Você De Novo?

18 Todas contra Nicholas


Notas iniciais
Bom, aqui vai mais um! ^^ Gente, eu tenho cada vez mais gente favoritando a fic e menos reviews! O que está acontecendo?! hahahah! A fic está ruim ou coisa do tipo? Postem por favor sua opinião!!!! E obrigada as minhas maravilhosas leitoras que sempre postam *-*
Espero que gostem desse capítulo!
Boa leitura!

Nova Moradia –Washington DC – Dia 41

-Ele está entrando na casa! Atenção e... Valendo!

Gritou Felly do meu quarto enquanto batia a porta e se confinava lá, onde pretendia ficar boa parte do tempo enquanto Nicholas estivesse em casa. Sem pensar duas vezes, Christian puxou-me pelo rosto e assim que a porta da frente se abriu, meus lábios estavam grudados aos dele, em um beijo bem longo e meloso. Nos separamos depois do barulho de passos adentrando a casa, para só então nos virarmos e darmos de cara com Nicholas, parado na porta, observando a cena um tanto surpreso, enquanto o amigo loiro dele que já havia conhecido, Bryan, abria um sorriso simpático para mim. Não pude esconder o ar vitorioso ao ver a surpresa nos olhos de Nicholas por ter me pego beijando outro garoto, e com um pulinho, me coloquei de pé, fingindo-me sem graça pelo ocorrido. Christian fez o mesmo soltando uma leve tosse.

-Hm... Oi!

Exclamei um tanto contente, Bryan abriu um sorriso simpático, acenando para mim.

-Oi Sidney! Como vai?

-Bem! Hm... –Abri um sorriso erguendo a mão para Christian, que veio até mim. –Esse é Christian meu... Amigo. Nicholas já o conhece.

-Sim, conheço. –Sorriu Nicholas natural demais, erguendo a mão para Christian em cumprimento. –E aí cara, tudo bom?

-Ei Christian. –Sorriu Bryan batendo em sua mão também. –Prazer cara.

-O que está fazendo em casa tão cedo?

Me fiz de inocente, fingindo que não havia calculado aquela situação toda, ficado de olho para ver se ele se aproximava e descobrir os horários do seu dia, o que era foda fazer, já que nas férias ninguém normal tem horário. Nicholas abriu um sorriso e deu uma risada, simpática demais para o meu gosto, o que fez meu sorriso sumir completamente do rosto. Deu de ombros, olhando para Christian, como se mandasse um “foi mal, cara”, silencioso.

-Não sabia que ia estar com companhia. –Deu de ombros. –E eu tinha que vir pegar minhas chuteiras de qualquer jeito. Bryan, cara, tá com fome?

-Tô de boa. –Falou Bryan. –A não ser que sua mãe tenha feito aquele bolo fantástico.

-Chega mais. –Nicholas deu risada. –Vou ver se sobrou na geladeira.

Meus olhos se arregalados, enquanto eu observava boquiaberta os dois deixarem a sala em direção a cozinha. Mas que porra...?! Christian e eu trocamos olhares e ambos estávamos um tanto bobos com o que tinha acabado de acontecer. Então era isso? Nem um brilhinho de ciúme, nem um pouco de raiva por eu estar com outra pessoa?! Ele simplesmente era legal com o cara e saía como se nada tivesse acontecido?! Ele não tinha ficado com ciúmes?! Mesmo?! Meu coração batia forte e eu sentia uma certa raiva dentro de mim. Ah, mas não acabou... Eu tinha muito mais cartas na manga.

Empurre Christian no sofá, fazendo-o arregalar os olhos e com uma risadinha sentei em seu colo, olhando para a cozinha para ver se havia alguma aproximação. Não sabia o que os dois estavam fazendo lá para demorar tanto, pelo visto Nicholas havia encontrados os restos de bolo no fundo da geladeira. Com o barulho de passos, aproximei o rosto do de Christian, dando uma risadinha e lhe dando um beijo no nariz. O ruivo deu uma risadinha comigo, ainda com um pouco de dificuldade em seguir meus atos desesperados de enciumar meu irmão, que estavam falhando. Eu sabia que estava agindo como louca, mas não tinha cerimonias com Christian.

-Minha mãe pediu pra eu passar o número dela pra você entregar para a sua.

Falou Nicholas para Bryan enquanto passavam pela sala sem me dar a mínima.

-Ah, ok cara.

Bufei irritada por não ter sido notada. Nicholas! Qual era o seu problema? Os olhos de Christian estavam voltados em minha direção e ele tinha um sorriso quase assustado no rosto, quando me dei conta de que eu apertava forte o colarinho da sua camiseta contra a mão. Falou em tom bem baixo, sem desfazer o sorriso forçado, para que eu conseguisse ouvir.

-Calma aí, morena, está agindo como louca.

-Me beija.

Mandei entredentes puxando-o para perto de mim. Christian não negou o beijo puxando-me para perto dele e apenas continuando até que eu desse o sinal. Beijar Christian não era de longe como beijar Nicholas. Com Christian era tudo um consenso artístico, mera atuação, então não havia pegada ou emoção, ao contrário de como era quando eu deliciosamente levava meus lábios aos de Nicholas.

-Nós estamos saindo.

Anunciou Nicholas fazendo-me desgrudar mais uma vez os lábios dos do ruivo. Meus olhos caíram nele, distraídos enquanto ele vestia a camiseta branca, exibindo o corpo delicioso que ele tinha, antes de ser coberto pelo tecido. Tentei não engasgar com minha língua com a cena e assenti, olhando para Bryan que chegou logo atrás de Nicholas, levando consigo agora uma bola de futebol. Olhei para Christian que observava a cena, um tanto corado. Se eu não estivesse muito puta, eu teria rido da cara do garoto quando meu irmão estava sem a camisa.

-Vamos treinar, querem ir com a gente?

Perguntou Bryan em tom amigável e dócil como sempre. Christian e eu trocamos olhares, concordando que não podíamos.

-Esportes não são muito o meu lance. –Falei educadamente, abrindo um sorrisinho. –Mas bom treino.

-Obrigado. Acho bom se acostumar com os jogos, vai ver no colégio. –Sorriu simpático. –Ansiosa?

-Bastante.

Falei. Bryan assentiu.

-Até mais, Sid. –Falou acenando para mim. –Prazer, Christian.

-Todo meu...

Respondeu o ruivo em um tom quase manteiga derretida, que graças a Deus pareceu não ser notado. Nicholas abriu um sorriso enquanto acenava para a gente e caminhava em direção a porta, apontou para o celular em seu bolso.

-Qualquer crise, me liga.

Eu estava em crise.

-Ok.

Assenti com um grande sorriso falso, Nicholas acenou para Christian fechando a porta e nos deixando sozinhos mais uma vez. O ruivo abriu um sorriso enquanto me olhava em tom divertido. Eu não estava entendendo aquela sua expressão.

-Seu irmão é gente boa.

-Ele não deveria ser gente boa! –Exclamei pulando do seu colo. –Ele deveria te odiar!

-Olha a homofobia!

-Não, seu animal! –Gritei, irritada. –Por estar comigo.

-Não estressa, morena. –Christian revirou os olhos. –Ele já sabia que eu gosto de homem, ou pode simplesmente não fazer o tipo ciumento.

-Eu não sei...

Mordi o lábio, insegura. Eu não estava gostando daquilo. Nicholas não havia demonstrado uma pontada sequer de sentimento negativo e aquilo era um mal sinal. Eu me sentia mal agora comprovando que talvez minha ideia do sexo e nada mais estivesse correta, mas Christian tinha um ponto... Talvez Nicholas esperasse que Christian e eu não durássemos por ele ser gay.

-Quem era o loiro gato?

-Você tem namorado.

Revirei os olhos com um sorriso no rosto. Christian ergueu as mãos em rendição.

-Só perguntei!

-E aí?!

A voz de Felly surgiu do alto das escadas enquanto ela corria disparadamente em nossa direção. Soltei um longo suspiro frustrado me jogando contra o sofá e apoiando o rosto em minhas mãos, pude ver de canto de olho Christian fazendo uma caretinha e passando o dedo pela garganta, várias vezes como se dissesse “caminho errado, troca o assunto”, o que teria me feito rir se eu não estivesse para variar em um daqueles meus momentos de pânico total. Felly franziu a testa mordendo o lábio e com uma caretinha já me entendeu. Jogou os cabelos coloridos para trás.

-Mas ele já sabia que Christian era gay! –Usou o mesmo argumento. –Não ia dar certo de qualquer forma.

-Culpem o Christian. É tudo culpa dele!

Reclamou o ruivo, fazendo-me abrir um mísero sorriso. Soltei mais um suspiro enquanto prendia os meus cabelos em um coque. Eu estava realmente triste.

-Eu não sei mais o que eu faço gente. Eu acho que eu estou apaixonada por ele, mas... –Mordi o lábio. –Mesmo não sendo um relacionamento tradicional, eu não quero seguir com isso só para sexo.

Por melhor que fosse ele. Eu estava em meio a uma daquelas coisas que os pais chamam de “problemas adolescentes” e mesmo sabendo que poderia não ser nada, para mim parecia o início de um chamado apocalipse. Felicity e Christian observaram-me por um momento, como se assim como eu pensassem em uma solução para meus problemas, por mais obscuro que parecesse no momento. Se Nicholas não era do tipo ciumento, por que James havia reparado quando ele havia nos olhado feio no parque? Seria por pura e simples raiva dele? Será que não tinha nada a ver comigo? O pensamento era devastador.

-Eu achava que usar Christian seria suficiente. –Felly assentiu, em tom pensativo. –Mas agora ele declarou guerra comigo por te fazer achar que sua teoria é a certa e a minha é a errada.

-Ai meu Deus, uma Felly contrariada.

Christian alarmou-se ao olhar assustado para a loira com sangue nos olhos. A cena era engraçada, mas eu também sabia que Felly era louca o bastante para fazer qualquer coisa para provar seu ponto, e isso me assustava. O ruivo e eu trocamos olhares enquanto o leve sorriso meio maníaco se abria no rosto da loira.

-Oh Yeah, baby. Estou falando de artilharia da pesada.

Nova Moradia – Washington DC – Dia 45

Estou sendo completamente sincera quando digo que Christian, Felicity e eu tentamos por dias a missão impossível que era irritar Nicholas. Christian e eu simplesmente não nos desgrudamos um do outro! Quando Nicholas chegava do treino, estávamos nos beijando no carro, nos pegando na cozinha, sentados no sofá da sala, na sala do piano, no corredor da escada, piscina, sala de televisão, em todos os lugares os quais a visão de Nicholas permitia acesso e mesmo assim, nem mesmo um leve brilho de ciúmes eu via piscar nos olhos dele!

Christian havia pegado o carro do pai para me buscar em casa em todas as tardes e quando Nicholas me perguntava onde eu ia, e eu dizia que ia sair com o ruivo, tudo o que eu recebia era um “se divirta”. Quando eu ficava até muito tarde na casa de Christian ou de Felly, me ligavam para eu retornar para a casa, mas nunca era ele e sim o meu pai preocupado! O próximo passo para tudo aquilo seria anunciar Christian para a minha família como namorado, mas eu não queria isso, nem mesmo o ruivo! Ele já tinha um namorado, e caso eu dissesse para Nicholas que eu estava namorando, nosso romance poderia acabar e aquilo era com certeza uma coisa que eu não queria que acontecesse! Sim, doentio, nojento e estranho, mas eu estava apaixonada pelo meu irmão. Eu queria olhar em seus olhos, beijá-lo, queria que a gente dormisse como costumávamos fazer, mas também queria pousar a cabeça em seu peito e poder dizer um simples “eu te amo” sem me preocupar com qual resposta ele me daria em troca. Eu estava cansada das inconstâncias e em como todos os meus esforços para fazê-lo enciumado não estavam dando certo. Eu estava começando a me perguntar onde estava indo para com tudo aquilo e se fazia realmente sentido continuar sendo que o efeito era zero. Nicholas não sentia ciúmes ou Nicholas simplesmente não gostava de mim como eu dele. Das duas uma, mas se eu pudesse escolher alguma delas, a resposta seria obvia: Nenhuma.

Meus lábios já estavam ficando dormentes de tanto beijar e já havia anunciado para Felly que daria uma trégua para a quinta-feira. Eu havia ido para a sua casa e era onde eu pretendia ficar para descansar um pouco, como havia feito a semana inteira enquanto Christian finalmente poderia sair com Troy sem preocupações. Já estava ficando difícil para o ruivo segurar o namorado, digo, Troy era simplesmente um anjo, mas qualquer pessoa depois de muito tempo sem o namorado começa a pensar besteiras sobre os dois, e se alguma coisa acontecesse com aquele casal tão fofo, eu provavelmente teria um troço.

-Eu desisto F! –Exclamei enquanto me deitava de ponta cabeça em sua cama, observando meus dois amigos observando-me preocupados da poltrona. Bufei. –Eu vou dizer que terminei com Christian amanhã. Não vou mais fazer isso, não está dando certo.

-Eu concordo. –Chris falou em um suspiro. –Eu preciso ver meu homem! Não que eu não curta você, Sid, sabe que te amo, mas...

-Não quero te separar do seu homem.

Admiti olhando em tom de piedade para Felly que assentiu enquanto fazia uma caretinha, apoiando o rosto em suas mãos. O ruivo tateou o bolso tirando de lá o seu telefone que vibrava e rapidamente respondeu uma mensagem provavelmente de Troy. Voltou os olhos curiosos para a cena que acontecia.

-Eu não entendo Sid. –Felly falou, confusa. –Eu poderia jurar por toda a minha vida que ele é apaixonado com você também, mas... Só pelo que você fala. Eu nunca vi Nicholas agir diferente com você, se ele não quer demonstrar afeto algum na frente de nós além de ser seu irmão, ele é muito bom nisso.

-Nicholas não sujaria sua imagem com o nosso caso. –Falei em uma careta. –Nem eu.

-Você disfarça bem também, até aí. –Christian concordou comigo. –Acho que se eu tivesse algo parecido com o que vocês tem ia evocar minha aura de ator do além.

-Ele me entende.

Apontei para Christian fazendo um sinal de joia. Felly suspirou enquanto revirava os olhos azuis.

-Vamos parar de pensar nisso por um momento, ou nós três vamos explodir.

-Não queria envolver vocês na minha relação complicada. –Me lamentei enquanto voltava a posição de uma pessoa normal, me sentando no colchão. Suspirei. –Isso foi meio longe demais. Eu gosto dele, o que posso fazer?

-Não pode continuar com ele se for só sexo! –Exclamou Felly. –Mesmo sendo seu irmão, isso é ridículo!

-Concordo com a loira.

Falou Christian olhando-me em tom intuitivo. Mas era exatamente aí onde estava meu dilema. Eu gostava do Nicholas e de forma alguma queria perder o que eu tinha com ele, mesmo que isso significasse ser seu... Ok, ainda não fazia sentido. Eu não seria objeto de prazer de ninguém, mas... Era tudo questão de ordem. Nicholas e eu havíamos começado com o pé esquerdo, sexo primeiro depois o romance, mas... Se ele me queria só entre as quatro paredes por que havia começado com aquele lance de encontro e tudo mais? Maldito seja aquele que inventou que as mulheres eram complicadas, porque a mente masculina apesar de ridiculamente básica, era incompreensível para qualquer um.

-Eu vejo muitas contradições que fazem minha cabeça doer aqui. –Falou Felly, olhando-me com uma careta. –Nicholas é o filho perfeito, a imagem exemplar, o inalcançável e o namorado correto, mas ao mesmo tempo é um quebrador de regras, incestuoso, quase ninfomaníaco e está jogando todas as regras de um namoro correto em te usar para o sexo. A gente diria também que ele gosta de ficar com uma mulher só, um monogâmico e o tipo de cara que não trairia nem em um milhão de anos, mas foi quem sugeriu para você que ficassem juntos e continuassem a procurar por outras pessoas...

-Bem vinda ao meu mundo.

Resmunguei.

-Isso faz minha cabeça doer. –Reclamou ela. –É muita confusão.

-Isso me incomoda também. –Concordou Christian enquanto mais uma vez olhava para o monitor do celular, respondendo a mensagem, suspirou. –Eu vou encontrar o Troy. Tem certeza que vão ficar bem sem mim?

-Não se preocupe. –Sorri. –Mande um beijo para ele.

-Pode deixar.

Sorriu Christian.

-E Sidney e eu paramos por aqui também. –Anunciou Felly pulando da poltrona. –Eu acho que precisamos de um descanso, mesmo sendo difícil você desencanar porque essa é a sua vida. Mas já que não está em casa com o irmão ninfomaníaco, acho que podemos fazer coisas bobas como uma grande panela de pipoca e assistir televisão.

-Eu super topo.

Concordei dando risada enquanto pulava da cama e caminhávamos com Christian em direção a porta da casa. Nossos passos teriam sido mais rápidos, mas assim que chegamos perto da saída da mansão, ouvimos o barulho de salto alto batendo contra o chão, e quando esperamos encontrar Megan entrando na casa, o que vimos foi a surpreendente imagem de Megan saindo da casa, e novidade: Ela não parecia feliz.

Felly, Christian e eu paramos próximos da janela, observando-a saindo exaltada, nos certificando de que caso ela olhasse para trás, não iria nos ver. Megan tinha o punho cerrado e caminhava como se pudesse socar alguém a qualquer momento. Eu realmente não conseguia olhar para ela e pensar que ela e Felicity já haviam namorado, aquilo era tipo... Perturbador. Não o fato da loira ser bissexual, porque na verdade até fazia sentido já que de tão bonita que era poderia ter tanto homens quanto mulheres babando por si, mas... Simplesmente porque Megan não fazia seu tipo. Não fazia o tipo de ninguém. Fazia o tipo de um velho babão com dinheiro para dar e usar.

-O que estamos olhando?

A voz de James surgiu tão perto do meu ouvido que Felly, Christian e eu demos pulos sincronizados e soltamos gritos baixinhos. Olhei para o loiro com o coração a mil tentando me recuperar do susto e não corar por ele ter reparado que estávamos bisbilhotando sua possível briga de casal. Christian e eu trocamos olhares enquanto Felly se endireitava e limpava a garganta, um sorriso maligno se abriu em seu rosto.

-O que fez para a Srta. Nojentinha?

-Desentendimentos, sabe como é.

Falou James dando de ombros soando o mais vago possível. Christian e Felly deram de ombros, como se não fosse novidade e então a loira mais uma vez sorriu olhando para seu gêmeo.

-Que esse dure mais do que os outros, por favor. Pelo menos assim posso ter paz na minha casa.

-Nossa casa.

Corrigiu James com um sorriso no rosto enquanto Felly o devolvia em tom cínico, mas amigável ao mesmo tempo. Christian soltou um leve suspiro fazendo uma careta e assentindo como se o que Felicity falava fizesse o maior sentido. Deu de ombros enquanto dava um pulinho.

-Bem, eu tenho que ir! Até mais James.

-Até Chris.

-Eu levo você até a porta, ruivo.

Falou Felly enquanto o puxava pela mão e juntos corriam para provavelmente ter uma visão melhor de Megan, andando irritada pela rua em direção ao seu carro. Dei uma leve risada com a cena dos meus amigos enquanto revirava os olhos e balançava a cabeça negativamente, gritei antes que a garota pudesse sair da minha visão.

-Espere! Eu quero um copo d’água!

-James arranja pra você!

Gritou Felly enquanto não interrompia seu caminho em direção a porta, aos poucos sumindo da minha visão ao dobrar o corredor. Dei risada mais uma vez revirando os olhos logo quando James fez o mesmo parecendo não se importar muito com o fato de a irmã estar sendo uma das Três Espiãs Demais. Abriu um sorriso para mim enquanto acenava com a cabeça para que o acompanhasse em direção a cozinha, obedeci, acompanhando-o sem muitos problemas por já saber como era a casa de Felly e o caminho que deveríamos tomar, por ter estado lá algumas vezes antes.

-Então... P. J. Kennedy...

-Pois é. –Sorri um pouco sem graça diante da tentativa de James puxar assunto. Tinha que vir logo com esse... –Acho que Felly contou para você.

-É ela contou... De forma gritada e inconformada. –Riu ele, levando-me junto no ato enquanto alcançávamos a cozinha, deu de ombros. –Mas será uma eterna Lions, creio eu.

-Talvez, mas não pode contar para o meu irmão.

Brinquei dando uma risadinha enquanto ele assentia e pegava um copo para mim sobre a prateleira. Agradeci enquanto enchia-o de água gelada.

-Aposto que é obra dele.

-De Nicholas? Não. –Sorri abaixando os olhares. –Meu pai também estudou na P. J então... Bem, eu não tinha muita escolha no fim das contas.

-Uh... Pai Titã.

-Exatamente.

Dei uma risadinha enquanto o via abrir um sorriso também. Dei finalmente um gole na deliciosa água que na hora tirou minha boca e lábios da secura em que se encontravam. Enquanto fazia dei uma observada no loiro de cabelos lisos, que me observou com o cenho franzido ao pegar meus olhares em sua direção. Arqueei as sobrancelhas, as movimentando em tom brincalhão enquanto abria um sorriso ao desgrudar o copo dos lábios, soltei um suspiro de alívio em matar a sede.

-Então... O que exatamente aconteceu com Megan, porque até onde eu sei um desentendimento não leva uma pessoa a sair com tanta pressa e raiva de casa.

-Ah não? –Ergueu uma sobrancelha, abrindo um sorriso sedutor. –O que faz então, Srta. Sabe Tudo?

-Posso consultar minha tabela de “achismos”?

-Como quiser.

Sorriu ele pegando um gole do meu copo. Ergui uma sobrancelha com um sorriso desafiador no rosto. Parei por um momento, pensativa.

-Você deu um presente que não era de marca para ela.

-Esse chute foi longe.

Riu ele, fazendo-me fazer o mesmo. Revirei os olhos.

-Fala como se isso não fosse possível. Do jeito que ela é ligada em Prada...

-Justo. –Sorriu. –Outra teoria.

-Ela te traiu e você descobriu.

-Meu Deus, Texas, está começando a me decepcionar. Achei que sabia o que estava acontecendo, essa foi longe também.

-Você traiu ela.

-Tente de novo.

Sorriu em tom vitorioso enquanto eu parecia não acertar os chutes. Parei por um momento pensando no que faria uma pessoa sair brava daquele jeito de casa. Depois pensei no que ele poderia ter feito para conseguir irritar uma pessoa como Megan.

-Cortou o regime dela. Disse que estava gorda. Não quis ir com ela para o baile. Criticou a cor do batom. Não fez o que ela quis durante o sexo. Falou que o cabelo dela era pintado. Criticou o tamanho das roupas dela.

-O tamanho das roupas? –Deu risada. –Não.

-Mas devia.

Sorri em tom de provocação enquanto ele revirava os olhos e dava aquela risada gostosa. Balançou a cabeça negativamente enquanto parecia analisar meus chutes. Ergueu uma sobrancelha.

-Não, Texas. Tudo errado... Exceto pela parte do sexo, porque ali sou eu que mando. –Piscou ele com um sorriso simpático, que provavelmente me fez corar um pouco. Revirei os olhos dando um gole na água, sem perder a pose. –Mas não brigamos por isso, todas gostam. –Brincou ele em tom divertido. –Mais alguma sugestão?

-Nenhuma.

Desisti. James assentiu enquanto se apoiava no balcão mais perto de mim, como se estivesse prestes a contar um segredo.

-Então lá vai... –Sorriu, falando a próxima frase em sussurro. –Nós terminamos.

-O que? –Meu tom saiu mais alarmado do que eu queria. Felly ia adorar a notícia! Arregalei os olhos, ainda observando-o, surpresa. –Mas por quê?

-Entenda uma coisa, Texas. Meninas como Megan são aquelas que cansam a gente depois de um tempo. Não leve a mal.

-Não levo. Não sou do tipo dela. -Sorri em tom orgulhoso em afirmar aquilo. James deu uma leve risada, assentindo. –Por que não contou para Felly? Ela ia adorar!

-Eu sei, vamos deixar o inferno um pouco maior na vida dela. Depois eu conto a novidade.

-Você é terrível!

-Quase um anjo...

-Ah Troy é um fofo! –A voz de Felly surgiu da porta da cozinha, enquanto caminhava em nossa direção. Abriu um sorriso se apoiando no balcão ao lado de James e de frente para mim. –Ele estava aí.

-Jura?! –Perguntei em tom chateado. –Que merda! Queria vê-lo!

-Perdeu batendo papo com meu irmãozinho.

Sorriu ela dando uma piscadela para James, que retribuiu o gesto. O garoto se afastou da bancada enquanto caminhava em direção da geladeira, em tom completamente descontraído que eu já sabia fazer parte dele.

-Meu papo com Sidney foi muito interessante, obrigado. –Sorriu ele enquanto tirava um sanduíche para si. –Muito melhor do que ver o Troy.

-Diz isso porque não conhece o Troy.

Falei em tom brincalhão, fazendo-o olhar em minha direção e forçar uma expressão triste, fazendo beiço. Tentei não dar risada ao vê-lo se fazer de ofendido, levando a mão até o peito, como se minhas palavras tivessem o atingido.

-Ai. Vou me deitar depois dessa, Texas.

-Eu iria.

Sorriu Felly vitoriosa enquanto me dava uma piscadela e em seguida James deixava a cozinha. Se sentou na bancada olhando-me em tom curioso provavelmente pela expressão que estava em meu rosto enquanto o via ir embora, que eu sequer havia reparado que estava usando. A verdade era que as coisas que se passavam pela minha mente naquele momento faziam tanto sentido que chegava a dar medo.

James e Nicholas se odiavam, ali estava o ponto número um. James era um gato e um grande amigo, aí estavam dois pontos importantes. Nicholas não sentia ciúmes, um ponto negativo, mas eu queria ver se ele não sentiria ciúmes se visse sua querida irmã, e também a menina com quem ele anda ficando nos últimos dias, saindo com o cara que é simplesmente seu rival em todos os sentidos. Ele piraria! Mas é claro que James não era tão meu amigo quanto Sidney para eu contar para ele sobre as coisas horríveis que aconteciam entre mim e Nicholas e é claro que por mim ele morreria sem saber. Eu não poderia abrir o jogo por ele e muito menos pedir por ajuda. Mas era perfeito. Tudo bem que ele era o irmão da minha amiga e como eu não poderia ter sua concordância aquele seria um “usar” a pessoa em nível máster, mas... Era tão genial que esses detalhes eram nebulosos em minha mente. Eu só conseguia pensar na cara em que Nicholas faria quando visse James dentro de casa comigo. Ia ser lindo! Um Lion, comigo. Um gato daqueles. Oh céus. Mas o primeiro problema era: Como fazer James ficar comigo?

Eu achava muito injusto enganá-lo e fazer com que ele gostasse de mim sendo que tudo não passaria de um teste para eu poder ficar com Nicholas sem me preocupar com o fato de ele talvez não gostar tanto de mim quanto eu deles. James seria um estepe e além de tudo ele era meu amigo, eu não poderia fazer isso com ele de forma alguma. Acima de tudo não era esse o problema real. O problema era: Como eu o faria ficar comigo? James não gostava de meninas como eu, ele gostava de meninas como Megan, populares e peitudas! Eu nunca conseguiria seduzi-lo... Ou até conseguiria, mas aí voltaríamos ao problema do estepe.

Mais uma vez a forma com que Nicholas me beijava na testa e sumia entrou em minha mente e mais uma vez senti meu estômago se embrulhar. Meus olhos caíram em Felly e eu podia ver como ficar com James seria simplesmente genial. Tudo bem, seria difícil, mas estávamos usando artilharia da pesada como havia dito Felicity e James era a melhor arma branca que eu poderia conseguir um dia em todas as minhas vidas. Sim! Eu ia fazer isso e exatamente naquele momento, com o copo de água nas mãos, apoiada na bancada e olhando para o nada com um sorriso maníaco no rosto, eu estava bolando simplesmente o plano mais maléfico e genial de toda a minha vida. Nicholas ia cair aos meus pés e era uma questão de tempo. Ele era meu e só meu.

-O que foi?

Perguntou Felly puxando-me finalmente dos meus devaneios. Um olhar contente e um sorriso malicioso foi o que minha amiga recebeu de mim primeiramente. Entortei os lábios finalmente conseguindo fazer o som que me permitiu falar.

-Eu tenho um plano genial. Mas não prometo que vá gostar.

Notas finais
E aí?