Você De Novo?

7 Dois é Melhor do Que Um


Notas iniciais
Yes!!!! 10 comentários e um capítulo novinho com um dia de antecedência! Acho que podemos continuar com isso, concordam? :) Dez reviews, quanto antes é mais um capítulo novinho em folha! Não reclamo se passar desse número, quanto mais melhor! hahahaahah
muito obrigada a todos que postaram e podem ter certeza que é por causa de vocês que essa fic vai pra frente. Espero vê-los mais vezes e aos costumeiros, mais obrigada ainda!
Espero que gostem desse capítulo! Boa leitura!

Moradia no Inferno – Dia 5

Nicholas estava certo no final das contas, e eu odiava admitir aquilo. Eu havia sim comido do maldito frango no almoço e eu tenho que dizer: Estava delicioso. Eu não sabia mais o que fazer, meu mundo estava desabando sob os meus pés, e minha atitude de me fechar em uma casca estava falhando. Eu precisava de um plano B e precisava rápido. Eu nem quero me lembrar de como foi constrangedor o último momento com Nicholas antes de irmos almoçar. Nós ficamos ali, simplesmente congelados na sala olhando um para a face do outro e fitando ambos os lábios deixando claro o que queríamos fazer. Aquilo era tão nojento. Mas por que era tão bom? Será que o fato de estarmos cometendo aquela atrocidade seria por questão de problemas no fundo de ambos? Nicholas por uma sede recalcada de fazer algo errado e eu por querer com todas as minhas forças uma vingança pessoal do meu pai? Talvez, mas sejam quais fossem os fatores que estavam mexendo conosco daquela forma, eram completamente involuntários.

Quando papai chegou na sala estávamos ambos, Nicholas e eu, olhando fixamente um para a face do outro, mais perto do que deveríamos. Se fossemos adolescentes de famílias diferentes, provavelmente a primeira impressão de uma pessoa seria: Eles vão se atacar, mas vão iniciar um longo beijo emocionado. Porém, como Nicholas e eu éramos irmãos e teoricamente irmãos não deveriam ter sequer um pingo de sentimento sobressalente sobre o outro, a reação foi:

–Vocês dois estão brigando de novo?! Nicholas! Sidney! Parem já.

Meus olhos e os do meu irmão se voltaram assustados em direção ao nosso pai, que nos observava em desaprovação no batente da porta. Ok, pelo menos ele não havia gritado: “Nicholas! Sidney! Parem com essa doença, isso é nojento e abominável!”. Os olhos azuis de Nicholas se voltaram para papai que tinha as mãos na cintura, e como uma criança repreendida, abaixou a cabeça e respirou fundo. Olhou para aquele que nos encarava do outro lado da sala, e soltando um suspiro, caminhou em passos lentos.

–Eu vou ajudar a mamãe com a mesa... Desculpe.

Quase suplicou enquanto como um vulto deixava a sala. Meus olhos caíram em meu pai que agora permanecia ali e tinha o mesmo olhar em sua face. Soltou um suspiro enquanto cobria o rosto com as mãos, parecia muito cansado.

–Filha, nós precisamos conversar.

Conversar? Hm... Acho que não. Está aí uma coisa da qual eu fugi por toda a minha vida: Conversa com pais. Sempre que aconteciam, ou era algo constrangedor ou algo muito, muito ruim, ambas as coisas que eu queria que passassem o mais longe possível de mim. Seja como for, eu estava com cabeça quente e queria com todas as minhas forças me jogar debaixo do cobertor, chorar e me odiar pelos sentimentos que eu estava tendo, eu merecia sofrimento, mas não queria partilhar isso com ninguém.

–Eu passo, pai. Com licença.

–Não Sidney. Fique aqui e me escute.

Ele nem precisou gritar ou elevar o tom de voz para fazer o meu corpo se arrepiar e eu congelar antes de sequer pensar em me mover. Ok, papai sabia ser firme e quando ele era, eu realmente me sentia intimidada, mesmo odiando aquilo. Para não perder a pose, bufei, batendo os pés e me sentando forte, como uma criança irritada na enorme mesa de mármore que fazia parte da decoração da sala do piano. Apoiei os cotovelos no sólido, olhando-o fixamente. Eu não pretendia desafia-lo mais do que aquilo.

–Estou ouvindo.

–Não quero que escute, filha. Eu quero que me fale. –Falou papai preocupado, enquanto se sentava na mesa, em uma cadeira de frente para a minha. Suspirei, desviando os olhares. –Eu sei que está passando por uma época difícil, isso eu não nego, mas Cindy... Essa não é você.

Respirei fundo enquanto ouvia os lamentos do meu pai. Veja bem, eu até entendia sua preocupação e tudo mais, mas... Não. Ele não poderia dizer que sabia pelo que eu estava passando e muito menos poderia dizer que aquela não era eu. Ele nem me conhecia. Eu não via meu pai há dez anos, e com certeza eu não era a garotinha com quem ele costumava brincar á dez anos atrás.

–Pai... Não diga que sabe das coisas.

–Sim, eu não sei filha, mas imagino. Sua mãe está se tratando, você está em uma casa onde pouco conhece sua família... Mas nós somos sua família também e estamos todos preocupados. Você não come, não conversa, mal te vejo fora daquele quarto. Eu estou com medo de que esteja entrando em depressão ou algo do tipo... Cindy, não deixe isso acontecer com você, você nem está tentando.

–Mas é claro que eu estou! Não venha me dizer que eu não estou tentando!

–Não filha, você não está. E não há necessidade de elevar o tom de voz comigo. Eu entendo que esteja se sentindo mal, mas eu também tenho certeza de que se você começar a tentar a conversar com a gente, vai gostar do que vai ver.

–Eles não são minha família.

Murmurei.

–Mas é claro que são. –Papai franziu a testa confuso. –Nicholas é o seu irmão e Jessica é uma ótima mãe.

–Mas não é minha mãe.

–E eu não quero que seja, não me entenda mal. Mas enquanto a sua está fora, por que não tenta pelo menos, não fazer uma mãe, mas sim uma nova amiga? Ou então não precisa disso, apenas conviva.

–Não sei não...

Mordi o lábio enquanto desviava o olhar. Eu odiava conversar com meu pai, ele conseguia ser um cara completamente convincente por ser inteligente e sempre me convertia por meio dos seus argumentos. Eu não queria isso, queria ter opinião própria diferente de Nicholas, não queria ser a filhinha perfeita... Mas talvez ele estivesse certo. Eu não estava tentando porque eu não queria ficar ali e ainda não queria. Eu não queria incluir Jessica em minha vida, muito menos Nicholas. Eu queria distância dali, mesmo que isso significasse morar no polo norte. Eu escolheria extremos, mas não estava disposta a trabalhar para dar certo. Não estava.

–Desculpe, pai. Mas eu não quero.

–Eu realmente não queria essa resposta. –Papai respirou fundo, enquanto cobria o rosto com a mão e soltava um longo suspiro quase desolado, como se estivesse se odiando por pensar em seja o que for que estava pensando naquele momento. Olhou para mim com os olhos tristes. –Eu acredito então que teremos que leva-la para morar com seus avós na Inglaterra.

Ok... Morar com papai era o inferno, mas isso porque não conhecia a mãe dele. Eu amava minha avó e tudo mais, mas... Não! Quando eu era pequena, tudo o que ela conseguia me perguntar eram coisas tipo “como vai a escola?” ou então “Tirou boas notas” ou “Quando vai ser inteligente como o seu pai! Espero que não tenha puxado sua mãe, apenas a beleza!”. Ela sempre foi contra o casamento dos meus pais e mesmo sem querer ser chata, cobrava horrores de mim. Eu só queria ver como seria a vida se eu morasse com ela. Acordaria todos os dias as seis horas da manhã, mesmo nas férias para estudar extra e conseguir me preparar bem para o início das aulas, não iria sair de casa e na minha primeira nota baixa ficaria de castigo pelo resto da vida. Ele não poderia estar realmente pensando em me mandar para lá, estava? Olhei bem para meu pai tentando descobrir se ele falava sério, mas no fundo eu sabia que sim... Ah não!

–O que? Eu te imploro, pai! Por favor, não!

–Então eu receio que vá ter que se acostumar conosco, Sidney... Você emagreceu, está mais fraca, não quero te ver aqui.

–Ok! Eu janto com vocês todos os dias, eu como o quanto você quiser, até saio para fazer as compras estúpidas com Jessica! Mas por favor... A vovó não!

Odiei o fato de minha reação ter causado risadas em meu pai, porque não! Aquilo não era engraçado! Mas mesmo assim ele pareceu realmente não ter escolhido minha mudança de casa como primeira opção, pois, por alguma razão estranha, ele ainda me queria para morar com ele. Tudo bem... Que mal poderia fazer? Eu conviveria com eles, não teria que amá-los... Acho... Acho que eu conseguiria, ainda mais temporariamente, que seria o tempo até minha mãe deixar a clínica... Isso! Perfeito!

–Não precisa de tudo isso, só quero uma boa convivência e te ver saudável, querida.

–Tudo bem.

–E tem mais uma coisinha...

Meus olhos caíram decepcionados sobre meu pai, quando percebi que nosso assunto ainda não estava prestes a acabar. Mudei de posição desconfortável na cadeira, observando-o lentamente.

–Sim?

–Eu te coloquei em uma psicóloga a qual eu realmente gostaria que você fosse ver. Seu nome é Dra. Eliane e ela é uma profissional realmente sábia. Tenho certeza que vai ser a pessoa perfeita para conversar, já que não se sente confortável falando conosco.

O que? Acho que meu queixo estava no chão com o fim do pequeno discurso do meu pai. Psicóloga? Mas por quê? Ele achava que eu estava louca? Soltei um suspiro, imaginando o que mais que ele cobraria de mim com a ameaça de me mudar de casa... Se bem que conhecendo bem meu pai, ele não faria isso, mas de qualquer forma... Uma psicóloga. Olhando por um lado seria legal conversar com alguém que seria sua confidente e... Com todas as merdas que vinham acontecendo em minha vida, ter alguém para me aconselhar não parecia uma má ideia. Talvez ela conseguisse tirar da cabeça as ideias malucas que eu tinha com meu irmão... Talvez ela pudesse ser uma luz.

–Tudo bem.

–Mesmo?

Perguntou papai, surpreso. Assenti.

–Sim... Vai ser legal poder conversar com alguém.

–E quando quiser, estaremos aqui...

–Eu sei...

–Isso é muito bom, filha... Muito bom!

O sorriso em meu pai era tão grandioso que juro que me senti bem só de olhar para ele, quem diria então eu ter sido sua causa. Acho que Nicholas estava certo no fim das coisas, era legal faze-lo feliz. Pelo menos ele não me olhava com cara de desaprovação... Só esperava que ele não se acostumasse muito com isso porque, bem... Me conhecendo bem eu sabia que ainda faria muitas merdas pela frente, mas em fim. Senti minha barriga roncar e com um sorriso simpático, apoiei-me sobre a mesa, usando minhas pernas para fixar-me no chão, e esticando o corpo, senti-me feliz por saber que toda a conversa havia acabado, agora eu tinha o meu papel para cumprir e eu ia tentar... Um pouquinho. Mas antes, meu estômago falava mais alto e o delicioso cheiro do almoço inundava meu olfato.

–Tudo bem, papai... Agora vamos almoçar, porque o cheiro está ótimo!

***

Moradia no Inferno –Dia 7

Já havia um dia em que eu estava agindo como uma boa filha e eu tenho que admitir... Não arrancou pedaço. Ok, vejamos, eu não saí para caminhar com Jessica e nem mesmo fiz juras de amizade como uma boa filha faria, mas eu tenho que admitir que havia dado um jeito da nossa convivência melhorar, apenas respondendo suas perguntas com mais de uma sílaba e sorrindo para ela mais vezes. Eu via que ela ficava contente quando eu fazia isso, então resolvi trata-la como uma pessoa normal, porque assim ela ficava feliz, papai ficava feliz e eu evitava problemas.

Em relação a Nicholas eu ainda tinha uma incógnita. Eu conversei com ele normalmente no dia anterior, mas não da para negar o fato de tudo ter ficado muito mais frio entre nós depois do beijo... E aquilo era mais do que maravilhoso. Eu tinha que aturá-lo menos e não ouvia suas piadas idiotas. Aquilo estava realmente funcionando para mim e era legal. Papai disse que eu poderia ver a Dra. Eliane em dois dias e eu estava disposta a entrar lá e ficar uma hora falando sobre nada para deixa-lo feliz, como também passei a me sentar com a “família” em todas as refeições e tentar ganhar os quilos que eu havia perdido sem poder ter feito. O dia havia corrido como um rotineiro esperado havia. Depois eu conversei um pouco com Callie pelo Skype e troquei mensagens com Christian o resto do tempo, enquanto ria lendo ele me contar sobre como ele havia conhecido um rapaz bacana e como eu tinha que conhecer ele. Christian era um fofo e eu havia me acostumado com a presença dele em menos de quatro dias... Quem diria então com a de Felicity que estava em minha vida há menos de dois dias e eu já a considerava uma ótima amiga.

Eu havia dormido normalmente e havia combinado com Felly de no dia seguinte ir até a sua casa, onde ela ia fazer uma festinha com os amigos. Uma coisa pequena, no máximo com quinze pessoal e um pequeno churrasco na piscina, o que pra mim foi muito fofo da sua parte de me chamar já que, eu conhecia poucas pessoas por ali. E eu estava ansiosa. Aquela era minha primeira “festa” na nova cidade, e para alguém que havia se mudado há apenas uma semana, eu estava me enturmando bem. Eu gostaria de ter dormido bem naquela noite, para falar a verdade, pois eu esperava estar bem para o churrasco... Mas como sempre tudo o que eu esperava e queria nunca acontecia, dessa vez não pôde ser diferente.

Eu acordei naquela noite com um terrível grito de horror. Dei um pulo do colchão com o coração a mil e de uma só vez, senti minha pressão cair á zero. Estávamos sendo assaltados, haviam matado alguém, tinha um intruso dentro da casa, papai havia tido um ataque cardíaco. As piores das hipóteses começaram a rondar minha mente e em menos de cinco segundos eu já tinha o pior frio na ponta da espinha. Ah Meu Deus! O que eu faço? O que e faço? Eu me perguntava desesperada. Eu não podia ficar parada, mas não podia sair! E se o intruso estivesse lá fora? E se estivesse armado? Senti meu estômago ficar do tamanho de uma ervilha e então eu comecei a suar frio, eu me senti tonta, mas recusei-me a desmaiar. Eu odiava ficar em pânico, quando isso acontecia, eu me tornava simplesmente inútil.

–Sidney!

Ouvi a voz gritada de Nicholas me chamar. Não pensei duas vezes. Com a adrenalina em alta, abri a porta e segurando o castiçal que achei no armário do corredor, pulei pela escuridão, dando passos leves e tendo cuidado, esperando qualquer movimento. Meus pés me levaram até o quarto de Nicholas, que era a porta ao lado e com as mãos trêmulas, estiquei-me para tentar enxergar qualquer movimento do lado de dentro, mas estava em silêncio. Tudo o que eu ouvia eram os batimentos acelerados do meu coração, e eu estava com medo. Soltei um suspiro sentindo o suor frio em minhas mãos.

–Nicholas?

–Aqui, caralho! Corre!

Me apressou, fazendo-me pular de uma vez só para dentro do seu quarto, segurando o castiçal pronta para bater em alguém com a arma... Mas não havia ninguém ali, exceto um garoto em pé em cima da cama, com uma samba canção, olhando-me com o mais completo horror na face. Senti meus batimentos desacelerarem enquanto eu o observava, confusa. Mas o que?

–O que foi?! O que aconteceu?!

Perguntei alarmada. Nicholas apontou para um ponto, para a parede logo atrás de mim.

–Uma aranha!

Ah não. Não! Não! Não! Aquilo só podia ser brincadeira. Soltei o castiçal no chão, o observando completamente descrente, enquanto levava a mão até o rosto. Que cena patética, até mesmo cômica. Senti vontade de rir e eu até teria feito, se não estivesse me recuperando ainda do susto que havia tomado. Levei a mão até o coração, sentindo meus batimentos se normalizarem aos poucos.

–Está louco? Quase me matou do coração! Tudo por causa de uma aranha!

–Você não entende! –Ele balançou a cabeça negativamente. –É uma puta de uma aranha!

–Ah! Deixe de ser mulherzi... –Minhas palavras foram interrompidas, assim que me virei na direção da parede, e vi perto de mim, muito perto de mim, uma aranha, enorme com as patas grossas e peludas tão grandes, que poderiam ser vistas de longe. O bicho deveria ter o tamanho de um prato de jantar e... Quando percebi um grito agudo saiu dos meus lábios e no segundo seguinte eu estava em cima da cama de Nicholas, em pé junto dele, me espremendo contra a outra parede olhando horrorizada para o bicho do outro lado do quarto. –Ah meu Deus! Ela é enorme!

Nicholas cobriu o rosto com as mãos em uma gesto de “não acredito” que não entendi muito bem. Meus olhos arregalados se viraram em sua direção, enquanto ele balançava a cabeça negativamente e me olhava em desdém.

–Eu disse que era enorme! Não acredito que está aqui!

–O que tem demais?! Pega a porra do inseticida!

–Esse é o problema, Einstein! O inseticida está no corredor!

Ótimo. Agora estávamos os dois, duas moças, em cima da cama como duas crianças com medo de barata, observando o enorme Kraken do outro lado do quarto que olhava fixamente para nós com seus muitos olhos. Nenhum de nós sequer movia um músculo. Senti o medo voltar para o meu corpo.

–Cadê o pai?

–Saiu. –Grunhiu, Nicholas. –Por que acha que eu tive a brilhante ideia de te chamar?

–Deveria ter me falado que aquilo não era uma aranha e sim um Kraken antes!

–Ok... Aquilo é um Kraken!

Nicholas ergueu as mãos para cima, anunciando. Revirei os olhos lhe dando um tapa no braço, fazendo-o protestar. Apontei para a porta.

–Ok, vá pegar.

–Nem fodendo! –Deu uma risada sarcástica. –Vai você!

–Eu não! –Olhei para ele, indignada. -Você é o machão que não tem medo de terror!

–Pensei que mulheres fossem corajosas!

–Não é você o homem bravio?

–Eu sou o mais velho! Eu mando! Vai pegar!

Estreitei os olhos na direção de Nicholas e isso bastou para saber que ambos estavam indispostos de mover sequer um músculo. Para aquele que observava aquela cena de fora, era realmente hilária, mas para nós que estávamos a vivendo, era um grande problema. Eu nunca me atreveria a passar por aquela porta com o Kraken de guarda ali. Eu não era louca e sim, eu estava com medo da aranha.

–Ok, a gente tem que bolar alguma coisa, senão ela vai devorar a gente.

Falou Nicholas em tom sarcástico, fazendo-me observa-lo, curiosa. Assenti.

–Certo. Pra sua informação, aquela aranha é uma caranguejeira... Até onde eu sei elas não são venenosas.

–Então por que está com medo de pegar o inseticida?

–Olha pra ela!

–Ok... –Concordou meu irmão, levando a mão ao queixo, pensativo. –Já sei. Eu jogo o chinelo nela pra faze-la subir pela parede. Assim que ela fizer um de nós corre e pega o remédio.

–Ok.

–Mas tem que voltar!

Bufei, completamente indignada com a falta de confiança de Nicholas. Revirei os olhos.

–Pode deixar.

–Pra prevenir, eu pego o remédio.

–Não, senhor! Você do jeito que é babaca vai me deixar aqui! Eu pego!

Protestei. Meu irmão revirou os olhos, soltando um suspiro.

–Ela está no meu quarto! Não vou deixar ela se hospedar aqui.

–Tá! Tanto faz.

Grunhi já impaciente com toda aquela demora. Nicholas assentiu enquanto me erguia um chinelo e apontava para a parede.

–Como é sua mira?

–Média.

–Sem querer botar pressão, mas se você jogar errado e ela descer pro chão... Fodeu.

–Obrigada.

O fuzilei com os olhos, enquanto ele me abria um sorriso idiota. Balancei a cabeça negativamente, e mirando na parede com o chinelo, o joguei sobre a aranha que como previsto escalou, dando ao meu irmão a coragem de finalmente passar pela porta correndo e pegar o remédio para matar insetos que estava supostamente no corredor. Quando pensei que ele havia me abandonado, retornou com o spray nas mãos.

–Eu preciso da sua ajuda, Sidney.

Chamou, fazendo-me pular da cama e caminhar até o meio do quarto onde ele estava também com uma vassoura na mão.

–O que quer?

–Bate nela com a vassoura pra eu alcançar com o spray.

–Sério?

–Vai logo!

Com um grunhido peguei a vassoura, e tentando me afastar ao máximo da parede, estiquei o corpo, batendo na aranha com a palha, fazendo-a despencar no chão. Nicholas mandou um jato de spray sobre ela, fazendo-a se encolher nojentamente de uma só vez, e só para garantir, lhe dei uma vassourada. Morta. Nicholas tocou-a com o sapato para ver se ainda estava viva, mas nada. Agora era 10 x 1 para a gente. Com a vassoura meu irmão varreu o bicho para cima de uma folha de papel e cuidadosamente a jogou para fora da janela. Limpou as mãos com uma careta no rosto.

–Acho que a vitória foi nossa.

–Um bom parceiro de guerra. –Revirei os olhos com um sorriso irônico. –A moça me deixa dormir agora?

–Ei! Você também ficou com medinho da aranha, ok? Não pode falar nada.

–Mas eu sou mulher.

Protestei com um sorriso no rosto, o garoto ergueu uma sobrancelha.

–Está dizendo que as mulheres são mais fracas?

–Não!

–Então pronto.

Revirei os olhos com a lógica, ficando completamente sem argumento. Nicholas deu risada, vitorioso enquanto apoiava a vassoura e o spray em um canto do quarto. Estremeci imaginando se havia alguma daquela no meu também.

–Será que é bom eu levar o spray?

–Relaxe. –Ele deu de ombros. –Não é normal aparecer esses bichos por aqui. Aposto que era de estimação de algum louco e escapou.

–Olha, se um garotinha aparecer na porta chorando, eu estou fora disso.

–Mas foi você que deu o golpe final com a vassoura. –Sorriu o garoto. –Somos ambos culpados pela morte do bichinho do garotinho.

–Pobre Fred.

Fingi enxugar uma lágrima, Nicholas soltou uma risada deliciosa com meu comentário.

–Fred? Deu o nome da aranha de Fred?

–Por que não?

Sorri. Nicholas deu de ombros.

–Agora me sinto ridículo por ter sentido medo de uma aranha chamada Fred. O nome deixou ela menos assustadora.

–Ah... Vá por mim, a cena foi ridícula.

–E você continua a provocar...

O sorriso estava em ambos dos rostos e estávamos agora achando engraçada a situação pela qual havíamos acabado de passar. Nicholas se sentou em sua cama e acenou para mim, fazendo uma curta reverencia, da qual tive que dar risada. Era impressão minha ou havíamos acabado de ter um momento bom? Estranho...

–Acho que a senhorita pode se recolher, se quiser.

–Eu preciso. –Dei de ombros. –Ou vou estar um zumbi no churrasco de amanhã.

–Wow. Mal chegou e já tem churrascos?

Perguntou em um tom divertido, dei de ombros.

–Acho que fiz alguns bons amigos.

–Tipo o viadinho que te trouxe pra cá?

Meus olhos caíram em Nicholas e minha boca tomou o formado de um O, descrente. Como ele havia acabado de falar de Christian. Minha expressão se tornou fria e ele deve ter reparado, porque sua face logo mudou-se para confusão. Estreitei os olhos, observando-o raivosamente.

–Não fale assim dele!

–Ou-ou-ou. –Ergueu as mãos em rendição. –Não falei mentira alguma, credo.

–Mesmo assim, nada te da o direito de chama-lo de “viadinho”. Cadê o respeito, seu ridículo?

–Cadê o seu, me chamando de ridículo?

–Eu menti?

–Eu também não.

–Eu ainda não sei porque falo com você.

Grunhi irritada enquanto me virava de costas e pisava forte em direção ao meu quarto. Era impressionante como ele era idiota! Eu me surpreendia cada vez mais, aquilo era incrível! Com o sangue quente pela raiva, bati a porta do quarto, mergulhando de volta sob as cobertas e em minha mente comecei a tirar muitos outros novos adjetivos péssimos para me referir a Nicholas. Eu não entendia o porquê de ter corrido para o ajudar, ele era um ridículo nojento e eu nunca deveria ter movido um dedinho por ele. Que a aranha o comesse. Pelo menos seria um mal a menos para o mundo. Quem ele pensava que era para falar do meu amigo daquela forma? Ainda mais para mim? Idiota! Fechei os olhos tentando ao máximo pegar no sono novamente, pois eu precisava para ficar bem para o dia seguinte. Depois de um tempo de muito sofrimento, apaguei, na cama da qual eu nunca deveria ter saído.

Notas finais
Vamos lá em galera! hahaha Reviews? Recomendações? Reclamações? Opiniões?