Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
15 Capítulo 15 - Medo constante...
Notas iniciais
Rachel havia voltado à NYADA e, sendo uma verdadeira Berry, conseguiu driblar as abordagens chatas de todas as pessoas. Já não havia mais marcas em seu rosto, muito menos qualquer tristeza em suas expressões. Deixou claro que o acontecido com Russel nas instalações da faculdade era passado. Demonstrou estar atualizada em todas as aulas que havia perdido, pois Quinn estudava com ela em casa durante o período em que optou por não ir à NYADA. Mas não contava com a insistência do novo professor. Brody continuava interessado na morena, e dava-lhe atenção diferenciada, o que a incomodava. Apesar disso, fingia não perceber e ignorava toda e qualquer investida do rapaz.
Em Columbia, Quinn andava sempre acompanhada por Santana e Michael. Dava graças a Deus por mal ver Jennifer pelos corredores. Durante as aulas que dividiam, a loira nunca prestava atenção na presença dela. Seus professores de cinema insistiam em ajudá-la na produção do projeto para a mostra de filmes, mas Quinn deixava claro que precisava de espaço para criar. Ninguém sabia ainda, mas ela já tinha decidido o que fazer. Nova York era seu tema e um documentário foi sua escolha. Mais uma vez, Rachel era sua inspiração... Pretendia mostrar a cidade dos sonhos, a grandiosidade que oferece, as promessas de brilho, a realização dos desejos... Poeticamente, Nova York era tudo isso para ela: a cidade onde ela conseguiu viver seu maior sonho... O amor...
Os últimos dias tinham sido de chuva intensa, o que tinha mantido todos em casa. Rachel e Kurt estavam um pouco distantes, pois ela já não frequentava mais o apartamento dele por causa de Finn. Por mais que Blaine tenha insistido para que ele fosse atrás da amiga, que entendesse que ela não estava errada, ele ainda se achava no direito de ficar magoado com ela. Rachel estava triste. Sentia falta do amigo, mas achava que não tinha que fazer nada. Então passava as noites em casa, ou no apartamento de Santana e Britt, bebendo vinho com Quinn e conversando sobre seus dias.
A primeira briga depois de muito tempo aconteceu num fim de tarde em que Rachel havia chegado mais cedo com compras. Encontrou Finn na entrada do prédio e ele fez questão de ajudá-la. Ela recusou a ajuda com educação, mas ele insistiu. Não houve qualquer comentário desagradável ou qualquer tentativa de provocação. Ele tinha sido educado e prestativo, falando apenas sobre amenidades nova-iorquinas, não se demorando nem cinco minutos dentro apartamento. Se ele estivesse jogando, estava fazendo muito bem. Quinn chegou no exato momento em que ele saía do 110. O clima pesou. Ela não entendeu a presença dele ali, e sequer quis entender. Ele saiu calado, sem cumprimentá-la. Rachel sentiu que estava com problemas. A loira permaneceu em silêncio e foi direto ao quarto, deixou as coisas de lado e se preparou para tomar banho. Quando a morena a alcançou, percebeu a respiração pesada da namorada.
R: Ele só me ajudou com as compras, Quinn... [tentou explicar, recebendo o silêncio da loira] Eu disse que não queria ajuda, mas ele insistiu.
Q: Tudo bem! [disse cortante, entrando no banheiro, sendo seguida pela morena]
R: Não acredito que você vai ficar assim! [disse chateada]
Q: Eu não o quero no meu apartamento! [esbravejou]
R: Ele mal entrou... [tentou explicar mais]
Q: Não importa! [interrompeu] Eu não o quero no meu apartamento em hipótese alguma! [insistiu]
R: Você fala como se só fosse seu apartamento. Esquece que também é meu! [irritava-se]
Q: E você o quer aqui? [provocou]
R: Você sabe que não! [garantiu]
Q: Então não vejo problema em dizer que não o quero aqui.
R: Mas você não precisa falar dessa forma. Como se eu não pudesse escolher quem pode frequentar nosso apartamento.
Q: Ele não pode! [disse firme]
R: Não precisa enfatizar isso. Eu já disse que não terei uma relação com ele. Que enquanto isso te incomodar, eu não serei próxima dele.
Q: Eu não o quero aqui! [insistiu]
R: Já entendi! [elevou a voz] Ele não vai mais se aproximar do SEU apartamento! [disse irritada, dando ênfase à possessividade de Quinn]
Q: Se está achando ruim, eu saio! Não tem problema! [disse irritada]
Rachel não respondeu. Saiu do banheiro fechando a porta com força. Quinn respirou fundo e viu a merda que tinha acontecido. Depois de tanto tempo sem brigar, Finn era a razão idiota para o desentendimento delas. Ela não demorou no banho e logo voltou ao quarto, vendo que Rachel não estava lá. A morena estava na cozinha, preparando café. Tentava se acalmar de qualquer forma. A loira encostou-se ao arco da porta pensando no que falar.
R: Eu não quero conversar agora. [disse sem se virar, só sentindo a presença da namorada] Eu estou irritada com você.
Q: Por que você pensa que tem razão? [indignou-se]
R: E por que você pensa que tem? [virou-se chateada] Me diga, Quinn! O que eu fiz de tão errado para você reagir daquela forma tão arisca?
Q: A última vez que ele esteve neste apartamento a gente brigou e quase terminou. Parece que você se esqueceu disso...
R: Isso faz tanto tempo, Quinn! Já passamos por tanta coisa depois disso! Tanta coisa! Já conversamos, já resolvemos tantos problemas... Não é possível que nunca vamos parar de brigar por causa dele! [fechou os olhos com força]
Q: Você disse que faria de tudo por nós! [sua voz estava falha]
R: E eu estou fazendo! Eu continuo fazendo. [abriu os olhos, tentando entender a voz quebrada da namorada]
Quinn deu dois passos pra trás e se virou, voltando ao quarto. Rachel não entendeu. A conversa não tinha acabado. Desligou a cafeteira e foi atrás dela.
R: Terminamos de conversar? [perguntou confusa]
Q: Eu odeio o que ele me faz sentir. O que ele faz comigo. [seus olhos estavam vermelhos, chorosos]
R: Quinn? [aproximou-se] Meu amor, não é pra tanto... [amolecia diante da fragilidade dela]
Q: Eu odeio isso! Odeio o que a presença dele me provoca! [não continha as lágrimas] Ele é a representação da época em que eu não tinha você, da época em que ele quase nos afastou, e é a promessa de que não nos deixará em paz. Eu odeio me sentir assim! Eu odeio! Odeio isso! [sentava-se extremamente agoniada]
Rachel finalmente entendia que a reação de Quinn não era algo racional. Não era falta de confiança nela ou algo assim. Finn a fazia se sentir mal. Era mais do que simplesmente não gostar da presença dele. Era um retorno a lembranças que a sufocavam. A morena se apressou e sentou ao lado dela, puxando-a para um abraço.
R: Meu amor, desculpa! Eu não pensei... Desculpa! [beijava-lhe o pescoço] Por favor, desculpa...
Q: Desculpe ter falado daquele jeito... [pedia arrependida]
R: Vamos deixar isso pra lá!
Q: Eu não posso sequer pensar em não ter você... [disse num quase sussurro]
R: Hey! [afastou-se para olhá-la nos olhos, segurando seu rosto com as duas mãos] Você não tem que pensar nisso!
Q: Mas é o que ele me faz pensar. [agoniava-se novamente] Ele me faz pensar que vai fazer de tudo pra tirar você de mim e que eu vou sempre agir assim, com raiva, e que isso vai fazer você se cansar.
R: Oh meu Deus! Você pensa em tudo isso? Isso é ridículo, Quinn!
Q: Não. Não é! [defendia-se]
R: É sim! Essa insegurança tem que acabar. Eu te amo e você sabe disso! [amenizava o tom de voz] E não importa o que ele ou o que qualquer outra pessoa tente fazer para nos afastar, nada fará isso. Ninguém irá conseguir! [dizia segura, enquanto continuava segurando o rosto dela] Olha pra mim! [exigiu quando a loira tentou desviar o olhar] Olha pra mim... [pediu com calma] Achei que já tivéssemos passado dessa fase. Não faz mais sentido brigarmos por isso.
Q: Sempre vai fazer sentido brigarmos por ciúmes.
R: Ciúmes? Pensei que fosse só insegurança.
Q: Ciúmes também... [baixou o olhar acanhada]
Rachel sabia que não adiantava mais argumentar. Preferiu não insistir nessa abordagem. Optou pela mais eficiente. Beijou os lábios rosados com carinho. Sugou o lábio superior com um pouco mais de força. Quinn amoleceu em suas mãos. Tudo que ela precisava era sentir. E quando sentia os toques da morena, ela entendia que seus medos não faziam sentido. Não todos...
R: Eu te amo tanto e te desejo tão desesperadamente, que jamais aceitaria a hipótese de ficar sem você... [disse a encarando] E eu nunca vou me cansar de te dizer isso, por mais cabeça dura que você seja. Por mais que suas inseguranças sejam sem sentido... Eu nunca me cansarei de você. Entendeu?
Quinn assentiu chorosa, abraçando-a com força!
Q: Desculpa...
R: Eu te amo...
Ela olhava para o prédio imenso. Era uma construção triste, antiga, cercada por muros altos protegidos. O dia estava cinza, chuvoso... O casaco grosso que lhe esquentava não garantia o calor de sua alma. Não sabia dizer quantos minutos tinha ficado ali, olhando... Pensando se deveria mesmo entrar. O barulho do ferro pesado do portão, as várias identificações nas diferentes alas... Cada passo parecia uma oferta para voltar atrás. No balcão com grades, finalmente viu que não iria desistir:
Q: Meu nome é Quinn Fabray. Eu vim ver Russel Fabray... [disse ao guarda]
Era chegada a hora de enfrentar um de seus medos... Talvez, o maior de todos!
Notas finais
Espero que gostem! Drama à vista! ;-)
Comentem!
Beijos!
Fale com o autor