Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

10 Capítulo 10 - "You're so fucking special..."


Notas iniciais
Música do Capítulo: Radiohead - Creep

Quinn estava mesmo cansada. Dormiu a noite inteira, sem sequer despertar para comer. Rachel passou horas acariciando seus cabelos, admirando seu rosto sereno, sentindo o perfume maravilhoso que emanava da pele da loira. A morena estava especialmente carinhosa. Cuidava de sua garota com extremo cuidado, com dedicação, mesmo que ela não tivesse consciência disso. Ela achava que conhecia Quinn completamente, mas a conversa com Frannie a fez entender que havia muita coisa sobre a namorada que ela não imaginava. Muita coisa que explicava muito sobre seu comportamento. A própria relação dela com a irmã era um indicativo do quanto Quinn tem facilidade de se fechar em si mesma. Agora Rachel sabia que os atos da loira, que tornavam a relação delas impossível quando se conheceram, não eram propositais e deliberados. Havia um histórico emocional complicado que tornava a vida de Quinn menos glamourosa do que todos julgavam. Ela passou a admirar ainda mais sua garota. Sabia que sempre teria razões para isso.


Passearam o dia inteiro. Quinn ainda não sabia da conversa entre Rachel e Frannie no dia anterior, mas não pôde deixar de gostar de ver a fácil interação entre elas. Conversavam muito nos vários lugares em que foram e o sorriso de Rachel estava, definitivamente, diferente. Era mais seguro, mais sincero do que nos últimos dias.


Em Nova York, Santana não estava satisfeita com as novidades:


S: Como aquele palerma vem morar com vocês e eu não sabia disso, Kurt?

K: Eu não sabia como dizer...

S: E por que ele veio?

K: Você sabe que não é barato viver aqui. E Carole e meu pai não têm condições de manter dois apartamentos em Nova York.

S: Mas você e Blaine dividem o aluguel.

K: Mas meu pai me manda dinheiro e Finn não teria com quem dividir. Tive que aceitar.

S: Você sabe que isso vai causar uma guerra quando elas voltarem de Londres, não sabe?!

K: Sei...

S: Você deveria ter dito antes. Você devia isso à Rachel.

K: Eu não queria incomodá-la com isso depois de tudo o que ela passou.

S: Ela é sua melhor amiga, Kurt. Você sabe que ela vai ficar chateada quando souber que você escondeu isso dela.


Ao contrário do dia anterior, Londres estava cinza. O tom nublado das nuvens dava um toque mais bonito à cidade, por mais estranho que fosse. Numa antiga loja de discos, Rachel havia se distraído com a variedade, encantada por achar coisas sobre musicais e Barbra...


F: Eu e Rachel tivemos uma longa conversa ontem.

Q: Então é por isso que vocês estão tão amigas... [sorriu]

F: Isso te incomoda?

Q: Claro que não! Pelo contrário... Se ela sorri, tudo está bem...

F: Interessante ver você tão apaixonada...

Q: Interessante? [franziu a testa]

F: Sim. Pessoas apaixonadas tendem a ficar fragilizadas. Você parece duplamente forte.

Q: Pareço?

F: Parece. O que não quer dizer que não pareça frágil também. Ela se preocupa com sua quietude, Quinnie. Você tem absorvido tudo e não tem demonstrado seus reais sentimentos sobre o que aconteceu.

Q: Nem você... Não é estranho que nosso pai tenha feito o que fez e que não tenhamos enlouquecido?

F: Somos estranhas, não é?!

Q: Fabrays são estranhas!

F: Gostei muito dela! [sorriu sincera]

Q: Ela é maravilhosa! [disse apaixonada]

F: Entendo porque se apaixonou por ela.

Q: Como assim?

F: Claro que não a conheço muito, mas pelo que vejo, ela é tudo o que você não é. Consequentemente, ela é tudo o que você busca e precisa.

Q: Você não estranha o fato de eu ter me apaixonado por uma garota?

F: Você sabe que não. Não vejo nada de errado. Principalmente ao ver o quanto ela mexe com você. Mas você precisa deixar que ela entre em você, Quinnie. Pare de ser tão protetora! Eu sei que é da sua natureza, mas ela sente necessidade de cuidar de você.

Q: Eu não sei como fazer isso.

F: Só se deixe cuidar...


O dia tinha passado voando e, horas depois, Rachel preparava a cama para que dormissem. Aceitaram o convite de Frannie e fecharam a conta no hotel para passarem o resto da viagem em seu apartamento. Jantaram alegremente e histórias engraçadas sobre Quinn criança fizeram Rachel se engasgar várias vezes, de tanto rir. A morena se aconchegou aguardando a namorada terminar de se arrumar para dormir. Pronta, Quinn sentou-se na cama, ao invés de deitar:


Q: Você e Frannie conversaram?

R: Ela te contou? [ergueu-se, equilibrando-se com os cotovelos]

Q: Algumas coisas... [disse baixo]

R: Você está chateada? [sentou-se]

Q: Não! Claro que não... [apressou-se em dizer]

R: Que bom! Porque não falamos nada que pudesse chatear você.

Q: Eu sei...

R: Ela é muito parecida com você. E falou coisas que Santana e sua mãe já me disseram. E que você também me disse... Ela é bastante perspicaz! [sorriu carinhosa]

Q: Você continua achando que eu não deixo você cuidar de mim? [perguntou de repente]

R: Você sabe que é assim, Quinn! [respondeu segura]

Q: E você vê isso como um problema?

R: Às vezes sim. [disse sincera]

Q: Eu não consigo evitar. Eu não consigo não cuidar de você. [justificou-se]

R: Preciso que você relaxe mais, meu amor... Não vamos ficar aqui para sempre e teremos uma realidade mais complicada para encarar quando voltarmos. Eu não quero que você enlouqueça. Eu preciso que você converse comigo. Eu não passei sozinha por isso. Não fui a única afetada. No entanto, você não deixa que eu saiba como você se sente. E não me refiro a como você se sente com relação a mim. Mas como você se sente com relação ao seu pai.

Q: Ele não é mais meu pai...

R: Você entendeu o que eu disse... Sua irmã é psicóloga, Quinn. Você deveria conversar mais com ela. Mas, acima de tudo, eu quero que você converse comigo. As coisas ruins passam e ficamos nós. Precisamos ficar bem, depois disso.

Q: Você sempre foi assim... [sorriu suavemente]

R: Assim como? [perguntou sem entender]

Q: Sem rancores, sem traumas. Você passa por situações difíceis e parece que nunca passou por elas depois. [havia admiração em seu olhar] Você é tão perfeita, tão especial! Tão inacreditável!

R: O que você quer dizer?

Q: Que vendo você aqui, não parece que passou pelo que passou. É como se tivesse esquecido.

R: Eu não esqueci. Deveria ficar encolhida na cama? Chorando o tempo todo? [estranhou]

Q: Não! [exclamou]

R: Não entendo, Quinn. Você está reclamando porque eu não estou sofrendo?

Q: Claro que não! Eu só estou querendo dizer que eu não sei agir assim. Você é mais forte do que eu. Eu acabo remoendo as consequências das coisas...

R: Não deveria. [aproximou-se mais, sentando-se em seu colo, fazendo Quinn recebê-la com carinho]

Q: Uma de nós tem que fazer isso. [encarou-a]

R: Não tem não. Eu quero que você me ame e só. Não preciso que você me proteja tanto.

Q: Mas a gente protege quem a gente ama.

R: Você não deixa que eu te proteja. Enquanto isso não for mútuo, não vejo razão de permitir que você carregue tanta responsabilidade. Você não dorme bem, não come bem, vive pensativa. Eu sei que é porque você me ama e me sinto feliz por saber o quanto você se importa comigo. Mas isso deixa de ser bom quando você sofre.

Q: Você é tudo pra mim!

R: E você pra mim...

Q: Você não tem noção do que o medo de perder você me causa. E todas as vezes em que pareceu que isso aconteceria, foram situações extremas e desgastantes. Eu não suporto a ideia de passar por isso de novo. De ver você correndo perigo. Seja ele qual for.

R: E o que te faz pensar que eu não me sinto assim com relação a você? Eu me preocupo com você tanto ou mais do que você se preocupa comigo. Só que eu deixo que você cuide de mim. Mas eu acabo me sentindo impotente, porque tenho que me render à fortaleza que você tenta ser. Até quando você está doente eu não consigo te dar colo, porque você me põe no colo.

Q: Eu não sabia que você achava tudo isso tão ruim...

R: Meu amor... Não é ruim que você cuide e me proteja. Eu amo a forma que você me ama. Eu só gostaria que você deixasse eu fazer o mesmo por você. Deixe que eu mostre como é bom se sentir cuidada e protegida. Ontem você estava dormindo tão profundamente que nem percebeu que eu passei a noite inteira velando seu sono. Acariciei seus cabelos por horas. Você estava tão indefesa que cabia entre meus braços facilmente. Não que eu queira te ver indefesa. Claro que não é isso... É que eu também quero sentir que te dou força.

Q: Mas você dá!

R: Eu sei que dou! Mas eu não sinto isso. Eu não sinto que você sinta... Eu me sinto tão sortuda por ter você! Por você me amar... Mais uma vez eu te peço para equilibrarmos as coisas. Ou eu vou ficar seriamente preocupada todas as vezes em que você se preocupar comigo.


Durante todo o tempo, trocavam carícias singelas. Com Rachel em seu colo, Quinn fez o que sempre fazia: acariciava as pernas da morena, sentindo-se mais segura por tê-la ali, sem correr qualquer perigo. Entendia tudo o que preocupava a namorada e sabia que ela tinha razão, mas imaginar passar por tudo novamente, ou por algo novo ainda mais assustador, fazia com que ela pensasse seriamente em nunca mais voltar. Mesmo sendo uma ilusão, sentia-se melhor ao pensar que viver em Londres afastaria Rachel de tudo o que a machucou. Fosse um perigo louco e assustador como Russel, ou o perigo incômodo e idiota chamado Finn...


R: Eu te amo tanto... [disse carinhosa em seu ouvido, logo depois de abraçá-la, beijando-lhe o pescoço logo após]

Q: Não mais do que eu amo você...

Notas finais
Comentem! ;)
Beijos!