Capítulo 2 – Cartas

As visitas de Serenity a Terra tornaram-se cada vez mais frequentes, e como o combinado, Venus a acompanhava deixando sua princesa sempre a sós com o amado.

Endymion deu permissão a guerreira para andar pelo palácio, ao menos, ela não ficaria o tempo inteiro parada na porta como um soldado, embora gostasse de ficar lá conversando com Danburite a quem fizera de companhia e amigo. Nos últimos dias já havia conhecido melhor o lugar e tinha feito como local favorito e posto de espera recente o jardim que havia nos fundos do palácio. Aquele lugar era maravilhoso, vibrava em cores, as flores de todos os tipos e as folhas faziam contraste com o mármore, tudo aquilo era lindo iluminado pela luz da lua que refletia na grande fonte ao centro, onde a Sailor gostava de se sentar e esperar.

– Venus! — Uma voz masculina chamou.

– Danburite! — Ela sorriu observando o rapaz ajeitar os cabelos esbranquiçados.

– Há algum tempo não aparece no portão para conversarmos.

– É que descobri este lugar, mas este não é o seu turno na guarda? Deveria estar lá, não é?

– Deveria. — O rapaz sentou ao seu lado. — Mas soube que a princesa da lua estava aqui e fui procurar por você, afinal, sempre vem com ela.

– Isso não é certo. Deveria estar cumprindo seu dever.

– Bom você deveria vigiar a princesa da lua e parece completamente absorta em seus pensamentos nesse jardim.

– Tenho permissão para andar pelos aposentos do palácio, sor.

– E tem o dever de cuidar da sua princesa.

– Vai ficar me contradizendo, Danburite?

– Desculpe, mas apenas quero mostrar que ambos estamos errados.

– É... Estamos. — A loira soltou um riso baixo.

Ficaram em silêncio alguns instantes, Venus realmente se perdia nos pensamentos olhando o reflexo da lua e das estrelas se mexendo ao ritmo da água que caia na fonte. Danburite, pelo contrário, olhava a princesa do planeta Venus e como era linda.

– É bonito, não é? — Ela se virou bruscamente olhando para Danburite.

– Muito! – Ele desviou o olhar da garota. — Sabe, Venus, eu não gosto de ficar em silêncio, me perturba. — Ele sorriu. — Gosta de cartas?

– Cartas? — Ela parecia confusa.

– Cartas de baralho, nunca viu uma? — O soldado mostrou-lhe um baralho de papel.

– Não. — A loira pegou uma das cartas analisando o desenho. — Nunca vi uma.

– Bom... Vamos fazer uns truques, sim? — O rapaz pegou a carta das mãos dela embaralhando-a ao bolo de cartas.

– Truques?

– Gosta de mágica, não é?

– Claro. — Parecia confusa.

– Puxe uma carta. – Ele entregou a ela o baralho aberto em forma de leque.

– Tudo bem. — Puxou a carta mostrando-a ao rapaz.

– Rainha de ouros, combina com você. – Ele analisou a carta rindo.

– Como? –Olhou ofendida.

– A rainha de ouros, no baralho, representa uma mulher bela, responsável e muito leal. – O soldado entregou a carta a Venus, que mostrava o rubor nas bochechas. – Faça uma marca sua na carta.

Venus mantinha silêncio, talvez um pouco envergonhada pela comparação com a carta, apontou o dedo para o meio do objeto de papel fazendo um buraco com o símbolo venusiano na mesma.

– Bela marca. – Ele lhe sorriu. – Pode rasgar essa carta para mim e jogar para bem longe?

A loira não entendia bem o propósito daquilo, mas o fez. O oficial, em seguida, tomou uma das mãos da venusiana, desferindo um leve beijo que a fez corar novamente.

– Há algo em sua mão. – O loiro sorriu, soltando-a.

– Não acredito! — Ela olhava a rainha de ouros com seu símbolo. — Minha carta! — Ela entregava de novo para ele.

– Não. — Ele devolveu a carta a ela. — É sua, pra que se lembre de mim.

– Muito gentil de sua parte, Danburite. — Venus levou a carta contra o peito.

– Que bom que gosta de nossa hospitalidade, lady Venus. — O homem vestido elegantemente de branco e com longos cabelos prateados aproximou-se. — Danburite, devia estar na guarda.

– Sinto muito, General. — O rapaz levantou-se rapidamente. — Eu apenas pensei que poderia vir cumprimentá-la, eu...

– Tudo bem, até eu acho que sairia alguns instantes apenas para ver a beleza que este lugar tem oferecido. — O general sorriu para Venus. — Volte ao seu posto.

– Sim, senhor! — Danburite voltou ao seu lugar o mais rápido que pode.
Kunzite aproximou-se da loira que olhava a cena achando graça. Afinal, ele havia sido um general muito doce e compreensivo para com Danburite.

– Sailor Venus... — O homem se aproximou dela. — Não tive a oportunidade de conhecê-la ainda. Soube que agora está sempre aqui e ao que parece Danburite lhe faz companhia.

– Sim General, Danburite me faz companhia, pois a maior parte do tempo o palácio para mim é um tédio e os encontros do casal são cada vez mais longos.

– Não deveria retirá-lo do seu trabalho assim.

– E eu não retiro, General. — Ela levantou. — Ele apenas veio até mim hoje, normalmente fico junto dele no portão.

– Entendo. – Kunzite passou a mão pelo cabelo. — Pode voltar a fazer o que estava fazendo, Milady, não vou incomodá-la. – Reverenciou

Venus se sentou novamente na fonte, estava cansada demais para discussões e ali ela podia respirar fundo e colocar sua cabeça no lugar. Até que vir até a Terra não era ruim. Sempre havia alguém para conversar de modo divertido – coisa que não fazia com as amigas, pois, em sua cabeça tiraria sua moral como líder. – podia relaxar e ainda dar uma de Deusa do amor. Riu sozinha. Devia ser bom ter alguém para amar, era o que pensava, nunca teria isso, nunca. Um estalo de tristeza passou dentro de si ao pensar daquela forma. Olhou pra cima, a lua estava cheia de novo, era tão linda.

– Aqui é realmente muito bonito! As flores, a fonte, tudo tão harmonioso que... E a lua, a lua vista daqui é tão maravilhosa! – Tocou a fonte com a ponta dos dedos, encharcando as luvas. — Ah Serenity... Tem sorte de ter um lugar onde admirar a lua de tão perto... Assim como alguém pode admirá-la, tão perto...

– Milady... — Kunzite sentou-se ao seu lado — Vê aquela estrela ali?

– Não é uma estrela, ali é... – Venus acordou do transe assustada. — Você ainda estava aqui?

– Aquela "estrela" é Venus. — Kunzite via a moça olhar para cima. — Diferente da lua, tem brilho próprio e por menor que possa parecer ao lado da lua vista daqui, eu sei e você sabe que ela é muito maior do que parece ser, e tão bonita quanto à lua, então... Pense nisso, lady.

– General Kunzite... — Uma trombeta soou pelos aposentos do palácio.

– Bem... — O prateado estendeu a mão para a moça. — Creio que sua princesa já esteja pronta para ir embora, permita-me acompanhá-la até a saída.

– Como desejar. – Ela segurou a mão dele erguendo-se.

Seguiram o caminho em silêncio, Venus reparava no general. Corou ao notar o quão bonito ele era, os cabelos prateados eram tão brilhantes e os olhos sérios da cor de aço, combinavam tão bem com o todo o resto. Era tão charmoso, reparar nele daquela forma fez seu coração acelerar. O general olhou para o lado e ela desviara o olhar, não era racional olhar para um homem daquela forma, ela tinha o seu dever de Senshi acima de tudo.

Notas finais
Capítulo dois, revisado e postadinho! o//*-*