Você Sabia o Que Estava Por Vir
15 Capítulo XIV - Pobre iludido
Notas iniciais
Quando abri a porta um garoto alto e moreno me fitava com os seus olhos, hoje, azuis escuros.
–Oi. – Disse ele.
–O que você está fazendo aqui? – Perguntei enquanto tentava olhar através dele e ver se encontrava algum loiro.
–Vim te visitar. – Disse ele entrando e fechando a porta (como se eu tivesse deixado, mas tudo bem).
–E você veio para falar algo específico? Por que eu estou com um pouco de pressa, não sei se você leu as mensagens, mas eu vou sair.
–Eu não vim te dizer algo específico, vim para continuar o que antes tinha começado e te convencer de que não mudei. – Ele falou enquanto andava em minha direção, eu me afastava dele a cada passo que dava, como se dançássemos valsa a meio metro de distância.
–E como pretende provar isso? – Na hora me arrependi do que disse, percebi, tarde demais, que a frase soou como uma provocação, o que, claramente, não era a intenção. Ele continuou a se aproximar e eu a me afastar até que chegou uma hora em que percebi que não conseguia mais ir para trás (maldita seja a parede!), ele parou subitamente e olhou em meus olhos.
–Realmente estou pensando em como te provar... – Começou ele em um sussurro, avançou até meu ouvido e completou. – Apesar de achar que você sabe muito bem que é verdade.
–Huuum... – Disse meio que para pensar no que dizer, meio para me dar conta de que estava literalmente contra parede e meio por que não sabia o que dizer. – E por que acha isso?
–Porque? Simples, por que eu sei que... – Ele se interrompeu. – Espera, você está usando maquiagem? – Ele me encarou por um tempo, mas pareceu deixar de lado. – Continuando, é que sei que sua amiga não se esqueceria de falar certas coisas para você, como por exemplo, eu tê-la defendido.
–Aaah! Isso... – Disse tentando soar como se não fizesse diferença, o que não funcionou.
–É, isso mesmo... – O olhar dele buscava pelo meu, que estava muito entretido no chão, ele virou meu rosto em sua direção de leve com sua mão, o espaço entre nós só diminuía, os olhos já estavam fechados, eu queria fugir, parar, impedir aquilo, mas de alguma forma simplesmente não conseguia, foi então que a campainha tocou.
Isso nos acordou e me deu a força que faltava para parar com aquilo. Empurrei-o de leve, assim conseguindo me livrar da armadilha em que me encontrava, olhei para ele com raiva e sussurrei:
–Você vai esperar um pouco aqui dentro e depois sair, me entendeu? – Falei séria.
Ele somente concordou com a cabeça, peguei minha bolsa do sofá, olhei no espelho para ver se estava apresentável e abri a porta.
–Oi! – Disse com um sorriso no rosto.
–Oi, pronta? – Perguntou Douglas.
–Sim. Mais que pronta.
–Está tudo bem com você? Você está meio estranha.
–Não não, está tudo bem sim, é só que eu estava meio enjoada, mas já melhorei, ficarei ainda melhor assim que descobrir para onde vai me levar.
–Tem certeza que já melhorou? E já disse, para onde vai é segredo.
–Sim tenho. Fazer o que...
Estava a caminho do carro quando avistei o mesmo vulto que tinha visto no meu primeiro dia ali, ignorei e entrei no carro, coloquei o cinto e seguimos por um caminho que eu nunca tinha visto antes, não que eu tenha muito que falar, vendo que me mudei a apenas 5 dias.
Depois de passarmos por vários bairros chegamos a uma avenida movimentada, seguimos ela e então ele virou em uma esquina e estacionou na frente de um PUB (se você não conhece, é uma espécie de bar, mas um bar mesmo, não o ponto de encontro de velhos bêbados). Olhei para ele.
–Você me trouxe em um PUB? – Perguntei, por mais que poderia ser óbvio.
–Sim, mas não é um simples PUB, hoje a noite tem karaokê.
–Você não, realmente, espera que eu cante não é? – Perguntei para ele.
–Você vai cantar.
–E de onde veio toda essa certeza?
–Não sei, só sei que você vai cantar.
Olhei para ele e dei uma pequena risada. Entramos e o local era todo iluminado por cores diferentes, um balcão enorme fazia um grande circulo no meio do salão, sofás estavam espalhados pelos cantos o local inteiro era uma enorme pista de dança, em um pequeno palco no canto direito do salão tocava uma pequena banda, estava no final do show, o que pude deduzir ao ver o vocalista se despedindo do público e agradecendo, Douglas me falou que era lá que acontecia o karaokê, ou seja, ele além de acreditar que eu iria cantar em público também achava que subiria em um palco, pobre iludido...
Fale com o autor