Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
84 Capítulo 84 - O centro de tudo...
Notas iniciais
Quinn entrava na frente e segurava a porta para Rachel passar. Era uma sala de aula imensa, que mais parecia um auditório. Havia dezenas de alunos prestando atenção ao professor que mostrava slides sobre física quântica em um projetor multimídia. A loira escolheu dois lugares ao fundo e a morena a seguiu. Rachel havia se recuperado e estava pronta para voltar à NYADA quando descobriu que lá estava interditado devido à necessidade de dedetização, depois que alguns alunos avistaram ratos passeando pela biblioteca.
Quando Quinn a convidou para levar Frannie ao aeroporto e para passar um dia em sua companhia em Columbia, a morena não pensou duas vezes. Ela já havia dito o quanto sentia falta de estudar com a loira. Passar um dia inteiro com ela naquele ambiente, mesmo que fosse em outro contexto, já a realizava de alguma forma...
R: Não estou entendendo nada do que ele está falando... [sussurrou para a namorada, que sorriu] Você está entendendo tudo, não é?! [Quinn assentiu levemente]
A morena se aproximou um pouco mais e se aconchegou no ombro da loira. Ela sabia que talvez não fosse o comportamento adequado numa sala de aula, mas a pouca iluminação fazia parecer quase um cinema. Era impossível não se sentir à vontade.
R: Podemos ficar assim?
Q: Claro! [beijou-lhe os cabelos]
A loira se sentia mais à vontade do que nunca se sentiu ali. Pela primeira vez, Columbia parecia o lugar certo... Durante quase uma hora, Quinn observou tudo o que o professor dizia, enquanto Rachel se mantinha em silêncio, apenas acariciando o braço da namorada.
Q: Vamos sair? [sussurrou para ela]
R: Mas... [afastou-se para olhá-la] A sua aula ainda não acabou!
Q: Eu já sei tudo isso o que ele está falando. E sei sobre tudo o que ele vai falar. [disse tranquila] Podemos sair...
R: Se você diz...
Assim que saíram da sala, Quinn retirou um papel do bolso e mostrou à Rachel. Era uma lista enorme de aulas específicas:
Q: Aqui está a lista que eles fizeram para mim. Segundo a alta cúpula de Columbia, isso aqui vai me ajudar a decidir o que eu quero ser.
Algumas aulas já estavam riscadas, pois já tinham sido assistidas. Rachel lia o papel e identificava que havia uma enorme variedade de temas. Eles tinham mesmo se preocupado em oferecer à Quinn muitas opções...
R: Acho que dessa vez você descobre o que quer fazer. [constatou]
Q: Sinceramente? Não estou mais tão preocupada com isso... [disse sincera]
R: Não? [ergueu os olhos para encará-la]
Q: Senta aqui...
As duas se sentaram em um dos vários banquinhos espalhados pelo campus...
Q: Eles me fizeram conversar com um conselheiro educacional. Na verdade, três... Eles tentaram entender porque eu, com o meu QI, não tenho empatia com outras áreas além das artes, literatura... Talvez psicologia. Mas que, por mais que eu saiba muito, ou tudo, sobre exatas, não é algo que realmente me agrade. De alguma forma, é muito difícil para as pessoas entenderem que eu não quero usar meu QI para me beneficiar profissionalmente. É mais difícil ainda para eles aceitarem que não quero fazer grandes diferenças para a humanidade.
R: É tão estranho ter essa noção da sua inteligência! Porque você é tão acessível a mim! [disse encantada] Você é extraordinária! Eu sei! Não há como negar... Mas eu não me sinto intelectualmente inferior. Você não permite isso e eu sei que não é proposital. É tão natural! Você é tão natural! [disse apaixonada]
Q: Que bom que você pensa assim! [sorriu feliz]
R: Eu penso! Sua inteligência não me oprime, não me amedronta! E eu não acho que você deva usá-la de uma forma diferente da que te deixa confortável!
Q: Eu sei... Mas ainda tem mais...
R: Mais o quê?
Q: Eles me encheram de perguntas. E isso acabou me fazendo refletir. Sobre o meu passado. Na escola, eu não tive crises desse tipo. Eu não precisava ter. Conversei com a Frannie sobre isso e procuramos a fundo, até encontrarmos a razão porque a escola foi tranquila para mim e Columbia não.
R: Encontraram?
Q: Sim... Mas é bom lembrar que na escola eu não precisava fazer muitas escolhas. O objetivo era um só: Me formar. As matérias eram obrigatórias e eu não tinha que escolher. Eu sabia todas, mas não era um sacrifício ficar ouvindo e lendo sobre coisas que eu sabia demais!
R: Mas você se sentia sozinha...
Q: É verdade... Mas eu tinha artifícios que faziam ser mais fácil. Eu tinha amigos que faziam as aulas passarem rápido. Tinha o Glee Club e as Cheerios. [olhava-a com um sorriso doce] Hoje, aqui, eu tive a melhor aula desde que entrei em Columbia.
R: Teve? Essa aula chata e complicada? [fez uma adorável careta] Essa foi a melhor? Não me admira que você não tenha se apegado a nada aqui.
A loira deu uma gargalhada deliciosa, o que fez a morena se arrepiar e se sentir leve com a noção de que pequenas coisas ainda tinham efeitos deliciosos entre elas...
Q: Tive... Depois de conversar com os conselheiros educacionais, com Frannie e refletir sozinha, eu percebi aquilo que já estava na minha cara há muito tempo...
R: O quê? [perguntou curiosa]
Q: Você!
R: Eu o quê?
Q: Você, meu amor, é o diferencial!
R: Estou meio insegura para dizer que não entendi e parecer burra, mesmo que você nunca tenha permitido que eu me sinta assim...
Mais uma gargalhada doce de Quinn e a morena teve certeza de que se ela gargalhasse outra vez, ela a arrastaria até o banheiro mais próximo...
Q: Eu consegui não me sentir entediada com a escola porque eu tinha você ao meu redor. Tinha você em todos os lugares, preenchendo a minha atenção. Eu tive as Cheerios e o Glee Club, mas nada disso teve a força que você teve e tem. Hoje, essa aula chata de física quântica foi a melhor de todas que eu já tive aqui em Columbia porque, finalmente, você estava comigo... Você, Rachel Berry, é o diferencial. Eu ia para a escola porque tinha você lá. Mesmo que eu não percebesse isso na época... Hoje eu sei. Eu ia para te ver, para estar perto de você. Tudo tinha relevância porque tinha você. Eu não quis pular etapa alguma, porque eu queria viver as etapas que você vivia... Eu poderia hoje estar lá na frente, formada, profissional de qualquer coisa... Mas cada dia teria sido chato, como tem sido a maioria dos dias aqui, sem você na cadeira ao lado.
Rachel tentava enxugar umas lágrimas que haviam teimado em cair...
R: Por que você faz isso comigo?
Q: Isso o quê?
R: Falar assim...
A morena encostou a testa no ombro da loira, que a envolveu com os braços, dando beijos ternos em sua cabeça...
Q: Hoje é um dia feliz, meu amor...
R: É? [moveu-se para olhá-la]
Q: Hoje eu sei que nada aqui me fará tão feliz quanto eu fui na escola por ter você ali, na mesma sala de aula. Nada aqui me fará tão feliz quanto eu sou em casa, com você.
R: E essa conclusão é feliz? [perguntou confusa]
Q: Você é o centro de tudo. O centro do meu tudo! Como não ser feliz assim? [sorriu feliz] Eu não preciso buscar respostas aqui. Posso aproveitar tudo o que me oferecem e vou aproveitar. Vou assistir a todas essas aulas dessa lista e prever tudo o que os professores vão falar. E farei tudo isso satisfeita porque eu sei que quando o sinal da última aula tocar, eu vou correndo para casa, atrás do diferencial da minha vida. Vou até você, onde sou feliz...
Rachel soprava suavemente a pele branquinha de Quinn e observava o arrepio que causava. O lençol se retorcia com seus movimentos e ia expondo suas peles nuas. A pouca iluminação do quarto, contrastava com a que entrava pela janela. Já era noite e a lua era testemunha do que acabaram de fazer. Amor... Quente, selvagem, calmo, completo... Rachel devorou cada pedaço de Quinn da melhor forma que pôde. Ela precisava ter feito aquilo. Em cada chupão, cada mordida, cada lambida ela deixou um pouco de sua declaração de amor. Ela precisava tentar se igualar ao que a loira havia feito mais cedo. Ela precisava deixar claro que todo esse investimento sentimental que Quinn fazia nela era válido...
A loira gemia com a sensação de delicadeza que a morena agora aplicava em sua pele depois de marcá-la... Ela chegou ao orgasmo mais de uma vez e Rachel parecia insaciável...
R: Hoje eu te amo mais...
Sugou o lóbulo da orelha de Quinn tão logo terminou de falar...
R: A cada dia eu te amo tão mais...
Fez o mesmo movimento novamente... Quinn gemeu mais uma vez e sorriu diante da delícia que era Rachel nua, com parte do corpo sobre suas costas, deslizando os dedos por sua pele suada, usando a voz mais sensual que poderia para dizer coisas lindas...
R: Não vejo a hora de casar com você...
A loira, que até então estava desfrutando do carinho de olhos fechados, abriu-os rapidamente diante do que tinha ouvido. Rachel sorriu ao perceber a reação da namorada e esperou que ela dissesse algo... Quinn se moveu para se virar e a olhou um pouco confusa:
Q: O que você disse?
R: Nenhuma novidade... [sorriu travessa] Vamos nos casar, isso é fato!
Q: Mas você falou como se quisesse que fosse logo...
R: Eu quero ontem! [aconchegou-se ao corpo dela] Mas já vivemos como se fôssemos casadas... Quando oficializarmos, quero sentir a diferença. Não quero que seja apenas formalidade. Teremos nosso próprio dinheiro, suficiente para não precisarmos mais de ajuda de nossos pais. Nossas bolsas não são o suficiente. Teremos condições de morar em um lugar maior...
Q: Você pensou em tudo! [sorriu suavemente]
R: Eu? [moveu-se para olhá-la] Penso nisso o tempo todo... Em ser sua para sempre, de todas as formas... Não vejo a hora de casar com você! [repetiu] E sempre ser ainda mais sua do que já sou...
Q: Rachel Berry... [olhou-a sorridente] Você quer se casar comigo um dia?
R: Eu já disse, Fabray! Você já tem meu sim há muito tempo...
Agora era a morena quem dormia, enquanto a loira desfrutava de seu corpo com delicadeza, aspirando o perfume mais perfeito do mundo... Aquele era mesmo um dia feliz. Quinn não foi leviana ao dizer aquilo. Desde a primeira aula que assistiu em Columbia, ela sempre sentiu que faltava alguma coisa. Durante muito tempo, achou que faltava desafio. Faltava dificuldade que tornasse as aulas mais interessantes. Ela tinha a amizade de Michael e, apesar de ele ser maravilhoso, ele não era motivo para sair de casa e ir às aulas. Ela amava fotografia e literatura. Amava cinema... Mas sabia que poderia desfrutar disso tudo sem precisar ir à faculdade, pois ela já sabia de tudo sobre tudo o que realmente gostava... Ela riu sozinha ao se dar conta de que a resposta sempre esteve diante dela e ela parecia não enxergar. Rachel era a resposta para tudo. Era o que ela disse: o diferencial. E ela precisou de menos de 60 minutos ao lado dela para entender que Columbia fazia sentido com a morena ali. Tudo fazia sentido quando ela estava... E era em momentos como o que estavam compartilhando, na cama delas, que ela percebia como era simples ser feliz. Como era simples ser feliz com Rachel. Como ela tinha sorte...
Santana se arrastava pela sala, sem entender quem estaria batendo na porta tarde da noite. Deu de cara com Quinn vestida com um roupão no meio do corredor:
Q: Quer começar a se redimir?
A latina a olhou confusa, tentando organizar os pensamentos e processar o que tinha acabado de ouvir...
S: Desculpe. O que disse? [perguntou sonolenta]
Q: Quer começar a se redimir comigo e Rachel?
S: Quero. Claro! O que... O que eu posso fazer?
Quinn lhe entregou um papel e a olhou tranquila:
Q: Preciso que me ajude com isso. Sei que você é a pessoa perfeita para me ajudar...
Santana lia as anotações de Quinn e balançava a cabeça em concordância. Ela sabia que não poderia dizer não à amiga e sentia saudades de ser seu braço direito em missões como aquelas.
S: Ok! Eu ajudo... E assim estaremos bem? [olhou-a expectante]
Q: Já será um começo... Um começo...
A loira lhe sorriu suavemente e voltou ao apartamento. Ela tinha uma Rachel nua para a qual voltar...
[CONTINUA...]
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