Você De Novo?
50 Capítulo 53 part 2
Notas iniciais
PDV Vivian
A festa corria assustadoramente tranquila, musica alta, garçons atenciosos, comida deliciosa, um visual fascinante e para fechar com chave de ouro, exoradas de champagne francês e vinhos de uma safra cara e antiga, como os garçons faziam questão de salientar.
– Huum, delicioso. – disse Sam a respeito do champagne.
– É mesmo. – Freddie realçou.
– Isto é como, estrelas engarrafadas. – Sam metaforizou.
– Já ouvi isso em algum lugar. – finalmente pronunciei.
– Você leu isso em algum lugar.
– É tanto faz.
– Não, há uma diferença entre ler e ouvir falar. Admita Vivian, temos quase o mesmo gosto para livros.
– E você diz isso baseado em uma frase, que por acaso eu lembrei?
– Não, eu me baseio na lembrança, não na frase.
– Hm, ao menos temos algo em comum.
Sam riu. – Temos muito mais coisas em comum do que isso. – Olhamos simultaneamente para Freddie, que abaixou a cabeça envergonhado. E me permite pela primeira vez na noite rir de maneira sincera e voluntariosa.
Apesar de inegavelmente tensos, eles parecia estáveis, e continuamos a conversar, até que algo silenciou todo o local. As luzes haviam se apagado, e até alguns segundos depois ninguém havia se mexido.
– Ai meu Deus, o que esta acontecendo? – finalmente sussurrou Sam.
– Você tem algo haver com isso Vivian? Por favor, diga que sim. – Ouvi Freddie soar desesperado.
– Infelizmente não.
Passaram-se mais alguns segundos e minha visão já estava se adaptando ao escuro, quando senti uma mão em minha boca e outra segurando meu braços. Fiquei parada, minha respiração descompassada esperando que algo acontecesse, e então reconheci uma voz pedindo que eu me levantasse, meu coração acelerou e naquele instante eu pude prever meu fim: uma morte sem defesa e sem finalizar o caso.
Me levantei e caminhei por entre as mesas para o que parecia ser o centro da festa. Meu coração, tão acelerado que eu poderia ter um ataque ali mesmo, sim eu estava morrendo de medo. Senti meu corpo ser virado abruptamente para frente e um corpo encostar-se ao meu, ao longe soava um tango. Meus olhos arderam quando um holofote acendeu sobre nós deixando-me cega por um momento. Fui posicionada e inclinada para trás, olhei para frente a fim de descobrir quem se achava no direito de me comandar daquela forma. Puxada para cima desvendei o mistério, um homem com uma rosa vermelha entre os dentes, um perfume inebriante e inconfundíveis olhos azuis, era a hora da dança da morte: um tango com Dominic.
– Espero que tenha aprovado a minha escolha. – Disse Dom sobre a música.
– Você poderia apenas ter me chamado para dançar.
– Ficou com medo, querida? –
– Jamais. Querido. – Menti descaradamente.
Tentei me soltar de seus braços.
– Não é o que esta parecendo. – Ele segurou meus pulsos com mais força.
– Eu apenas gosto de convites. E você sabe como eu odeio ser o centro das atenções.
– Então, vai me negar esta dança?
– Que o show comece.
Começamos a bailar, a meia luz nos seguindo para todos os lugares. Nossos corpos entrelaçados e a cada passo o ar ficava mais denso.
Ele me girou e cai com graça em seus braços. Para as pessoas às mesas parecia um delicioso espetáculo de um casal que se deseja ardorosamente, pena que não era um romance e sim uma tragédia.
Dominic curvou seu corpo por cima de mim e desceu sua mão pela minha perna parando no tornozelo e puxando meu vestido para cima à medida que seu corpo subia também.
– Que oportuno “El amor que está mintiendo” – Dom anunciou a parte seguinte da musica.
Daquela fútil
E falsa mulher
Que, ao jurar sorrindo
O amor que está mentindo
Queime em uma fogueira
Todo o meu querer
Estremeci ele havia descoberto.
– Desse jeito vai me deixar nua, querido. – Escondi a verdade já revelada.
– Se estivéssemos em meu quarto talvez não fosse uma má ideia. Mas veja só o que temos aqui. Uma faca?
– Achei que não estivesse lidando com amadores.
– E não esta. Uma faca é um objeto muito bonito, e útil nunca falha se você souber como e onde usar.
– E você pretendia usa-la em mim, suponho.
– Você supõe coisas de mais.
– Útil você disse.
– Se souber como usa-la, claro.
– Ainda bem que nós dois sabemos. Vejamos.
Estávamos em um momento da dança, que exigia muita sensualidade, coisa que ambos exalavam, nossas pernas se entrelaçavam e se soltavam com muita facilidade era como um zigue zague.
Dom empunhou a faca como um mestre nessa arte e em uma fração de segundos rasgou uma fenda em meu vestido rendado. Sua mão voou para a minha coxa, agarrando-a, e ele a suspendeu deixando- a segura por sua mão tempo o suficiente para descobrir um punhal de prata e outra faca.
Ainda estava tonta com seu gesto quando percebi o filete de sangue escorrendo sinuosamente pela minha coxa.
– E assim se começa uma guerra querida, arrancando a primeira gota de sangue do seu oponente por mais belo que seja.
– Sabe Dom, você escolheu uma ótima musica. Por uma cabeza não é mesmo? Receio que tenha descoberto minha surpresinha para você.
– Que seria?
– A sua cabeça, entregue de bandeja para mim.
– Você tem certeza do que esta dizendo? Olhe ao seu redor Vivian, todos aqui são meus aliados e eu tenho uma faca e você nas mãos. O que você tem querida?
– Você tem certeza de que tem a faca, Dom?
– Mas o que? – exclamou Dom, ao ver a faca manchada de sangue reluzir em minha mão.
– Seja a pessoa mais esperta na dança, Dom.
Dominic olhava em meus olhos, sua expressão dura não vacilava em nenhum instante, enquanto bailávamos os acordes finais.
Neste momento dança mais solta, apenas nossas testas grudadas, minhas mãos postas para trás e as dele caídas ao longo do corpo, mas ainda não tinha se rendido, e nem iria. Eu estava com a faca ajustada perfeitamente para que em um movimento rápido pudesse cravá-la em seu pescoço.
Enquanto alguns casais bailam com rosas vermelhas, nos, bailávamos com facas sujas de sangue. Dom voltou a me conduzir, apesar de agora estar bem mais fácil acerta-lo já que minha mão estava na direção correta ele não parecia se importar com uma facada na jugular.
Num giro rápido cai em seu colo como numa bela cena de um filme de romance, onde o mocinho pega sua amada em seus braços a joga em seu colo de moda que ela possa ficar vulnerável e ele sobre ele segurando-a e salvando-a de todos os males só por estar em seus braços, como seu protetor. Tão utópico tão surreal àquela altura.
Dom tinha uma mão em meus pescoço com a qual me mantinha estendida a centímetros do chão, minha perna estendida ao longo do corpo finalizava a dança. Estávamos entretidos, nossos olhares fixos um no outro, a espera do golpe de misericórdia.
Aplausos me fizeram voltar a realidade e percebi tarde demais que meu trunfo não me pertencia mais. Dom estalou os dedos mais uma vez e as luzes se apagaram, o silencio inundou o espaço novamente. Pondo-me em posição vertical Dom pôs a faca em minha jugular e a pressionou.
–Acho que ainda sou a pessoa mais esperta da dança. – Soou sua voz grave em meu ouvido.
Minha respiração estava profunda e assustadoramente calma, era como se todos os relógios estivessem parados e eu estivesse aguardando Dominic cumprir seu ato. Ótimo final, jogada no chão com um corte no pescoço jorrando sangue como um chafariz. Bravo, Vivian! Belíssimo trabalho! – Pensei.
Ao invés de aumentar a pressão em meu pescoço ele a diminuiu, jogou a faca longe e a substituiu pela rosa vermelha do inicio.
–Ainda não ma chérie. – Disse e sumiu pela festa.
Fale com o autor