Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
30 Capítulo 30 - "Já era amor..."
Notas iniciais
A água quente era a única coisa entre suas peles. O frio daquele dia não se fazia mais presente ali. Se tinha uma coisa que Rachel sabia era como amolecer Quinn. E ela adorava fazer isso...
Quinn mordia carinhosamente o pescoço da morena enquanto sentia os seios dela em suas mãos. Se Rachel dissesse que ela tinha que segurá-los, ela seguraria para sempre se preciso fosse. Ela os adorava... A textura, o tamanho... Lindos! A morena, por sua vez, arrastava as unhas devagar pelas costas da namorada, provocando o fogo que sabia que sempre acendia dentro dela.
Havia algo nos toques de Quinn que fazia Rachel se sentir diferente. A forma como a loira falava com ela com as mãos, com o olhar, deixou-a dependente de contato. De contato com ela...
R: Amo suas mãos...
O sussurro parecia ecoar dentro do banheiro, fazendo as mãos de Quinn apertarem os seios da morena enquanto procurava por seus lábios. O beijo quente da loira fez a cabeça de Rachel girar. Já não havia uma forma de seus joelhos lhe sustentarem. Com sua intrépida língua, Quinn caçava a língua dela, provocando gemidos longos que só lhe davam ainda mais fome. Logo uma das mãos de Quinn estava rodeando Rachel pela cintura, sabendo da debilidade dos joelhos da namorada.
Q: Amo seus seios...
Rachel sabia disso. Mas era sempre bom ouvir de novo... Não era só a forma como Quinn a tocava, mas a forma que olhava para eles e, principalmente, a forma como os abocanhava. Era impressionante a resistência que ela tinha em manter-se de pé segurando Rachel quando a morena já estava completamente entregue em seus braços.
R: Amo sua boca...
A água quente caía pelas costas de Quinn, aumentando a temperatura já quente de seu corpo excitado. As mãos de Rachel mudaram de posição... Foi difícil, mas ela puxou o rosto da loira para cima, causando-a uma breve confusão. O desejo latente em seus olhos evidenciava que ainda havia muito a se explorar naquele banho. A mão esquerda da morena deslizou pelo colo de Quinn, seguindo para o pescoço e, finalmente, pousando em sua nuca, agarrando delicadamente os cabelos dourados... Com a mão direita traçou um caminho devoto de exploração da pele branca, acariciando carinhosamente os seios perfeitos, numa calma que não condizia com a excitação de ambas. Mas não se demorou ali. Seus olhos não se desgrudavam e as pupilas de Quinn eram uma explosão de sentimentos que só Rachel era capaz de decifrar. A loira afastou um pouco as pernas conforme sentia a mão da morena seguir seu caminho. O carinho em sua intimidade a fez fechar os olhos...
R: Olha pra mim...
Quinn não podia desobedecer a esse pedido. Voltou a olhá-la, mesmo que seu corpo pedisse para fechar os olhos novamente. Rachel brincava com o ponto pulsante da namorada, torturando-a com aquela calma.
Q: Rach...
A voz fraca de Quinn não precisava completar uma frase. Rachel sabia que ela estava pedindo para ir além. Mais uma vez a loira precisou fechar os olhos...
R: Olha pra mim...
Claro que ela obedeceu! Um sorriso suave se apoderou dos lábios de Rachel e logo ela acabou com a agonia que havia provocado. Era lindo ver Quinn revirar os olhos ao senti-la dentro dela. Era intenso demais ter a consciência de que era responsável pelo prazer daquela garota tão linda, tão perfeita à sua frente. Rachel tinha a real sensação de que seus corpos realmente se pertenciam. Não era só poesia, não era só promessa. Era um encaixe perfeito que dava sentido a todo o resto...
R: Amo você...
Os sussurros de Rachel eram como música para Quinn. Ela ouviria aquilo para sempre, sem reclamar. E sempre teria o mesmo efeito devastador dentro dela. Seus braços rodeavam o pescoço da morena, ficando entre elas apenas o espaço suficiente para que Rachel continuasse entrando e saindo de dentro dela. Com a palma da mão a morena esfregava o ponto pulsante da namorada, enquanto deslizava seus dedos dentro dela com a perfeita desenvoltura adquirida depois de tantas vezes...
Rachel dava beijos molhados no pescoço branco macio, sugando com volúpia a pele delicada. Queria marcar aquele corpo que julgava seu. Queria marcar aquele corpo que tinha virado seu santuário, seu porto seguro. Ela sentiu vontade de chorar. De felicidade. De completa e extasiante felicidade.
Nenhuma delas acreditava, antes, que alguém se completava em outra pessoa. Acreditavam que uma pessoa precisava ser completa sozinha, para ser capaz de amar. Mas as coisas se tornaram diferentes. Rachel se completava em Quinn. E vice-versa. Mesmo sem saber explicar ao certo como e quando, elas sabiam que já não seriam elas mesmas separadas.
Quinn estremeceu em seus braços, apertando-se a seu corpo com mais força. Era libertador levá-la ao orgasmo, e Rachel se renovava ao fazer isso... A morena juntou seus lábios com imenso carinho, fazendo a loira entender que tinham terminado...
Vestiram pijamas longos, protegendo-se do frio intenso daquele dia. Quinn secava os cabelos de Rachel enquanto esta passava hidratante pela barriga da loira, que costumava só lembrar de passar quando estava vestida.
R: Converse comigo...
O pedido doce surgiu quando chegou a vez de Rachel secar os cabelos de Quinn. Ela não precisava dizer, pois a loira sabia, que tudo o que ela queria era ouvir sua voz.
Q: Eu odiei seu professor!
Rachel não esperava a sinceridade de Quinn naquele momento. Pensou que ela escolheria qualquer assunto, até o julgamento do Russel, menos aquele.
R: Você não tem motivos para odiá-lo... [disse calma]
Q: Ele come você com os olhos.
R: Mas quem me come de verdade é você! [disse provocante]
Q: RACHEL! [surpreendeu-se com a forma incomum de ela se expressar]
R: É verdade, não é?! [sorriu carinhosa]
Q: Sim. É... Mas... [corou] Eu não gosto de ninguém olhando para você daquela forma.
R: Eu não posso controlar os olhares dos outros.
Q: Eu sei. Eu sei... [desviou o olhar] Ele já deu em cima de você diretamente?
Rachel tinha duas opções: dizer a verdade e deixar Quinn ainda mais ciumenta ou mentir e deixá-la desconfiada por identificar a mentira em suas expressões.
R: Já! [limitou-se a dizer]
Q: E por que você não me contou? [tentou manter-se calma]
R: Porque não tinha porque contar. Não tem relevância.
Q: O que ele disse?
R: Eu não lembro. Foi bobagem.
Q: Eu quero saber.
R: Eu não lembro.
Quinn não estava convencida. Esperou Rachel, por conta própria, responder com sinceridade o que ela perguntou.
R: Ele disse que está interessado em mim. Já tinha me chamado pra jantar antes de saber que eu sou comprometida... [contou insegura]
Ouvir aquilo fez o sangue de Quinn ferver. Ela moveu-se para se afastar do secador, olhando para Rachel incrédula.
Q: Como é que é?!
Rachel respirou fundo...
R: O que acabamos de fazer no banheiro mostra que você não deve se preocupar com quem se interessa por mim ou fala o que for... Eu só quero você!
Q: Não é bem assim, Rachel! Não tem como eu não me incomodar com o fato de ter alguém dando em cima de você, por mais que eu saiba que você me ama!
R: Aprendemos com a Jennifer que não podemos deixar isso nos afetar.
Q: A Jennifer é louca! Esse seu professor, até que se prove o contrário, é só um espertinho idiota que fica te comendo com os olhos!
R: Jennifer é uma louca, Finn é passado e Brody é irrelevante...
A loira levantou-se incomodada, morrendo de vontade de socar a cara de Brody.
Q: Se ele, como seu professor, não tem o bom senso de te respeitar, de respeitar a posição dele em NYADA, é claro que ele não terá vergonha de continuar dando em cima de você, mesmo sabendo que você está comigo! [disse irritada]
R: Tem certeza de que quer brigar depois de termos feito amor tão gostoso agora há pouco?
Q: Não estamos brigando... Não estamos...
R: Vem cá!
Rachel se ajoelhou na cama, enquanto puxava Quinn, que estava de pé, para mais perto de si. Segurou o rosto dela com as duas mãos e passou a beijar sua boca delicadamente. Mais uma vez, Quinn amolecia...
R: Eu entendo que isso te incomode, porque também me incomoda. Ok?! Mas o que importa é que eu sou sua e de mais ninguém. E sempre vai ser assim... Entendeu?
Quinn assentiu com a cabeça, sentindo seus lábios serem presos pelos dentes de Rachel.
Q: Você sabe que ele ainda vai insistir mais, não sabe?!
R: E você sabe que não vai adiantar ele insistir, não sabe?!
Os dias seguintes foram tranquilos. Nova York continuava fria e chuvosa, o que fazia com que elas fossem para a cama sempre mais cedo. Rachel não queria falar sobre o julgamento de Russel e Quinn não a pressionou. A morena disse que não tinha mais o que elas falarem sobre isso. Mesmo sabendo que tinham muito o que conversar, Quinn respeitou seu pedido de manterem esse assunto em standby.
As madrugadas estavam sendo um pouco preocupantes. O que não era conversado estava incomodando Rachel em seu sono, fazendo-a ter pesadelos noite após noite. Acordava agitada, algumas vezes era Quinn quem a despertava quando acordava com a agitação dela, ainda dormindo. Em todas as vezes, a morena sonhava com Russel a sufocando. Numa das noites, sonhou com ele sufocando Quinn e aquela foi a pior de todas. A morena chorava compulsivamente, agarrando com força o pijama da namorada, sentindo o carinho dela em suas costas, enquanto a ouvia dizer que tudo ia terminar bem...
Quinn voltava cedo de Columbia numa sexta-feira em que Rachel não havia tido aula. A loira estava cada vez mais confusa com suas escolhas acadêmicas, pois queria estudar tudo e não sabia o que mais lhe interessava... Tudo lhe interessava! Ao abrir a porta, sentiu um cheiro diferente. O som vindo da cozinha indicou que Rachel estava cozinhando. Quinn sorriu. A morena chorava cortando cebolas quando ergueu os olhos e a viu ali, admirando-a.
R: Hey... [sorriu encantadora]
Q: Cozinhando? [ergueu a sobrancelha sorrindo]
R: Estou sendo uma futura esposa maravilhosa, não?! Esperando você chegar, preparando comida para você! [disse charmosa]
Quinn se aproximou e rodeou sua cintura com os braços, puxando-a firme para si. Tomou seus lábios com um beijo calmo, como se dissesse apenas “Cheguei, meu amor!”
R: Teremos visitas! [disse um pouco nervosa]
Q: Visitas? [estranhou]
R: É... [respondeu ainda temerosa]
Q: Então é um jantar para as visitas?
R: E pra você...
Q: Quem virá?
R: Que tal você adivinhar? [sorriu nervosa]
Q: Hum... [fingiu pensar] Tudo bem! Me dê alguma dica. [sorriu suavemente]
R: Uma das visitas, segundo eu soube, é louca por purê de maçã e que, estranhamente, ela gosta de comer o purê dentro de uma grande caneca e não num prato.
Quinn enrijeceu seu corpo inteiro. Quando era criança, a loira pedia, quase todo dia, para que sua fizesse purê de maçã. Ninguém gostava em sua casa e Judy não preparava para as refeições porque acabaria indo para o lixo. Então ela fazia sempre a quantidade exata para Quinn e colocava numa caneca para que a loira comesse em frente à TV assistindo desenhos.
R: Engraçado como a genética repassa certas coisas tão peculiares, não é?! [voltou a sorrir nervosa, mas havia mais carinho nesse sorriso do que qualquer outra coisa]
Q: Você está falando sério?! [surpreendeu-se]
R: Beth e Shelby chegarão daqui a duas horas.
Quinn soltou Rachel e deu dois passos para trás:
Q: Como assim? [começou a ficar nervosa]
R: Falei com a Shelby e ela aceitou vir. Simples! [respondeu calma, com medo da reação da namorada]
Q: Quando? Por que você não me contou? [perguntou baixinho]
R: Falei há um tempo e organizamos. E não te falei porque queria fazer uma surpresa, óbvio! [sorriu]
Q: Mas e agora? Eu preciso me arrumar! O que vou vestir? [começava a se agitar]
R: Quinn! Quinn! [segurou-a pelos ombros] Ela é só uma criança! [olhou-a sorrindo] Uma pequena garotinha que não está se importando com o que você veste. Certo?
A loira estava nervosa. Assentiu lentamente em silêncio, mas estava apavorada. Beth estaria em sua casa. Era outro ambiente. Beth...
R: Vem cá!
Rachel desligou o fogo de uma das panelas e a levou até a porta do antigo quarto de Kurt. Quando abriu, Quinn pôde ver que estava completamente arrumado para recebê-las. A morena tinha se encarregado de comprar alguns brinquedos e livros para colorir que sabia que Beth gostava.
R: Elas vão ficar aqui...
Quinn entrou no quarto e olhou todos os detalhes dos quais Rachel havia cuidado. Coincidentemente, as coisas que Shelby disse que Beth gostava, tinham muito a ver com as coisas que Quinn gostava quando criança. O cheiro de limpeza do quarto dava a sensação de algo novo. E era algo novo. Um novo passo que a loira dava na relação que poderia construir com sua filha.
Rachel estava parada na porta, esperando pacientemente que Quinn desfrutasse do silêncio que sabia ser necessário naquele momento. A loira pegou um dos bichos de pelúcia e o levou ao peito.
Q: Você gastou seu dinheiro... [tentava repreender emocionada]
Rachel sorriu de canto e se aproximou dela.
R: NOSSO dinheiro, meu amor! Tudo aqui é nosso! E não é um gasto, é um investimento. [sorriu carinhosa]
Quinn soltou a pelúcia e a abraçou. Forte... Rachel sabia que a vinda de Beth mexeria demais com ela, como também sabia que ela precisava viver esse momento de novo.
R: Shelby disse que Beth está ansiosa. [afastou-se um pouco para olhá-la] Que todos os dias ela acordava perguntando: “É hoje?” referindo-se ao dia de vir pra sua casa. [sorriu]
Tudo o que Quinn via à sua frente era amor. Não havia Russel, não havia ex-namorados, nem pessoas loucas ou inconvenientes querendo atrapalhá-las... Tudo o que havia era Rachel numa completa e imensurável prova de amor.
Quinn a abraçou de novo. Dessa vez mais forte. Bem mais forte!
Q: Eu te amo tanto! [murmurou]
R: Eu sei, meu amor! Assim como eu te amo...
Q: Desde sempre... Desde sempre... Te amo!
Rachel beijou-lhe delicadamente o pescoço. Com o nariz acariciava a pele macia e cheirosa, sem ter pressa nenhuma de se soltarem. Então os lábios de Quinn alcançaram sua orelha:
Q: Não me lembro mais qual foi o nosso começo. Sei que não começamos pelo começo. Já era amor antes de ser...
[CONTINUA...]
Notas finais
O trecho dito por Quinn: "Não me lembro mais qual foi o nosso começo. Sei que não começamos pelo começo. Já era amor antes de ser." é de Clarice Lispector.
Muita coisa vai acontecer daqui pra frente. Preparem o coração! ;-)
Comentem!
Beijos!
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