Você é uma vergonha, Rose Weasley !
6 Capítulo 5 - Bomba Relógio
Notas iniciais
A campainha tocou, anunciando a chegada de Lily e assim que eu abri a porta, já fiquei preocupada: ela estava com uma cara péssima, de quem tinha chorado muito.
— O que houve ? — Eu perguntei , dando espaço para ela entrar.
— Não se preocupe, eu estou bem – Ela disse enquanto entrava, dando um fraco sorriso
— Eu te conheço Lily, anda, desembucha ! – Eu disse, fechando a porta e a olhando um olhar sério. Ela suspirou fundo.
— Vamos pro seu quarto, lá eu conto tudo – Ela pediu e eu assenti, nós subimos as escadas e nos trancamos em meu quarto. Lily se jogou em minha cama.
— Seu..seu irmão me mandou uma carta, pouco depois da nossa conversa – Lily disse e eu arregalei os olhos. Hugo sempre teve uma quedinha ( um abismo, na verdade) pela Lily, mas ele nunca teve coragem em dizer isso para ela, mesmo ela retribuindo os sentimentos.
— E o que ele queria ? – Eu perguntei curiosa, sentando-me ao lado dela na cama.
— Ele se declarou, disse que me amava desde sempre e que queria assumir um compromisso sério comigo – Lily disse e eu sorri para ela. Por mais que Hugo não fosse o melhor irmão do mundo comigo, eu estava feliz, pois eu sabia que a Lily gostava dele – Mas eu neguei — Ela disse, e eu quase cai na cama.
— Recusou ? Mas porque ? Você ama ele, Lily ! – Eu disse chocada e ela abaixou a cabeça, e me olhou novamente, com os olhos cheios de lágrimas.
— Rose..como eu posso ficar com alguém que trata a própria irmã do jeito que ele te trata ? — Ela disse, e eu a encarei por alguns segundos. Eu estava tão acostumada com aquele tipo de tratamento, que muitas vezes me esquecia o quanto podia soar absurdo aos ouvidos de outras pessoas – Quer dizer.. se ele trata você desse jeito, ele pode muito bem fazer até pior comigo, daqui uns anos.. – Ela disse e se levantou da cama, andando de um lado para o outro pelo quarto. Eu suspirei, chateada. Odiava o fato que, de um jeito ou de outro, eu estava sendo um empecilho.
— Sinto muito por isso Lily.. – Eu disse e ela me olhou, sem entender – Por ser o motivo de ter te levado a essa decepção
— Ah Rose, cala a boca – Lily disse , e jogou meu travesseiro em mim — Você não tem culpa se o seu irmão e toda a nossa família são idiotas o suficiente para te tratarem desse jeito, pelo simples fato de você ter problemas de saúde – Ela disse revoltada,e novamente, eu não sabia o que dizer a ela.
Nós ficamos a tarde inteira conversando, até que minha tia Ginny chegou junto com a minha mãe e levou Lily embora, pois segundo ela, queria ajuda para escolher algumas roupas. Lily tinha uma excelente reação com meus padrinhos, e eu sabia que era o tipo de relação que eu jamais teria com os meus pais. Observei as duas desaparecerem pelas ruas e, como minha mãe sequer me dirigiu a palavra quando chegou em casa, eu voltei para meu quarto e me tranquei lá, já que Lily e eu tínhamos comido todo o tipo de porcaria durante a tarde. Pouco tempo depois meu pai chegou em casa , e eles começaram mais uma das explosivas discussões que sempre tinham.
Peguei o livro que estava lendo e, como sempre acontecia, fiquei entretida e acabei lendo o livro inteiro naquela madrugada. Suspirei desanimada e guardei o livro na prateleira novamente, eram duas da madrugada, e além de não estar com um pingo de sono, eu estava com medo da consulta com a Dra Carrow no dia seguinte.
Eu sabia que precisava mudar meu hábitos, que sou muito nova para estar dessa forma, mas ainda assim, não é uma coisa fácil. Nós vemos muitas histórias no mundo trouxa em que, um obeso mórbido ( assim como eu) consegue perder cerca de cinquenta, sessenta quilos e muda completamente de vida. Todas elas deixam bem claro que só conseguiram passar por tudo isso porque tinham o apoio da família, que era a última coisa que eu tinha. Minha família inteira me despreza, e eu sabia que só tinha Lily e Alvo por mim..mas até quando ?
Alvo e Lily são pessoas maravilhosas, inteligentes e populares, não vai demorar muito para que sigam suas vidas , arrumem uma ótima profissão, e consequentemente , nosso contato vai acabar diminuindo..
— Céus, como eu estou insuportável – Sussurrei para mim mesma, irritada. Balancei minha cabeça negativamente para afastar aqueles pensamentos de minha mente e deitei em minha cama, me cobrindo com o edredom. Eu sabia que amanhã, quando a Dra Carrow lesse o laudo dos exames, eu estaria em maus lençóis , e que ela me mandaria mudar totalmente os meus hábitos, e talvez, sugerir a famosa cirurgia bariátrica, que está cada vez mais famosa e comum no mundo trouxa.
Quando mais eu penso a respeito, mais perdida eu fico, e não sei se estou preparada. Acabei adormecendo com esses pensamentos, e acordei no dia seguinte com minha mãe me chamando ( vulgo gritando) de um jeito nada delicado, como sempre, para que eu levantasse e tomasse logo o café da manhã, pois ela tinha uma reunião importante no ministério e queria resolver isso logo.
Me espreguicei e, tropeçando de sono, fui em direção ao banheiro fazer minha higiene matinal. Senti a água morna escorrer por todo o meu corpo, despertando-me completamente e me dando um pouco de força e energia para o desastre que se seguiria quando chegasse no consultório. Coloquei uma roupa qualquer e desci para a cozinha, onde a tensão era evidente e parecia que meus pais se matariam com o olhar, ou que, se alguém respirasse um pouco mais alto ali, ambos explodiriam e se atacariam como dois leões.
Me sentei em silêncio e me servi das panquecas com geleia que estavam na mesa, e comi silenciosamente. Meu pai se levantou da mesa e, sem sequer tirar o prato da mesa, saiu de casa e bateu a porta com força, fazendo com que minha lançasse um olhar extremamente irritado e furioso em direção a porta. Esse clima de guerra e tensão não estavam sendo uma coisa rara em casa, e a cada ano que eu e Hugo voltássemos de Hogwarts, parecia que estava pior.
Terminei rapidamente de comer e deixei o prato na pia, corri para meu quarto , escovei os dentes peguei outro livro e retornei correndo para a sala, onde minha mãe já me esperava impaciente.
— Espero que eu não tenha que gastar mais dinheiro com você nessa brincadeira – Minha mãe disse irritada, enquanto saíamos de casa. Eu fiquei em silêncio, como sempre, e ela agarrou meu braço com violência e aparatamos, e logo quando chegamos na rua de trás do consultório, ela soltou meu braço e saiu andando a frente, em direção a casa em que o consultório funcionava. Fomos recebidas pela mesma recepcionista e nos sentamos no sofá, enquanto esperávamos pela Dra Carrow. Abri meu livro e comecei a ler, me esquecendo totalmente do mundo ao redor, como sempre acontecia. Pouco tempo depois, a Dra Carrow surgiu na porta e nos chamou.
— Os resultados dos seus exames acabaram de chegar no meu e-mail – Ela disse, enquanto mexia no computador e digitava rapidamente, me deixando perdida quando tentei acompanhar. Ela ficou olhando atentamente para tela durante alguns minutos, seus olhos passavam rapidamente pela tela, enquanto nós esperávamos em silêncio. Senti minha mãe incomodada ao meu lado. – Bom, exatamente como eu pensava. Rose, os resultados do seu exame estão parecidos com os de um senhor de oitenta anos – Ela disse, virando a tela do computador para mim. Senti um bolo se formar em minha garganta, enquanto olhava os resultados. Cada item, que eu não fazia a menor ideia do que significava, estava em quantidades muito maiores do que deveriam estar. – Isso é ainda mais grave por você ter apenas 15 anos, pois você está com todos os problemas que uma pessoa idosa tem, e mais um pouco. Nós precisamos agir rápido, esses níveis de gordura são como uma bomba relógio, que pode explodir a qualquer momento...
Eu não prestava mais atenção do que ela dizia, apenas olhava para os resultados daqueles exames, em choque. Naquele momento, foi como se eu tivesse recebido um banho de água fria. “ É sério que você vai se deixar vencer desse jeito, Rose Weasley ? Cade o sangue grifinório que existe em você ? “, era o que eu mais me perguntava naquele momento. Eu sabia que deveria tentar..eu sabia que teria Alvo e Lily ao meu lado e que, talvez eu não conseguisse ..mas eu tinha que tentar, por mim.
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