Você De Novo?
17 Caindo do Paraíso
Notas iniciais
Washington DC – Nova Moradia – Dia 39
Meus dias estavam se passando o mais rápido possível e minha vida parecia ter dado uma guinada tão grande que alguém que não tivesse visto, não ia acreditar que eu era a mesma garota de um mês atrás. Eu havia acompanhado Jessica ao mercado duas vezes na semana, e havíamos passado por um salão de beleza, onde ela fazia as unhas e a mulher fez questão de pagar uma hidratação para mim! Meu pai e eu estamos nos dando bem mais do que nunca e a vida dentro de casa de tão harmônica é quase de contos de fada. Felicity, Christian e eu estamos saindo bem mais, também. Havíamos feito uma sessão de filmes na casa de Christian e passamos a noite inteirinha vendo comédias românticas que nos fazia dar risada e até mesmo chorar com alguns filmes. Pelo jeito o romance de Christian e Troy estava indo muito bem e ambos sempre estavam juntos. Pude reconhecer Troy de algumas fotos no quarto de Christian que parecia muito feliz e isso era muito bom.
Outra coisa interessante foi como Felicity e eu nos tornamos tão amigas de uns tempos para cá. Sempre que Chris saía com o namorado, eu e a loira inventávamos algo para fazer, ou ela vinha para a casa, ou eu ia para a dela. Ela estava conseguindo lidar melhor agora com o irmão dela já que ele havia parado de levar Megan para a casa e ela estava bem menos estressada do que o normal. Estávamos todos bem, todos nós e isso era muito bom... Ou mais ou menos isso. Minha relação com Nicholas andava maravilhosa também. Nessa última semana, era impressionante como ele não conseguia tirar as mãos de mim. Não que eu esteja reclamando, não estou mesmo, mas Jessica e o pai não podiam deixar a casa, que ficávamos o dia todo juntos e sempre... Bem... Minha vida estava ótima, eu estava ótima, mas algumas coisas estavam me incomodando recentemente e... bem, pode ser da minha mente ou pode não ser. Como aconteceu há dois dias atrás, quando papai pediu para que eu e Nicholas pintássemos o quarto de visitar.
Nós não tínhamos nada para fazer então concordamos e sem problemas começamos com a pintura. Colocamos roupas velhas, um som bem alto e pintamos tudo tão animados que nem vimos o tempo passar. Já havíamos terminado a primeira parede, quando começou a tocar “Baby Got Back” e Nicholas e eu nos empolgamos com a dança. Eu comecei a rebolar de brincadeira, exageradamente como costumava fazer e com um sorriso divertido, Nicholas passou o pincel cheio de tinta azul em minha bunda, deixando meu short bem velho com um lindo rastro azul, fazendo-o cair na gargalhada. Em vingança, peguei o pincel cheio da tinta que estava usando e passei em sua camisa, fazendo um enorme X. E foi assim que começou. Risada, pulos, corridas, pinturas e logo ambos já estávamos praticamente cobertos em tinta azul. Nicholas me agarrou para perto de si e me deu um beijo enquanto nós dois nos abaixávamos em direção ao chão, deitando ali mesmo sobre todos os jornais sujos de tinta e começando com nossos amassos.
Não foi nada diferente, o toque de Nicholas ainda era o melhor, ele foi carinhoso e delicioso como em todas as vezes em que fizemos sexo. É claro que dessa vez havia sido no chão em meio a um quarto cheio de tinta, mas a ideia não havia deixado de ser divertida. Depois de um tempo em que estávamos lá, quando finalmente ambos atingimos o ápice do prazer, Nicholas me deu um beijo na testa e simplesmente se retirou para tomar um banho, e agir normalmente como se nada tivesse acontecido. Foi como aconteceu na cozinha, na semana passada em que ele me deu um beijo na testa e saiu para treinar com os amigos, ou então quando resolvemos ficar na piscina e depois com um beijo na testa ele foi assistir o jogo de basebol. Acontece que Nicholas não estava mais naquele estilo de ficar um tempo junto. Nós não agíamos como namorados, não ficávamos abraçados e dando beijinhos, nós havíamos nos tornado... Sexo. E só.
É claro que para mim, pensar que Nicholas estava me usando para sexo era algo completamente doloroso, digo... Eu estava apaixonadíssima com ele, e toda vez que ficávamos sozinhos, eu segurava a vontade de dizer que o amava, com medo de ele não dizer de volta. Talvez aquele fosse o jeito dele, talvez ele não fosse uma pessoa carinhosa, mas eu sabia que aquilo não se encaixava no padrão Nicholas que eu conhecia. Não me entendam mal, ele não me tratava mal, ele não fazia desfeita comigo, ele só não era romântico e fofo como antes. Nicholas era o Nicholas, meu amigo, meu irmão, o garoto com quem eu transava. Eu estava começando a ficar preocupada com isso, em onde nosso relacionamento havia ido parar... E eu precisava de ajuda.
–Ai meu Deus, eu superquero o corpo dele nu.
Felicity falava, hipnotizada pela televisão enquanto a bundinha do Brad Pitt aparecia na telinha do filme Tróia. Dei uma risadinha do comentário da garota enquanto revirava os olhos levemente. Eu havia ido passar a tarde na casa de Felly e agora estávamos assistindo televisão, babando no Deus grego que era aquele loiro e reparando que nós infelizmente não conhecíamos pessoas parecidas. Era deprimente pensar assim, mas fazer o quê.
Felly tinha os cabelos de mechas azuis, já que ela tinha desistido das rosas, presos em um rabo de cavalo, e tinha os grandes olhos azuis focados na televisão enquanto assistia Aquiles se declarar para a mulher biscate cujo nome não me recordo. Desde pequena meu sonho era ser ela, não Helena, para conseguir ficar com o Brad... Mas isso não vem ao caso e antes de mim, veio Angelina Jolie.
O pior de tudo era que mesmo vendo aquele filme com aquele homem naquela casa, minha cabeça continuava martelando o mesmo pensamento de novo e de novo, fazendo-me querer cortar os pulsos. Eu não conseguia parar de pensar em Nicholas e em como eu ainda achava que estava agindo errado com ele. Seria possível eu gostar tanto de um cara que me usava para sexo? O problema era que Nicholas não era um babaca. Eu me sentia bem, perto dele, eu me sentia desejada e me sentia valorizada. Ele era a pessoa com quem eu gostava de ficar perto, não um idiota com quem eu fazia sexo. Era quem eu gostava e francamente, eu achava que ele gostava de mim também... Provavelmente tudo aquilo era mais uma de minhas paranoias e eu só não estava acostumada com o jeito dele. Talvez fosse aquilo...
–Felly. –Não aguentei me segurar, chamando a tenção da loira. Felly olhou em minha direção, tirando os olhos da tela enquanto comia um punhado de pipoca. Bufei. –Hm... Como eu posso saber, se um cara realmente gosta de mim?
–O que?! –Minha amiga exclamou, praticamente jogando o pote de pipoca para o alto. –Você está saindo com alguém e não me contou?!
–Não! –Exclamei dando uma risadinha nervosa. –Eu... Hm... Bem, eu estava falando com Callie ontem a noite, e ela está começando a sair com um rapaz, um amigo nosso lá do Texas. Ele é tipo, muito legal e nós três éramos grandes amigos... Só que Callie me contou que eles tipo... Bom, toda vez que eles fazem sexo ele fica bem e logo depois lhe da um beijinho na testa e age o resto do dia como se nada tivesse acontecido. Como se fossem só amigos. Callie me falou que acha que ele está a usando só para sexo. Eu fiquei preocupada porque tipo, ela é minha amiga, sabe? Não consigo pensar em alguém a usando desse jeito.
–Hm... Entendi. –Felly falou interessada, se esquecendo completamente do filme. –Mas como esse cara trata ela? Ele é babaca? Ele faz ela se sentir puta ou coisa do tipo?
–Não! –Exclamei rápido demais. Limpei a garganta rezando para não ter soado suspeita. –Digo, Callie me disse que ele continua o mesmo amigo, sabe? Sempre fofo, sempre brincando com ela... Aí eles tem momentos quentes, e ao invés de o resto do dia ficar mais intenso entre os dois, ele volta a ser o amigo brincalhão, como se nada tivesse acontecido.
–E ela está achando que ele não gosta dela como mais do que uma amizade colorida?
–Sim...
–Olha... –Felly pegou um pouco de pipoca da cama, levando aos lábios. –Eu não sei como é o cara com quem ela está saindo, nem sei quem ele é, então eu não posso ajudar.
–Hm... Ele é... Steve é... –Me corrigi inventando um nome qualquer. –Ele é muito sério em relação a relacionamentos amorosos. Ele sempre mantém um compromisso e um cavalheiro. Ele também é ótimo em casa com os pais e uma pessoa muito divertida, muito equilibrada. Ele é responsável e Callie adora passar o tempo com ele. Com ela, ele é um grande amigo, mas também o namorado que ela sempre sonhou em ter... Mas então ele muda com ela assim e...
–Por favor... –Felly me olhava atônita, interrompendo-me. Franzi a testa confusa. –Não me diga que você está saindo com o seu irmão.
Minha pressão caiu assim como o meu queixo. Felly me olhava da forma como eu temia que alguém olharia: Com nojo e espantada. Eu queria chorar, como ela sabia?! Pronto, agora a garota nunca mais ia olhar em minha cara e meu relacionamento com Nicholas ia se espalhar para a cidade toda. Eu estava fodida e tudo por causa de um deslize. Boa Sidney! Você se mostrou mais burra do que nunca! Felly continuava a observar-me fixamente enquanto eu estava congelada e tinha os olhos arregalados. Faça alguma coisa!
–Não! Está louca?! Eu e meu irmão?! Mas que nojo!
–Sidney você não está fazendo isso! –Exclamou ela, não acreditando em minhas mentiras. –Isso é... Doentio! Errado! Muito errado! Ele é seu irmão isso é nojento!
–Por favor, pare de gritar...
Pedi em tom baixo, preocupada de alguém a ouvir. Sabe, eu sempre soube de tudo isso o que Felly estava me falando, mas ouvir saindo da boca de alguém, era mais doloroso ainda. Eu queria me esconder, eu estava envergonhada. Me encolhi aos poucos enquanto ouvia minha amiga falar um monte. Eu merecia aquilo. Sabia que sim.
–...Abominável, Sidney! Qual o problema de vocês dois?! Isso é... Eca!
–Por favor, não conte para ninguém.
Implorei. Os olhos de Felicity caíram descrentes em mim, atônita com o meu pedido. Meu coração estava disparado e eu sentia um nó em minha garganta. Aquilo não estava acontecendo, eu era uma burra! A loira levou as mãos até a cintura, me observando de forma irritada.
–Não contar?! Eu deveria falar com seu pai, Sidney!
–Felly, não! Por favor!
Me coloquei de pé sentindo o desespero tomar conta de mim. Meus olhos ardiam e era uma questão de tempo até eu estar chorando. Felicity me olhava irritada, como eu imaginei que alguém ficaria quando eu contasse tudo isso.
–Eu não acredito nisso... É como se eu e James... Urgh!
–Não é como você e James. –Exclamei, chamando sua atenção. Felicity ergueu uma sobrancelha em minha direção. –Nicholas e eu somos estranhos, nos conhecemos esse ano praticamente e no início não nos demos nada bem. Não venha me dizer que meu caso é como se eu tivesse um irmão como você e James. Eu sei que é nojento, fala como se eu não tivesse pensado nisso um milhão de vezes, porque eu pensei. Eu estou passando por um inferno, Felly e eu juro que eu entendo se você nunca mais olhar na minha cara. Na verdade eu vou sair agora e se você nunca mais me ligar eu não vou achar ruim, você tem razão de sentir nojo de mim, eu sinto nojo de mim. Mas eu não posso fazer nada. Imagine se você descobrisse hoje que Nicholas é seu irmão...
–Não é assim...
–É sim! Você o conhece melhor do que eu, provavelmente. Eu não estou justificando meus atos, eu sei que são errados, eu sei disso. Mas por favor, não ferra tudo pro lado da minha família, eles não fizeram nada de errado. O que eu tenho com Nicholas é uma doença entre nós e só. Eu estou tratando, eu tenho muitos problemas, eu sei também, mas... Por favor.
Um momento de silêncio se alastrou e o desespero continuava tomando conta de mim. Meus olhos ainda estavam mareados e algumas lágrimas desciam por minhas bochechas. Eu não havia levantado o tom de voz uma vez sequer com Felly, como ela havia feito comigo, porque eu não tinha razão para começar a gritar. Eu era a errada na história e eu sabia disso, eu havia acabado de perder uma amiga como eu havia previsto, eu só estava querendo contornar a merda toda e jogar meu caso para debaixo do tapete. Felicity ainda me observava imóvel, como se estivesse em meio a um conflito interno e seu silêncio me matava, mas eu tinha que me acostumar, pois a partir daquele dia, silêncio era tudo o que viria da garota para mim.
–Você... Tem muitos problemas mesmo, hein?
Falou a loira agora em tom tão baixo como o meu. Enxuguei o rosto, assentindo com um suspiro. Sim, eu tinha. E sabia bem disso.
–Me desculpe, eu...
–Eu não deveria ter ficado brava, o assunto nem é comigo. –Deu de ombros. –Eu só fiquei chocada... Sidney, me desculpa por ter gritado e eu não vou falar com o seu pai.
–Obrigada...
Falei quase em luto, me preparando para ir embora, colocando minhas coisas dentro da bolsa. Felly esperou eu me arrumar em silêncio, enquanto me observava como se eu fosse um alien. Enxuguei uma lágrima. Bem, eu teria que me acostumar com isso, era assim que todos me olhariam caso a verdade se espalhasse.
–Hm... Isso é meio estranho, mas... Foda-se. Eu sou sua amiga e eu vou ser uma vagabunda sem tamanho se ficar brava com você por causa disso. Quando eu contei sobre o que eu fiz com uma amiga você me abraçou e... Não ligou. Então, eu não vou ser diferente. –Falou enquanto eu me virava em sua direção, surpresa pelo discurso repentino. Meus olhos brilhavam, aquilo era sério? –Se você quer pegar seu irmão, ei qual é o problema? –Falou mais querendo se convencer da frase do que eu. –Digo, não é normal, mas não vou te abandonar por isso, certo?
–Hm... Felly?
–Digo, Nicholas é um rapaz legal, ele é gato, você até saiu ganhando com isso porque ele é meio impossível e isso da um cacete em várias meninas que querem pegar ele e não conseguem...
–Felly?
–E tipo, isso é legal porque... Bem, você não tem que sair de casa para ver seu namorado, e eu tenho que aceitar isso, nada estranho... –Deu uma risada nervosa. –Nada demais, eu devo apoiar...
–Felly! –Exclamei finalmente conseguindo chamar sua atenção. Dei uma risadinha. –Isso foi mais para te acalmar ou me acalmar?
–Sei lá! Os dois!
Exclamou minha amiga em tom choroso enquanto me puxava para perto e me dava um forte abraço reconfortante. Retribuí seu abraço com vontade, sentindo as lágrimas voltarem aos meus olhos, agora aliviados por ela não me odiar. Ela estava ok com tudo isso, eu não acreditava. Eu não havia perdido minha amiga, ela não havia me abandonado então talvez... Talvez tivesse esperança. Felly continuou a me abraçar forte.
–Olha, eu estou do teu lado, ok? Todos nós temos problemas, sempre termos, e todos fazemos ou fizemos merda, então...
–Cala a boca, amiga.
Pedi em tom brincalhão, enquanto as duas dávamos uma risadinha e nos soltávamos. Felly prendeu a respiração enquanto me olhava de forma emocionada. Acho que ela estava no fundo um pouco tocada por ser a única no mundo todo em saber sobre mim e Nicholas... Mesmo ela tendo descoberto sozinha.
–Já que estamos soltando todas as merdas da vida aqui, eu preciso te contar uma coisa.
Falou enquanto se sentava em sua cama. Coloquei minha bolsa de volta na cadeira da escrivaninha e me sentei ao seu lado, olhando-a curiosa. Eita.
–O quê?
–Eu acho que é justo eu te contar a verdadeira razão de eu odiar Megan. Acho que muita gente já sabe disso, então eu prefiro que você escute de mim antes de alguma outra pessoa te contar. Por favor, não me julgue como eu fiz com você, ok?
–Hm... Ok.
Franzi a testa completamente confusa. Mas o que havia acontecido que Felicity tinha tanto medo de contar para mim? Acho que ela estava certa, todos fazíamos merda... Mas ela estava fazendo tanto suspense que por um momento me perguntei se ela havia feito algo pior do que eu, tipo matar alguém.
–A razão de eu odiar Megan tanto, é que... Bem, ela é minha ex-namorada.
WOW! Meu queixo caiu e de uma só vez senti uma bigorna me atingir. O que?! Megan e Felicity? Namoradas? Hein? Felly não era lésbica! Era? Mas ela havia ficado com Nicholas! E Megan namorava James! Megan namorava o irmão da ex-namorada dela?! OH MEU DEUS! Eu estava mais confusa do que tudo naquele momento. O seu babado não era maior do que o meu, mas era também um senhor babado. Eu nem em um milhão de anos teria adivinhado aquilo. Ela tinha que estar brigando comigo.
–Ok, eu não vou falar nada... –Comentei em tom de choque. –Se você me explicar tudo direitinho...
–Megan e eu namoramos por alguns meses. –Suspirou. –Eu tinha acabado de terminar com um ex-namorado quando nos conhecemos e bem... Rolou. Ela vinha aqui pra casa direto, é claro que meus pais nem sonham sobre meus... Hã... Relacionamento com meninas. Eles geralmente conhecem só os namorados homens. Mas em fim, eles achavam que Megan era uma ótima amiga e tal. Em uma festa num dia, ela havia me dito que estava mal e eu falei que não iria também então, mas de última hora, Chris me ligou dizendo que ia e me chamando pra ir, então eu decidir fazer companhia pra ele. Acontece que quando eu cheguei na festa, eu só não encontrei Megan boazinha lá, como também a encontrei com um cara em um dos quartos da casa. Ela tentou pedir desculpas e tal, mas então eu comecei a sair com Ian, um amigo meu e do Chris só para fazer ciúmes nela. E ela pirou. Ficou mais vagabunda do que já era e começou a fazer de tudo para foder com a minha vida, inclusive sair com o meu irmão.
Meu queixo estava no chão e eu ouvia a história de Felly completamente chocada. Wow! Tipo, dez a zero para Felly por ter escondido porque, novamente, eu não sonharia que essa era a razão das brigas nem em um milhão de anos! Assenti, tentando levar tudo numa boa como ela havia feito com meu lance e de Nicholas. Éramos duas garotas, com dois grandes problemas e que provavelmente teríamos de lidar para o resto da vida. Talvez Felly e eu tivéssemos muito em comum afinal. Talvez não fossemos tão diferentes assim.
–Wow. –Foi minha sentença final por um momento. Era muito para digerir. Assenti enquanto tentava organizar meus pensamentos. –E James fica com ela? Mesmo sabendo disso?
–Ela é gostosa e ele é um homem. –Felly revirou os olhos. –Acha que não briguei demais com ele sobre isso?
–Eu imagino... Eu só estou meio... Chocada.
–Certo. Mas mudando de choque por um momento. –Felly voltou a me observar. –Me dei conta de uma coisa: Acha que Nicholas está te usando para sexo?
–Ok. Voltemos para meu choque então...
–Isso não parece muito dele. –Felly falou confusa. –Ele não é assim com ninguém... Mas você também é irmã dele, então...
–Eu estou confusa, Felly. Demais. –Suspirei. –Tipo. Ele é um fofo, mas não é romântico como era. Será que a relação esfriou?
–Sabe Sid. Ele pode gostar de você também, bastante, mas ele pode estar inseguro quanto ao negócio de irmãos.
–Mas não faz sentido! Ele que quis começar com esse negócio de ficar comigo?
–Ah é?! –Exclamou Felly, chocada. Franzi a testa por tanta surpresa. Minha amiga tentou voltar a expressão normal. –Você claramente precisa me contar uma coisas depois... Mas sei lá. Nicholas ainda é Nicholas. Mesmo ele tendo... –Franziu a testa. –Incentivado isso tudo a começar, uma hora ou outra ele ia enxergar a luz, e ia se arrepender.
–Então por que ele continua dormindo comigo?
–Porque ele gosta de você.
Felly deu de ombros, ainda parecendo um pouco desconfortável com o assunto. Eu não a culpo. Eu também havia demorado bastante pra me acostumar. Soltei um longo suspiro, enquanto apoiava o queixo em minha mão.
–Isso pode fazer sentido. Nosso combinado era que nós ficássemos juntos, mas procurássemos ao mesmo tempo outras pessoas.
–Isso é bizarro. –Comentou minha amiga. A olhei feio, fazendo-a erguer as mãos em rendição. –Desculpe. Bom... Vai ver é isso mesmo, as vezes ele está começando a sentir algo forte por você e quer fugir...
–Ou ele está me usando para sexo.
–Colocaremos 20% pra sua teoria e 80% pra minha, ok? –Sorriu minha amiga, fazendo-me dar uma risadinha. –Mas quer uma dica? Ciúme. Qualquer pessoa que gosta, sem exceção, sente ciúmes. Se Nicholas quer que você ache outros caras, apareça com outros caras. Se você ver que ele se importa de você estar com outro senão ele, então BUM! Ele não está com você por sexo, e eu estou certa como sempre.
Pisquei por algum tempo, olhando para Felicity. Mas não é que o que ela dizia fazia muito sentido mesmo? Ela era um gênio, meu Deus! Se eu tinha permissão para encontrar outros caras, eu poderia fazer isso, mas só a ponto de ver como isso deixaria Nicholas enciumado e faze-lo perceber que é comigo que ele quer ficar, e que não faz sentido fugir disso. Era genial. O plano perfeito! Mas só tinha um probleminha...
–E onde eu vou achar um cara pra fazer ciúmes nele?
–Ah, amiga! Isso é de menos!
***
Nova Moradia – Washington DC –Dia 40
–Ah meu Deus! Eu achava que ele ia reagir melhor! Sidney... Me desculpe...
A preocupação no rosto de Felly era basicamente tão grande quanto a minha enquanto a porta da casa batia com força e a pessoa que eu tanto amava sumia pela porta para não voltar mais. Eu estava nervosa com tudo aquilo e por uma razão: Eu era nojenta, e meus amigos não viam isso antes. Depois de um longo tempo de conversa, Felicity e eu decidimos que deveríamos bolar um plano para eu conseguir fazer ciúmes em Nicholas, para assim descobrir se eu estava louca com minhas teorias, e para isso, o único garoto em que concordamos usar para fazer ciúmes, havia sido aquele que deixava um enorme rombo no meu peito: Christian. Felly me olhava em tom de perdão, enquanto eu permanecia sentada na bancada cabisbaixa, sentindo meu coração desacelerar e a tristeza tomar conta de mim. Eu não queria contar para ele, já havia sido doloroso demais com Felly... E ele havia reagido pior. Nunca me esqueceria do brilho em seus olhos e da sua expressão de horror, quando me deu as costas e saiu pela porta. “Não posso, me desculpe”, foi o que disse.
Meus olhos ardiam e eu piscava para o teto, tentando evitar de deixar as lágrimas rolarem. Poxa vida! Justo Christian? Em todas as pessoas que eu amava tinha que ser justo ele o que iria me abandonar. Eu sabia que a família dele era religiosa e fanáticos e tudo mais... Mas não sabia que ele tinha vestígios disso. Não sabia que ele confirmaria minha teoria de que eu iria ao inferno, e não imaginaria que ele me daria as costas daquela forma. Acho que ele estava certo no final das contas. Se eu pudesse, também daria as costas para mim.
–Olhem! Eu sou o gay aqui e não tenho direitos de julgar você, porque já fiz coisas das quais me arrependo, como por exemplo assediar minha vizinha paraplégica!
A porta se abriu tão rápido e o falatório foi tão veloz que mal consegui processar suas palavras. O brilho voltou aos meus olhos e um sorriso se abriu em meu rosto. É claro que ele não ia me deixar! Era meu amigo! E eu estava começando a suspeitar que havia feito as melhores amizades que já poderia ter feito um dia. Olhei para o ruivo, com o olhar cheio de emoção.
–O quê?
–Ela colocou minhas mãos nos peitos dela. –Revirou os olhos. –Mas eu tenho certeza que eu vou pro inferno só por causa disso.
–Não, seu bobo! –Dei risada, nem ligando para a confissão desnecessária. Corri em direção, lhe dando um forte abraço. –Obrigada!
–Não me agradeça. Se você quer pegar o gostoso do seu irmão, por mim tudo bem. Vocês nem se conhecem de novo mesmo. Não que eu não ache uma enorme maluquice, mas quem sou eu, certo?
–Certo, ruivo. –Sorriu Felly enquanto se aproximava da gente. –Eu estava contando os minutos para você voltar.
–Fazer o que. Eu amo minhas duas vaquinhas. –Sorriu ele, nos abraçando. –Tem alguma chance de eu impedir vocês de continuarem com essa maluquice?
Nos perguntou em tom pidão, Felly e eu trocamos olhares por um momento, e logo um entendimento se passou por nós.
–Não.
Falamos em uníssono. Christian suspirou, em tom de desistência.
–Como eu imaginava.
Era engraçado ver como Felly já havia aceitado toda essa história. Na verdade, ela estava até animada com o fato de eu namorar meu irmão porque... Assim ela teria alguns pontos contra Megan. Eu havia deixado para ela, bem claro, que ninguém poderia suspeitar daquilo e ela havia concordado, mas sua desculpa, havia sido de que enquanto Nicholas estivesse apaixonado e esnobasse a loira cegamente, para ela já era uma deliciosa e suculenta vitória. Não discordei.
–Me escutem aqui, suas duas piradas. –Christian chamou nossa atenção, ainda sem nos soltar do abraço. –Se vamos fazer isso, tem que ser direito. Eu não sou de brincar em serviço.
–Troy não vai ficar com ciúmes?
Perguntou Felly. Christian balançou a cabeça negativamente.
–Ele sabe que eu e Sidney temos um caso secreto. –Brincou me dando uma piscadela. –Mas, ele é meu lindo e sabe que meu coração é todo dele, então não teremos problemas.
Concluiu com um grande sorriso no rosto. Abri um similar, sentindo-me animada. A ideia de Felly, além de antiética não me parecia ruim. EU estava disposta a descobrir o que Nicholas queria de mim. Se era apenas sexo, teríamos de lidar com isso.
–Qual é sua ideia, ruivo?
–Enquanto eu estiver namorando com a Sid, é bom você segurar essa periquita, garota. Não quero chifres, mesmo que sejam só de faz de conta. –Falou olhando-me em tom de repreensão. Assenti dando uma risadinha. –E nós vamos ficar o tempo todo, e quando Nicholas te perguntar sobre mim, pode dizer que sou um perfeito hetero, como perfeito gay!
–Tudo bem.
Dei uma risadinha, revirando lentamente os olhos.
–Então vai ser descoberto em Christian um lado bissexual.
Falou Felly com um sorriso no rosto. Christian lhe mostrou a língua.
–Olha quem fala!
–Então...! –Interrompi o diálogo dos dois com um sorriso. –Quando isso começa?
–Ah meu bem! Pode considerar essa missão, já em andamento.
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