Regina sentia-se convicta e seguindo as palavras de Mary, iria até o fim do mundo e dos tempos para provar que estava arrependida daquelas palavras impensadas. Mas por que estava fazendo tanta questão de convencer justamente aquela pessoa? O que Vasco poderia acrescentar em sua vida?

– Sou amada! — ela murmura olhando sua imagem refletida no espelho. – Ele sabe quem sou e o que fiz, contudo, teve a coragem de expor os sentimentos e os desejos diante de mim. Vasco é muito valioso para que eu o deixe sair de minha vida. Não posso permitir isso.

O som da campainha de seu telefone é ouvido e o nome de Mary surge na tela.

“Olá, Regina! Gostaria de saber como você está!”

– Para ser verdadeira, não me reconheço.

“Simplesmente por que está rendendo sua alma ao amor?”

– Porque sinto que estou ficando fraca, Mary. O amor é uma fraqueza.

Mary ri do outro lado da linha.

“O amor é a maior força do universo! É a mola propulsora de nossa existência! Ninguém pode afirmar que amar seja fácil, mas viver sem amor é difícil demais!”

Desta vez quem ri é Regina.

– Estou indo novamente às colinas e quero conversar mais uma vez com Vasco. Ele vai acabar entendendo as minhas razões.

“Aposto que sim. Desejo boa sorte!”

Quando o sedan de Regina para diante do casarão, os olhos de Vasco fixam-se no veículo, sabendo que sua rainha estava ali para vê-lo e tentar convencê-lo de que existiam motivos para todas as palavras que foram ditas. Foram palavras que expressaram a verdade escondida naquele coração preconceituoso e escurecido pela maldade. Não poderiam ser encaradas como frase sem valor, ditas na falta de um assunto mais interessante. Teria de acabar com aquela situação.

– Olá! – a morena exibe seu sorriso bem desenhado naquela boca bem maquiada. – Eu quis ver conversar com você antes que...

– Venha para dentro. Precisamos conversar em um lugar tranquilo.

Regina sorri e aceita a mão que é oferecida. Ambos caminham lado a lado até o segundo andar do prédio de tijolos à mostra.

– Entre, por favor. – gentilmente, o homem abre a porta do quarto muito aconchegante e bem organizado. — Pode escolher onde sentar-se, meu amor.

Regina não hesita e senta-se na cama. Queria estar perto de tudo o que representava Vasco. Sorri ao vê-lo apanhar uma cadeira e sentar-se diante dela.

– Somos adultos e vou ser objetivo, esparramando meus sentimentos. Pensei muito e conclui que tenho a obrigação de perdoar sua arrogância e insensatez, setenta e sete vezes, cada injustiça que cometer contra mim. Você reconheceu seu erro e fez o que nenhuma outra pessoa faria. – ele esboça um sorriso. – Todos cometem erros e merecem uma segunda chance...

Num salto quase felino, Regina avança sobre o rapaz e pilha os lábios dele com um beijo generoso e apaixonado. É correspondida com a mesma paixão e beijam-se por muito tempo.

– Não sabe como estou feliz por isso! Sinto que a leveza voltou para minha alma! – Regina o beija mais uma vez. – Podemos voltar para nossa vida, agora? Venha ficar comigo em minha casa...

Gentilmente, o rapaz a afasta e a faz sentar-se na cama. Carinhoso e delicado, toca os cabelos dela e mais uma vez beija seus lábios. Ele se levanta e afasta-se dela, despertando um sinal de alerta.

– Eu sou obrigado a perdoar você, pelo sofrimento que me causou. Expus meus sentimentos, nutri sonhos em relação a nós, porém, você me refutou sob as mais imbecis das alegações. É arrogante de minha parte dizer que a perdoei...soa muito mal!

– Seja direto, por favor.

– Sua ofensa será esquecida, mas não sou obrigado a conviver com você. Não a quero em minha vida e retiro o que disse em relação a possíveis contatos comerciais. Não quero o seu dinheiro e mais nada que venha de você, Regina.

– Está rejeitando o meu amor?

– Estou rejeitando seu orgulho, seu preconceito, sua arrogância e intolerância...seu amor jamais será rejeitado. Quando a Rainha Má estiver totalmente morta e somente a bela Regina vier ao meu encontro, a minha resposta será sim para o pedido de casamento.

Aquela noite torna-se a mais longa e fria da nova vida de Regina. Nenhum dos cômodos de sua casa consegue acomodá-la, sem fazer com que se lembre da figura bonita de Vasco. Sua presença estava em todos os cantos, em todos os móveis e principalmente sobre a cama, onde tantas e tantas vezes ele havia descansado o seu corpo.