Você Sabia o Que Estava Por Vir
3 Capítulo II - Não podemos ser injustos não é mesmo?
Notas iniciais
Acordei as 7:00, DA MANHÃ! Com meu despertador tocando uma música da Katy Perry, pelo que parece era isso que estava passando na rádio, não consegui prestar muita atenção, estava muito ocupada xingando e pensando que tipo de estabelecimento faz isso com as pessoas? Que tipo de lugar te força a acordar neste horário dos infernos? Te respondo, o próprio inferno.
Levantei de minha cama e fui ao banheiro, lavei meu rosto e vesti uma calça jeans, uma camiseta qualquer e uma de minhas blusas de frio. O mais engraçado de não ligar para o que vou vestir é que justamente eu tenho milhões de roupas e acessórios que provavelmente nunca vou usar! Minha mãe compra tudo que acha lindo para mim na tentativa de me fazer mudar como me visto. Calcei meu All-Star e desci as escadas para tomar meu café da manhã.
Como só eu estava acordada, já que minha mãe não precisava acordar assim tão cedo, percebeu? Eu tenho que acordar antes da minha própria mãe! Isso é tão doentio. Decidi que pararia em alguma padaria e lá arranjaria algo para comer, peguei um pouco de dinheiro que minha mãe deixava dentro de um pote na cozinha e subi para meu quarto, escovei os dentes, me arrumei, peguei minha mala e fui. Minha escola fica até longe de casa, mas se tem algo que odeio mais que acordar cedo e pegar o ônibus escolar, se já odeio conhecendo a escola imagina no meu primeiro dia? Iria a pé mesmo, acordaria meia hora antes, mas não entraria no veículo transportador de pequenos demônios. No caminho achei uma padaria comprei alguns pães de queijo e um Toddynho (isso mesmo! Algo contra meu Toddynho?) e me sentei em uma mesa no canto da padaria.
Observei enquanto um grupo de amigos entrava, seria impossível não percebê-los, estavam gritando e rindo, demorei um pouco a perceber que eram os mesmos meninos que estavam na piscina ontem, ou seja, já sabia que não iria mais naquela padaria, supondo que eles iam lá toda manhã, já que os funcionários os conheciam. Graças eles não me reconheceram ou ao menos me viram. Consegui sair da padaria sem que me vissem e continuei o caminho para a escola.
Quando finalmente cheguei ao Colégio Elísio Fonseca fui direto para a secretária, este colégio funcionava de uma forma bem diferente do meu antigo. Sentei no sofá enquanto esperava a secretária mais loira que a Barbie terminasse de falar ao telefone.
–Oi! Você é a...? – Ela disse me olhando e esperando que completasse a frase.
–Renata Russo – Completei. – A nova aluna do 3° ano do ensino médio. – Nem comecem com as piadinhas ok? E não, eu não sou a mosca em sua sopa nem nasci a 10 mil anos atrás. — Isso mesmo, as pessoas vivem falando isso, mesmo que eu tente falar para elas que essas não são do Renato, não adianta.
–Ah! Então você é a Renata! Venha, vou te levar para conhecer nossa diretora. – Ela disse já me esperando em frente a uma porta no outro lado da sala.
Ela me guiou pelos corredores até chegarmos ao fim do colégio, onde ficava minha nova classe e, coincidentemente a sala da diretora. Ela parou no meio do largo corredor e disse apontando para a última porta:
–Ela está te esperando. Quase ia me esquecendo, seja bem vinda!
Bati de leve na porta e ouvi um “Pode entrar” baixo e abafado, adentrei a sala e me sentei em uma das duas cadeiras á frente da grande mesa de vidro, atrás dela estava uma mulher alta, magra e elegante.
–Você é a senhorita Russo certo? – Ela perguntou, sua voz era grave e transmitia autoridade, com certeza estava no emprego certo.
–Sim.
–Então, vamos direto ao assunto. As regras são como as de qualquer colégio, e você poderá encontrá-las no quadro da recepção, a maior diferença deste colégio para os outros é que suas aulas são separadas, você deve conhecer este método de algum filme, você hoje receberá seus horários e um pequeno mapa da escola, sua primeira aula começa as 8:00, você terá 15 minutos entre cada aula para pegar o material necessário para a próxima, tirar dúvidas com o professor, ir ao banheiro, use o tempo da forma que melhor achar. Você terá 6 aulas sendo que cada durará 50 minutos mais o almoço de 1 hora. Seu horário de saída é as 15:30, que também é o horário em que começam as atividades extracurriculares, você pode encontrar as informações sobre elas nos quadros espalhados por todo o colégio. Acho que não esqueci de nada. Alguma dúvida?
–Eu acho que não... – Pensei um pouco melhor, tinha muita coisa para absorver, sou lenta, tem que ter calma. – Você falou de pegar os materiais para as aulas, então, vocês tem armários?
–Oh sim! Tinha me esquecido. – Ela se levantou de sua cadeira, pegou dois papéis de uma de suas gavetas e pegou uma chave do mural logo atrás de si. – Aqui está seus horários, a chave de seu armário e – Ela fez um circulo no papel que segurava e me entregou. – Aqui o mapa do colégio.
Percebi que ela tinha marcado o local do meu armário me despedi e fui à procura dele, depois de muito tempo rodando e rodando, finalmente o encontrei. C-158. Coloquei lá tudo que não iria usar, minha próxima aula era de história, o que é um bom começo, por que essa é minha matéria preferida, sem contar que gostei de como funciona a escola, sempre quis estudar em um colégio assim e só no meu último ano consegui, mas ainda assim isso não muda todo o resto, eu continuo tendo que passar meu último ano com pessoas que ainda não conheci, em uma cidade que não conheço e em um novo colégio.
Sai correndo para a sala de história, não estava realmente atrasada, mas nunca se sabe o tempo que posso demorar se acabar me perdendo. Encontrei ela sem me perder tanto, acho que só entrei em uns 5 corredores errados, escolhi uma cadeira na parede direita da sala e observei enquanto a sala se enchia de adolescentes, todos pareciam me olhar se perguntando quem era aquela, pelo que parecia era a única aluna nova, parei de prestar atenção em quem entrava, claro que teria que me apresentar a todos, o senhor sentado na cadeira com o rosto enfiado em um livro provavelmente me faria fazer isso.
–Parece que ninguém mais vai chegar. – O senhor disse fechando a porta. – Temos uma aluna nova certo? – Disse olhando para mim. – Você poderia se apresentar lindinha?
–Claro. – Disse, por mais que não quisesse, eu teria que me acostumar, se tem uma coisa ruim nesse esquema de aulas é que eu teria que me apresentar para a turma de todas as matérias, por mais que um ou outro já soubesse quem sou. Tomei coragem e me levantei. – Oi vocês! Meu nome é Renata Russo, cheguei ontem de São Paulo, e é...Esse é meu nome mesmo, nem vou pedir para não fazerem piada com ele porque sei que é inevitável.
Alguns alunos riram e então o professor decidiu dizer algo que realmente gostei.
–Não seremos injustos não é mesmo? Por que só ela tem que se apresentar se ela também não os conhece? Então vou começar. – Oi eu sou o Daniel Beri, o professor de história.
Não vou colocar o nome de todos, mas posso dizer que a Júlia Dias é o tipo de menina que não suporto, aquele tipo de pessoa que gosta de colocar rótulos. O Luiz Guingalia é o palhaço e...
–Oi, para quem não me conhece. – O mesmo menino moreno e alto que vi ontem e hoje de manhã se levantou, desta vez olhou diretamente para mim, não conseguia fugir daqueles olhos azuis, quase cinzas. – Eu sou Henrique Mendes.
E ele era o galã, pude perceber assim que se levantou, ele era aquele que todas as meninas querem namorar e todos os meninos querem ser ou estar perto, ele não estava igual, ele estava exatamente como os meninos de quem tenho repulsa, com certeza aquele não era o mesmo Henrique que eu conheci.
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