Você Pertence a Mim
6 Sábado.
.:O:O:.
Não vi Sasuke a manhã toda.
Digo isso porque todos os sábados de manhã ele lava a sua Range Rover e até agora, 16:37, ele não apareceu. A janela do quarto dele está fechada assim como as cortinas. Daria tudo para saber se ele está bem, porque afinal, se eu estivesse em seu lugar estaria chorando cascatas.
Quer dizer... ninguém espera ser traído por quem ama, e muito menos descobrir isso da pior maneira possível: no flagra.
Talvez eu devesse ir à casa dele ver se está tudo bem, porque sabe, ele é meu amigo e amigos se preocupam uns com os outros.
Ou melhor, talvez fosse melhor esperar, se eu fosse lá a situação podia piorar.
Decidi por ir estudar um pouco, já que o teste de matemática seria na segunda.
Não sei quanto tempo fiquei deitada na minha cama estudando, mas quando me dei conta já havia anoitecido. Foi quando reparei que a cortina da janela do quarto de Sasuke estava aberta e o mesmo estava lá sentando na cama me olhando. Ele não parecia abatido nem magoado. Vestia uma camisa social com gravata borboleta e os cabelos estavam com um penteado bem feito, o deixando muito charmoso e bonito, mais que o natural.
Surpreendi-me quando ele levantou o caderno e tinha algo escrito nele.
“Você vai esta noite?”
Peguei meu caderno em cima da escrivaninha. Eu não fazia ideia do que ele estava falando até me lembrar que haveria uma festa em comemoração a vitória dos Snakes.
“Não, tenho que estudar”, respondi. Era óbvio que eu não ia. Não sou do tipo festeira, embora eu tivesse certeza que a Karin estaria lá e eu gostaria de ver a reação dela ao vê-lo depois de ontem a noite.
Ele escreveu algo no caderno.
Por Kami!
Ele não pode ter escrito isso!
Calma Sakura, é só a sua mente te pregando peças.
Balancei a cabeça tentando sair do delírio, mas ele ainda estava lá segurando o caderno e lá ainda estava escrito “Queria que você fosse!”.
Segurei-me para não sair correndo e gritando para todos os lados. Mas caí em mim e vi no que estava pensando. Era óbvio que ele não queria dar o gostinho a Karin de ir desacompanhado para a festa, por isso queria que eu fosse.
Ele olhou para o relógio e rapidamente escreveu “Bons estudos!”, se levantando rapidamente, acenando para mim, apagando as luzes e saindo do quarto.
Lá se ia mais uma chance.
Peguei um de meus cadernos de cima da cama e prontamente vi um papel sair voando do meio dele, indo parar embaixo da cama. Deitei-me no carpete e estiquei a mão para alcançar a folha e quando finalmente consegui vi o que estava escrito.
“Eu te amo Sasuke.”
E então eu me lembrei. Havia escrito isso em meu caderno certa vez em que Sasuke havia me emprestado um lápis durante a aula. Foi nesse mesmo dia que eu me descobri apaixonada por ele. Pelo simples fato de que pequenos gestos vindos dele me faziam ter borboletas no estômago, que qualquer sorriso dele deixava meu coração em chamas e que qualquer toque deixava meu cérebro em estado de paralisia. Só ele tinha esse poder sobre mim.
Guardei o papel no meio do caderno novamente e posso dizer que aquelas palavras tiveram certo efeito sobre minha relação com Sasuke, afinal, eu o queria, mas não fazia nada para tê-lo.
Ouvi minha mãe bater na porta me dizendo que Sasuke estava na sala e queria falar comigo. Meu coração pareceu parar de bater enquanto eu descia as escadas. Um frio intenso pareceu congelar minhas veias quando o vi conversando com meu pai.
– Sasuke? – Perguntei surpresa.
Ele se virou em minha direção.
– Ah, olá Sakura! Eu vim pedir o seu caderno de português emprestado.
Ótimo! Estava bom demais para ser verdade! Será que fui só eu quem acreditou que ele estaria aqui para se declarar para mim?
– Ok, um minutinho– respondi tentando parecer o menos decepcionada possível.
Subi as escadas correndo apanhando meu caderno de cima da cama. Assim que desci vi que minha mãe se juntara a conversa aparentemente amistosa entre meu pai e Sasuke.
– Prontinho- lhe entreguei o caderno tentando não me perder naquelas lindas obsidianas.
– Sakura querida- minha mãe me despertou do transe – Sasuke nos disse que está indo ao baile do colégio. Por que não quer ir?
Fiquei sem reação. Na verdade eu ao menos sabia a resposta para essa pergunta.
– B-bom, é-é q-que...- comecei a gaguejar, mas meu pai me interrompeu.
– Na sua época, eu e sua mãe não perdíamos um baile! A propósito foi em um deles que nós nos conhecemos. Você deveria sair mais de casa, se divertir um pouco faz bem- com juízo é claro!- Não é mesmo garoto?- disse se referindo ao Sasuke que aparentava um brilho estranho no olhar.
– Com toda certeza Senhor Haruno! – ele disse e depois deu um sorriso de canto- Não quer ir mesmo ao baile Sakura?
Fiquei tentada a recusar. Mas antes que eu desse a resposta minha mãe já foi me interrompendo:
– É claro que você vai, não é querida?
E antes mesmo que eu pudesse objetar ela estava me arrastando escada à cima até chegarmos ao seu quarto. Foi abrindo o guarda-roupa e tirando pares de sapatos, maquiagem, e um embrulho que eu não consegui identificar. Soltou meus cabelos, passou alguns pós no meu rosto, me deu um sapato e aí eu percebi que faltava uma coisa:
– Mãe, eu não tenho o que vestir!
Ela se virou e me deu uma risadinha. Foi até a cama e pegou o embrulho.
– Eu estava o guardando para sua formatura, mas acho que ele seria perfeito para esta noite – destampou o embrulho e revelou um belíssimo vestido.
– Mamãe... – falei com lágrimas nos olhos, nunca imaginaria que ela faria algo do tipo para mim.
Dez minutos depois eu encarava a imagem no espelho tentando me convencer de que sim: aquela era Sakura Haruno. Estava irreconhecível e de certo modo pela primeira vez me senti bonita de verdade.
Desci as escadas me apoiando no corrimão, já que não era acostumada a usar salto alto. Sasuke estava lá, parado me esperando. Mandei-lhe um sorriso enquanto estava nos últimos degraus e para minha infelicidade acabei por me desequilibrar. Fechei os olhos esperando a queda, mas tudo o que vi –ou melhor- tudo o que senti foram braços me rodearem.
Abri meus olhos e me deparei com aqueles belíssimos olhos negros a me observar. Desvencilhei-me dele que logo disse em um sussurro:
– Você está linda...
Meu coração disparou de repente. Acho que foi a primeira vez que ele me elogiava. Nos despedimos de meus pais e depois nos encaminhamos até seu carro.
Passamos o caminho todo em silêncio, cada um absorto em seus próprios pensamentos.
Assim que ele estacionou o carro em frente à escola eu travei. Não sabia se seria capaz de sair dali e encarar todos os meus colegas. Não estando vestida desse jeito.
Sasuke pareceu perceber minha tensão, pois senti sua mão tocar a minha – meu cérebro derreteu – e me disse amigavelmente:
– Ei, não precisa ficar nervosa! É só um baile! Olha se você não quiser entrar tudo bem, eu te levo embora ou pra algum outro lugar.
Eu queria aceitar essa sugestão, mas seria tão injusto fazê-lo perder esse baile, que decidi encarar o meu “medo”.
– Não tudo bem, eu consigo!
Um minuto depois eu já estava fora do carro, com Sasuke ao meu lado. Tomei fôlego quando passei pelas portas do salão. De repente tudo pareceu parar. As pessoas começaram a me olhar e cochichar como se duvidassem que eu fosse Sakura Haruno.
Sasuke passou o braço por minha cintura e me guiou para o centro do salão. As borboletas se remexeram em meu estômago.
Não sei quanto tempo havia passado em que eu e Sasuke estávamos ali do lado da mesa de ponche, só observando os casais dançando na pista. A toda hora alguém vinha nos cumprimentar, recebi muitos elogios e não pude deixar de ficar envergonhada.
– Quer dançar?
A principio assustei-me, mas quando virei, vi que Sasuke estava com sua mão estendida me chamando para dançar. Pensei em recusar, pois não era nenhuma pé-de-valsa, mas algo dentro de mim disse que eu deveria aceitar, então eu o fiz.
Ele me guiou até a pista de dança onde vários casais dançavam uma música lenta. Segurou em minha cintura aproximando nossos corpos e eu então — um pouco receosa- pousei minha cabeça sobre seu peito, podendo ouvir os batimentos ritmados de seu coração e sua fraca respiração batendo contra minha bochecha.
Aquele momento iria ficar gravado para sempre em minha mente.
Mas toda história chega ao fim.
Senti-me sendo puxada para trás com brutalidade e depois senti algo escorrendo pelo meu rosto. Abri meus olhos e encontrei Karin me fitando com cara de deboche, o copo de ponche jazia vazio em sua mão.
Meus olhos arderam, mas eu não poderia chorar. Sasuke a olhou furioso.
– Não pense que vai roubá-lo de mim vadia! – ela disse pausadamente.
Era humilhação demais para mim. Rapidamente me virei em direção à saída e corri.
Corri até meus pés não aguentarem mais, até meu pulmão implorar por ar. Quase caí por causa dos saltos dos sapatos, quase não enxergava o caminho devido às lágrimas.
Quando parei me vi no que seria uma praça. Algumas crianças brincavam em volta de uma fonte toda iluminada. Casais de apaixonados namoravam sentados em banquinhos ao redor da fonte.
Senti-me sozinha.
Oh, I remember you
Driving to my house
In the middle of the night
I'm the one who makes you laugh
When you know you're about to cry
And I know your favorite songs
And you tell me about your dreams ♪♫
.:O:O:.
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