e saudável, devo confessar que nada me agradaria tanto.
– Somos adultos, querido. – ela se inclina para frente. — Apenas fique comigo aqui.
Na manhã seguinte, Regina desperta preguiçosamente e como faz todos os dias, olha o outro lado da cama. Entretanto, desta vez o encontra desarrumado, embora já estivesse vazio. Ela sorri e acaricia o travesseiro, escondendo seu rosto contra a fronha. Inala o cheiro dos cabelos daquele que havia dormido ali. O cheiro de seu xampu, usado por Vasco na noite anterior havia ficado impregnado no tecido da fronha e agradava demais.
– Bom dia, moça bonita!
Regina sorri ainda mais e cobre a cabeça com o edredom. Depois, senta-se na cama e protege o corpo da exposição. Ajeita os cabelos e alarga o sorriso ainda mais ao ver o rapaz trazer uma bandeja com o café da manhã. O solitário de cristal não trazia uma rosa, mas um pequeno galho de árvore.
– Tive de improvisar, mas na próxima vez, consigo uma rosa.
A prefeita não hesita e inclina-se para um beijo demorado. Depois, acompanha o amante na pequena refeição e faz par com ele em mais uma rodada de prazer.
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