Você Me Aceita?
3 Almoço.
Notas iniciais
“Desde que vim para cá, não tiver um momento se quer de sossego.”
Natsu caminhava em direção a saída do colégio, exausto de mais um dia de aula. Em frente ao portão do colégio, avistou uma albina olhando para seu relógio de pulso impaciente.
– HEEEY! – Gritou balançando as mãos para o alto, tentando fazê-lo notá-la.
– Oi. – Deu um sorriso tentando disfarçar o cansaço ou qualquer coisa que a fizesse pensar que ele não estava a fim de vê-la.
– Você demorou hein? Vamos para casa juntos? – Falou corada segurando no braço do namorado.
“Para onde foram meus dias de estudante normal?” suspirou e começou a acompanhar os passos da menina.
– Então, a professora Lyra disse que não estávamos cantando do fundo de nossos corações, e então pediu para todo mundo entrar no clube de drama. Não entendi o por que.
– Ah, claro! — Natsu balançou a cabeça positivamente, não prestara atenção em uma palavra que ela dissera.
– Sem querer me gabar, mas eu adoro karaokê e fui com minha amiga Mira do clube. Sempre pontuo alto. Então a Lyra-sensei ficou uma fera de novo quando estava ensinando drama. Eu fiz alguns colegas no clube de drama. É como se um demônio tivesse encarnado nela. Que coisa, não é?
– A-Acho que sim. – Natsu respondeu meio confuso.
– Mas não é só a Lyra-sensei...
“Mas quem é essa garota? Eu sei que ela esperou por mim na saída do colégio e pediu para irmos juntos, mas... Quando a encontrei pela primeira vez ontem de manhã, de repente... Foi o que aconteceu. Ela anda no ritmo dela e não escuta os outros”.
– Já que eu freqüentemente me machuco durante os treinos, acabo sendo um incômodo para os outros. Mas o professor nunca ficou bravo comigo e sempre me tratou bem. – ela sorria, mas então percebeu que Natsu estava perdido em seus próprios pensamentos – O que foi? Está distraído?
– Ah, não é nada. – Natsu falou sem graça.
– Mesmo? – Ela parou e começou a fita-lo –Eu não falo demais? Queria lhe ouvir um pouco.
– Mesmo que você me pergunte... – Começou Natsu, mas foi interrompido por Lisanna.
– Então, você pratica algum esporte? Que tipo de música você gosta? Onde você joga? – Ela começara um interrogatório, perguntas atrás da outra, mas seu celular tocou a impedindo de continuar – Ah, uma mensagem. — Colocou a mão em sua bolsa, procurando o seu celular. — Esse é meu celular. — Quando encontrou, puxou de lá um celular cor-de-rosa e abriu a mensagem – Ah não! Eu esqueci completamente! – falou fazendo uma careta.
– Aconteceu alguma coisa?
Ela abaixou a cabeça por alguns segundos, mas a levantou rapidamente o encarando nos olhos. Seus rostos estavam tão próximos... Corou. Aproximou lentamente sua mão da dele e a segurou. Ele a olhou surpreso e corado.
– Desculpe-me. Vamos nos apressar. Corra! Não temos tempo a perder! – Ela então começou a puxá-lo – Vamos, rápido!
– Mas... — Falava enquanto era arrastado pela garota – Você não precisa segurar a minha mão! –Foi então que eles passaram por um grupo de garotos que ficaram encarando-os.
– Conseguimos! – Lisanna ergueu a mão direita para o alto em sinal de vitória, enquanto Natsu dobrava o corpo a procura de ar.
– V-Vou morrer! – Natsu falou enquanto Lisanna olhava o horizonte com as mãos na cintura.
– Céus, você é terrível. Deveria praticar alguma coisa. – olhou para Natsu que estava sofrendo por conta do sol e da corrida.
– Bem, isso até pode ser...
– Mas estou aliviada. Queria ir para casa com o meu namorado. – Ela colocou uma mão na bochecha e balançou a cabeça feliz – Isso é bom.
– Namorado? – Natsu perguntou, mas foi ignorado.
–Seja como for, tenho que começar logo. Bem, nos vemos amanhã. Hum... –Ela colocou o dedo indicador na bochecha e começou a pensar. –AH! – Falou de repente assustando Natsu que deu um pulo para trás – Ah não. Esqueci de perguntar para ele uma coisa importante. — Abaixo a cabeça e colocou a mão sobre a mesma.
– H-HÃ... O que foi agora?
– Ainda não nos apresentamos direito... Puxa.
– Pensando bem... Eu não sei muita coisa de você...
– Muito bem, eu começo. Eu sou Lisanna, estou no segundo ano, turma B. Jogo no time de vôlei. – Então abaixou a cabeça em saudação, o que devia ter feito quando o conhecerá, mas a excitação foi tanta que esquecerá.
– Eu sou Natsu Dragneel. Estou no segundo ano, na turma C.
– Natsu Dragneel. Natsu. – Lisanna repetiu – Natsu-kun, não é? Certo. Vou lembrar. – Falou determinada – Bem, eu tenho que voltar para a escola agora.
– Voltar... Não estava indo para casa? – Ele apontou para direção que eles vieram.
– Tenho atividade do clube agora. Bem, tenho que pegar o ônibus. – Acenou e então saiu correndo, deixando Natsu sozinho a observá-la.
– O que há com ela?-Se perguntou, mas algo veio em sua mente — É mesmo. Eu tenho que voltar também! Não dá para pegar o ônibus da estação para casa. Droga, ônibus de novo... – suspirou.
– Como imaginei! Da estação até aqui é bem longe. – Lisanna chegou ao vestiário e dobrou o corpo ofegante, Mira viu a situação dela e foi tentar ajudá-la.
– Está atrasada, Lisanna. – Falou tentando fazer uma cara séria, mas não conseguiu – Pensei que você ia matar o treino.
– Eu ia perder o treino se não fosse a sua mensagem. – falou enquanto tirava a blusa do uniforme – Obrigada Mira-nee! Você me salvou!
– Não foi nada. Mas o que foi que aconteceu? Não é comum você se esquecer dos nossos treinos.
–Quer saber? – Ela se virou já com o uniforme do time com um sorriso estampado.
–AAAN? – Mira gritou surpresa depois de ouvir o motivo de Lisanna – Você tem um namorado?
– Ai, não grite assim! – falou sem graça – Fico com vergonha.
– Mas você só esbarrou nele quando o conheceu, não foi?
– Isso mesmo.
– Como você pode chamá-lo de namorado só com isso?
– Mas meu coração bateu tão rápido! – Lisanna juntou as mãos perto do rosto e fechou os olhos – Estávamos destinados a nos encontrar!
– Eu não sei o que você pretende com isso.
– Ei, ei, Mira-nee! O que eu devo fazer como namorada dele? Nós fomos para casa juntos... Eu nunca namorei antes, então não sei bem o que fazer.
– Bem, normalmente saem juntos, conversam nos intervalos, trocam mensagens quando não se vêem... Acho que você poderia preparar o almoço dele também...
–É isso! – Lisanna interrompeu a amiga – Sim, sim! Entendi. Certo! A partir de amanhã me esforçarei bastante! – Disse determinada e contente.
– Mas antes disso, que tal também se esforçar bastante hoje? – Uma garota do clube a chamou.
– Claro! Vou pagar o meu atrasado dando dez voltas na quadra! – Falou começando a corrida, deixando Mira observando-a preocupada.
– Será que a Lisanna vai ficar bem? – pensou e então se dirigiu ao centro da quadra.
Natsu mal chegará ao colégio no dia seguinte e já fora alvo de algumas bolinhas de papeis, ou insultos. Suspirou e seguiu para seu armário para pegar alguns materiais. O abriu e achou vários bilhetes de ameaças e ofensivos. Apenas suspirou os deixando lá.
– Oi! Natsu-kun! – A voz de Lisanna penetrou em seus ouvidos, ele apenas fechou o armário com força. Não queria que ela visse e se sentisse mal por isso.
Ela foi ao seu encontro, extremamente feliz, ele sorriu.
– Bom dia, Natsu-kun! – Acenou quando estava em sua frente – Ei, eu sei que é meio cedo, mas me diga seu email e seu telefone. – Falou pegando seu celular e esperando que ele ditasse.
– Email e telefone? Tudo bem...
– Eu vou te dizer o meu, por isso me mande uma mensagem agora mesmo. – Sorriu e então voltou à atenção para o celular – Vejamos... – Eles então trocaram os números e emails, logo Natsu seguiu para sala, mas antes, acompanhou Lisanna até a sala dela.
– Nesta manhã eu estava lecionando em ambas as classes do primeiro nível. – Lucy estava de pé ao lado de sua carteira traduzindo um texto em inglês. Todos em seus lugares acompanhavam a leitura com o livro em mãos e silêncio generalizado – Duas delas, amigas muito íntimas, para pegar as folhas de papel e lápis.
O silêncio foi quebrado por um toque de celular. Natsu pôs a mão em seu bolso e viu que era o dele.
– O quê? – Ele abriu o celular, ignorando todos os olhares indignados voltados para ele- Uma mensagem da Lisanna?
–Natsu! – A professora Aires parou ao lado de sua carteira um tanto irritada – Desligue o celular durante a aula. Sinto muito.
– Eu que peço desculpas Sensei! Não tive a intenção! – mas o toque continuou soando, mais mensagens chegavam a cada instante – Ah, o quê? Por que tantas mensagens? – olhou espantado para a quantidade que tinha.
– Ei! Desligue o celular! Sinto muito...
– Mesmo que você peça... – Os garotos agora se levantavam e ficavam o encarando, como se fosse uma provocação para eles do tipo “olhem bocós, a Lisanna me ama tanto a ponto de fazer eu me danar com a professora!”. Mas teve um olhar entre todos os outros que fez Natsu se sentir mal com toda aquela pressão. Lucy o olhava decepcionada com o que via.
Ele voltou para o armário, achando que se ficasse por ali ninguém iria o chatear. Lisanna era uma pessoa divertida apesar de falar muito, mas todo o seu “relacionamento” com ela estava sendo cansativo. Se já não bastasse ter que aturar as brincadeiras de Jellal ainda teria que aturar os meninos de doce (N/A: de doce seria uma expressão usada pela minha prima muito limda *-* Sempre que ela via alguém com frescura ela falava “para de cu doce!” xD Ai minha irmã – que agora é freira — ficava zoando ela falando “Hãaa, sua safadinha, se provou né?!” é...a gente tinha séerios problemas ‘-‘) por causa da Lisanna e ele. Suspirou abrindo o armário e vendo vários envelopes caírem.
– Tem mais ainda. – Falou escutando passos vindos da porta.
– Ah, Natsu-kun! Que cartas são essas? – A albina perguntou curiosa observando ele as jogar no armário – Declarações de amor?
– Ah, essas são... – pensou em uma mentira, não diria jamais que era por culpa dela.
–Estou tão feliz por meu namorado ser tão popular! – atropelou ele sorrindo.
– É mais ou menos isso. – suspirou lembrando-se do que realmente se tratava as cartas.
– Mas tudo bem. Quer ter um encontro nesse domingo? Nós já nos tornamos amantes!
– Bem, foi você quem decidiu isso...
– Vejamos, será que devemos ir a um parque de diversões ou ao cinema? – Lisanna cruzou os braços pensativa ignorando o comentário de Natsu – Há um bom filme de romance passando.
Natsu suspirou. Por isso não queria se envolver com nenhuma garota, elas são tão... Problemáticas e indecisas...
Antes de Natsu seguir para casa, passou no armário para se livrar dos cartões antes que Lisanna visse.
–Eles enviaram ainda mais. – Ele olhava impressionado com a quantidade de haters que havia conseguido.
– Ah, Natsu-kun! – Novamente Lisanna o achará, ela estava com o uniforme do time de vôlei – Está indo para casa?
– S-Sim. – gaguejou um pouco com a surpresa
– Eu tenho que ir ao clube agora, mande um email á noite! – Acenou se despedindo e saiu dali correndo para não se atrasar.
Lucy, Juvia, Erza que estavam perto não puderam deixar de ouvir a conversa deles, e começaram a “sessão fofoca”!
– Então Natsu está mesmo namorando a Lisanna. – Erza falou lembrando que ele havia negado no dia anterior – O que você acha disso Lucy?
– Eu não acho nada! – Lucy sorriu – Acho que ele deve fazer de sua vida o que bem entender, e que tal irmos logo hn? – chamou as amigas já caminhando em direção ao portão. (N/A: Não, isso não foi nenhuma tentativa de mostrar que ela está com ciúmes. Foi exatamente para mostrar que ela nem se importa *joinha* q)
[dia seguinte: 14h: 20 min. 2° tempo de intervalo]
– Eu trouxe seu almoço hoje. – Lisanna que estava sentada ao lado de Natsu perto da gaiola de Lily lhe entregou um pote enrolado em um pano amarelo com corações cor-de-rosa.
– Você fez isso pra mim? – perguntou surpreso pegando o pote e abrindo um sorriso.
– Sim. Eu soube que todo dia você só come lanches que você compra na cantina. – Natsu se lembrou na hora do acidente causado no dia retrasado – Eu pensei que já tivesse cansado disso, então eu fiz isso de todo coração! – Sorriu para ele.
– Muito obrigado mesmo!
– Espero que goste.
–Itadakimasu! – Natsu gritou e abriu o recipiente lentamente. A aparência não estava das melhores. Tinha algumas coisas verdes e roxas, dois polvos amarelos e algo vermelho com algo amarelo em forma de coração e algumas estrelinhas – Er... O que é essa coisa verde? –perguntou sem graça erguendo com seus hashi uma das bolotas (N/A: Bolotas é um jeito estranho de se referir a bolinhos né? xD’ Quem falava isso também era a minha limda prima ♥ é que eu amo muito essa vadia sabe? ‘-‘) verdes.
– É um bolinho de carne fervido com própolis.(N/A: Própolis é um negócio muito louco que vem do mel ‘-‘ descobri esses dias ‘-‘) – Explicou sorrindo – Não parece saudável? – Lily que apenas escutava tudo, decidiu chegar um pouco mais perto para observar tudo – O arroz tem pimenta vermelha e pimenta da guiné que ajuda a queimar gorduras. A omelete verte tem chá verde junto. – A cara que Natsu fez ao ouvir tudo não foi das melhores, mas ele logo tratou de escondê-la – Vamos! Coma! Coma! – Ela estava agitada e entusiasmada, Natsu não poderia fazer essa desfeita.
“Não... Mesmo que tenha essa aparência, deve ter um gosto bom!” pensava positivamente encarando a bolota sem ter muita certeza.
Criou a coragem necessária e então a colocou na boca. Lisanna o olhava feliz e com as mãos juntas, mal ela sabia o esforço que o dono dos cabelos róseos estava fazendo para tentar engolir aquilo. Sem quere, deixou a metade cair, que foi rolando até a gaiola de Lily. Esse deu algumas mordiscadas, mas se arrependeu no mesmo momento, caindo para trás com um pouco de enjôo.
– Natsu-kun! O que foi? – Lisanna percebeu a cara que o namorado fazia não era das melhores, o que a deixou preocupada.
Ele se recompôs e logo tentou acalmar a albina:
– Não é nada!
– Por acaso, o gosto não está bom? –Perguntou cabisbaixa.
– Isso não é verdade! – mentiu, mas tratou de comer mais depressa para não sentir muito o gosto e a deixar feliz. Lisanna era ainda mais bonita sorrindo, e Natsu queria mantê-la assim – Está ótimo! Maravilhoso! – Comia mais rápido se desesperando, pois Lisanna não voltava a sorrir.
– Que bom! – Ela mudou de humor rapidamente, sorrindo vitoriosa – Para ser franca, eu estava preocupada. Foi a primeira vez que cozinhei! – Ela sorria e batia palmas de felicidades, não sabia se conter. Natsu por dentro estava tendo seus momentos de “depressão”.
“Isso não é bom. Estou perdendo a consciência...” Natsu pensava com certo drama, sabia que parte era exagero, mas que era tenso engolir aquilo era.
– Ei, Natsu! – Escutou a voz de Gray o chamar.
– Ai está você. –Loke falou olhando de canto para Lisanna.
Natsu colocou o pote em cima do banco com um pouco de força e levantou com pressa.
–Desculpe! Meus amigos estão me chamando. – Ele acenou se despedindo e então ele empurrou os amigos para fora dali.
Lisanna os observou se afastarem, mas voltou à atenção para o recipiente que estava no banco e o pegou olhando feliz para os restos.
– Vou preparar outro.
Ainda no chão, Lily prometeu mentalmente nunca mais mordicar qualquer coisa que lhe dessem. Só o que ele tinha certeza absoluta que era mastigável.
–Nota das fadas. – Loke repetiu o nome do arquivo e o abriu mostrando aos amigos o perfil de Lisanna – Lisanna-san da turma B é uma péssima cozinheira. – Acrescentou ao ouvir o relato de Natsu.
–Tudo bem deixar ela sozinha? – Gray perguntou preocupado.
– Lisanna e eu não estamos num relacionamento assim. – Natsu estava com a cabeça entre os braços em cima da carteira de sua sala.
– Está ficando vermelho, Natsu. – Gray debochou.
– C-Como eu disse, ela decide tudo sozinha! – Levantou a cabeça depressa encarando o amigo, que por incrível que parecesse estava vestido.
Loke que escutava tudo fechou seu notebook e voltou a prestar atenção nos colegas.
– Bem, eu consegui mais algumas informações sobre Lisanna. Você foi de grande ajuda!
– Mas já que ela não sabe cozinhar, vai ser difícil namorar com ela. – Gray concluiu.
–Deve ser raro alguém cozinhar tão bem quanto a Lucy! – Loke falou com seus olhos brilhando atrás dos óculos.
– Hã? Lucy sabe cozinhar, também? – Natsu perguntou interessado.
– Eu ouvi boatos de que tudo que ela faz fica esplêndido! Mas nunca tive a oportunidade de provar... –falou cabisbaixo mais logo se recuperou — Mas tenho certeza que um dia irei acordar e terá meu café preparado por ela em cima da cama! – Falou imaginando a cena.
– Lucy é realmente incrível! – Natsu falou um tanto bobo e surpreso.
– Poxa. – Lucy apareceu atrás de Loke, mas não tinha escutado o elogio da parte de Natsu – Do que vocês estão falando?
Os três voltaram os olhares para ela surpresos e assustados.
– Lucy! – Loke falou se levantando.
– Nós estávamos falando da namorada do Natsu! – Gray falou a primeira coisa que veio em mente, sem intenção nenhuma de “queimar o filme” do amigo.
– Mas eu já disse que é um mal entendido poxa! – Natsu resmungou.
– Você não precisa esconder isso de mim. – falou calmamente abrindo um sorriso – O rumor já se espalhou pela escola inteira. – Natsu gemeu ao lembrar-se da quantidade de haters que adquiriu — Mas você deveria tomar mais cuidado ao receber mensagens durante as aulas. Você precisa prestar atenção nos seus estudos também e não ser tão obcecado por ela.
– Eu já disse, minha namorada decide tudo por conta própria...
– Espero trabalharmos juntos no dia do esporte na semana que vem. – cortou o drama de Natsu fugindo do assunto – Nós vamos estar na corrida. – ao dar a noticia saiu dali sem deixar o dono dos cabelos róseos dizer nada.
– S-Sim... – Disse mesmo ela não escutando.
– Estou desapontado com você Natsu! – Elfman chegou logo em seguida – Porque está perdendo seu tempo aqui e não vai ficar com a minha irmã?
– Cale a boca. – Gajeel que estava meio dormindo, meio acordado falou irritado – Não consigo dormir com essa barulheira.
Alguém, por mais escondida que estivesse ouvira a conversa toda de Natsu e seus amigos. Sim, ela estava o vigiando. Queria ter certeza sobre o comportamento de Lisanna para futuramente ela não se magoar. Percebeu que não tinha mais nada ouvir ali então voltou para a quadra do time de vôlei.
Lisanna tirava as meias para por o uniforme escolar, lembrando-se dos elogios que Natsu fizera a sua comida e imaginando o que fazer da próxima vez.
– Né Lisanna! – Mira falou tirando-a de seus pensamentos — Fiquei sabendo que você fez o almoço do Natsu.
– Ah sim... Como soube?
– N-Não é importante né?!
– É, tem razão... Nossa, que vergonha!
– Mas você provou? – perguntou séria.
– Hã? Não, por quê?
–Sobrou alguma coisa, não foi? Deixe-me ver.
Lisanna colocou sobre o banco o pote onde estava o almoço “delicioso” de Natsu. Sobrara um dos polvos, um tantinho da coisa vermelha (que seria o arroz picante), uma das bolotas verdes, uma das coisas vermelhas e mais alguma coisa verde.
– Eu sabia. – Falou olhando aquilo com certo receio de provar — Se você alimentá-lo com isso, ele vai morrer! (N/A: esse povo pensa que o Natsu é morto de fome ‘-‘)
– Mas ele disse que estava bom. – falou chateada com a conclusão da amiga.
– Então prove um pouco. – falou como se fosse uma ordem.
– Está bem. – ajeitou o hashi e deu uma mordiscada na ultima bola verde – O que é isso? – Olhou com certo nojo para a comida – Tem gosto de tinta! Eu nunca provei tinta, mas tenho certeza de que o gosto é assim! – continuava olhando enojada.
– Natsu-kun deve estar se esforçado. – cruzou os braços – E você está sempre dizendo que é a namorada dele. Pense como ele se sente também. Uma namorada precisa pensar em como seu namorado se sente. – Lisanna abaixou a cabeça e foi terminar de se trocar.
Seguiu abatida para sala, pensando em como Natsu tinha se esforçado para não magoá-la.
– Se não estava bom, ele deveria ter falado para mim. – falou quase num sussurro para apenas ela escutar – Já sei! – uma brilhante idéia passou em sua mente, e então, nos últimos 9 minutos de intervalo ela saiu correndo atrás de certa sala.
– Virgo-sensei!- entrou gritando na sala do clube de culinária. Por sorte ninguém além da professora estava lá.
– Ah, Lisanna-sama! Que surpresa. –disse olhando para a albina – No que posso te ajudar hoje?
– Sensei, por favor, me ensine a fazer um almoço decente! – dobrou o corpo em reverencia.
– Por acaso é para algum rapaz?
– Bem... Sim... – desdobrou o corpo de vagar mostrando sua face rubra.
– Que ótimo! – Virgo sorriu – Fico realmente feliz por você!
Por uma semana inteira, a professora fez questão de se dedicar inteiramente a ajudar Lisanna. Mostrou-a como usar os utensílios em cada situação, mostrou-lhe como escolher os ingredientes certos para cada prato e como cozinhá-los... Enfim, tudo que se deve aprender para poder preparar um almoço digno.
Lisanna era uma aluna dedicada. Sempre que podia relia as anotações que a professora deixava para ela, mas não deixava de cumprir com suas obrigações como membro do clube de vôlei e aluna do segundo ano do ensino médio.
Estava com curativos em pelo menos metades de seus dedos amarrava um pano sobre um pote, mas o olhava apreensiva.
– Vai dar tudo certo. – Virgo disse tentando motivá-la – Não se preocupe.
– Sim! – sorriu segurando cuidadosamente a vasilha – até mais! – Sorriu em agradecimento e foi procurar pelo namorado.
– Não há cartas de maldição hoje. – Sorriu ao abrir o armário e se deparar com ele “limpo”. Pegou o celular e verificou se tinha alguma mensagem – Nenhuma mensagem também! O que será que Lisanna está fazendo? – indagou-se preocupado com a namorada.
– Ei você, venha aqui. – uma moça de aparência de dois mil anos e de cabelos róseos um tanto mais claro do que o de Natsu falou chamando-o.
– Quem é você?
– Eu apenas notei que você está meio atormentado. Nunca vi você antes aqui. Veio transferido? – Falou séria.
– Sim, sou Natsu Dragneel do segundo ano, turma C. É um prazer conhecê-la.
– Eu sou a enfermeira da escola, Porlyusica. Procure-me somente quando estiver morrendo.
– Tá. – Ele a olhou sem saber exatamente o que fazer – Mas você poderia ser mais educada... –cochichou, mas ela ouviu.
– Quer educação é? Então vamos tomar um chá. – e o puxou até sua sala.
– Entendi. – Falou a senhora depois de dar um gole de seu chá – Ultimamente sua namorada anda meio fria é? – tentou bancar a compreensiva, mas não deu muito certo.
– Ela não é minha namorada de verdade... – falou depressa, por mais que ele estivesse ciente que querendo ou não seria seu namorado, por teimosia continuava a dizer que Lisanna não era sua namorada – Mas não precisa fingir que se importa...
– Você gosta dela ou não? – falou colocando sua xícara de chá em cima de sua mesa.
– Eu não... – Buscou palavras para tentar explicá-la. Não é que ele a odiasse, mas a conhecendo por apenas uma semana era difícil amar alguém. Sim, ele estava muito corado, afinal, que tipo de pergunta é essa?
– Ah, você é mesmo um idiota. — Porlyusica concluiu entediada.
– Ei!
– Logo ela estará de volta como se nada tivesse acontecido.
– Você acha?
– Posso ser velha mais já fui uma garotinha também. – resmungou.
– Com licença. – Natsu pediu antes de sair da sala da enfermeira.
– Natsu-kun! – Lisanna gritou.
– L-Lisanna? – gaguejou um pouco ao perceber que ela estava corada.
– Ah... Bem... Pode experimentar meu almoço novamente? – ela pediu sem graça estendendo-lhe um pote com um pano verde-água o envolvendo.
– C-Claro. –falou com um pouco de receio lembrando-se do gosto terrível da outra marmita da semana passada.
Abriu-a de vagar, esperando ver mais bolas com cores estranhas, mas desta vez a aparência de tudo estava ótima.
–Itadakimasu. – Gritou e então pegou seus hashi e levando um pedaço de carne até a boca. Enfiou logo e o mastigou. Logo começou a experimentar cada coisa que tinha, saboreando-os com uma cara prazerosa.
–E então? – Lisanna perguntou com a voz tremula, estava com medo – Está bom?
– Sim, está ótimo! – Ela decifrou essas palavras que saíram da boca cheia de Natsu.
– Isso! – ela gritou feliz – Eu consegui! – e levantou-se do banco enfrente a fonte dando um salto – Virgo-sensei me deu um treino especial, por isso eu não ia perder! Ah, que alivio! – Ela deu um belo sorriso.
– Eu acho que isso não se trata de vencer ou perder.
– Para mim, é. Eu vou continuar a fazer mais almoços para você, por favor, coma-os, está bem, Natsu-kun? — Ela então piscou para ele.
– Sim! – disse corado.
– Certo. O que eu faço agora? Cozinha francesa? Chinesa? Ah, preciso tentar preparar uma refeição tradicional. Preciso de mais treinos especiais da Virgo-sensei!
– Bem, acho que está tudo bem deixar as coisas como estão. – Sorriu.
–Esses jovens burros... — Porlyusica suspirou vendo a cena.
O tempo havia mudado drasticamente. De “sol dos infernos” para “vish, nada de escadas já que precisarei de guarda-chuva” (N/A: Trauma de guarda-chuvas ç_ç’ eu assisto Another sabe...).
–Bem, até mais. – Lisanna disse se despedindo antes de voltar para a quadra – Até amanha, Natsu-kun!
–Sim. Até, Lisanna. – Acenou e viu-a correr de volta para a quadra.
Natsu seguiu calmamente seu caminho de volta para casa, mas logo alguns pingos de chuva logo começaram a tocar parte de sua pele descoberta. Acelerou o passo procurando por um abrigo.
Achou um ainda ali no colégio. Parecia uma garagem de bicicletas, mas era um ótimo abrigo.
– Poxa, eu nem trouxe um guarda-chuva. – suspirou. Olhou para o lado buscando mais alguém que estivesse na mesma situação dele e encontrou com uma garota de rosto familiar olhando para chuva com um sorriso tímido em seus lábios – Hn... Acho que a conheci na biblioteca.
Se aproximou vagarosamente dela e tentou puxa assunto.
– Está chovendo bastante hoje. – falou se colocando do lado dela, ela deu uma olhada para o rosto do rapaz e logo abaixou a cabeça – Aconteceu algo?
– Não, não é nada. – falou rapidamente virando o rosto para esconder o rosto corado.
– Está se abrigando da chuva? Você vem de bicicleta para o colégio?- Falou reparando que ela estava apoiada no guidão de uma bicicleta vermelha.
– Sim. Leva cerca de meia hora a pé até aqui. — A dona dos cabelos longos e azuis falou encarando os pingos de chuva que diminuíam sua densidade aos poucos.
– Entendo. Acho que não vamos poder sair por enquanto. – ele também começou a prestar atenção na chuva. Parece que ainda vai chover mais.
– Eu gosto da chuva. – Ela pronunciou timidamente, Natsu voltou sua atenção para o rosto dela para prestar atenção no que ela falava – Gosto de dias chuvosos. Porque o cenário fica diferente do normal. As cores e o aroma também.
– Ah, entendi.
– Este cenário é diferente do que eu costumo ver. Os tons de verde parecem mais frescos e os aromas mais fortes. – Ela sorriu para ele e o mesmo retribuiu, desta vez ele corou.
– O que foi?
– Ah, não é nada não. – Talvez Natsu tivesse algo a acrescentar, mas um espirro fez com que ele não terminasse a frase.
– Ah, não! – A menina da biblioteca falou meio desesperada e sem muita reação. Colocou as mãos em frente ao corpo tentando acalmá-lo, como se ele tivesse espirrado o cérebro – Tudo bem?
– Ah, não é nada. – falou tentando despreocupá-la. Ela tirou um lenço cor-de-rosa do bolso e ofereceu para ele.
–Use isso, por favor, Dragneel-san.
– O-Obrigado- falou pegando o lenço da mão dela – Ah, como você sabe meu nome?
– Bem... – ela falou surpresa com a pergunta e sem graça – Acho que a chuva já esta parando. – falou fugindo do assunto e observando que agora só caia uma garoa fina – preciso ir. – ela falou empurrando sua bicicleta com ela.
– O seu lenço! – Natsu gritou – Qual é o seu nome?
– Bem... – Ela parou e se virou para ele – Wendy Marvell. Sou do primeiro ano, turma D. Sou do clube de Natação. Bem, até mais. – e voltou a correr com a bicicleta ao seu lado.
Natsu ficou parado, imóvel, observando-a ir.
– Wendy Marvell-san. –repetiu o nome dela, ainda a observando sumir.
Fale com o autor