Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
95 Capítulo 95 - O nome...
Notas iniciais
Quinn estava calada há bastante tempo. Batia o pé direito compassadamente esperando o tempo passar. Rachel estava ao seu lado, sentindo a mão dela sobre a sua. O cheiro de hospital trazia lembranças ruins...
O telefonema falando que Santana havia sido baleada fez com que a loira e a morena corressem até o hospital sem sequer se lembrarem de avisar a alguém. Quando lá chegaram, Quinn tentou obter o máximo de informações possíveis, mas tudo o que ela conseguiu saber foi que a latina estava em cirurgia. Rachel fez o que sua consciência mandou e logo telefonou para Brittany, enquanto Quinn também se preocupou em fazer uma ligação. A morena pensava que a namorada estava falando com os pais da amiga. Mal sabia que Quinn estava falando com a polícia. Não a polícia que já estava cuidando do caso, esperando Santana acordar para saber mais detalhes sobre o crime. Mas a polícia que ela conhecia...
Brittany chegou desesperada, acompanhada de Puck. Quinn sentiu o sangue ferver ainda mais ao vê-lo ali. Ela queria distância dele, mas não podia recusar sua presença naquele momento, afinal ele era amigo de Santana e de Britt, além de dividir o apartamento com a amiga loira.
O tempo passava e nenhuma notícia era dada. Acharam melhor não ligar para ninguém mais antes de saber melhor sobre o estado de Santana. Brittany estava em pé. Não conseguia relaxar sentada. Encostou-se à parede e lá ficou por muito tempo... Puck, por sua vez, demonstrava um nervosismo imenso. Quinn o observou tremer de longe, já que ele evitou ficar perto. Ela sabia o quanto Santana era importante para ele também.
O medo de que Santana morresse era o que todos sentiam. Quinn estava apática, sentia-se vazia...
Sentiu o beijo de Rachel em seu ombro e a olhou atenta:
R: Eu vou buscar alguma coisa para comermos.
Assim que a morena se levantou sentiu a mão de Quinn segurar firme em seu pulso:
Q: Você não vai a lugar nenhum sozinha!
A voz de Quinn era firme, imperativa.
R: Não é longe, Quinn! Não vou demorar.
Quinn a puxou com cuidado, fazendo-a sentar novamente:
Q: Você não vai sair de perto de mim. Entendeu?!
Rachel a olhou cuidadosamente, tentando decifrar o comportamento dela. Não demorou a entender:
R: Você não está pensando que quem atirou em Santana tem a ver com o Russel, está?!
Quinn não respondeu.
R: Meu amor... Fala comigo! O que está passando pela sua cabeça?
Q: Não foi aleatório... [disse séria]
R: O que te faz pensar isso?
Q: Eu sei!
R: Quinn, olha pra mim! [a loira obedeceu] Nova York é uma cidade grande. Assaltos acontecem e coisas do tipo. Foi com Santana que aconteceu isso. Não foi comigo, nem com você. Não faz sentido você pensar nisso.
A loira se levantou e passou a mão nos cabelos. Observou novamente Puck nervoso ao fim do corredor. Ela o olhou firme e ele desviou o olhar... Estendeu a mão para Rachel:
Q: Vamos procurar algo para comer...
Aproximou-se de Brittany e perguntou se a amiga queria alguma coisa. Ela não queria nada. Só queria Santana bem. Só queria Santana novamente...
Era preciso passar por Puck para chegar onde queriam. O rapaz impediu que Quinn passasse:
P: Tem um cara que não sai desse andar. Ele já rondou por aqui umas 5 vezes em uma hora... Você não acha isso estranho?
Q: É o segurança da Rachel! [disse seca]
R: É? [surpreendeu-se] Cadê ele? Eu quero vê-lo! Quero saber quem é! [disse ansiosa]
Q: Eu já disse que é melhor você não identificá-lo.
P: Por que a Rachel tem um segurança?
Q: Porque eu quero!
A loira forçou a passagem e carregou a namorada consigo, deixando para trás um Puck intrigado...
Não demoraram a voltar. Pensaram em Brittany e em como deveria estar a cabeça da loira naquele momento. Tanto Quinn quanto Rachel já estiveram naquela situação: esperando notícias de seu amor numa circunstância de vida ou morte.
Sentaram-se nos mesmos lugares. Rachel estava deitada no ombro de Quinn, enquanto a loira fazia carinho em seu braço. A morena não quis mais conversar sobre a teoria de que o tiro de Santana não tinha sido aleatório. Não queria discutir. Não era o momento...
Q: Você tem entrevista em Juilliard mais tarde.
R: Eu não vou...
Q: Como não vai? [surpreendeu-se]
R: Eu vou remarcar!
Q: Você não pode fazer isso. Não vai ser legal pra você!
R: Claro que posso! Tenho um motivo muito forte para isso. Minha amiga está baleada no hospital. Não tenho condições emocionais de ir para entrevista nenhuma. Muito menos de deixar você sozinha numa hora dessas. Você está gelada!
Q: Eu não vou ficar sozinha. Porque eu vou com você! Não vou deixar você se afastar de mim nem por um segundo.
R: Quinn... [respirou cansada] O que está acontecendo? Não tenta parecer tranquila! Como eu disse: você está gelada. Eu sei que você quer sair daqui porque não aguenta imaginar Santana não saindo dessa!
A loira baixou o olhar constrangida...
R: Além do mais tem um segurança no meu encalço, não tem?! Ele poderia me acompanhar. Mesmo assim, eu não vou. Estou preocupada com você, com Santana, com a Britt... Nada mais importa além disso. Não hoje...
Q: Já disse... [encarou-a novamente] De perto de mim você não sai!
R: Mas o policial que me vigia...
Q: Posso pedir pra dispensá-lo. Ou ele nos protegerá. Porque não existe mais eu e você separadamente. Existe “nós”. E não vamos a lugar nenhum separadas.
A firmeza de Quinn demonstrava que ela não desistiria, não mudaria de ideia, não deixaria nada impedi-la de cuidar da namorada. E Rachel não quis mais tentar impedi-la...
R: Tudo bem! Não vou discutir com você por causa disso!
Q: Então vamos à Juilliard!
R: Não vamos! Não importa Juilliard, Columbia, NYADA, nada disso! Não vamos sair daqui!
Um médico e uma médica apareceram procurando por quem estava com Santana Lopez. Brittany se adiantou e logo se aproximou dos dois, que ainda trajavam roupas cirúrgicas:
B: Pode falar para mim. Por favor! Como ela está?
M: Sou o Dr. Molière. Essa é a doutora Lutacker. Conseguimos extrair a bala, mas Santana teve hemorragia durante a cirurgia. Por sorte, conseguimos estabilizá-la.
B: Ela está bem? [perguntou esperançosa]
M: Ela vai ficar...
Brittany pulou sobre os dois médicos e os abraçou. Ela estava feliz demais por saber que Santana sairia dessa...
M: Mas vamos mantê-la sedada por mais algumas horas. Ela precisa se recuperar bem.
B: Como assim?
Q: É só para protegê-la...
Quinn se aproximou, decifrando o que o médico dizia. A loira tinha experiência nisso, infelizmente...
B: Mas...
M: Não se preocupe! Ela vai acordar. Apenas tenha um pouco de paciência...
Brittany abraçou Quinn com força e chorou forte. Um pranto sofrido que representava o medo de perder o amor de sua vida sem dizer a ela o quanto ainda a amava... Quinn também chorou. Discretamente. Tentando não chamar muita atenção. Era sua amiga, seu braço direito que estava ali depois de ser baleada. E ela tinha certeza que aquilo não era coincidência do destino. Ela sabia que tinha a ver com ela. E a culpa a dominava...
Puck se sentou ao ouvir a notícia. Seu corpo inteiro tremia. Ele não sabia mais o que fazer ali... Ele não sabia...
As horas passavam, já era dia há um bom tempo e brittany não saía de perto da latina. Acariciava a mão dela delicadamente, sentindo o coração apertar ao ver o tubo enfiado em sua boca.
Havia três policiais esperando Santana acordar para colher seu depoimento. Enquanto isso, Rachel pensou em procurar Puck. Ela queria pedir que ele levasse Brittany para descansar um pouco, mas ela não o viu mais... Quinn não tirava os olhos dela. Não a deixava sozinha nenhum segundo... Ouviram o chamado agoniado de Brittany. Correram para a UTI e viram Santana acordando. A latina se debatia, tentando lutar contra o tubo em sua garganta. A médica plantonista se aproximou e tentou acalmá-la, explicando que tiraria o tubo... A tosse da latina foi o som que trouxe o alívio para as três. Ela estava bem, estava acordada, estava viva.
Seus olhos se abriram assustados. Ela tentava encontrar alguma coisa. Estava apavorada. Quinn se aproximou mais e tentou olhar diretamente em seus olhos. Tentou passar calma para ela. A latina parecia completamente atordoada. Abriu a boca e finalmente falou. Ela disse um nome. Ela disse um nome...
O sangue de Quinn gelou, Rachel sentiu as pernas fraquejarem e Brittany ficou chocada.
Aquele nome... Um pavor se apossou do corpo de Quinn. Aquilo não fazia sentido. Não podia ser. Não parecia real! Um pavor que a fez sentir a loucura batendo em sua mente... Aquele nome...
Ela iria caçá-lo até o fim do mundo... E ela não hesitaria em matar... Ela não hesitaria...
Aquele nome...
“Puck”...
[CONTINUA...]
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