Você Sempre Vale a Pena
32 Capítulo 32: Stiles
Sentia me leve, como se estivesse flutuando. Meu corpo parecia ser feito de gelatina. Mas havia algo balançando, como se o mundo estivesse sendo sacudido.
“Agora não, pai... Só mais cinco minutos,” tentei murmurar. Mas aos poucos, fui recobrando a consciência e me dei conta de onde estava.
“Peter.”
Quando finalmente consegui abrir os olhos e me tornar totalmente consciente, olhei fixamente para ele. Peter estava com um sorriso sinistro no rosto e me encarava estranhamente. Sua pupila estava tão dilatada que parecia que seus olhos azuis, eram pretos.
Existem alguns motivos para as pupilas de uma pessoa ficar dilatadas desse jeito, pode ser claridade, medo ou excitação. Descartei as duas primeiras, pois eu tinha certeza que esses não eram o motivo de Peter estar assim, ele só podia estar excitado com tudo o que ele estava fazendo.
— Acordou a Bela Adormecida! — Zombou ele. — Adivinha só quem está vindo aqui te ver?
Meus olhos se arregalaram e eu podia sentir as ondas de medo sair do meu corpo. Eu não conseguia acreditar que Peter tinha manipulado Derek a esse ponto.
“Como se eu pudesse esperar outra coisa,” Pensei. Eu sabia que Derek viria e depois que Peter me queimou, era só uma questão de tempo.
— Peter, o que você fez? — Rosnei, enquanto remexia meus braços.
— Só o necessário para conseguir os meus objetivos. Seu namoradinho vai vir aqui te salvar, como o belo príncipe de armadura brilhante que ele é.
— Ele não é um príncipe e ele vai acabar com a sua raça. Derek não vai deixar você sair impune disso. — Eu disse com um rosnado e me forçando na cadeira.
— Você pensa tão bem dele. — Ele riu na minha cara e continuou. — E é melhor você ficar caladinho quando ele estiver aqui. Ele deve chegar aqui em poucos minutos e se você fazer uma ceninha, eu acabo com essa festinha antes do que eu realmente quero.
Eu tinha que fazer o que ele estava mandando. Eu não sabia o que Derek havia planejado para lidar com essa situação, mas atacar Peter ou provocá-lo, não era uma boa estratégia no momento.
— Okay, Peter. Vamos fazer do seu jeito.
— Muito bem, garoto. Se continuar assim, deixo a sua morte para depois da do seu namoradinho. — Ele disse isso com uma risada e eu bufei de indignação.
Depois de alguns minutos, como Peter tinha dito o interfone daquele galpão tocou e eu sabia que ele estava aqui. Eu estava com um sentimento ambíguo de satisfação por Derek ter vindo me salvar, mas também com um sentimento horrível por trazer ele aqui para uma emboscada em que Peter planejava matar eu e ele.
Além do mais, o papel de menino indefeso e frágil que precisava ser salvo pelo seu namorado fodão não estava dentro de mim. Estava maquinando um jeito de fazer Peter pelo menos me dar uma chance de me soltar. Remexi meus pulsos e ainda não havia conseguido me soltar. Cada vez que eu me esfregava contra aquelas cordas, sentia a pele queimar e arder.
Peter me mandou ficar calado e foi atender o interfone. Voltou alguns segundos depois com uma cara de satisfação e se posicionou perto de mim. Derek entrou algum tempo depois, naquela área do galpão e eu me contive para não demonstrar algum sentimento por ele.
Derek olhou para mim, mas manteve também a postura. Eu não sabia o que ele estava planejando, mas esperaria para ver um pouco mais. Eles começaram a conversar nada civilizadamente. Pequenas ofensas foram trocadas ao longo da conversa e aproveitei esse momento para intervir em uma dessas ofensas. Queria colocar em prática algo que já havia pensando.
Eu queria que Peter prendesse os meus braços para frente para que assim eu pudesse me soltar. Não era porque eu era submisso que eu não sabia desatar esses nós de mim. Ainda mais esses fáceis que ele estava fazendo.
“Já escapei de nós piores.”
Com os braços para frente eu conseguiria me soltar facilmente e poder ajudar Derek eventualmente.
Eu tentei fazer Derek entender que eu conseguiria me libertar de um jeito, mas acho que ele não entendeu bem o recado. Mesmo assim, depois que Peter amarrou meus braços para frente eu prestei atenção em como ele fez para conseguir me soltar mais rápido. Porém quando Peter terminou de me amarrar e afastou um pouco, Derek fez o impensável: ele começou a insultar Peter.
“Que porra ele está fazendo?” Rosnei internamente. Insultar Peter só causaria ainda mais raiva nele. Mas aproveitei que ele estava se distraindo com as ofensas de Derek e comecei a trabalhar em desfazer aquele nó.
“Braços cruzados, esquerda, cima...” Repeti a sequência de atos de Peter. Meus pulsos estavam machucados, as cordas grossas de fibra natural queimavam sempre que eu esfregava a pele. Tomei cuidado para trabalhar silenciosamente, sem atrair nenhuma atenção para mim, mesmo que estivesse trabalhando com o limite máximo da dor que estava sentindo. Não queria atrapalhar qualquer que fosse aquele plano insano de Derek.
Toda minha relativa calma foi por água abaixo, quando vi que Derek apontava uma arma para Peter e depois que Peter atacou Derek, que fez com que a arma caísse de um lado e eles do outro, soube que deveria me desamarrar o mais rápido possível.
Naquele momento eu só pensava em me salvar e ajudar Derek ali. Quando eu vi a arma no chão eu só queria me soltar para conseguir pegá-la. Eu esperava que Derek segurasse a onda até eu conseguir me soltar daqui e salvá-lo também. Quando eu me soltei e vi como estava a situação daquela briga meu sangue gelou.
Peter estava em cima de Derek e com uma arma posicionada na cabeça dele. Eu não conseguia pensar em nada além de salvar ele e sair daquele lugar. Corri desesperadamente na direção que a arma de Derek tinha caído no chão, destravei-a e mirei.
Pela primeira vez, percebi o quão útil foram todas as vezes que meu pai me ensinou a atirar.
“Ser o filho do xerife tem suas vantagens.”
Nem pensei ou sequer pisquei para o que eu estava fazendo. Só uma coisa me importava naquele momento:
“Salvar Derek.”
Atirei na cabeça de Peter e vi o seu corpo cair com um baque em cima de Derek. Corri em direção a eles querendo saber se eu tinha conseguido o meu objetivo.
— Não! Não, não pode ser. Derek, por favor não morre... — Eu falava para ele e tirava Peter de cima de Derek, que estava desacordado.
Meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas, mas eu precisava ter certeza. Quando eu olhei para o seu rosto ensanguentado procurando sinais eu notei que não havia marca de bala nele. Limpei os meus olhos para enxergar melhor e averiguei a sua face.
Ele estava acabado, mas ele tinha feito isso por mim. Seu rosto estava quase irreconhecível, mas sem nenhum tiro. Ele tinha um corte não muito profundo na testa e eu comecei a me deixar sentir um pouco aliviado.
Coloquei minha cabeça em seu peito e apesar de fraco o seu coração ainda estava batendo. Comecei a chorar pelo alívio de que ele tinha sobrevivido e o nosso pesadelo tinha enfim acabado.
Continuei chorando, agarrado ao peito de Derek, até que passos pesados quebraram o silêncio do galpão. Com muita dificuldade me ergui e apontei a arma para quem quer que estivesse entrando.
— Scott... — Sussurrei, quando vi meu melhor amigo entrar. Nossos olhares se encontraram e ele correu até mim. Vi algumas pessoas entrando atrás dele, mas não consegui reconhecê-las.
— Stiles!
Scott me envolveu em um abraço que foi capaz me fazer ter forças para ficar de pé. Ele não se importou que eu estivesse sujo, com o corpo de Peter ali do lado ou a arma em minhas mãos. Ele apenas me abraçou e me manteve ali.
— Você me assustou, bro. — Ele disse num murmúrio.
— Eu também estava assustado. Eu não sabia como ia terminar, mas achei que fosse morrer nas mãos dele. Eu achei que não conseguiria sobreviver.
Meu pai se aproximou de nós dois e pude ver o alívio esculpido em seu rosto. O velho também parecia ter passado um sofrimento e tanto, pois parecia que ele tinha envelhecido uns dez anos nos últimos dias.
— Como vocês sabiam onde nos achar? Havia algum plano com Derek? — Perguntei a eles confuso com toda aquela situação, enquanto eu era arrastado para longe de Derek, deixando que os paramédicos cuidassem dele.
— Eu o obriguei a entrar em um plano comigo. — Scott respondeu.
— Depois vamos conversar sobre isso. — Meu pai respondeu incisivamente. — Agora você precisa de um médico.
— Tem uma criança no interior desse galpão. Uma menina, loira, não mais que cinco anos... — Disse, antes de deixar que Scott começasse a me guiar para a porta.
— Xerife! Precisamos pegar o depoimento de Stiles. — Ouvi um policial dizer.
— Agora não, Parrish!
— Mas, Xerife, isso pode... — Ele insistiu.
— Eu já disse que não, Parrish!
— Pai... — O chamei. — Derek... Eu preciso saber dele.
— Vamos cuidar de você primeiro. Derek vai sobreviver. — Ele disse, me ajudando a entrar na ambulância.
Insisti para que eu fosse na mesma ambulância que Derek, mas não me foi permitido. A contragosto entrei em outra e fomos para o hospital. Meu pai e Scott me acompanharam e mesmo quando os médicos insistiram, meu pai não deixou o meu lado, só saindo a pedido de Melissa.
Quando ele estava no corredor, ainda pude ouvi-lo gritar com alguns policiais que se aproximaram dele querendo entrar ou fazer alguma parte burocrática comigo.
— Essa superproteção do meu pai está ficando chata. — Reclamei. Eu entendia o lado dele, mas não via necessidade para que ele ficasse me vigiando pela janela.
— Sabe... — Ela disse, enquanto limpava meu peito. Tentava não me sentir incomodado com aquela queimadura, mas ela parecia ridiculamente grande. — Seu pai ficou bastante calmo quando Derek nos contou que você sumiu, mais calmo ainda quando mencionaram que poderia ter sido Peter. E ele ficou assim durante todas as horas que ficamos juntos na sala... Então Derek foi para o quarto de vocês e isso acabou nos fazendo ir também. Silenciosamente, seguimos até o quarto que estávamos. Nós entramos e seu pai ficou parado de costas para mim, observando o meu reflexo pela porta de vidro que dava para a sacada e quando ele ouviu o barulho da porta se fechar... — Melissa abriu um pacote de gaze e a mergulhou em um liquido vermelho que parecia arder. — Foi ali, naquele minuto, que ele se desmanchou. Eu nunca vi seu pai tão destruído, nem mesmo no funeral da sua mãe. Dê um desconto para ele e esse exagero com uma superproteção em cima de você.
Dei um suspiro ao sentir ela passar aquele líquido em meu peito e um gemido de dor escapou. Ela terminou de limpar de novo e cuidar de todos os meus ferimentos e me deixou descansando por mais algum tempo.
Meu pai entrou logo depois que ela saiu e eu fiquei ali com ele. Ele se sentou na poltrona do meu lado e eu segurei a sua mão até cair no sono. Apesar de qualquer coisa eu amava meu pai e estava muito feliz de poder estar com ele de novo.
Depois que acordei um tempo depois meu pai e Scott estavam no meu quarto, e ambos tinham um sorriso no rosto. Já me animei e comecei a me sentar na cama. Com a ajuda do meu pai me endireitei e perguntei:
— O que vocês estão querendo me dizer? — Disse com a nota de um sorriso na minha fala.
— Derek acordou, Stiles. Você pode ir vê-lo um pouquinho. — Scott disse sorrindo.
Ele sabia como isso era importante para mim. Como eu me sentiria se alguma coisa mais grave acontecesse com Derek ou eu não pudesse ter notícias dele logo. Essa notícia me fez ter um sorriso de orelha a orelha e quase me fez saltitar na cama. Mas ainda estava dolorido.
— Vou te levar até ele, Stiles. — Meu pai disse para mim sorrindo. Estava terminando de colocar minha quando Melissa entrou no meu quarto me dando mais uma dose de analgésicos para dor.
“Jamais veremos o mozão, usando essa coisa constrangedora.” Joe rosnou quando tirei a roupa do hospital.
Depois de tudo pronto, Melissa me medicar e me conferir dos pés à cabeça, Scott e meu pai me escoltar e garantir a minha segurança e bem-estar, eu cheguei até o quarto de Derek. E quando cheguei lá eu quase desmoronei de emoção.
Ele estava machucado, mas estava vivo e ainda era o meu herói. Me aproximei dele na cama. Eu precisava de tocá-lo, para ter certeza de que tudo era real, que estávamos os dois vivos.
— Como você está? — Ele me perguntou. Seus belos olhos verdes, me inspecionavam de cima abaixo.
— Melhor que você. — O respondi. — Quando você tiver alta, eu vou te fazer voltar para cá de tanto te bater de novo! Você enlouqueceu? O que diabos estava fazendo lá?
Estava tão grato por ter visto Derek acordado que não soube como lidar com isso. Eu queria aproveitar que ele estava vivo, para poder matá-lo.
— Você sabia que isso aconteceria, ainda mais depois que ele te machucou. Ninguém machuca minha família e permanece impune.
— Quando você desmaiou, eu achei que tinha morrido. Você sabe o que isso significou para mim?
— Estamos bem. Tudo acabou. Você nos salvou. — A nota de admiração na voz de Derek me deixou tímido. — Você está bem de verdade? Com tudo o que aconteceu? — Derek me olhava docemente, mas a preocupação ali era palpável.
— Se você se refere ao fato de que eu atirei em Peter, eu não me sinto mal por isso. Ele ia matar você. E possivelmente eu... Era ele ou a gente.
— Sim. Ele não ia parar nunca de nos perseguir. — Ele disse com uma certeza, mas um alívio no fundo da sua voz.
Depois de um tempo uma enfermeira veio para o quarto de Derek e disse que precisava medicá-lo e provavelmente ele iria dormir. Depois disso eu perguntei a enfermeira por mais quanto tempo ele ficaria no hospital e ela disse que pelo menos mais dois dias.
Apesar de ter me machucado e sofrido uma queimadura de segundo grau eu não precisaria ficar tanto tempo internado igual Derek. Derek no final das contas tinha apanhado muito no rosto e sofrido uma concussão na cabeça. Então, ele deveria ficar no hospital de observação por mais tempo do que eu.
Depois de algumas horas e muitas medicações, Melissa conseguiu convencer o meu médico me dar alta e disse que se responsabilizava por mim e por cuidar dos meus ferimentos. Toda aquela chatice de troca de curativo e medicação na hora certa.
Todos queriam me levar para casa para descansar, mas eu não iria sair dali sem Derek. Chris e Allison estavam também juntos no quarto com Derek e eu não iria sair de perto dele até que ele estivesse 100%.
Entramos todos no quarto de Derek e depois de um papo descontraído a enfermeira veio nos avisar que só poderia ficar um no quarto agora. Chris, Allison, Scott, papai e Melissa me olharam com um olhar conhecedor plantado ali do lado de Derek e sorriram para mim enquanto saiam do quarto me deixando sozinho com meu namorado.
— Ainda dói? — Ele perguntou, enquanto acariciava meus pulsos. Eles estavam vermelhos e em alguns pontos machucados pela fricção entre minha pele e a corda.
— Um pouco. Ele daria um péssimo Dom, Derek. — Disse com sarcasmo e fiz Derek soltar uma risada. Ao ouvir aquele som, me senti incrivelmente melhor.
— Qualquer um que não fosse eu, seria um péssimo Dom para você, meu bem.
— Convencido.
— Você teve alta? — Acenei positivamente. — Porque não vai para casa descansar então? — Ele sugeriu.
— Porque eu não quero descansar. Não sem você. Eu avisei a todos que passaria a noite aqui com você. E as enfermeiras.
— Stiles... você precisa dormir. Está se fazendo de durão, mas sei que está morrendo de dor. Ele pegou pesado com você. — Derek me olhou de cima a baixo. Eu queria poder fingir melhor, porém sabia que ele não iria acreditar. Usava uma camisa dele para evitar o atrito entre os machucados e o tecido. Eu tinha pedido para Scott trazer para mim antes.
— Eu posso dormir aqui. — Disse, me enfiando na cama com ele. Nós ficamos coladinhos um no outro e não existia um lugar que eu queria estar mais no mundo do que nos braços do amor da minha vida.
— Teimoso. — Derek rosnou, mas deixou que eu ficasse ao lado dele.
— Eu te disse, não sou um submisso passivo. Sim, Peter pegou pesado, mas de qualquer forma, eu não ia conseguir dormir. Pelo menos, não sem você.
Ficamos nos encarando por alguns segundos, antes que eu me aninhasse em seu peito e deixasse que ele me acariciasse.
— Eu te amo. Obrigado por ter me salvado. — Sussurrei, dentro do seu abraço. Derek deslizava suavemente seus dedos em meus cabelos.
— Tanto quanto eu, babe.
Ficamos aconchegados um no outro até qua a medicação de Derek começasse a fazer efeito e ele cair no sono e eu com a paz e quietude que Derek transmitia me deixou mais leve e a vontade para dormir também.
No outro dia de manhã depois de vários exames de novo em Derek, troca de curativos em mim e medicações para dor, eu e Derek conseguimos ir ver Malia. Nós tínhamos conversado sobre ela mais cedo e eu tinha contado tudo o que tinha acontecido lá no galpão para Derek. Ele ficou encantado com a menina, eu não sabia que ele era assim tão ligado com crianças. De qualquer forma eu também tinha gostado da menina e fomos vê-la no quartinho dela.
— Vocês já descobriram quem é ela? — Perguntei. Malia estava dormindo docemente, alheia a situação que estava.
— Não. Scott e John estão trabalhando nisso, mas até lá... — Melissa olhou para Derek e depois para mim.
— O que foi? — Derek perguntou.
— Ela precisará de um guardião. O governo não vai cobrir o tratamento dela e sem isso, o hospital quer saber quem pagará. Infelizmente, se ninguém pagar, ela receberá “alta”.
— O que ela tem? —Eu e Derek perguntamos ao mesmo tempo.
— Pneumonia em estágio avançado. Além de anemia. Essa menina parece não ter recebido alimentação decente.
— Nós cobriremos o tratamento, pelo menos até descobrir quem é a família dela. É só uma criança. — Derek disse com convicção. E eu sabia que ele nunca deixaria uma criança sem ajuda.
Melissa estava nos contando o que poderia acontecer com ela no sistema do Estado e sobre o caso clínico dela, quando eu escutei uma voz aguda dizendo no quarto.
— Você foi embola. — Ela disse, visivelmente chateada comigo e com um beicinho no rosto.
—Desculpe. Você sabe... Peter me pegou e eu não consegui escapar. — Eu disse me aproximando dele do lado da cama.
— Ele fez dodói em você? Ele é mal.
— Sim, ele era muito mal. Mas agora ele não vai mais poder nos machucar. Nunca mais.
— Quem é ele? — Ela sussurrou para mim notando pela primeira vez Derek no quarto. Melissa estava no cantinho só observando toda a interação de longe.
— Este é Derek, meu namorado. Até nós descobrirmos quem são seus pais, nós vamos cuidar de você, tudo bem?
Malia ficou olhando desconfiada para Derek, mas assentiu.
— Ei, lindinha. — Derek falou para ela. Malia segurou forte minha camisa quando ele se aproximou. — Está tudo bem. Eu não vou te machucar. Eu trouxe isso para você. — Ele entregou um embrulho que ele tinha comprado na lojinha do hospital antes de vir visitá-la. — É para te agradecer por ter sido corajosa e fechado aquela janela e por ter cuidado do Stiles.
Malia abriu o embrulho com um entusiasmo que só uma criança tem e quando viu um belo lobo de pelúcia branco ela quase pulou de animação em cima da cama.
— Brigada Derk. — Ela disse animadamente agarrada ao lobo. — É lindo!
Olhei para Derek e não pude deixar de sorrir. Ele sem dúvidas sabia como lidar com a crianças.
— Malia... Depois que você melhorar de todos os seus dodóis você vai para nossa casa, okay? — Derek falou docemente. — Lá nós temos uma piscina bem grande. Você gosta de nadar?
— Eu não sei nadar. — Ela disse tristemente.
— A gente te ensina, que tal? — Sugeri.
Malia estava genuinamente animada para aprender a nadar e prometemos a ela que assim que ela estivesse totalmente melhor, iríamos ensinar.
Derek recebeu alta no mesmo dia que Malia e depois de lidar com a burocracia de nos tornar “guardiões temporários” dela fomos para a Mansão. Apesar que eu tinha certeza que meu pai e Melissa minimizaram bastante toda a parte burocrática para que nós não nos preocupássemos tanto.
— Uau! — Ela disse, fazendo um biquinho tentando assobiar. — É grandona!
Derek riu da sua reação e por fim, acabei rindo com eles.
— É grande mesmo. Você vai gostar daqui. — Disse, enquanto a ajudava sair do carro. Entramos em casa e encontramos meu pai e Scott no escritório. Allison se ofereceu para ficar com Malia enquanto conversávamos e aquilo parecia realmente ser sério.
— O que aconteceu? — Perguntei, quando entrei no escritório e encontrei os dois nos encarando.
— Precisamos conversar. — Scott disse. Aquilo ativou todos meus alertas e já estava imaginado logo o pior.
— Okay...Sobre o quê? — Eu podia dizer que Derek estava desconfiado, tanto quanto eu.
— Malia. — Meu pai respondeu num suspiro.
— O que tem ela? — Perguntei aflito. Ao invés de me responder, Scott deslizou um papel dobrado e quando o abri, foi como se levasse um tapa na cara bem forte. — Isso é algum tipo de brincadeira?
Olhei para Derek que estava tão surpreso quanto eu e depois, novamente para a certidão de nascimento de Malia, como se esperasse que a resposta mudasse, mas lá estava.
“Filiação: Peter Hale
Evelyn Tate”
“E eu achando que nada mais ia piorar.”
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