Você De Novo?
21 Capítulo 22
Notas iniciais
–Tudo bem, vamos. Afinal é uma Harley. — subimos na moto e partimos em direção a estrada.
A todo o momento eu só conseguia pensar em que merda eu estou fazendo. Eu não posso me aproximar do Freddie, isso é loucura. Preciso de uma desculpa plausível pra estar aqui que não seja somente pela minha imensa vontade de estar. A moto, ela sim é um ótimo motivo.
Em algum momento entre os meus atordoados pensamentos e a passagem pelas paisagens, eu me vi abraçada à Freddie, sentir o seu cheiro e o calor de seu corpo junto ao meu me levaram diretamente a exatos cinco anos atrás, não consegui distinguir se isso foi bom ou ruim.
Troquei de lugar com ele e realmente a moto é divina, o pior de tudo foi ter que sentir sua respiração em minha nuca, me arrepiei e para o meu azar ele percebeu. Pra piorar o que já estava pior a seguinte ação dele foi rir ao pé de meu ouvido e não uma risada simples e contida mas, um riso debochado e me arrisco a dizer satisfatório. Não pude evitar a reação do meu corpo e estremeci novamente.
Parei a moto bruscamente e sai andando em direção ao mar. Talvez a atitude mais idiota do mundo por que é obvio que ele perceberia que fiquei atordoada.
–Ta maluca Samantha quer me matar?
–Quero, mas infelizmente a pingo de sanidade que me resta me diz que não devo parar na cadeia por você.
–Ai Sam não começa tá.
–Freddie eu não estou começando nada até por que para nós não existe bem um começo. – ele abaixou a cabeça, não posso continuar a trata-lo assim.
–Ei é brincadeira manezão.
–Você me chamou do que?
–Olha você me pediu pra esquecer por umas horas e eu sou uma mulher de palavra.
–Por que parou a moto então?
–Por que o meu projeto inicial era tomar banho de mar e ir pra casa. E eu ainda não cumpri a minha meta.
–Que seria?
–O banho de mar.
–Então você vai tomar banho nessa praia?
–O que é que tem?
–Nada, é só que, não é meio deserta.
–Não é meio ela é deserta.
–Pode aparecer algum psicopata por aqui Sam.
–Tenho certeza de que você daria um jeito nele.
–Então eu sereia tipo o seu herói Puckett.
–Não, você seria uma isca perfeita enquanto eu corria.
–Estaria disposto a arriscar minha vida por você.
–Os psicopatas agradecem. Vou lá. Você vem?
–To indo.
Tirei tudo que estava por cima do biquíni e corri em direção a água, apesar de ser fim de tarde a areia ainda estava quente.
–No que você ta pensando?
–Será que dava pra parar de me assustar.
–Desculpa.
–Tudo bem, não cheguei ater um ataque.
–Não falei do susto.
–Não, não começa. Não estrague o momento.
–Sam, um dia nós teremos que conversar sobre isso.
–Acho que já conversamos tudo o que tínhamos pra conversar a quatro anos atrás.
–Eu não entendi aquela conversa.
–Conversas mesmo que não entendidas ainda são conversas. E eu estava pensando que não temos assunto e então teremos que ficar calados apreciando o por do sol.
–Não necessariamente, temos muito assunto.
–Não temos um assunto do qual eu queira falar.
–Que tal, ei Puckett o que você faz da vida?
–Eu faço faculdade de comunicação, me formo no fim do semestre, mas por enquanto tenho que fazer uma matéria extra pra cumpri as horas de aula.
–Acho que posso dizer que sou quase formado em ciências tecnológicas, trabalhava em Nova York, e agora eu estou de férias do trabalho e transferido da faculdade.
–Quase formado?
–É. Faltam algumas horas e eu terei que fazer uma matéria extra que não tem nada haver com o meu curso.
–Nova York? Achei que estivesse em Columbia.
–Também.
–Também? Você passou por quantas faculdades?
–Até hoje umas cinco.
–Um ano em cada, minha nossa Benson sua instabilidade é assustadora. Qual foi o problema arranjava encrencas amorosas em todas?
–Só em uma. E não diria amorosa. Fiquei com uma garota por uma semana, depois ela começou a namorar meu colega de quarto. E...
–Você saiu por que foi traído pelo seu colega de quarto?
–Não sai por ela eu precisei mudar.
–Hum.
O silêncio inundou o ambiente a única coisa que podia ser ouvida era o barulho do mar.
–Sam, ta com fome?
–Sim.
–Quer algo pra comer?
–Você tem algo pra comer?
–Motos têm compartimentos.
–Legal, quero comida.
Freddie voltou depois de alguns minutos.
–Cadê a comida?
–Você não pode comer dentro da água. Faz mal.
–A comida Freddie.
–Não.
–Deixa de besteira Freddward me da logo.
–O que?
–A comida.
–Só se você sair da água.
–Não sou criança.
–Mas parece. Olha tudo bem se você não quer bacon frito ou bolo gordo... – Freddie saiu da água e eu fui logo atrás.
–Cadê o bolo gordo?
–Você quer bolo gordo?
–Claro.
–Então vem pegar. – Ele mantinha um olhar fixo em mim que ia do provocativo ao malicioso.
–Não se brinca com comida Freddie.
–Então a Sam 2.0 não é capaz de pegar o bolo gordo da minha mão? Ta com medo Puckett?
–Medo? De você? Nunca. – fui até onde ele estava pra pegar o que me interessava. Freddie começou a correr pela praia e eu cometi a estupidez de ir atrás dele. Sabe quando você tem a impressão de que vai dar merda? Pois é meu alerta de que ia dar merda estava mais que acionado.
–Freddie não somos mais crianças pra brincar de pega-pega. – gritei, já estava ficando cansada e com mais fome ainda.
–Tem razão se fossemos crianças você já teria pego isso aqui. – ele levantou o pacote na mão direita.
–Não me provoque.
–-Pegue-me se for capaz Sam.
–É prenda-me.
–Que?
Continuamos correndo até que em uma fração de segundos Freddie corria de costas e tropeçou, consequência cai juntamente com ele. Juro que gostaria de entender por que nossos lábios estavam extremamente próximos. Entrei num momento Razão x Emoção, não o beije, não faça isso Samantha. – Disse minha consciência. Vai em frente Samantha, mate a saudade desses lábios, vá falta tão pouco. – disse meu coração.
Permanecemos ali, parados, hipnotizados os olhos de Freddie não saiam dos meus. Estava em cima dele e meu coração batia tão forte que até ele poderia ouvi-lo. Não sei quem deu o primeiro passo, porém quando dei por mim já estávamos nos beijando. Definitivamente sentia falta daquilo, o calor de sua pele a maciez de seus lábios era tudo tão estranho e familiar. O ar estava ficando escasso, mas não queria acabar com o beijo, entretanto nem podia muito menos deveria ter o beijado quanto mais fazer isso uma segunda vez. Uma angustia, um medo inexplicável tomou conta de mim. O que fazer quando acabar de beija-lo? Tarde demais pra pensar. Num ato impensável e rápido peguei o bolo gordo de sua mão e me sentei.
–Não vai se desculpar? Perguntei esperando de Freddie mais uma de suas justificativas.
–Não. Devemos nos desculpar pelo que nos arrependemos e não me arrependo de ter te beijado. Alem do mais quem não resistiu aos meus encantos foi você.
–Eu não te beijei você me beijou.
–Sam, admita que estava louca pra me beijar desde a moto.
–Como é que é?
–Não teria parado a moto se não estivesse quase me agarrando.
–Não iria te agarrar nem que a minha vida dependesse disso, seria sacrifício demais pra mim.
–Ta Sam deixa isso pra lá.
–Não posso deixar pra lá, isso não devia ter acontecido, foi errado. Alias já é um grande erro eu estar aqui com você.
–Sim, você me odeia não é mesmo? Mas eu te amo Sam e você também me ama eu sei disso. Será que não podemos esquecer o passado e viver o presente?
–O passado é uma parte importante da historia Freddie, não deve ser esquecido e sim lembrado.
–Não cometeria os mesmos erros Sam. Me de uma chance.
–Nem eu cometerei os mesmos erros Freddie. Você foi um erro na minha vida, um bom erro deve admitir, mas ainda sim um erro. Você me fez entender o conceito de uma dor que jurei pra mim mesma que nunca sentiria por ninguém. Nossos destinos podem se cruzar milhões de vezes, mas nunca se uniram.
–Isso foi no mínimo cruel.
–Crueldade é só uma questão de perspectiva. Será que podemos ir?
–Claro, te deixo em casa?
–Sim.
A volta para casa foi sem duvida angustiante, estava novamente abraçada a ele por motivos de força maior, ainda nutria uma vontade incontrolável de beija-lo e tê-lo mais uma vez junto a mim. Me odeio por deixar esses sentimentos virem a tona.
Freddie parou na entrada do prédio, não entendi por que ele não deixou a moto no estacionamento.
–Obrigada. – disse e caminhei até a portaria.
–Sam espera.
–Não Freddie.
–É aqui que acaba a trégua não é?
–Não acho que o que houve hoje foi bem uma trégua, mas tudo bem.
–Responde-me.
–Sim. Adeus. – disse e me virei para entrar no prédio, senti algo me puxando pelo pulso e girando o meu braço. Lá estava eu , a uma distancia nada segura de Freddie.
–Freddie... Não, não faça isso. – minha voz vacilava
–Um beijo Sam, só mais um esse é meu único pedido.
–Não esta em condições de fazer pedidos Freddie.
–Me diga que não quer e eu paro. – sua voz estava num tom grave e sedutor.
–Diga-me Sam, e te deixo ir. – ele sussurrou nos meus lábios
Eu queria juro que o que mais desejava era dar uma tapa na sua cara ou dar uma joelhada em suas intimas, mas, eu não podia mentir pra mim mesma eu precisava senti-lo só mais uma vez, por mais que aquilo me matasse depois.
Freddie foi se aproximando aos poucos até que finalmente me beijou, no começo ele foi muito sutil, nossos corpos estavam colados, sua mão passeava pelo meu cabelo e aquilo era ótimo, coloquei uma mão em seu cabelo já não existiam mais sutilezas e ele invadiu minha boca com sua língua velozmente. Suas mãos me apertaram mais, ele me puxou para mais perto do seu corpo. Ainda me restava um pouco de razão e me afastei.
–Não devia ter feito isso seu imbecil! Acha o que, que por acaso sou uma boneca beijoca pra você sair por ai beijando de surpresa? Não me inclua nisso de novo, eu não posso com isso de novo.
–Por que não?
–Por que nos fazemos mal Freddie.
–Deixe-me mostrar que posso te fazer bem.
–Você fracassaria nessa missão, você não me faz bem, nunca me fez e tenho certeza de que nunca me fará. Adeus.
– Sam! Virei para olha-lo mais uma vez.
– Não esqueça que você é e sempre será minha.– Ignorei seu ultimo comentário e segui o meu caminho.
Passei pela portaria até chegar ao elevador e bati minha cabeça contra a porta.
–Merda Sam! Que droga foi essa?
Cheguei ao andar em que morava, abri a porta e fui diretamente para o chuveiro, tomei uma ducha e me deitei. Se fechasse os olhos às ultimas horas passavam como filme em minha mente, um filme que ei desejaria rever, mas que não iria. Ainda pensava na tarde ao lado de Freddie até que algo me chamou atenção. Como Freddie poderia ter feito tantas viagens? Até onde me lembro suas condições financeiras eram estáveis mais ele não era nenhum magnata ou algo do tipo e por que tantas mudanças? Isso não é da minha conta.
Virei para o lado e adormeci.
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