Você Sempre Vale a Pena
36 Capítulo 36: Stiles
Dois anos depois...
Eu e Derek chegamos em casa e Malia estava correndo animada pela casa com Allison, o que era normal. Desde que Allison ganhou Liam, Malia só fala de bebês e ela adoraria ter um irmãozinho ou irmãzinha. Sempre que podia, Scott ficava como um papai coruja babando sobre o lindo filhinho dele.
“Eu estava tão orgulhoso do meu amigo.”
Quando aceitei me casar com Derek, Scott também pediu a Allison em casamento, então nós nos casamos todos juntos em uma ilha no Taiti. Foi uma cerimônia linda, algo inesquecível. Nunca irei me esquecer de Malia trazendo as alianças de todos nós com um sorriso lindo no rosto.
Em um ano Allison ganhou Liam e agora com um ano, Malia não desgruda dele. Nossa família estava muito linda e unida.
Mas dessa vez quando chegamos na Mansão, Liam estava no carrinho dormindo e Allison estava parada atrás de Malia, que agora tinha seis anos. Ela usava um vestidinho e uma coroa de flores na cabeça e sua cara estava assustada. Malia sussurrou algo para Allison, que apenas sorriu e depois de abaixou, dizendo algo no ouvido de minha princesa, que pareceu acalmá-la.
— O que será que está acontecendo? — Perguntei confuso para Derek.
— Não sei. Ela sempre vem correndo nos abraçar quando chegamos do trabalho. — Derek falou, também estanhando a atitude de Malia.
Quando viu que nos aproximávamos, Malia levantou e ficou olhando para nós com seu peito estufado e aqueles olhos cor de chocolate pareciam prontos para a briga.
“Uma atitude típica dos Hales”
Eu olhei para Derek e levantei a sobrancelha, quando Derek encarou Allison ela só piscou e deu uma risadinha.
— O que houve, anjinho? — Eu falei chegando para abraçá-la.
— Cadê o meu beijo? — Derek falou logo atrás de mim.
Ela nos abraçou e beijou e saiu rapidamente do nosso colo arrumando o vestido. Ela nos encarou suspirou e falou rapidamente como só uma criança sabe fazer.
— MeunamoradovaivimmebuscarparaafestinhadaJules.
— O quê? — Falamos em um uníssono. Ela respirou fundo olhou para Allison que acenou para ela seguir em frente. Ela se virou para nós dois de novo e falou com mais calma dessa vez.
— Meu namorado vai vim me buscar para a festinha da Jules.
— NAMORADO? — Derek falou com uma cara que se não retratasse exatamente o meu sentimento, seria cômica.
— Malia, meu anjo, você não acha que é muito nova para ter um namorado, não? Além do mais nós nem conhecemos o garoto.
— Papai, mas eu gosto dele. E eu já tenho seis anos, já até me arrumo sozinha. Ponho meu vestido, passo brilhinho e penteio eu cabelo.
Rimos e eu passei a mão pelo rostinho dela, vendo como a minha criança tinha crescido nesse tempo conosco. Eu tinha tanto orgulho dela. De nós.
— Eu sei, minha filha. Você já é uma garota crescida, mas precisamos conhecer esse garoto antes de deixar você sair com ele.
— Pois é, minha filha. Que tipo de pai eu seria, se deixasse a minha filha saindo por aí com qualquer um. Não posso, anjinho. Quero ver esse garoto.
— Tá bom, papis. Então já resolvemos o problema! Ele está vindo me buscar e chega daqui a pouco, aí vocês podem conversar com ele. Tia Alli, você me ajuda a arrumar minha bolsinha? — Ela saiu, puxando Allison pela mão enquanto subiam as escadas.
— O que foi isso? — Derek respondeu assustado.
— Nosso bebê está crescendo, amor.
— Até parece que vou deixar um garoto qualquer falar que está namorando minha filha! Minha princesa!
Eu ri da possessividade de Derek e vi como iríamos sofrer com essa garotinha linda crescendo. Ficamos sentados no sofá apenas observando Malia descer com Allison em seu encalço. Elas foram pegar Liam que estava começando a acordar de seu cochilo e Malia ficou brincando com ele tomando um cuidado extra para não amarrotar o vestido da festinha.
Nós já sabíamos dessa festinha de aniversário que Malia iria. Jules era uma coleguinha conhecida aqui em casa, ela vinha sempre brincar com a nossa pequena e conhecíamos os pais dela. São um casal maravilhoso nunca olhou torto para o fato que Malia tinha dois homens como pais e sempre nos respeitou e autorizou a filha deles se relacionar com a nossa princesinha.
Lógico que não podemos falar que todos os pais eram assim. Quando Malia entrou para a escola, tinha sempre aqueles mais conservadores que faziam drama sobre ter uma garota como ela na sala com seus “filhinhos preciosos”, que nós não éramos um exemplo e todo tipo de discurso preconceituoso. Era um horror, principalmente porque o discurso nunca vinha das crianças, elas apenas repetiam o que aprendiam em casa. Mas Malia tirou de letra com o seu jeitinho impetuoso e adorável.
Era uma garota amável e carinhosa, mas sempre defendia a sua família. Sempre que perguntavam para ela onde estava a sua mãe ela dizia:
“— Eu nasci de uma fada. Eu não preciso de uma mãe. Por isso tenho dois pais maravilhosos.”
Quando escutamos a campainha da mansão tocar, Malia deu um gritinho, mas nos olhou com um olhar carinhoso e amoroso e falou:
— Eu espero que vocês realmente gostem dele, papis. — Quando ela falava daquele jeito era impossível não amar mais essa menininha. Derek até suspirava por ela. Ele a amava tanto que era possível ver isso nos olhos dele.
Malia havia desenvolvido uma forma de diferenciar quando me chamava ou quando era Derek e eu ainda me lembrava de como ela nos deixou saber disso.
“— Vai ter uma festinha dos pais na escola. — Ela começou timidamente.
— Nós sabemos, doçura. A sua escolinha enviou o convite. — Falei e mostrei a ela o convite.
— E vai ter uma apresentação para os pais. E a professora perguntou se eu quero participar.
— Eu... — Uma adorável camada rosada cobriu as bochechas de Malia. — Eu posso chamar vocês de papai?
Ouvi Derek fungar e quando olhei para ele, uma lagrima solitária escorria pelo seu olho.
— Só se você quiser, amor. — Ele falou.
— Eu quero... Quero muito.
— Então nós dois seremos seus papais. — Acariciei os cabelos dela e tentei não explodir de tanta emoção. Malia era mesmo meu ponto franco.
— Vocês vão precisar disso. — Ela correu pelo quarto e tirou de sua mochilinha dois crachás. Um estava escrito dad, o que ela me entregou e o outro, daddy, ela deixou com Derek.
— É assim que você vai chamar a gente? — Derek perguntou interessado.
— Sim, daddy. — Ela disse com uma felicidade transbordante.”
Como um belo pai protetor, Derek foi atender a porta com todo o porte de “Papai Alfa” defendendo o território de qualquer intruso. Fiquei sentado na sala do lado de Malia esperando Derek voltar com o nosso pequeno convidado e Allison saiu com Liam em seu colo para o andar de cima, dizendo que era hora dele mamar.
— Boa Noite, Senhor Hale. Eu vim buscar a sua filha para ela ir na festa de aniversário da nossa colega de sala Jules. — Escutei do sofá o que parecia o texto que o menino tinha decorado. Acho que o garoto ganhou pontos com Derek pelo o “Senhor”. Ri internamente.
— E quem é o“senhor”? — Derek perguntou com aquele tom de barítono, que ele usava para intimidar os seus adversários nas negociações empresariais.
— Eu sou Theo Raeken, senhor. — Ponto para o garoto pela voz não ter tremido.
— Entre, rapazinho. Vamos conversar com o outro pai de Malia.
— Claro, senhor.
Quando vi o menino entrando ao lado de Derek na sala, acho que houve uma inversão de humores. Até o momento eu estava tranquilo sobre essa história de namoradinho da Malia, mas quando eu vi aquele menino, vestido parecendo uma miniatura do Derek com os olhos claros e aquele cabelo loirinho espetado todos os meus instintos subiram com fúria total e eu me endireitei no sofá, parecendo um muro de proteção entre a Malia e esse tal de “Theo”.
— Sente-se, Theo. — Derek falou com a voz mais leve. Então me pareceu que o papel de “papai malvado” seria meu.
Malia, mesmo eufórica no seu assento permaneceu sentada ao meu lado e só sorriu para o pequeno do outro lado.
— Oi, Theo. — Ela acenou.
— Oi, Senhorita Hale. — O menino falou docemente para a Malia, sorrindo verdadeiramente com um brilho nos olhos. Mas eu não iria me enganar por esse rostinho bonito.
— Então, THEO, — enfatizei o nome dele, — quais são as suas intenções com a minha filha? — Eu disse com um olhar duro.
Até Derek me deu uma encarada pelo meu tom e Malia estava me olhando com uma cara de espanto. Mas o garoto não perdeu a postura ele me olhou e disse.
— As minhas intenções com a sua filha são as melhores, Sr. Stilinski. Eu vim aqui hoje, para levar ela na festa de aniversário da Jules e trazê-la em segurança para casa. E além do mais vim pedir para os senhores deixar eu namorar ela. — Ele olhou esperançoso e assustado.
— E o que você entende por namorar, Theo? — Dessa vez foi Derek que perguntou.
— Bom, Senhor Hale, namorar é ficar de mão dada com ela, ficar na hora do recreio ao lado dela. Proteger ela e beijar ela.
— BEIJAR? Que história é essa? — Eu quase voei em cima de um menino de seis anos na minha frente. Eu estava vendo vermelho. Malia segurou o meu braço e Derek me encarou para eu me acalmar.
— Calma, Stiles. — Ele se virou para o Theo. — Você não acha que é muito novo para beijar a minha filha, não, senhor Raeken?
— Mas eu já beijo ela. — Ele falou inocentemente, mas o que vinha para mim era ondas de abuso, eu iria matar esse menino. Malia apertava o meu braço e falava baixinho para eu me acalmar.
— Que história é essa, mocinho? — Derek o encarou com um olhar duro. Dessa vez o menino engoliu seco, olhou entre mim e Derek e olhou para Malia. Parece que tomando coragem ele respirou fundo e falou:
— Eu sempre gostei da Malia. Acho ele uma menina adorável, por isso queria namorar ela. Aí eu fui pedir ela para namorar comigo e ela disse que aceitava se eu desse uma flor para ela todos os dias. Assim eu aceitei. E quando eu levei uma rosa para ele no outro dia ela deixou eu dar um beijo na bochecha dela. E é assim todos os dias. Eu encontro ela na escola, dou uma rosa pra ela e um beijo, depois ficamos de mãos dadas.
Acho que o menino acertou em cheio. Até eu achei fofo a atitude dos dois. A Malia exigir uma flor todos os dias e um beijo no rosto...
— Além do mais beijo na boca é nojento, dad. — Malia interrompeu os meus pensamentos e todos começamos a rir.
— Eu posso namorar a Malia, então? — O garoto falou com uma esperança na voz. Derek me olhou e assentiu e deixou eu fazer a parte difícil que era aceitar também. Suspirei e disse:
— Sim, você pode. — Malia deu um gritinho de felicidade e pulou no sofá e o garoto olhava com adoração para ela. Esse amor inocente era tão lindo de se ver, que nem parecia real. Porém eu continuei. — Mas precisamos conversar com os seus pais antes, Theo. Depois nós vamos deixar vocês dois irem para essa festa e você será responsável para deixar a nossa princesa em casa, sã e salva, antes da dez. — Eu falei e dei uma piscadinha para ele.
— Claro, senhor Stilinski. Eu vou chamar os meus pais para virem aqui conversar com vocês.
— Eles estão aqui? — Derek perguntou.
— Sim, eles estão no carro. Meu pai disse que eu tinha que vim sozinho primeiro e perguntar para vocês. Ser um homem de verdade. Depois eles viriam aqui conversar com vocês dois.
— Seu pai parece ser um homem inteligente.
— Vamos comigo, Malia? — Ele desceu do sofá e estendeu a mão para a minha princesinha que parecia uma mocinha.
— Posso, papais? — Ela perguntou olhando para mim e para o Derek.
— Sim, meu anjinho. — Eu falei alisando os cabelos dela. Ela pulou do sofá e foi dar a mão para o menino na nossa frente.
Ele parou por um segundo e abriu o casaco que estava vestindo, parecia um mini blazer que o Derek tinha, e tirou uma rosa que estava um pouco amassada, mas ainda uma rosa e entregou para a Malia. Ela sorriu e pegou a flor a cheirando, deu um beijinho no rosto dele e os dois saíram de mãos dadas pela sala indo chamar os pais do garoto para nós conhecermos.
— Nossa princesa está crescendo mesmo, não é? — Eu perguntei com um olhar terno para meu amor.
— Sim, meu amor, nossa filha está crescendo.
— Será que vamos conseguir dar uma irmãzinha para ela? Ela quer tanto. — Eu suspirei frustrado um pouco com toda essa situação. Eu e Derek estávamos tentando adotar uma menina. A mãe da criança havia engravidado com 16 anos e não teria condições de criar a menina, por isso assim havia deixado ela para a adoção.
— Estamos trabalhando nisso, meu amor. Nós vamos conseguir. Mas primeiro vamos conhecer os pais do nosso genro. — Derek me tranquilizou como sempre fazia e nós nos levantamos.
Vamos lidar com uma coisa de cada vez.
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— A mãe decidiu que vai criar o bebê. — Lena disse e aquilo me acertou como uma imensa bola de futebol. Eu não podia acreditar que não tínhamos conseguido de novo.
— Não! De novo não. — Derek disse em um lamento. Ele se levantou e foi para a varanda. Dessa vez eu pude ver como Derek não conseguia mais. Nem eu.
— Derek... — O chamei, mas ele me ignorou. — Me desculpe. — Pedi para Lena e ela apenas deu os ombros.
— Não posso tirar a razão dele. Vou deixar vocês resolverem isso. Qualquer outra alteração ou novidade eu ligo, tudo bem?
— Ok. Obrigado de qualquer forma, Lena. — Eu disse suspirando. Levei lena até a porta e quando voltei, fui direto para a varanda do escritóio. Eu sabia que Derek estaria lá. Ele sempre se sentava lá para poder pensar.
— Meu bem... — Eu o abracei e coloquei sua cabeça em meu colo.
— De novo... — Ele murmurou. Continuei afagando ele até que ouvi pequenos passos ecoarem no assoalho do escritório.
— Dad! — Malia entrou pelo escritório eufórica e depois pulou em meu colo. — Eu fiz isso para você!
Peguei o papel que Malia tinha nas mãozinhas e quando vi o que era o desenho dela, a enorme sensação de perda caiu sobre mim.
— Eu desenhei você, o daddy e minha nova irmãzinha. Quando ela chega?
Olhei para Derek em busca de apoio, como ele sempre fazia e ele pegou Malia em seu colo.
— Ela não vem mais, meu bem. — Derek respondeu carinhosamente para a nossa, agora desapontada Malia.
Ele saiu do escritório levando ela para fora e eu pude escutar ele tentando explicar para ela mais uma vez como tudo isso funcionava e que nós não tínhamos conseguido de novo adotar mais uma criança.
Sai do escritório e deixei um bilhete para ele dizendo onde eu estaria. Eu queria estar em outro lugar menos aqui, nesse mar de dor que eu estava me afundando. Fui para o nosso quarto de depois desci para o playground. O silêncio e a escuridão daquele quarto era tudo o que eu precisava para conseguir controlar minha dor. Me joguei na cama imensa que havia ali e tentei duramente minha avalanche de sentimento.
Mas quando ouvi o elevador chegar e Derek se aproximar de mim, eu não consegui. Simplesmente desmoronei como um castelo de cartas.
— Eu estou cansado disso, Derek! Toda vez... Toda vez que Lena aparece e diz que vamos conseguir um bebê eu me encho de esperanças e então tudo desmorona! Eu não acho que eu possa tentar outra vez. — Disse, chorando. — Eu sei que dissemos que nossa família seria grande, que teríamos mais filhos, mas eu... Eu não quero passar por isso de novo! Não quero chorar por estar perdendo algo que nunca me pertenceu.
Ele acariciou minha perna e depois fungou.
— Eu sei, babe. Isso pesa em mim também. — Derek também estava chorando. Eu temia que ele estivesse chateado comigo por estar desistindo, mas a dor era demais naquele momento.
— Sério? Porque... Eu não sei até onde vou conseguir levar isso. Estou tão cansado e tão desapontando. — Me deitei na enorme cama do playground e me agarrei aos travesseiros.
— Vamos dar um tempo... Eu também estou cansando e desapontado. Isso está sendo uma tortura para nós dois. Eu também não acho que possa lidar com outra criança indo embora sem nem mesmo ter chegado.
Ele se deitou ao meu lado e eu me encolhi completamente no peito dele. O tipo de dor que eu sentia no momento não havia cura, ou nada para ser dito. Mas aquele abraço de Derek era melhor do que o analgésico mais potente do mercado.
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