Você Sempre Vale a Pena
4 Capítulo 4: Derek - Parte 1
Notas iniciais
Ter Stiles na minha cama seria mais complicado do que eu podia imaginar, mas como eu havia dito a ele, eu sempre gostei de um desafio.
Aproveitei minha ida à cidade para resolver minhas pendências com relação ao meu discurso na formatura da WSU e para minha infelicidade, Stiles fez contato apenas por e-mail comigo durante o domingo, alegando que precisava se preparar para a entrevista que ele faria na segunda.
“Sr. Hale muito obrigado pela oportunidade de emprego. Realmente existe uma vaga pela qual eu desejo me candidatar. Obrigado mais uma vez.
S. Stilinski.”
“Já te disse que podemos manter a base do primeiro nome, Stiles. O fato de você trabalhar na minha empresa, não muda o meu desejo de te ter... — Derek.”
“Sr. Hale, eu pretendo permanecer na minha posição de futuro funcionário da sua empresa. E só. ”
“E eu pretendo te manter em todas as posições possíveis na minha cama, Stiles. Com você gemendo meu nome de preferência. — Derek.”
“Sr. Hale eu vou ter que me retirar, pois tenho que me preparar para entrevista de emprego amanhã cedo. Fiquei sabendo que o CEO da empresa é bem rigoroso e quero causar um a boa impressão e conseguir um emprego. Tenha um bom dia Sr.”
“Tenha um bom dia, Stiles. O CEO da empresa tem essa fama mesmo, mas acho que você é capaz de dobrar sobre as vontades dele. Derek Hale.”
Mesmo querendo manter a postura educada em uma conversa comigo, eu podia perceber como ele não conseguia controlar sua boca.
"Esse garoto adorava usar o sarcasmo como arma." Pensei, depois de reler nossa conversação.
Ao contrário do que pensei, Stiles realmente apareceu para a entrevista na segunda. E ao saber que ele estava lá, eu fiz com que Érica avisasse ao setor de RH que todos os candidatos deveriam passar por uma entrevista comigo.
Depois de quase duas horas entrevistando vários outros candidatos, Stiles entrou na sala minha sala e soltou um gemido ao me ver sentado, balançando um lápis entre os dedos.
— Você é incrivelmente chato, Senhor Hale. — Stiles disse, enquanto se dirigia a mim.
— Para quem pretende entrar para o quadro de funcionários da minha empresa, você começou muito mal, Sr. Stilinski. — Falei ameaçadoramente, voltando a nossa posição politizada, mas aquilo não parecia ter efeito nenhum sobre Stiles, pois ele apenas riu.
— Era mesmo necessário ter uma reunião com você, Sr. Hale? — Ele perguntou, ao se sentar na cadeira de frente a mim.
— Não. Mas eu queria ter a chance de te ver. E além do mais como dono da empresa eu posso ter alguns caprichos meu cumpridos. Você sabe quão chato foi ouvir os outros nove candidatos se gabando de suas notas impecáveis, seus belos conhecimentos em linguagem de programação, CSS, HTML, e mais um milhão de siglas que eu desconheço o total significado.
— Alguns deles eram loiros? — Ele perguntou divertido.
— Cinco, dos nove. — Respondi no mesmo tom. Estávamos tão próximos agora que se eu me inclinasse na mesa, nossos rostos tocariam e os meus lábios poderiam encostar nos dele.
— O senhor não deveria me fazer algumas perguntas? Como meus méritos acadêmicos, conhecimentos... O que sei fazer.
— Para quê? Você é o primeiro da sua sala. Passou em GAAL e ALP com 98% de aproveitamento, melhor aluno da faculdade e para provar para o reitor que o novo sistema de notas on-line era falho, você o invadiu e modificou as notas de todos da sua sala, exceto as suas. — Disse, olhando nos olhos dele.
Vi o rosto de Stiles esquentar e suas bochechas ficarem vermelha.
— Não esqueça que criei um vírus chamado Samara que queimava os computadores em sete dias. — ele me sugeriu timidamente e eu dei uma gargalhada.
— Já temos um novo estagiário.
— Como se você já não tivesse planejado isso... — Ouvi ele murmurar. Eu estava prestes a responde-lo, quando Érica entrou na minha sala.
— Senhor Hale, você tem uma reunião com os investidores chineses em cinco minutos, na sala de reunião dois.
— Tudo bem. — Dei um suspiro cansado e me levantei da cadeira. — O departamento de RH entrará em contato com o senhor, caso seja selecionado para a vaga, sr. Stilinski. Obrigado pela entrevista e boa sorte. — Disse formalmente. Não queria que os outros funcionários pensassem que Stiles havia conseguido a vaga apenas porque eu tinha um interesse nele.
“Mesmo que seja verdade. Mas mesmo assim, eu só saio ganhando, pois ele é ótimo no que faz”. Pensei enquanto o acompanhava até o elevador.
Stiles entrou no elevador e eu me dirigi até umas das salas de reunião, onde depois de duas horas, consegui fechar um contrato extremamente vantajoso para mim.
“Esse é meu dia de sorte.”
Para minha surpresa, meu dia correu sem maiores problemas e logo que o expediente acabou, fui para casa. Era um hábito jantar com minha pequena família.
— Onde está Chris? — Perguntei, quando cheguei em casa e senti o cheiro delicioso da comida de Allison.
— No escritório. Daqui a pouco o jantar está pronto, Der. Tome um banho e venha.
— Okay, mamãe. Vou dá um ‘oi’ para o Chris e depois vou tomar banho. — Quando eu disse isso, Ali me deu um sorriso tão satisfeito, que sempre me lembrava quão sortudo eu fui ao encontrar essa família.
Eles eram minha família. E eu estava muito satisfeito com isso.
Jantamos como sempre, animados e conversando sobre amenidades. Logo depois, eu me retirei para o meu quarto, afim de ir dormir. Estranho para um homem de vinte e oito anos ainda estar morando com a sua família, ainda que fosse a adotiva, mas eles faziam parte da minha e eu não tinha nenhum motivo para deixá-los.
“Mesmo tendo o império que eu herdei e todo dinheiro do mundo.” Porque uma coisa que eu descobri muito cedo na minha vida, é que nada pode comprar um afeto verdadeiro.
Quando deitei na minha cama decidi dar uma última olhada no meu celular, afim de chegar se havia alguma mensagem importante e logo que desbloqueei a tela vi o e-mail que havia recebido mais cedp do departamento de RH da empresa. Ao abri-lo, fiquei tão satisfeito que tive vontade de dançar.
“Sr. Hale, boa noite. Desculpe o incômodo, mas conforme o senhor havia pedido, estou mandando o e-mail informando que a vaga de estagiário sênior no departamento de Sistemas e Servidores da empresa foi preenchida. O novo estagiário começa amanhã, na primeira hora da manhã.
Nome do estagiário: ‘Stiles’ Stilinski. Boa Noite, senhor Hale. Até Amanhã.
Departamento RH, Hale Enterprises”
Acordei animado na terça-feira. Eu havia conseguido o que queria e ter Stiles trabalhando para mim era o ponto chave para prosseguir com meu plano de conquista. Agora eu poderia encontrá-lo todos os dias e teria todas as ‘desculpas’ ao meu favor, sem levantar suspeitas das minhas reais intenções com o meu novo funcionário.
Quando cheguei na empresa comecei a escutar um burburinho e pessoas soltando pequenos resmungos. Aquilo me deixou curioso e logo que chegue ao meu andar, confrontei Érica:
— O que está acontecendo na empresa?
— É o novo estagiário, senhor. Pelo visto ele está se destacando dos demais aqui na empresa.
— Porque você está dizendo isso? — Perguntei curioso.
— Entre no escritório que vou mandar os vídeos da segurança para o senhor analisar e dar a sua opinião sobre o caso. — Quando Érica terminou de falar, deu uma risadinha e eu fiquei ainda mais desconfiado.
“O que Stiles estava fazendo, já no primeiro dia?”
Assim que entrei em meu escritório, liguei meu computador e quando percebi o que Stiles fez, eu dei uma gargalhada.
“Que garoto rebelde! Ele vai me dar muito trabalho.” Pensei, quando vi como ele estava vestido. Na empresa, o código de vestimenta era muito rigoroso e todos os funcionários o levavam muito a sério. Mas Stiles estava querendo inovar. com seus óculos de grau quadrados em armação pretas e um gorro azul marinho. E para finalizar um colete amarelo por cima da sua camisa social cinza. Ele era um pontinho de destaque com todo o seu espírito jovial e energia cativante no meio de tantas pessoas com feições amargas e frias. Esse garoto estava me surpreendendo, muito.
O dia correu sem muitas interrupções e a semana estava indo muito bem. Empresa estava ótima, Stiles sendo o ponto de felicidade nos meus dias e Chris e Allison estavam muito bem, Chris estava trabalhando em sua microempresa de segurança individual e Allison terminando sua faculdade de Artes. Quarta-feira chegou e passou sem muitas recorrências, mas durante a noite eu, infelizmente, tive um pesadelo, de épocas da minha vida que eu não queria lembrar.
“Eu estava gritando, pedindo ajuda, tentava, sem conseguir sair do lugar, chegar até minhas irmãs e minha mãe. O fogo ardia e a fumaça me sufocava e eu tentava... Eu tentava, mas não conseguia. Não iria conseguir salvar minha família. Quando eu consegui sair do lugar e fui em direção a elas, uma janela com barras de ferro como grade caiu em cima de mim, bem em cima do meu peito e acabei ficando ali deitado no chão sentindo o ferro marcar minha pele, queimando muita mais que minha pele, queimando a minha alma. Eu só conseguia sentir impotência e arrependimento de não ter conseguido antes. Eu tentava em vão, sair debaixo das grades e no final eu não conseguia sentir mais nada, tudo foi escurecendo e eu estava perdendo os sentidos. Eu finalmente estava caminhando para a morte... Quando conseguir abrir os olhos e percebi meio irracionalmente que não tinha morrido, eu só sentia o clarão forte de luzes sobre mim e uma voz macia e suave dizendo para mim: ‘Hey criança, eu estou aqui para cuidar de você. Meu nome é Melissa McCall e eu vou cuidar muito bem de você e te ajudar.’...Melissa McCall, Melissa McCall, Melis... Mel.... Era tudo que eu podia pensar antes de cair em um abismo de escuridão de novo.”
Passei o resto da semana com um humor bastante sombrio, principalmente depois de mais uma crise de parasonia. Eu odiava ter aqueles pesadelos, eles sempre traziam lembranças que eu não queria me recordar.
Depois dessa última crise, Allison havia me escutado acordar agitado. Com isso, ela se levantou e me encontrou na cozinha, um pouco atordoado por causa das lembranças vívidas em minha cabeça. Ela me abraçou, me levou para o sofá sem nem ao menos me perguntar o que tinha acontecido. Com o passar dos anos, nós criamos um laço muito grande de intimidade e irmandade, por isso ela era capaz de dizer o que merecia uma pergunta e o que não merecia. Naquele momento, eu só precisava de um abraço e uma sensação se segurança.
Isso sempre me acalmava, me fazia lembrar que o presente era diferente do passado e que o futuro tinha algo melhor. Ela sabia exatamente o que eu precisava, mesmo pequena, quando eu cheguei na pequena casa deles como o novo irmão adotivo. Ela tinha acabado de perder a mãe também, então nós dois preenchemos um vazio que existia no nosso coração com o amor que o outro podia dar. E Chris se tornou mais que um pai, ele se tornou um mentor de como um homem deve crescer e agir. Eu não tive um pai na minha infância, mas a presença de Chris foi mais o que suficiente para me fazer crescer tendo um ótimo exemplo de homem, honra, honestidade e bondade. Eu tinha perdido minha família e eles também, mas nós descobrimos como sustentar uma família unida em meio a perda e escuridão.
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