Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

87 Capítulo 87 - Lados iguais...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Ellie Goulding - Love Me Like You Do

Quinn estava sentada com Beth em uma toalha quadriculada de “pic nic” ensinando a garotinha a jogar xadrez. Rachel e Shelby acharam engraçado e pensaram em questionar a loira sobre a complexidade do jogo para uma criança tão jovem, mas sequer chegaram a falar nada, pois Beth demonstrou interesse nos cavalinhos...

Estavam no Central Park, duas semanas depois do desagradável encontro entre Quinn e seus avós. Rachel e Shelby conversavam em um banco próximo:

Sh: Vocês estão precisando de dinheiro?

R: Por enquanto, não! A conta da Quinn foi bloqueada antes de conseguirmos retirar o dinheiro, mas deu tempo de trocar o carro. Santana já tinha adiantado as coisas, então teoricamente o carro novo é meu...

Sh: Você me parece incomodada...

R: Estou incomodada. A Quinn está voltando a se fechar e eu sei que é por causa disso. Ela é orgulhosa demais para aceitar que eu sustente a casa.

Sh: Mas tente relevar. É recente. Faz alguns dias...

R: O suficiente pra ela ficar mais calada e rejeitar coisas que fazíamos antes como jantar fora. Ela já começou a querer evitar gastos extras, mesmo que em silêncio... Enfim... Mas não foi por isso que eu quis te encontrar.

Sh: Não?

R: Não... [limpou a garganta] Quero sair de NYADA e gostaria de ter sua opinião sobre isso.

Sh: Largar NYADA? [surpreendeu-se]

R: Sim... Eu não estou feliz lá. É algo que já venho sofrendo há algum tempo e conversando com a Quinn. Ela achou importante conversar com você. Ela acha que você poderia me entender.

Shelby sorriu. Era bom ouvir que Rachel a procurava em situações importantes, principalmente sabendo que Quinn a apoiava nisso...

Sh: Mas você desejou tanto e se esforçou para estar ali! Por que não se sente feliz?

R: Eu criei uma expectativa enorme em cima de tudo. Lá não é tão complexo como eu esperava nem como eu preciso que seja. Alguns professores são medíocres e ir pra lá se tornou algo desgastante... [dizia um pouco triste]

Sh: Mas o que você pretende fazer ao sair de NYADA?

R: Tentar entrar em Juilliard.

Sh: Sério?! [sorriu animada]

R: Sério! Juilliard já tinha sido uma opção para mim e eu acabei optando por NYADA por causa do foco em teatro musical. Mas diante de tudo o que vi lá eu concluí que é específico demais e acaba sendo um sistema falho de ensino. Eu sinto que sei mais coisa do que eles tentam me ensinar. Eu não sei se é porque a Quinn estuda comigo em casa e ela é um gênio. Não sei... Só sei que talvez Juilliard tenha mais tradição e mais conteúdo e me acrescentar.

Sh: Sem dúvida Juilliard é uma excelente opção! Se você quer mesmo minha opinião, eu confesso que acho que Juilliard tem muito mais a ver com você!

R: Me fala mais sobre como é...

Sh: Claro! Claro... [sorriu] Você quer que eu te leve lá? Quer que eu te mostre as coisas, as pessoas? De repente isso pode ajudar e...

R: Não! [interrompeu] Eu não quero que você facilite minha entrada lá. Eu quero merecer!

Sh: Mas você merece!

R: Eu quero sentir que mereço. Você é minha mãe, mas não temos o mesmo sobrenome. Eu prefiro o anonimato por enquanto... Não quero ficar conhecida como a filha da professora...

Sh: Mas eu posso te ajudar a organizar seu material para tentar uma vaga?

R: Claro! [sorriu agradecida] Eu pretendo me desligar de NYADA o mais rápido possível...

Sh: Então esse é um assunto resolvido! [sorriu] Vamos voltar a falar sobre o que está acontecendo com vocês?

R: Depende... O que mais você quer saber?

Sh: Não sei... Estou preocupada em haver uma crise que afaste vocês.

R: Ela se afasta mentalmente. Fisicamente estamos bem próximas.

Sh: Exemplifique.

R: Ela está estressada com o bloqueio dos bens, estamos em época de pagar as contas e eu terei que assumir a maioria delas.

Sh: Mas isso é normal em uma relação.

R: Não numa relação com a Quinn. Ela gosta de assumir tudo. O fato de ela receber uma bolsa generosa de Columbia faz com que ela pense que deve pagar mais coisas, pois o meu dinheiro é todo dado por meus pais. Agora que a conta dela foi bloqueada, ela não tem acesso à bolsa ainda, nem ao dinheiro que a Judy transferia mensalmente. Judy nem consegue acessar a própria conta também. Eles foram rápidos com esse bloqueio. Então ela está mergulhando nos livros. Cada vez mais livros, dos mais variados temas e não conversa comigo. Ela só pergunta sobre o meu dia. Quando pergunto sobre o dela só ouço que foi “normal”. Ela me faz falar sem parar para que ela não precise fazer o mesmo...

Sh: Mas o que significa a parte física?

R: Significa tudo. Ela continua carinhosa, continuamos fazendo sexo...

Sh: Ok! [sorriu encabulada] Não precisamos entrar em detalhes...

R: Desculpe... [corou] É que é algo tão vital na nossa relação que... Desculpe...

Sh: Tudo bem! Eu sei que temos que falar sobre sexo. Eu sou sua mãe e esse assunto deve ser livre, mas ainda estou me acostumando com o fato de ser mãe de uma mulher e não só de uma garotinha... [sorriu carinhosa]

R: Eu entendo... Mas se você me vê como uma mulher isso tem muito a ver com a Quinn. Minha relação com ela me fez assim, me fez crescer. O sexo com ela faz com que eu me conheça sempre mais. Então é algo importante que eu gostaria de poder falar com você sem te constranger.

Sh: Me desculpe... Eu não quis parecer conservadora.

R: Não pareceu! [sorriu calma] Não se preocupe!

Beth se aproximou das duas correndo:

B: Mamãe! Eu “sabe” jogar “xadlez”! Eu “sabe”! [dizia animada]

Quinn se aproximou com um sorriso orgulhoso. Ela realmente havia conseguido fazer a garotinha entender as regras do jogo. Sentou-se ao lado de Rachel e beijou-lhe o ombro discretamente:

R: Desconfio que esteja mesmo diante de uma “mini gênio”! [sorriu orgulhosa]

Q: Talvez... [sorriu encabulada] Vem comer alguma coisa... [puxou-a para o pic nic] Eu trouxe suas frutas, seus grãos, seu suco... Não desperdice!

R: Não vou desperdiçar...

De volta ao apartamento, Quinn preparava o jantar e Rachel a ajudava:

R: Lembra que Santana disse que achava que a Britt estava saindo com alguém?

Q: Lembro!

R: Puck disse à Shelby... Quer dizer, à minha mãe, que a Britt está saindo com uma garota. Eu não tenho coragem de dizer isso à Santana. [disse triste]

Rachel havia conversado com a latina, deixando claro que não tinha interesse em permanecer com um clima chato entre elas. Independente da seriedade da briga que tiveram, ela estava disposta a deixar aquilo pra trás e aceitar a proposta de Santana em mostrar que merece a amizade dela.

Q: Droga! [virou-se para olhá-la] Tem certeza?

R: Tenho! É uma garota de Juilliard.

Q: Eu vou dar um jeito de conversar com a Britt antes de falar qualquer coisa sobre isso com Santana.

R: Acho que é uma boa ideia...

Rachel sentia a língua de Quinn deslizando por seu pescoço enquanto a loira a penetrava com intensidade. Os dedos da morena mergulhavam nos cabelos da loira, buscando sustentação... Era a quarta noite seguida que elas transavam. Apesar de o sexo ser algo importante na relação delas, não havia essa frequência tão intensa. A morena estava adorando desfrutar daquela intimidade todos os dias, mas não podia deixar de perceber que era uma fuga de Quinn, que buscava o contato carnal com mais frequência para evitar ter que conversar...

Quinn distribuía chupões intensos pela pele morena. Deslizava os dentes, a língua... Rachel se sentia cada dia mais desejada. E ela era... A loira buscava em seu corpo o refúgio para se acalmar e fugir da bagunça de sua mente...

Desde que seus avós saíram de seu apartamento, Quinn não parou de pensar no quão desequilibrada era a família Fabray. Ela sentiu de novo aquele medo que tinha de se descobrir igual ao Russel. Havia em seus avós uma frieza egoísta que a fez se lembrar de si mesma na época da escola. Ela já tinha sido cruel com Rachel e com outras pessoas. O que garantia que ela não era capaz de voltar a ser? Esses pensamentos passaram a incomodá-la. Ela sabia que não fazia sentido, mas ao mesmo tempo parecia fazer. Ela observava Rachel e se dava conta da força do amor que sentia por ela. Era aquele amor que a salvaria de ser uma Fabray de verdade...

Q: Eu te amo... Eu te amo...

Rachel ouvia os sussurros de Quinn e sentia seu corpo responder com mais desejo àquela declaração. Era como se a loira estivesse se desculpando pelo silêncio e deixando claro que nada tinha a ver com o amor que sentia...

Quinn sentia beijos insistentes em sua pele, em sua boca. Rachel a beijava com carinho, tentando acordá-la:

R: Bom dia, meu amor...

A pele quente da morena estava colada na dela. Aquela nudez que elas valorizavam tanto entre elas...

Q: Bom dia... [sorriu suavemente]

R: Vou preparar nosso café enquanto você desperta...

Rachel já havia preparado a mesa e estava esperando a cafeteira terminar seu serviço. Avistou os livros de Quinn espalhados no sofá e foi até lá. Tentou organizá-los e percebeu a variedade de temas: teatro, literatura inglesa, matemática, física quântica, anatomia, psicologia, neurociência, engenharia espacial, alemão... Encontrou alguns papéis entre eles e sua curiosidade foi maior do que tudo. Eram formulários de inscrição em cursos e em cargos. Estranhou... Quinn estava pensando em trabalhar e não disse nada? Voltou à cozinha ao ouvir o apito da cafeteira. Sentou-se calma e esperou a loira chegar.

Quinn beijou-lhe delicadamente os lábios e comeu tudo o que a morena preparou para ela. Rachel manteve a calma e esperou que a loira se alimentasse corretamente...

R: O que são aqueles formulários de emprego misturados aos seus livros?

Q: Hã?

R: Você me ouviu, Quinn... [disse calma]

Q: São o que são... Formulários de emprego.

R: Para quem?

Q: Para mim! [disse firme]

R: Você pensa em trabalhar na NASA, por exemplo?!

Q: É uma opção...

Rachel a olhou um pouco em silêncio e se levantou. Quinn a acompanhou com o olhar e a viu ir até os formulários. A morena voltou à cozinha com eles na mão:

R: Não! [rasgou-os] Nada disso é uma opção!

Q: Rachel! [surpreendeu-se] O que você fez?

R: Pare! Pare agora de se fechar em um mundo paralelo! [disse ríspida]

Q: Você não pode me impedir de fazer o que quero!

R: Não posso? [perguntou desafiante] Quer pagar pra ver?

Q: Qual o problema em trabalhar na NASA? Ou no Departamento de Biologia? Esses formulários são oportunidades de empregos bons, que pagam bem e onde eu poderei usar minha inteligência para algo útil.

R: O problema é que você vai trabalhar no que te faz feliz e não no que der mais dinheiro. Não estamos passando fome para que você sacrifique seus potenciais.

Q: Mas o meu maior potencial é minha inteligência, não é?!

R: Claro que não é! Você é muito mais do que um Q.I.! Você passou a vida inteira tentando ser mais do que um gênio e agora quer botar tudo a perder por causa do seu orgulho!

Q: Orgulho?!

R: Orgulho! Faz só duas semanas que você mergulhou nessa angústia por causa dos bens da sua família. Eu tenho deixado você livre para falar sobre o que quiser e quando quiser. Tenho me beneficiado da sua necessidade física de me tocar. Mas não vou permitir que isso continue se você me mostra que está seguindo o caminho errado. [dizia irritada]

Q: Esse apartamento não é barato. O carro que temos agora é mais luxuoso e requer uma manutenção mais cara. Precisamos de dinheiro!

R: Podemos ir morar com nossos pais. Aquela casa é enorme! Podemos vender esse carro. E eu tenho dinheiro!

Quinn se levantou e caminhou agoniada em direção à sala com Rachel em seu encalço:

Q: Você não pode estar falando sério! Não pode estar mesmo cogitando a hipótese de irmos morar com eles.

R: Você quem levantou a questão do apartamento!

Q: Nós moramos juntas! Esse é o nosso universo! Você quer sair disso? [perguntou indignada]

R: Você está deturpando as coisas! O que está havendo, Quinn? Cadê nossa comunicação? Conversa comigo! Se em duas semanas já estamos brigando, imagina daqui a um mês!

Q: Não estamos brigando!

R: Estamos sim! Você está fugindo de uma conversa sobre seu orgulho, sobre seus medos!

Q: Não é orgulho!

R: É sim! Por que é que o seu dinheiro é nosso e o meu dinheiro é só meu? Nossos lados são iguais! Nossas responsabilidades são as mesmas!

Q: Eu não quero ser sustentada por seus pais! Eu não quero! Eu preciso ser capaz de nos manter! [disse agoniada]

Rachel se aproximou dela:

R: Olha pra mim! [pediu calma]

Q: Não briga comigo... [pediu fragilizada] Me deixa cuidar da gente... Eu não quero perder o controle sobre...

R: Mim? Nós?

Q: Não briga comigo... [choramingou]

R: Hey... [continuou calma] Porque se meu dinheiro pagar as contas significa que meus pais estão te sustentando, mas se o seu dinheiro pagar você está “cuidando da gente”? Por que é diferente?

Q: Porque é!

R: É nosso dinheiro, Quinn! Já tínhamos definido isso. Tudo aqui é nosso. Você não pode agora desconsiderar isso. São nossas responsabilidades!

Q: Mas o seu dinheiro é dos seus pais.

R: Nosso! Nada é meu! Tudo é nosso! [disse firme] Você vem pagando tudo pra mim! Tudo! Cinema, teatro, jantares, gasolina, feira... Você pensa que não percebi, mas você sempre se coloca à frente e paga tudo. Se formos dividir o que é meu e o que é seu, eu devo estar em dívida com você.

Q: Nada disso!

R: Nada disso?

Q: Nada...

R: Então você pagar tudo isso pra mim é natural? Significa que o que é seu é meu?

Q: É... [respondeu constrangida]

R: Mas se eu fizer o contrário, se eu pagar isso tudo é sustento vindo dos meus pais?

Q: Rach...

R: Não! [interrompeu] Você não vai mudar as regras desse relacionamento. Pare de querer ter o controle sobre tudo. E, principalmente, pare de fugir de mim!

Q: Eu não estou fugindo de você!

R: Sexo não me engana, Quinn! Não pense que estar presente fisicamente me impede de perceber que você está mentalmente ausente. Entenda que você não vai arrumar um emprego para botar mais dinheiro nessa casa. Se você quiser trabalhar terá que ser em algo que te faça feliz.

Q: Pare com isso... [pedia]

R: É simples! A partir de hoje você vai conversar comigo sobre tudo de novo. Nós saímos hoje com a minha mãe porque segui seu conselho de pedir a opinião dela sobre sair de NYADA. Estou dando meus passos. Você dará os seus em Columbia. A partir de hoje vamos conversar sobre suas vontades e aspirações, como já combinamos faz tempo e não cumprimos. Vamos chegar à conclusão do que você realmente quer fazer da vida e só assim você vai escolher um emprego, caso queira. Mas que seja algo ligado à carreira que tem a ver com você.

Q: Não é tão simples assim!

R: É sim! Simples demais! Veja só a simplicidade... [olhou-a desafiante] Ou é assim ou não haverá mais sexo!

Q: O quê?! [assustou-se] Pare com isso! Nem ouse misturar as coisas! [contestou]

R: Só haverá sexo a partir de agora se houver comunicação. Sem comunicação, será zero sexo, sem beijo e uma de nós dormindo no sofá... Fui clara?

Rachel estava falando muito sério e Quinn não podia negar. O tom de voz imperativo e a expressão da morena não deixavam qualquer dúvida...

Q: Isso não é justo! E você não vai aguentar!

R: Quer apostar?

[CONTINUA...]

Notas finais
Eu adoro a música do capítulo e ela foi sugestão de um anônimo no ask! Obrigada! Quanto ao capítulo: espero que gostem! Veremos mesmo uma greve de sexo de verdade? Será que Rachel vai aguentar? Há uma série de coisas a resolver nessa reta final da parte 2! Aguardem! Quanto às outras fics: Estou trabalhando em todas, então nada de pensar que abandonei alguma, ok?! Aguardem novas atts! Comentem! Beijos!