Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
43 Capítulo 43 - "Você precisa acordar..."
Notas iniciais
Havia uma semana do acontecido. Havia uma semana que Rachel não saía do hospital. Em nenhum momento ela aceitou sair. Para nada! Dormia, tomava banho, comia (pouco), passava todos os dias ali, à espera de Quinn acordar. Tentativas não faltaram para fazê-la sair daquele ambiente. Todas em vão... Repórteres ainda se amontoavam à porta do hospital, querendo imagens novas sobre a tragédia de Lima. E, finalmente, a morena havia falado com a polícia. Relatar tudo o que tinha ocorrido fez com que ela regredisse um pouco em seu estado emocional, deixando-a frágil novamente... Beth havia sido convencida de que Quinn tinha precisado voltar para Nova York e aquilo tinha deixado a garotinha triste. Não parecia que ela havia acreditado completamente nessa história. Frannie voltou de Londres para acompanhar o estado da irmã e fazer companhia à Judy. Tentou manter-se forte pela mãe e por Rachel, mas seu coração estava despedaçado por ver sua Quinnie presa aos aparelhos da UTI. Puck, treinadora Sylvester, Shelby, Hiram, Leroy, Finn, Sam, Santana e Brittany iam todos os dias visitar e dar força à Rachel. Kurt e Blaine haviam chegado de Nova York dois dias depois de toda a confusão. Quando reencontrou o amigo, Rachel não disse nada, apenas ficou mais de 20 minutos abraçada a ele com força, em silêncio absoluto.
O estado de saúde de Russel também era delicado. Os médicos o mantinham em coma em uma ala distante daquela enquanto aguardavam ordens da justiça para transferi-lo para outro hospital. Em nenhum momento Judy quis saber dele...
A rotina da morena tinha se resumido em ficar sentada por horas na UTI olhando para a namorada e pedindo silenciosamente a Deus para fazê-la acordar. Rachel ignorava os pedidos para que ela saísse de lá, as instruções de que não era permitido ficar ali por tanto tempo. Ela não queria saber... Ela só sairia dali quando quisesse. Quando conseguisse... Todo fim de tarde ela se aproximava ainda mais de Quinn beijava demoradamente a mão direita repousada sobre a cama. Deslizava carinhosamente o dedo pela palma e pelas costas da mão, pacientemente, sem perceber o tempo passar. Ficava naquele silêncio inevitável que tinha passado a significar um diálogo entre elas. Era assim que ela queria pensar: que era um diálogo especial... Horas depois a morena se levantava e passava a acariciar delicadamente os cabelos da namorada, beijando-lhe a testa com extremo carinho, fazendo uma declaração de amor diferente a cada dia...
R: Espero que você esteja me ouvindo, meu amor... [dizia baixinho] Por mais difícil que pareça voltar pra mim, por favor, não desista! Porque eu não vou desistir de te esperar, ok?!
Rachel dormia cerca de quatro horas agitadas por noite, tendo que tomar calmantes para conseguir realmente relaxar. Havia exigido uma medicação fraca, pois queria acordar logo e voltar à rotina de velar o sono de Quinn. Hiram fazia de tudo para tornar a estadia da filha no hospital o mais normal possível, mas aquilo fugia de toda a normalidade de procedimento do local. Ali não era um hotel, afinal. Mas se era onde Quinn estava, enquanto ela ali estivesse, para Rachel, aquela era sua casa...
A morena estava sentada no corredor anterior à UTI, tentando tomar um copo de café acompanhado por uma torrada simples, quando Leroy, Judy e Frannie sentaram ao seu lado fazendo-a se sentir encurralada com os olhares preocupados que recebeu.
L: Filha?
Ela não gostou do tom de voz de seu pai. Sabia que quando ele falava daquela maneira era porque tinha alguma coisa desagradável a dizer ou um pedido a lhe fazer, e não passava por sua cabeça, naquele momento, qualquer pedido dele que ela pudesse atender de bom grado.
R: Pai... [murmurou]
L: Precisamos conversar...
A morena olhou para Judy e Frannie, percebendo um semblante de concordância com o que Leroy falaria. Respirou fundo e encarou o pai para ouvi-lo...
L: Filha... [limpou a garganta para continuar] A cirurgia da Quinn foi um sucesso, como já sabemos... Os médicos fizeram tudo o que estava ao alcance deles. Mas o coma em que ela se encontra é uma incógnita. É normal, já que a cirurgia foi na cabeça, mas não há, ainda, uma explicação exata para o porquê de ela continuar dormindo...
R: Onde você quer chegar, pai?
Ela não estava com paciência para ouvir detalhes sobre o estado de saúde de Quinn. Para ela, era tudo muito simples: ela estava dormindo e precisava acordar. E uma hora isso iria acontecer. Tinha que acontecer...
L: Não se sabe ao certo quando ela poderá acordar...
R: Não se sabe ao certo? [perguntou incomodada] Não minta pra mim, pai! Esses médicos incompetentes não têm capacidade nem pra saber se ela vai acordar. [dizia irritada] Foi o que disseram ontem. Que não sabiam! Eu sei que vai! Ela vai acordar! Mas se dependesse deles, eu poderia simplesmente duvidar disso!
L: Filha, você está sendo rude! [repreendia] Os médicos salvaram a vida de Quinn.
R: E eu devo agradecer por isso? [perguntou em um tom de voz mais alto]
L: Você poderia fazer isso...
R: Mas não vou! É a obrigação deles! [levantou-se irritada] Eles não fizeram mais do que a obrigação deles em salvá-la! Eles ganham muito bem para isso! Não foi um favor! [exclamou] Eles recebem dinheiro para estar aqui e no fim do expediente eles saem pelas portas desse hospital e vivem as vidas deles normalmente. Isso aqui é trabalho, não é filantropia. Eu tenho noção do quão caro está sendo manter a Quinn aqui! Então não me venha falar em agradecer a eles por terem feito o trabalho deles. Porque eles são obrigados a fazer isso! [finalizou um pouco mais calma]
Judy a puxou pela mão e a fez se sentar de novo. Frannie observava Rachel e mantinha-se quieta, analisando o comportamento da morena a fim de traçar seu perfil emocional e se colocar à disposição dela para ajudá-la.
J: Ouça seu pai, querida. Apenas ouça... [disse suavemente]
O tom que Judy empregou na voz era tão calmo, que Rachel não tinha como desobedecer. Sentou-se e esperou que Leroy concluísse:
L: Deixando de lado essa discussão sobre os médicos, eu quero falar sobre você.
R: Exatamente o quê sobre mim? [perguntou ríspida, sentindo o aperto repreensivo de Judy em sua mão] Desculpe... [murmurou ao perceber que não devia utilizar aquele tom com seu pai]
L: Sobre sua rotina. Sobre seus estudos... [prosseguiu]
R: Hã?
Aquilo era algo tão irrelevante para Rachel naquele momento, que sequer parecia um assunto real a se conversar.
L: Eu acho que você precisa pensar em voltar às aulas. [disse de uma vez]
R: Minhas aulas são em Nova York. [disse firme]
L: Você deveria voltar...
R: Você me ouviu dizer que minhas aulas são em Nova York? [perguntou ríspida]
L: Isso é óbvio, filha!
R: Assim como é óbvio que, por isso, eu não vou!
L: Rachel, você não pode abandonar sua vida! Você é jovem e precisa se ocupar, pensar em você, manter sua rotina e seguir em frente. Não sabemos quando Quinn acordará e você não pode simplesmente esperar que isso aconteça para voltar a viver.
Rachel não acreditava no que havia acabado de ouvir. Aquilo lhe soava tão ofensivo que ela teve que respirar fundo para não perder o controle com seu pai.
R: Você não pode me pedir isso... Isso não pode ser sério!
Entendendo a forma como a morena estava se sentindo e ouvindo a voz trêmula com que ela havia falado, Frannie trocou de lugar com Judy e puxou o rosto de Rachel para olhar para ela. Usaria de uma sensibilidade que Leroy, com sua preocupação com a filha, não conseguiu demonstrar:
F: Rachel... [chamou calma] O que seu pai está querendo dizer é que o dia em que a Quinn vai acordar é uma incógnita. Pode ser amanhã, depois de amanhã, daqui a dois meses... Não sabemos. Mas eu sei que ela não vai gostar de saber que você largou tudo enquanto ela dormia. Ela está sendo bem cuidada e não falta gente para ficar aqui. Talvez seja melhor pra sua cabeça voltar à NYADA logo para não se atrasar nos estudos. Você passa a semana em Nova York e volta para passar o fim de semana aqui com ela...
A morena ouviu cada palavra dita por sua cunhada. Em nenhum momento pareceu que perderia o controle e agiria de forma ríspida com ela. Olhou bem para seu rosto, desviou para olhar o de Judy e, finalmente, o de seu pai:
R: Pai... [sua voz era calma] Já seria errado eu voltar pra Nova York e deixá-la aqui só pelo fato de que ela largaria tudo por mim. Aliás, ela tentou largar... Ela tentou largar a própria vida por mim! [sua voz embargou, mas respirou fundo e voltou a falar] Ficar ao lado dela, mesmo sem saber quando ela vai acordar, é o mínimo que eu posso fazer. Só que, além disso, eu simplesmente não posso seguir em frente sem ela porque eu não sei mais... Eu não sei mais seguir sem ela, que é o cheiro que me guia, o sorriso que me sustenta, o gosto que me alimenta, o sonho que me move... [fechou os olhos por alguns segundos, tentando manter a respiração estabilizada, abrindo-os com um novo brilho] Se não houver ela em meu caminho, eu simplesmente não vou mais querer caminhar, pai... Então não me diga que eu tenho que pensar em mim, porque eu já estou fazendo isso. Pensar em mim é pensar nela, é pensar em nós. Eu não existo mais sozinha...
Depois disso, nenhum dos três ali presentes tinha qualquer argumento a ser utilizado, apenas um nó imenso em suas gargantas...
Algumas horas depois, Rachel estava novamente velando o sono de Quinn, acariciando a mão dela como fazia todos os dias...
R: Você precisa acordar, meu amor! [dizia carinhosa, com a voz chorosa] Todo mundo fica tentando me convencer a voltar pra Nova York, mas eu não posso ir sem você! E não me importa se você vai brigar comigo por isso quando acordar, mas eu não vou voltar e deixar você aqui! Por favor, não se chateie, tá?! Não vamos brigar por isso, ok?!
Enquanto a morena se mantinha em sua nova rotina diária com Quinn, seus pais, Judy e Frannie se encontravam na casa de Shelby para decidirem algumas coisas. Hiram mantinha-se ao telefone com uma corretora de imóveis em Nova York, enquanto Shelby falava para Judy e Frannie sobre a rotina de Beth em Lima e como seria dali pra frente. Leroy tinha em mãos papéis a serem assinados que autorizavam a transferência de Quinn para Nova York. Se Rachel não iria sem ela, já não haveria qualquer razão para ficar se ela fosse junto. E ninguém pretendia deixá-las sozinhas...
Rachel havia dormido sentada com sua mão segurando a de Quinn, quase que entrelaçando seus dedos, e com a cabeça sobre o braço da loira. Estava tão cansada! Ela sequer sentiu o polegar de Quinn se movendo sobre sua pele...
Notas finais
Não demorarei uma semana inteira para postar o próximo...
Espero que gostem desse!
Comentem!
Beijos!
P.S.(1): A música foi escolhida porque várias pessoas pediram (via ask principalmente) e achei que se encaixava neste capítulo. Agradeço a todos que sugeriram! :-)
P.S.(2): Não consegui atualizar Minha Rachel por completa falta de tempo, mas farei o mais rápido possível!
P.S.(3): Haverá atualização de Ensina-me A Ser Tua esta semana. Finalmente! ;-)
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