Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
96 Capítulo 96 - A caçada...
Notas iniciais
Brittany estava apavorada com o que tinha acabado de ouvir. Santana disse com todas as letras que Puck havia atirado nela. Ele não era apenas amigo de todas elas, como era o amigo com quem ela dividia um apartamento agora. Alguém em que ela pensou que podia confiar cegamente. Ela estava com ele quando soube que Santana estava hospitalizada. Ele havia acabado de chegar em casa quando ela disse que precisava ir ao hospital. Ele a levou até lá. Ele a acompanhou e parecia tão nervoso quanto ela. Como ela poderia imaginar que ele tinha outra razão para estar tão apavorado também?
Rachel não sentia a mesma coisa que Brittany. Já fazia um tempo que ela não sentia tanta empatia por Puck. Mas o que sentia era algo perto de um tipo de desespero que ela nunca tinha sentido antes. Ela sentia um pavor imenso do que aquilo causaria em Quinn. Quais as consequências daquele acontecimento na vida da loira?
Havia um branco em sua mente. Uma quase ausência de som. Quinn sentiu o tempo correr em câmera lenta. Lembranças... Memórias passavam devagar em sua cabeça. Noah em sua vida desde sempre. Noah refletido em detalhes de Beth. Noah sendo um completo idiota... Sua melhor amiga estava no hospital após ser baleada por uma das figuras mais emblemáticas de sua vida. O pai de sua filha. O cara que lhe jurou amor por toda a vida... Havia uma vantagem enorme, entre tantas outras, em ser um gênio. Quinn não precisava buscar respostas em outros lugares quando toda a lógica das coisas parecia estar diante dela. Ela não precisava perguntar o motivo. Ela não precisava... Ela sabia que o motivo era ela mesma... Respirou fundo e tentou manter a calma que parecia querer escapar por seus dedos. Olhou Santana tentando ficar calma também, fechando os olhos para aliviar a dor que ainda sentia. Mas foi quando olhou Rachel que seus sentimentos pareciam expostos dentro daquele quarto. A morena logo identificou o ódio nos olhos verdes, agora completamente vermelhos...
[FLASHBACK ON]
Santana tinha saído tarde de Columbia. Tinha ficado horas na biblioteca sem perceber que o tempo havia passado. Quando se deu conta, saiu correndo com os livros que conseguia carregar. Já estava escuro há muito tempo e sabia que pegaria o metrô cheio naquela hora. Deveria ter pedido à Quinn para buscá-la, mas sabia que a amiga não estava tendo uma semana fácil. Preferiu não incomodá-la. Ela se lembraria de não vacilar daquela forma novamente e sair mais cedo da próxima vez. Mas eis que um sorriso surgiu em seus lábios quando a caminho do metrô avistou Puck em sua direção. Parecia perfeito! Ele não apenas poderia ajudá-la a carregar os livros, como poderia acompanhá-la até em casa. Respirava mais aliviada quanto mais perto ele chegava:
S: Ainda bem que encontrei você! Parece até que um anjo te enviou para me ajudar!
Ela separou metade dos livros para entregá-los quando ouviu a voz dele dizendo algo que não fazia sentido:
P: Me perdoe! Por favor, eu não tenho escolha!
S: Do que você está falando?
Foi rápido demais! Quando ela se deu conta seu corpo parecia queimar bem perto de seu coração. Os livros foram ao chão e Puck não estava mais lá. Tudo ficou escuro...
[FLASHBACK OFF]
Q: Britt e Rach... Vocês não vão sair deste hospital até que eu volte aqui e garantir que estão em segurança. Vocês entenderam?
R: Aonde você pensa que vai? [perguntou preocupada]
Q: Eu vou encontrá-lo! [disse séria]
R: Quinn! [aproximou-se rápido] Isso é trabalho para a polícia! Você não vai dar uma de heroína agora! Pelo amor de Deus! Deixe que a polícia descubra porque ele fez isso. Deixe que a polícia faça o trabalho dela.
As mãos de Rachel tremiam. Ela sabia que não conseguiria segurar Quinn ali. Ela sabia. Mas ela precisava tentar. Precisava!
R: Pelo amor de Deus! Não me deixe! Não me deixe!
Quinn segurou nas mãos trêmulas da morena e sentiu o coração despedaçar por aquilo. Ela não podia atender àquele pedido.
Q: Santana não era o alvo principal. [começou a explicar] Santana foi só o começo... De alguma forma ele pretende chegar a você e Santana foi só um aviso. Para me atormentar. Para me avisar que não acabou ainda. E eu não vou permitir que isso aconteça. Eu não vou permitir que ele se aproxime de você de novo nessa vida. [jurava]
R: O que você quer dizer com isso? Como assim?
Q: De alguma forma Puck está ligado a Russel. De alguma forma ele vai tentar terminar o que Russel não conseguiu. E eu não vou deixar que ele consiga.
R: Isso é loucura, Quinn! [disse desesperada] E se ele apenas surtou?
Quinn soltou as mãos de Rachel e segurou o rosto da morena. Aquele rosto que tanto amava...
Q: Jackson é o nome do policial que está fazendo sua segurança agora. Ele fará a segurança de vocês três quando eu sair. Só ele, apenas ele é de confiança. Não há mais ninguém em quem eu confie para proteger você além de mim. Se qualquer pessoa, qualquer uma, aparecer dizendo que foi enviada por mim, é mentira! É a mais pura mentira.
Quinn abriu a bolsa e retirou de dentro dela uma arma brilhante. Uma arma diferente da que ela tinha antes. O Agente Cooper não aceitou legalizar a arma que ela tinha comprado clandestinamente, então lhe deu uma arma já legalizada do acervo do FBI. Fazia parte do acordo...
Q: Você vai ficar com isso. [mostrou à morena] Ao primeiro sinal de perigo você vai segurar assim e puxar dessa forma para destravar.
Os olhos de Rachel arregalaram ao se deparar com Quinn dando instruções de como atirar.
Q: Não mire a cabeça ou o coração. Mire mais ao centro, onde você terá mais área para acertar.
R: Você... [assustou-se] Só pode estar brincando...
Brittany acariciava os cabelos de Santana sem querer se intrometer entre elas. Ela sabia que Quinn não ficaria ali. Ela sabia que a amiga era teimosa e decidida demais para ficar sentada esperando as coisas acontecerem... Se tinha uma coisa que a fazia se sentir protegida naquele momento, era saber que Quinn sairia dali à caça de Noah Puckerman. Ela não poderia ser contra aquilo... Ela precisava esquecer que ela e Santana já não eram um casal. Ela precisava esquecer que o amigo com quem ela dividia o apartamento tinha tentando matar a pessoa que ela amava. Ela precisava apenas fechar os olhos e só abri-los quando estivesse tudo bem...
Q: Eu não estou brincando! [colocou a arma na bolsa de Rachel] Isso não é uma brincadeira!
Quinn pegou o celular e passou uma mensagem. Dez segundos depois um homem alto e forte, trajando um sobretudo preto apareceu na porta do quarto. Era Jackson, o policial que vinha fazendo a segurança de Rachel e em quem Quinn disse que ela poderia confiar. A morena o olhou atentamente e concluiu que nunca o tinha visto na vida. Ele devia realmente ser bom, pois não se deixou ser visto por ela em nenhuma situação...
Q: Este é Jackson. E como eu falei ninguém além dele é confiável!
A loira o olhou e ele assentiu firme, como se concordasse com ela. Aproximou-se dele e o encarou séria:
Q: Rachel Berry é minha namorada, minha mulher, minha família... Ela é tudo para mim e nada pode acontecer a ela. Nada! Nem um arranhão. Brittany e Santana não minhas melhores amigas e nada mais pode acontecer a elas. Estou entregando a maior parte do meu mundo para você proteger. Se você falhar... Se você... [respirou fundo para olhá-lo com mais firmeza ainda] Eu destruo o seu...
Rachel a puxou pelo braço:
R: Pare com isso! Eu não vou deixar você sair daqui. Se eu vou ficar, você vai ficar também!
Quinn a puxou pela cintura e a beijou de repente. Um beijo mais intenso do que seria adequado na frente das pessoas. Um beijo profundo. Um beijo que tentava dizer mais do que as palavras...
Q: Eu vou voltar... [cortou o beijo] Eu sempre vou voltar pra você...
Quando Quinn a soltou, Rachel se sentiu vazia. Ainda sentia as mãos tremendo, mas agora era o corpo todo que acompanhava aquele movimento...
R: Não! Pelo amor de Deus! Não!
Rachel tentou segurá-la, mas Quinn se afastou depressa e logo Jackson estava entre elas, impedindo que a morena corresse atrás da loira. Quando Quinn virou para olhá-la, já no final do corredor, Rachel sentiu que não a veria novamente... Nunca mais parecia muito tempo...
B: Deixe-a ir! Você sabe que não pode impedi-la...
A morena se virou assim que ouviu a voz da amiga... Olhou-a de forma confusa. Jackson se afastou um pouco para dar privacidade às três, colocando-se de prontidão na porta...
R: Não é tão fácil assim! [tentou não se irritar]
B: Enquanto ela não terminar com isso, ela não vai ter paz. [disse calma] Enquanto ela não tiver a certeza de que nada de ruim vai te acontecer, ela não vai sossegar... Deixe-a ir, para que ela sinta que fez de tudo...
R: Mas e se ela não voltar? E se acontecer alguma coisa com ela? [chorava]
B: Reze... Reze para que o Puck não esteja tão pirado assim...
Quinn levava o celular ao ouvido. Duas chamadas e logo o Agente Cooper atendeu:
Q: Noah Puckerman... Esse é o nome que a polícia deve caçar. E eu preciso que você mande reforço para o hospital, mas não deixe que ninguém se aproxime de Rachel. Ela tem ordens expressas minhas de não confiar em ninguém e de atirar em qualquer pessoa que estranhamente se aproxime dela. Alías, eu preciso que você me dê outra arma.
Cooper: O que aconteceu com a arma que eu te dei?
Q: Está com a Rachel, claro! De que outra forma ela atiraria? [questionou o óbvio] E eu preciso logo. Preciso de uma arma em menos de trinta minutos. Estou indo ao apartamento de Noah Puckerman. Vou te mandar o endereço por mensagem. Faça alguém me levar uma arma.
Cooper: Quinn, você não é da polícia. Esse não é seu papel. Deixe que mandarei homens para lá. Fique fora disso.
Q: Se você não me arrumar uma arma, eu resolverei tudo com uma faca, ou um bastão... Eu não vou deixar de resolver isso porque você não quer atender ao meu pedido.
Quinn dirigia sem qualquer cautela por NY. Avançando sinais, fazendo ultrapassagens proibidas. Seu telefone tocou e era Rachel. A loira não poderia se distrair. Não atendeu... Logo depois Agente Cooper a ligou. Ela prontamente colocou no viva-voz:
Cooper: Há dois carros da polícia indo ao apartamento de Noah Puckerman e eu estou a caminho. Fique fora disso, Quinn!
Q: Tarde demais! Já estou na frente do prédio. Vou entrar com ou sem arma. Está me entendendo?
Cooper: Quinn... Rastreamos as ligações dele e descobrimos que ele teve contato com seu pai.
Q: Russel não é meu pai. [disse irritada]
Cooper: Quinn... Isso vai além de um surto qualquer. Por favor, pare onde está! Não sabemos do que ele é capaz. O telefone dele está desligado. Não conseguimos saber onde ele está agora! Por favor, fique onde está!
Quinn já estava com o telefone ao ouvido. Ela já tinha subido as escadas. Ela não precisava de ordens nem pedidos de ninguém.
Q: Foi bom falar com você, Agente Cooper!
A loira desligou o telefone e o colocou no bolso. Foi esperta ao deixar a bolsa no carro. Nada poderia atrapalhá-la... Olhou ao redor e avistou um extintor de incêndio no fim do corredor do prédio. Tirou da parede e voltou. Posicionou-se diante da porta de Puck e ergueu o extintor, arremessando-o com força na maçaneta. Foi um movimento preciso. Suficiente para arrebentá-la e a porta se abrir com um simples chute.
O apartamento estava uma bagunça. Coisas jogadas pelo chão. Ela correu em direção ao quarto do Puck e se deparou com roupas jogadas pela cama. Nenhuma mala à vista.
Cooper: Você é muito teimosa e louca! [chegou de repente]
Q: Vocês são muito lerdos! [reclamou] Ele já foi!
Cooper: Você não pode se arriscar dessa forma e se meter no trabalho da polícia! Ele poderia estar aqui e atirar em você!
Q: Ele pode estar louco, ou seja lá que tipo de safadeza é essa, mas não sou eu quem ele quer. E vocês foram atrás de mim para pedir minha ajuda. Vocês me fizeram ajudar a encrencar o Russel ainda mais! Não venham me usar só quando for conveniente. Eu tenho um cérebro que vai fazer o trabalho de vocês, então pare de choramingar e me dê estrutura. Me dê condições de achar Noah Puckerman antes que ele se aproxime da Rachel novamente. [exigiu]
Cooper: Você tem noção de quantas leis eu estarei infringindo se te der outra arma? [questionou exausto] E se te deixar agir como uma justiceira?
Q: Se você quiser eu cito todas. Uma a uma... Não esqueça que sou um gênio! Então use a porra da minha genialidade para alguma coisa. Me dê recursos para achar Noah Puckerman agora! [gritou]
Quinn estava no escritório do FBI. Mais precisamente no 25º andar. Era um laboratório cheio de computadores com alguns dos mais avançados sistemas de localização instalados em uma única sala. A loira sentou no computador que estava mais perto de um quadro branco. Talvez ela precisasse fazer anotações. Talvez não...
Cooper: Está bom para você?
Ela olhou ao redor e deu de ombros:
Q: Não é nenhuma NASA, mas dá para o gasto...
Dois policiais especialistas em tecnologia foram colocados à disposição dela, mas ela mal olhou para eles. Assim que o computador começou a iniciar, Quinn digitou um comando que o fez entrar em modo de segurança. Numa rapidez que ninguém conseguia compreender, a loira entrou no sistema do FBI, acessando códigos que nem os policiais ali presentes tinham conhecimento. Era impressionante a forma como ela dominava um sistema que não fazia parte da sua realidade. Um sistema que era ensinado em um treinamento longo e complexo para os policiais que trabalhavam com ele. Com um comando muito simples para ela, Quinn fez uma televisão da sala ligar. Logo descobriram que ela estava acessando as câmeras de segurança espalhadas pelas ruas de NY. Todos, não apenas o Agente Cooper, estavam impressionados com o que ela estava fazendo. Quinn parecia uma hacker experiente. Ela não perguntava nada. Ela simplesmente sabia. Nem ela tinha noção do quão natural era toda aquela tecnologia para seu cérebro... Da mesma forma que ela tinha rastreado as contas de Russel para a polícia, agora ela rastreava os passos de Noah Puckerman. Logo a sala estava repleta de policiais segurando copos de café, sedentos por acompanhar as maravilhas que aquela jovem loira fazia com o computador. Não demorou para que todas as televisões do laboratório estivessem ligadas, cada uma com um local diferente da cidade, mostrando os últimos passos de Puck, até que ele não aparecia mais. Não demorou para que ela, mesmo sem autorização, acessasse remotamente o celular dele, mesmo desligado. Os hackers mais experientes do FBI estavam boquiabertos com a agilidade dela...
Rachel não parava de ligar para ela:
Q: Eu estou bem! [atendeu]
R: Volta pra cá, Quinn! Por favor! Eu vou enlouquecer de preocupação! [implorou]
Q: Fique tranquila! Estou cercada por policiais. Estou rastreando o Puck pelo sistema de segurança de NY. Não estou correndo por aí com uma arma. Ok? Fique tranquila. Há policiais na rua fazendo isso...
Rachel respirou aliviada:
R: Então você só está sendo um gênio e ajudando a polícia a achá-lo?
Q: Sim... Pode ficar sossegada. E não saia daí!
R: Ok... Agora eu poderei ficar mais calma...
Q: Eu te amo! Ok?
R: Eu também te amo!
Quando Quinn desligou, o Agente Cooper sorriu:
Cooper: Você mente bem!
Q: Só não queria preocupá-la!
Cooper: Porque você não torna sua mentira verdade e fica mesmo aqui enquanto resolvemos isso pra você? Já colheram todas as informações de Santana Lopez. Toda NY está em busca do Puckerman...
Q: Não sei por que você gasta sua saliva tentando me convencer de algo que sabe que não vai conseguir. Puck não é uma pessoa qualquer. Ele é o pai da minha filha. Ele era amigo da Rachel, da Santana, da Britt... Era meu amigo... [disse com a voz firme] Eu preciso encontrá-lo. Eu preciso dar um fim nisso, pois a culpa é minha. Tudo isso está acontecendo por causa do Russel... Então pare de me pedir espaço. Pare de me pedir para ficar quieta.
Cooper: Preciso iludir minha consciência...
Q: Quem sou eu para interromper suas ilusões?
A fúria de Quinn a fazia uma pessoa completamente determinada. Ela nem percebia isso. Ela não percebeu que não caiu, que não fraquejou. Ela não percebeu que não estava chorando, questionando a vida ou Deus. Ela não percebeu que estava sendo uma leoa. Ela não precisava perceber. Todas as pessoas a sua volta percebiam por ela...
Agente Cooper puxou uma cadeira e sentou ao lado dela:
Cooper: Quinn... Precisamos de alguém como você... Quando tudo isso acabar, prometa que vai sentar comigo para conversarmos sobre sua futura carreira no FBI...
Q: Eu já disse que não quero. Nem tenho idade para isso...
Cooper: E eu já disse que podemos abrir uma exceção para você. Você é tudo o que precisamos. E muito mais!
Quinn não tirou os olhos da tela e aquilo fez com que ela não tivesse mais condições de falar. Ela empurrou a cadeira para trás, puxou a arma do Agente e saiu correndo. Ninguém entendeu nada até entender tudo. Quinn tinha acabado de localizar Noah Puckerman, mas ele ainda não tinha sido visto novamente em nenhuma das telas onde todos acompanhavam aquela caçada. Mas na tela do computador que Quinn usava havia uma nova pista que ela tinha acessado do celular dele. Cooper leu antes de correr atrás dela. Na tela ficou congelado o que Quinn entendeu como uma lista: “Santana, Shelby, Rachel, Quinn”...
Puck ainda não tinha terminado. E a loira sabia muito bem onde encontrá-lo...
[CONTINUA...]
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